Time After Time
18 And You Will Find Me
Notas iniciais
Rachel prendeu a respiração quando o objeto veio em direção a sua cabeça.
Não esperava que atingisse tão certeiramente o seu rosto, tanto que quase se desequilibrou com a força, mas não ia deixar barato. Pegou o seu próprio travesseiro e com toda força que pode juntar acertou cara de Sam, que se jogou na cama fingindo dor. Entre risadas, jogou-se ao seu lado e continuou a rir, agora acompanhada do loiro. Riram até perder o fôlego e só pararam quando suas respirações começaram a falhar.
Arfando, se perguntou desde quando tinham virado o casal clichê de comercial de margarina? Não que se importasse, na verdade era muito bom, mas também bastante hilário.
Deu uma olhada pelo quarto, sua cama estava completamente desarrumada e um dos travesseiros fora jogado com força que por acidente caíra na mesa de cabeceira, derrubando e consequentemente, destruindo o abajur, mas quem se importava? Sua empregada viria naquela tarde de qualquer forma e limparia tudo, já o abajur quebrado lhe daria desculpas para fazer umas comprinhas básicas, mas só mais tarde. Tinha algo melhor para fazer no momento.
Virou-se, subindo sobre Sam e travando suas pernas em volta dele, e lentamente deslizou sua mão para baixo por todo aquele peitoral maravilhoso, enquanto atacava-o com uma série de beijos. Jamais cansaria daquela boca. Jamais cansaria daquele homem!
i.
O casal cochilava quando a campainha tocou incessantemente, ainda sonolenta e de mal humor por ser acordada, Rachel levantou colocando apenas a camisa flanela de Sam sobre seu corpo e foi abrir a porta, tinha certeza que seria Kitty lhe perturbando para assinar algum contrato com uma pasta de dentes ou comercial de comida saudável que ela rapidamente assinaria e fecharia a porta na cara da loira para voltar ao seu agradável cochilo.
Mas não era essa loira que estava em sua porta, e sim Quinn Fabray, acompanhada do marido, Noah Puckerman, que carregava as malas enquanto a ex-líder de torcida segurava o pequeno Isaac Puckerman, de dois anos.
“Se eu soubesse que você ia atender dessa forma, eu tinha deixado minha mulher e o filho em casa Berry.” Puck brincou checando a morena dos pés a cabeça, mas desviando o olhar quando Quinn deu um tapa em sua cabeça.
Por causa da correria que estava sua vida nas últimas semanas, Rachel tinha esquecido completamente que cedera seu quarto de hospedes para o casal e a criança passarem alguns dias ali.
Depois de pedir Quinn em casamento e ela aceitar, Puck pedira dispensa da Força Aérea e montara um pub rock em Chicago, onde Quinn era sócia de uma das maiores firmas de advocacia da cidade. Aproveitando que Brittany e Santana estariam na cidade naquela semana para a turnê, o casal escolhera a Cidade dos Anjos para recarregarem suas baterias e passar umas semanas com os velhos amigos que não viam em um bom tempo.
“Por favor, entrem.” Rachel pediu, dando espaço para entrarem e com a mão livre puxando a barra da blusa mais para baixo, pelo menos tinha colocado a calcinha e não corria risco de mostrar o que não devia. Estava envergonhada por seu estado deplorável, cabelo bagunçado, roupas faltando, cara de sono, era intuitivo o que ela estava fazendo um tempo atrás, não tinha nem como desfaçar, era só Sam aparecer que perdia noção do tempo. Pediu licença e voltou ao quarto colocando um vestido simples, amarrou os cabelos e jogou uma água gelada sobre o rosto, satisfeita com sua aparência, voltou à sala para cumprimentar seus convidados.
“Rachel, não queremos ser um transtorno para você, a gente pode ficar sem problemas num hotel.” Quinn avisou abraçando a amiga. “A última coisa que queremos é te atrapalhar.”
“Incomodo algum Quinn, é que fugiu de minha mente que vocês iriam chegar hoje.” Explicou, inventando uma mentirinha suave. A verdade é que fugira de sua cabeça que eles iam vir. “E esse menino adorável?” Comentou, brincando com a criança no colo da loira.
Isaac Puckerman era uma criança amável que os dois tinham enfim conseguido ter depois de inúmeras tentativas de gravidez que resultaram em nada, ele era moreno, com lindos olhos verdes e um pouco tímido quando conhecia as pessoas pela primeira vez, mas mesmo assim Rachel se encantou com o pequeno, combinando com Quinn de marcarem para apresentar ele e Audrey, as duas já prevendo que eles dariam um bom par.
“Isaac não vai ter uma dona tão cedo!” Puck falou rindo. “Assim como o pai, ele vai ser um pegador, quebrando corações por onde passar.” Iria acrescentar mais coisas, mas um olhar predador de sua esposa o fez se calar rapidamente.
Enquanto conversavam sobre os acontecimentos do dia a dia, Sam apareceu na sala coçando os olhos e chamando por Rachel, fazendo-a querer que um buraco abrisse a sua frente e a engolisse, deu graças a Deus que pelo menos seu namorado colocou uma cueca, já que tinha mania de andar nu pelo apartamento, mesmo assim, quando o loiro viu a família ali na sala, enrubesceu e voltou correndo para o quarto, quase tropeçando e batendo com o joelho na vista da porta, mordendo o lábio para não soltar xingamentos pesados por causa da criança no apartamento.
“Estamos interrompendo algo?” Puck questionou vendo a cara de vergonha da morena, ela estava com os olhos fechados e mentalmente implorava que aquilo fosse apenas um sonho. Infelizmente não era. Noah jamais iria deixa-la em paz depois disso.
“Bem que ouvi comentários sobre isso.” Quinn apontou do quarto onde Sam estava para a morena “Desde que você voltou para Lima anos atrás, mas só agora, vendo com meus próprios olhos que consigo acreditar. Rachel Berry e Sam Evans, definitivamente um casal que eu não esperava.”
“Também não acreditava até ver esses dois no casamento Brittana e Klaine.” Puck acrescentou lembrando quando viu os dois sentados juntos e depois dançando aquele dia. No principio não tinha aprovado muito, achava que Rachel estava esquecendo seu melhor amigo, mas ao ver os olhos da Berry se iluminarem cada vez que o loiro aparecia e a forma delicada que ele a tratava, depois uma rápida conversa com Kurt também lhe iluminou os pensamentos, o fez ‘aprovar’ o relacionamento, afinal ele e Rachel são judeus e ele sempre a protegeria. Ela como uma pequena irmã para Noah.
“Você tem muito que explicar Rachel.” Quinn comentou sorrindo maliciosamente. Não via a hora das garotas sentarem para fofocar sem os homens ou crianças por perto. Estava curiosa para saber detalhe por detalhe daquele relacionamento.
“Pelo menos já sabemos o motivo da Berry ter aparecido naquele estado ao abrir a porta.” Puck provocou, iria fazer uma piada sobre o que o casal estava fazendo que os levaram a tal estado com pouca a quase nenhuma roupa, mas preferiu se calar ao ver o olhar feio de Quinn.
“Acho que alguém precisa trocar a fralda.” Quinn comentou ao sentir o cheiro ruim. “Onde eu poderia?” Perguntou para Rachel, que de prontidão pulou do sofá e indicou o caminho para o quarto de hospedes, onde a família iria ficar.
Já na sala, Puck e um vestido Sam ficaram sentados no sofá bebendo a Budweiser que o loiro sempre deixava na geladeira da morena e conversando sobre os últimos jogos de futebol.
“Então, você e a Berry novamente...” O judeu comentou como se não quisesse nada e analisou Sam em completo silêncio por diversos e longos minutos. “Eu não vou ter que conversar novamente com você sobre partir sua cara ao meio se você magoa-la, não é?”
“Não, eu ainda lembro nossa conversa de antes.” Sam respondeu calmamente lembrando a conversa. No casamento Brittana/Klaine, aproveitando que Rachel conversava com Tina, Puck puxou o loiro para um canto afastado e deixou bastante claro que se ele magoasse a judia ou a forçasse em algo que não estava pronta, seu rostinho e boca de truta iriam ter graves consequências. Para deixar mais claro ainda, levou o indicador e o dedo médio aos olhos e depois apontou para o loiro fazendo sua melhor feição de malvado.
“Ótimo, tudo que eu falei continua valendo.” Puck deixou claro fazendo a mesma feição de malvado e tomando alguns goles de sua cerveja. Satisfeito que sua mensagem tinha sido bem entendida, voltaram a conversar sobre que time ia ganhar o Super Bowl.
~~
Santana e Brittany chegaram ao apartamento somente à noite, tinham acabado de chegar de viagem e apenas largaram as malas no hotel e foram encontrar os amigos, mas só por que tinham prometido. Chegaram exaustas, longas horas de voo e muitos shows fazia isso, além disso, sua cria, Cristian, parecia ter trocado as baterias durante o voo e ao invés de dormir como as mães esperavam, ficou tagarelando e querendo brincar.
Mesmo mal se conhecendo e depois de superar a normal timidez um do outro no começo, Isaac e Cristian logo se tornaram melhores amigos. Sabendo que teria uma criança na casa, Rachel tratou de esconder suas decorações caríssimas, mas sempre tremia cada vez que passavam correndo perto de algo que não deu para guardar, por sorte, não causaram qualquer prejuízo e não riscaram parede alguma com giz de cera. Já suas mães já cansadas, ficaram mais ainda depois de correr atrás de seus filhos e já se arrependiam de encoraja-los a brincar. Por que não podiam simplesmente dormir?
Como a boa anfitriã que seus pais lhe ensinaram a ser, Rachel finalizava o jantar, uma lasanha de bacalhau com brócolis, salada de quinoa e espaguete ao vôngole, e Sam como o bom namorado tentava ajuda-la, entregando os utensílios e ingredientes e cortando alguns legumes, mas não estava sendo de muita valia. De boas intenções o inferno estava cheio, e por mais que Sam tentava ser útil, ele sempre trocava os objetos e atrapalhava muito mais.
“Amor, por que você não vai brincar com as crianças? Ou então pega uma cerveja e vai conversar com o Noah? Ele deve estar entediado no meio de mulheres e crianças.” Rachel propôs enquanto picava alguns legumes. Assim que deixou a cozinha com as bebidas nas mãos, Sam suspirou de alivio, indo em direção a sala.
“Quer ajuda de alguém que saiba o que está fazendo?” A Berry se virou e Quinn estava na bancada observando a pilha de ingredientes dispostos.
“Você é convidada Quinn, volte para a sala.” A morena tentou fingir que tinha tudo sobre controle, mas era bastante claro pelo estado de sua cozinha que ela precisava de ajuda urgente.
“Eu odeio ficar sem fazer nada. Me diga, o que você precisa que eu faça?” A loira já foi colocando a avental e puxando as mangas de suas roupas para cima. Rachel apontou o resto das verduras que precisavam ser cortadas enquanto mexia o molho da lasanha e as massas que ferviam.
“Sua ajuda é muito bem vinda, obrigada.” Rachel com a manga da blusa limpou o suor da testa e relaxou um pouco. “Sam até tentou ajudar, mas só aumentou a bagunça.”
“Homens. Entendem nada de cozinha.” Quinn brincou, já estava acostumada com Puck tentando ajuda-la na cozinha e atrapalhando mais, algumas vezes até deixando a comida queimar por distrair a loira.
Quinn era bastante hábil e em poucos minutos já tinham terminado o preparado e posto tudo no fogo ou no forno.
“Você não está muito acostumada a cozinhar, não é?” Quinn perguntou enquanto Rachel enchia duas taças de vinho tinto para elas. Era bem merecido pelo trabalho que tiveram.
“Eu tinha o costume quando estava na faculdade, Kurt até cozinha, mas ele tinha Vogue e NYADA, já Santana era bastante inútil nesse aspecto, então sobrava para mim, mas agora com toda essa correria de Hollywood me enferrujou nesse aspecto. É bem mais fácil simplesmente sair para comer ou pedir algo.” Entregou a taça para a loira e juntas tomaram um gole. “E como você consegue cuidar de tudo ao mesmo tempo?”
“Depois que você pega rotina, é fácil.” Quinn tomou outro gole do vinho e continuou. “Puck me ajuda muito quando está em casa, distrai o Isaac e me permite cozinhar ou estudar para algum caso, mas ele precisa ficar a maior parte do tempo comandando o pub, então não sobra muito tempo.”
“Ayuda, esos chicos están volviendo me loca!” Santana exclamou ao entrar na cozinha. Tomou a taça da mão de Rachel e virou, tomando tudo num longo gole. “Chamem o FBI, eles deveriam ser presos por terrorismo!” Ao fundo se ouvia o som de gargalhadas e uma interjeição de dor de Sam.
“Como você e Britts conseguem criar o Cris no meio da tour? Ele não estranha estar toda semana num lugar diferente? Ou ficar muito tempo em aviões e ônibus?” Rachel perguntou depois de pegar uma nova taça para si e encher o copo das três.
“No começo era praticamente impossível. Ele berrava tanto que parecia minha abuela brigando com a vizinha e fazia as maiores birras que alguém já viu. Tivemos que fazer algumas mudanças por conta dele, mas agora ele já se acostumou gracias a dios!”
“E como é ser mãe?” Rachel perguntou enquanto verificava a comida. O macarrão e a salada estavam prontos, faltava apenas a lasanha que estava quase no ponto.
“É a melhor sensação do mundo.” Quinn respondeu sorrindo ao pensar no seu pequeno. “Eu nunca me senti mais realizada do que quando aquele pedaço de gente me chamou de mamãe pela primeira vez ou deu os primeiros passos na minha direção. Ter alguém dependente de você para tudo pode parecer horrível, mas é maravilhoso! Quando eu estou tendo um dia horrível no trabalho, um abraço ou a voz dele já me acalma e sei que tudo vai ficar bem.”
“Mas também é estressante, eles tem uma energia que não esgota nunca e sua vida pessoal simplesmente acaba, eles estão sempre em primeiro lugar.” Santana completou e sorriu. “É até engraçado, uma das backing vocals da banda tem duas filhas e quando eu estava gravida e precisava sempre ficar comprando roupas, ela sempre me ajudava e toda vez ela comprava algo para as meninas. Muitas vezes ela esquecia o que precisava porque se lembrava de algo que as meninas precisavam e eu achava isso uma loucura, mas agora me vejo fazendo o mesmo. Preciso de uma calça, mas o Cris precisa de um tênis novo e acabo me esquecendo por ele.”
“Ter filhos é algo que deve ser bem planejado e de preferencia num relacionamento estável.” Quinn comentou olhando firmemente para a Berry, sabia que aquela pergunta era mais do que curiosidade e queria ter certeza que a amiga e Sam estariam prontos para tal passo e não iriam no calor do momento.
“Indireta recebida com sucesso Q.” A morena brincou piscando para a loira e sorrindo.
“Mama, mama, olha o que eu e o Chis fizemos.” Isaac entrou correndo na cozinha estendendo o desenho para a loira, enquanto respirava pesado tentando recuperar o fôlego da corrida.
“Madre, sabia que o papi do Isaac diligiu um avião?” O menininho latino veio correndo atrás contar a nova descoberta para a mãe, que mesmo de mau humor com a bagunça das crianças e Brittany, não conseguia segurar o sorriso com a animação de seu filho.
“Sério? E o avião se manteve no ar com o Puckerman pilotando?” Ela brincou pegando Cristian no colo e fazendo cócegas rindo do pequeno que gargalhava implorando que ela parasse. Já Isaac saiu correndo ao ver a mãe se aproximando.
~~
O jantar foi posto a mesa um pouco mais tarde que o esperado vendo que as mulheres ficaram fofocando sem parar sobre suas vidas, mas ainda assim estava delicioso. Entre muitas travessuras das crianças e a risada dos adultos, a noite praticamente voara. Santana e Brittany foram embora assim que terminaram de comer, não aguentando mais lutar contra o sono e Cristian já semi adormecido no colo na loira.
Isaac descansava amavelmente no colo de Rachel que se voluntariara para ficar com ele e deixar o casal Puckerman em paz por alguns minutos. Assim que adormeceu profundamente, Puck se voluntariou para leva-lo para o quarto e de lá nunca voltou, já Sam se despediu das mulheres e também foi dormir.
Rachel contou tudo sobre seu namoro com Sam, desde que voltara à Lima anos atrás, até o fim de seu casamento e todo o rolo que se seguiu até o dia presente e se perderam no tempo indo dormir depois das três da manhã e de terem limpado toda a louça e as taças de vinho que utilizaram durante a conversa.
ii.
Hoje o dia seria simplesmente maravilhoso!
Rachel tivera a brilhante ideia de um piquenique ao ar livre no Griffith Park, uma ótima oportunidade para as crianças brincarem ao ar livre e um lugar seguro e os pais terem um descanso e momento para respirar uma ‘ar puro’, e mesmo que Santana tenha protestado horrores com a ideia, reclamando que não tinha ido a Los Angeles para ficar fitness, acabou cedendo ao ver a animação estampada na cara de seu filho.
Como de costume, Berry começou a ordenar em todos ali batendo palmas e dando olhares fuzilantes dizendo que aquele seria um dia fantástico. Poderia ser para todos, exceto Santana, a latina estava convicta que o dia seria irritante, e mentalmente se questionava o por quê concordara em chegar uma semana antes de seu show ali. Claro que não seria para relaxar, não com a hobbit e sua vida fitness numa missão de deixar sua vida um verdadeiro inferno.
“Que fique claro, não sou vaca para ficar comendo mato natureba, eu preciso de carne para viver! E é carne de verdade, não esse troço horrível chamado tofu.” Santana praticamente gritou com a Berry enquanto a morena arrumava as cestas de piquenique e ela trocava a fralda de Cristian.
“Eu sei insuportável, seu ataque cardíaco está na vasilha aqui.” A judia respondeu apontando para as tiras de bacon e o presunto que iria colocar na cesta térmica separada.
“Babe, onde eu coloco isso?” Sam apareceu com toalhas enormes.
“Na sacola com os filtros solares.” Ela apontou para uma pequena bolsa acima da mesa e se encaminhou até o loiro dando um selinho enquanto o abraçava.
“Ai meus olhos! Meus olhos! Não, não, não! Olha já tenho que ir pro mato e comer suas comidas ruins saudáveis, agora não dá pra ficar vendo a Hobbit e o truta se pegando, ai é demais para mim!” Ela resmungou enquanto fazia barulhos de vomito.
“É só fechar os olhos Santana.” Rachel respondeu voltando a beijar o truta que amava.
iii.
O Griffith Park era um reduto de natureza na selva de pedra da Califórnia, ficava em uma série de montanhas e era um mirante natural, tendo como vista o skyline de Los Angeles. Tinha área de piquenique, trilhas, um anfiteatro, zoológico e um enorme observatório astronômico.
Exceto por Tina, que estava fazendo um anuncio publicitário, Artie, que já estava em plena fase de pré produção de seu novo filme sobre a máfia russa e Kitty, que tinha aproveitado o pequeno mês calmo em sua agenda para viajar com Thomas para Londres no novo ensaio fotográfico dele, todos apareceram para o dia em família.
Assim que Rachel desembarcou e sentiu o cheiro das folhas, se sentiu plena. Deu um abraço bem apertado em Sam assim que ele saiu do carro e foi direto tirar a mala de caminhada que ela tinha preparado. Iriam fazer uma longa trilha hoje. Ela distribuiu os equipamentos organizados previamente para todos, água, toalha, bonés, protetores solares e uma bela alongada, ignorando a cara mal-humorada de Santana, todos partiram para a caminhada, exceto por Brittany que resolveu ficar cuidando das crianças e passava um filtro solar forte nas crianças, já que o dia estava ensolarado e quentíssimo.
Duas horas na trilha e a morena continuava incansável, ela liderava o grupo cansado para novas aventuras, apontando sempre que via algo interessante, tirando fotos e rindo de qualquer coisa que achasse bonito, esse bom humor estava quase tirando Santana do sério, como o boca de truta agüentava essa anã todo dia com essas coisas fitness? Olhando para o loiro, fechou mais ainda a cara, Sam seguia um pouco sem fôlego atrás, mas ainda de bom humor e sorrindo com cara de bobo apaixonado sempre que olhava a animação da morena.
“A fofura desses dois vai me fazer vomitar, sério, para que tanta agarração?” Santana rolou os olhos enquanto falava com Quinn.
“Sant, de um tempo, eles acabaram de reatar.” A loira olhou para o casal. “E eles são uma gracinha, larga de ser chata.” De surpresa, Rachel passou os braços pelo pescoço de Sam o beijando e o desequilibrando, fazendo com que os dois caíssem no chão e rolando até uma moita florida.
“Fiquem ai de uma vez!” A latina gritou enquanto ultrapassavam os dois que riam feito bobos enquanto tentavam se levantar, mas acabavam rindo mais ainda e caiam novamente.
De cara feia, a latina seguiu em frente olhando para os dois que ainda continuavam rindo no chão.
“Vamos, não tenho paciência para esses dois adoles... Carajo!” Ela gritou quase caindo quando topou com uma enorme pedra que não tinha visto no caminho e só não foi ao chão por que Puck a segurou rapidamente.
“Te voy a matar por hacer me pasar por esta mierda!” Santana gritou à Rachel enquanto averiguava o estrago feito, mas era apenas um corte pequeno com um pouco de sangramento.
A Berry logo se levantou e correu para pegar uma bolsinha de primeiros socorros que ela nunca se esquecia. Tirou uma bandagem pequena e habilmente cuidou da latina. “Dramática, não tem por que reclamar, foi só um arranhão, como esses aqui.” Ela apontou para as suas canelas, que também estavam um pouco arranhadas pelo tombo.
Seguiram mais um pouco e enfim, a mata se abriu e o horizonte se espalhou na frente de seus olhos. Toda a cidade estava aos seus pés, e o oceano ao longe. Era uma das paisagens mais bonitas que ela já havia visto. Ela franziu os olhos por causa da luminosidade forte e contemplou o momento novamente. Era uma áurea de paz tão forte que ela sentia que se pudesse, ficaria congelada nesse momento para sempre. Era mágico e lindo.
“Eu te amo.” Um sussurro em sua orelha a pegou de surpresa, virou-se rapidamente e abraçou Sam.
“Eu também de amo.” Ela lhe deu um beijo enquanto apertava ainda mais o abraço. Depois de uns momentos em calma, Puck e Quinn chegaram ali, e Sam e Rachel resolveram começarem a bater fotos para pôr no Instagram. Quando a irritada Santana saiu pelo mar de folhas esbravejando que queria comer logo, os cinco foram adiante.
Terminaram a trilha uma hora depois. Rachel ainda estava alegre adiante na fila, seguida de um arfante Sam, que tomava os últimos goles de água de sua garrafa de água. Quinn caminhava decididamente, estava cansada, mas não se daria por vencida, terminaria aquilo sem se deixar abater, Puck vinha do seu lado servindo de apoio para a esposa em algumas horas, ele poderia facilmente ter terminado a trilha horas mais cedo, já que tivera treinamento em selva, mas maneirava seu passo, e por ultimo vinha Santana com suas queixas e dores, querendo saber como ela ia fazer um show no próximo fim de semana com o pé enfaixado.
“Chega de drama Santana!” Disseram Berry e Fabray juntas olhando para trás. “Já estamos quase chegando.” Completou Rachel.
~~
De volta à área do piquenique, mortos de cansaço jogaram-se em volta de Brittany e esperaram suas respirações voltarem ao normal. Antes da caminhada tinham escolhido uma área menos frequentada correndo menos riscos de serem vistos por fãs ou paparazzis, e de qualquer forma Jake estava ali para evitar aproximações indesejadas.
Todo cuidado era pouco a cada dia que se passava naquela massa urbana conturbada que se chamava Los Angeles.
Brittany esperava por eles com a mesa já pronta. Cachorros quentes e sanduiches para os carnívoros e uma bela salada com frutas para Rachel. Os pestinhas corriam soltos pela grama, já tinham comido sem paciência para esperar os adultos. Estavam brancos de tanto protetor solar, mas proteção nunca é demais, segundo Brittany. Sam sentou pegando a jarra de suco e depois de servir para todos, tomou rápidos goles de seu copo até se sentir hidratado novamente, Santana voou na comida enquanto Quinn e Puck dividiam o sanduiche de carne, presunto e bacon. Já Rachel ficou tirando fotos não querendo esquecer o momento tão precioso.
Enquanto saboreava sua salada, ficou observando Quinn segurar o pequeno loirinho de moicano, que estava fascinado com uma borboleta enquanto Puck brincava com ele. Quando seria a vez dela? Quando ela teria um filhinho assim? Ela imaginava mini Sam’s e mini Rachel’s correndo pela grama e a cena era magnífica, mal podia esperar para tornar isso virar realidade. Não era falta de tentativas, isso ela tinha certeza.
Depois de descansados e saciados, Rachel avisou que ainda tinha um último lugar para eles visitarem antes de irem para casa. O Observatório Griffity. Ela tinha um motivo especial para ele. Depois de pagar um extra para o dono, o local foi fechado por um hora, para que eles ficassem sozinhos, apenas com os cientistas presentes. Todos tiraram todas suas duvidas sobre estrelas e planetas e as crianças ficaram maravilhadas ao visitaram o planetário e as outras salas de estudos e por ultimo, o grande telescópio.
Jonas, o estagiário que estava encarregado de mostrar todo o Observatório para o grupo, mostrou as mais famosas estrelas contando curiosidades sobre elas e até algumas que eles tinham descobertos ali, sempre citando a importância das tais descobertas e como ajudou no avanço da ciência.
Mas Rachel tinha um pedido específico e um pouco secreto a ser feito e Jonas não perdeu tempo em achar exatamente a posição da estrela Finn Hudson.
Uma lágrima escorreu pelo olho de Rachel enquanto ela visualizava a estrela tão conhecida para ela. Piscou um pouco para a imagem virar nítida mais uma vez e observou por um longo tempo. Seu presente de Natal, seu anjo, sua guia por todos os momentos e a razão pelo qual ela nunca desistiu. Aquela estrela era tudo isso. Depois do que lhe parecera horas observando a estrela, voltou a Terra depois de uma voz a perguntar se ela estava bem e braços envolverem sua cintura.
“Sim, eu estou, é só que...” Ela limpou as lágrimas e se virou para Sam com um triste e ao mesmo tempo satisfeito sorriso. “Essa estrela foi a que Finn me deu anos atrás no Natal.” Ela sorriu ao lembrar o discurso e até a ironia do que ele falou ter se tornado realidade um ano depois. “E tem o nome dele, e bem, ela virou especial para mim...” Deu de ombros sem saber explicar.
“Ela é especial para todos.” Sam falou com suavidade. “Posso olhar também?” Perguntou ele. Ela riu e o encorajou a ver. Depois de se certificar que estaria tudo bem com a morena, afinal Sam sabia o quão importante e até secreta Rachel era com algumas coisas relacionadas a Finn, como a tattoo que apenas ele e Jesse sabiam, chamou a todos perguntando se queriam ver. E é claro que queriam! Pelo menos uma vez dar uma última olhada em Finn Hudson. Puck até colocou Isaac para olhar o velho amigo do papai, dizendo que foi aquela estrela que lhe mostrou como é ser um homem de verdade. Brittany afirmou que viu extraterrestres na superfície dela e até Santana quebrou sua expressão mal-humorada quando olhou através da lente, por fim, Quinn afirmou que ele sempre foi o mais brilhante, e depois foi abraçada por Rachel enquanto riam de Isaac que afirmava que aquela era sua estrela favorita.
Definitivamente um dia maravilhoso.
iv.
Ao final da tarde, Sam e Rachel caminharam de mãos dadas até uma árvore que tinha uma bela vista da cidade abaixo. Os outros dois casais e seus filhos sonolentos tinham ido embora depois de uma tarde de travessuras e agora eles poderiam aproveitar o lugar sozinhos.
Encostado a bela árvore, Sam acariciava a cabeça de Rachel, deitada em seu colo. O sol começava a se por e o céu de Los Angeles em tons de azul e laranja, era uma bela forma de terminar aquele dia, ele pensou.
O momento era tão perfeito que nenhum deles tinha coragem de mudar, era uma apoteose momentânea, onde eles eram deuses e podiam tudo no seu próprio mundo, logo as estrelas apareceram, uma a uma, cintilando no céu limpo e como se fosse num passo de mágica, já era noite.
“Esse é o momento mais feliz da minha vida” Ela se virou para poder encará-lo.
“O meu também” Sam respondeu aproximando-se e beijando a testa dela carinhosamente. Os dois trocaram um sorriso e a morena voltou a deitar no colo dele.
“Será que essa paz vai durar?” Estava insegura, a vida lhe mostrara das piores formas que o mundo não era um lugar pacifico.
“Vai durar o quanto precisarmos” Sam respondeu confiante olhando a estrela mais brilhante, não iria permitir que nada quebrasse a então paz que tinham.
“Vamos fazer valer a pena então” Rachel olhou para cima até encontrar os olhos do namorado.
Ao som do farfalhar das folhas inquietas das grandes árvores, os dois ficaram contemplando o infinito mais um pouco quando Sam quebra novamente o silêncio.
“Rach...”
O tom de voz dele a fez despertar do devaneio, fazendo-a ficar alerta. Preocupada, sentou-se de frente ao namorado e esperou que ele continuasse.
“Eu te amo. Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida e como eu te falei várias e várias vezes, não vou permitir que nada nos separe. Eu quero um presente e um futuro com você, quero uma família, uma casa e até um outro gato para fazer companhia a Elphaba. Quero nós dois velhinhos, rodeados de netos e bisnetos e felizes que fizemos tudo e não tivemos qualquer arrependimento, então sem mais delongas... Rachel Barbra Berry, você quer casar comigo?” Abrindo a caixinha de veludo vermelho, ele mostrou o anel prata, com um lindo diamente de tamanho médio e corte de brilhante reluzindo.
Carregava aquele anel em seu bolso por algumas semanas sempre esperando o momento certo para propor, mas nenhum parecia certo até aquele. Afinal, o que seria mais perfeito que apenas os dois num momento calmo, sem exageros e extravagancias, um pedido simples como o relacionamento dos dois, apenas eles e as estrelas como testemunhas daquele amor?
Por quase um minuto Rachel ficou completamente paralisada. Abria e fechava a boca, mas palavra alguma saia. Ao despertar do susto, praticamente puxou no namorado... noivo, dando lhe um prolongado beijo até ficarem sem fôlego. Ao se afastarem, Sam não resistiu a brincadeira.
“Vou acreditar que isso é um sim.”
“É claro que é! Sim, sim, sim, sim, sim, mil vezes sim.” A cada sim ela deu um beijo no rosto do homem, passando as mãos pelo rosto dele, se encararam olho no olho. “Não quero perder mais nenhum minuto da minha vida sem você.”
“Nem eu sem você.” Trocaram outro prolongado beijo que pela força os fez rolar pela grama novamente e riram. A vida não poderia estar mais perfeita.
Lying in my bed I hear the clock tick
And think of you
caught up in circles
confusion Is nothing new
Flashback’s warm nights
Almost left behind
Suitcase of memories
Time after...
Flashs do que parecia ter ocorrido em outra vida passavam na cabeça de ambos sob aquele luar magnífico. A primeira vez que se viram, o baile que tinham ido juntos anos atrás. As conversas e flertes por mensagens, ás vezes que lanchavam juntos na arquibancada e Sam fazia suas imitações fazendo-a ter dor de tanto rir. O primeiro beijo na sala do coral...
Some times you picture me
I'm walking too far ahead
You're calling to me, I can't hear
What you've said
Then you say--go slow
I fall behind
The second hand unwinds
A festa no porão da casa de Rachel, o momento que ele a olhou de trás do barzinho e a pegou pela mão gentilmente e a conduziu para o quarto. A conversa deles e a primeira vez que eles se amaram as pressas no quarto dela e então a segunda vez, sem a menor pressa no apartamento dele.
If you're lost you can look--and you will find me
Time after time
If you fall I will catch you--I'll be waiting
Time after time
If you're lost you can look--and you will find me
Time after time
If you fall I will catch you--I'll be waiting
Time after time
O reencontro após todos esses anos e as encaradas no restaurante no dia do noivado dele com Scarlett, o karaoke e o beijo desesperado deles, a sensação do mundo de cabeça para baixo, a briga e as palavras que não deveriam ser ditas, os dois selvagens depois da homenagem para Mr. Schue, a surpresa que ele tinha preparado para ela e a noite no terraço da escola...
After my picture fades and darkness has
Turned to gray
Watching through windows--you're wondering
If I'm Ok
Secrets stolen from deep inside
The drum beats out of time
A manhã que ela andou furiosamente até o apartamento dele para uma finalidade diferente, mas que acabara novamente em sexo e risadas, ele lavando louça desajeitadamente, o Havaí... Todos os momentos vinham como bombas que explodiam na mente de Rachel, todos vívidos e ao mesmo tempo distantes, saudosos, nostálgicos, todos culminando naquele momento único em baixo de uma árvore secular. As linhas do destino finalmente pareciam alinhadas em perfeita sincronia com o desejo e a felicidade.
If you're lost you can look--and you will find me
Time after time
If you fall I will catch you--I'll be waiting
Time after time
If you're lost you can look--and you will find me
Time after time
If you fall I will catch you--I'll be waiting
Time after time
Finalmente o para sempre não parecia mais um sonho tão distante quase impossível. Não, o para sempre se tornara possível e batia a porta, e em completa felicidade o casal de bom grado o deixava entrar.
v.
Desembarcando no LAX naquela manhã ensolarada, a loira deu um último beijo em seu namorado ruivo e foi direito para o local que tinha marcado a extremamente importante e bastante urgente reunião com as três mulheres mais bitch’s que tinha o prazer de conhecer e ser amiga durante todos esses anos.
Bitch’s claro que no melhor sentido possível!
Enquanto o táxi a levava para o hotel onde seria a reunião secreta, ela abriu seu iPad querendo se atualizar nas últimos noticias do mundo. De férias, recusou internet e telefonemas, era seu momento, mas agora precisava voltar ao mundo real. Abriu os principais sites de noticias e deu de cara com uma agradável noticia.
CHEGAMOS AO FIM DO CICLO RACHEL BERRY E SUA TROCA DE HOMENS?
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A queridinha da América e dona de quatro Grammy Awards, está noiva!
Depois de inúmeros escândalos e uma penca de relacionamentos durante o último ano, a saga Rachel Berry e seus homens parece que finalmente chega ao fim.
O casal foi flagrado no Corvo II e Rachel usava uma maravilhosa aliança de noivado NAQUELE DEDO! Além disso, estavam sendo extremamente adoráveis um com o outro com direito a alimentar macarrão um na boca do outro e repetirem a cena do filme da Disney, A Dama e o Vagabundo sem se importarem com os paparazzis que tiravam diversas fotos do casal.
Até agora nenhuma declaração oficial ou postagem em redes sociais foi feita, mas algumas das celebridades amigas do casal mandaram seus parabéns e felicidades ao casal.
Até sabermos a verdade, só nos resta especular. Será que alguma ex-noiva que atualmente namora o ex co-star de Berry, Brian Morley, ira ao possível casamento Samchel como Rachel fez anteriormente e estragar tudo?
Bem, se a boa amizade demonstrada na première do filme continuar, parece que não. Só esperamos que a noiva dessa vez queira casar com o diretor e desejamos boa sorte ao casal!
Como diabos eles descobriam essas coisas? A loira se questionou enquanto guardava o aparelho em sua bolsa. Estava parcialmente satisfeita com a reportagem, também que durante sua ausência sua assistente teve tudo sobre controle e nada de ruim acontecera.
Pagou o motorista e seguiu pelo hotel até o quarto.
O som dos saltos pelo corredor fora ficando cada vez mais altos sinalizando que a pessoa se aproximava do quarto, mas a impaciência de Santana falou mais alto e antes mesmo que a loira batesse, já abriu a porta. Sua curiosidade estava do tamanho do mundo para saber o que era tão importante e sigiloso que demandava tamanha descrição.
“Desembucha Wilde, para que essa reunião?”
“Acalme-se Paola Bracho.” Kitty apontou a cadeira para que a latina se sentasse e retirou os óculos escuros, colocando-a sobre a bolsa numa poltrona. “Vocês se lembram de Harmony Destiny?” Questionou depois que Quinn e Brittany também se aproximaram. “Ela mexeu com a pessoa errada e é hora de fazê-la pagar.”
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