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3 Magatia, 1995


Magatia é uma cidade que fica ao leste de Ariant, ao Sul de El Nath, e ao sudoeste de Mu Lung. Tem arquitetura muito próxima de Kerning, prédios e casa feitos de tijolos e cimentos. Diferente das muitas cidades do mundo, que se dizem seguras e pacíficas em relações aos monstros e a sua agitação que tem surgido nas últimas décadas, Magatia não é assim.

Sua história começa em 1832, com a fuga de uma família de Ellinia. Na época, Ellinia era o centro mágico de todo o mundo, fica na ilha Victória, na costa leste. Junto das fadas, os humanos centravam todo o conhecimento da magia ali. Um dia, um dos auxiliares de Grendel, chefe da cidade, surgiu com a ideia de centrar certos comandos mágicos em símbolos, com a ideia de ativá-los depois com pouco uso de mana, mais rápido e fácil.

A ideia foi muito aceita, e logo diversos símbolos mágicos começaram a ser usados, principalmente por aqueles com dificuldade no uso da magia. Tais símbolos já existiam a muito tempo atrás, mas com magias especificas. Esse auxiliar, que era chamado de Se’Trac, conseguiu criar novos símbolos para novas magias.

Certo dia, Se’Trac, utilizando de diversos símbolos diferentes, fez algo que, para as leis de Ellinia, e principalmente para Grendel, era inadmissível. Conseguiu criar um ser vivo a partir de restos de um outro. Tal feito era considerado magia negra, por ir contra os dotes da magia Arcana, que recusava a ressucitação, ou a criação de novas espécies, pois iria contra os Deuses e etc;

Como punição, Grendel usou uma magia que proibiu que Se’Trac e toda sua linhagem sanguínea de entrar em Ellinia. Como resultado, Se’Trac, sua esposa e seus dois filhos fugiram para Ariant. Por conta do episódio, muitas cidades passaram a recusar Se’Trac e sua família. Até mesmo Ariant, cerca de alguns meses depois, os expulsou de lá.

Sem lugar para ir, Se’Trac seguiu deserto a dentro, até chegar a área abandonada, uma parte que não era território de Ariant, e de mais ninguém.

Lá, usou sua magia básica para poder sobreviver nos primeiros meses. Pouco tempo depois, caçando monstros e entregando-os para caçadores de recompensas, começou a ganhar crédito com alguns moradores de Ariant. Cerca de um ano, já havia conseguido erguer uma pequena fazenda na região.

Com os forasteiros indo pedir ajudas sobre não só conhecimentos de Alquimia, mas também da caça, Se’Trac começou a aumentar a região, começando com quartos de hóspedes até se tornarem pequenas casinhas.

O tempo passou, algumas cidades nem mais ligavam para o que Se’Trac havia cometido. Cerca de dois anos depois, a pequena fazenda cresceu e já parecia uma vila. As pessoas passaram a morar ali e a ajudar Se’Trac. Mais tarde, numa conferencia com os chefes de vários continentes, a atividade foi legalizada, e assim surgiu uma nova cidade, Magatia.

Vários anos se passaram. O volume dos monstros agressivos começaram a aumentar, mas Magatia não tinha guerreiros para protegê-la, já que esses em sua maioria viajam bastante. Foi aí que Se’Trac, junto com alguns engenheiros de Edelstein, começaram um projeto de misturar alquimia e tecnologia, a ponto de conseguirem criar um símbolo mágico que protege toda a cidade por meio de cristais mágicos produzidos em Orbis.

Como forma de gratidão, Se’Trac permitiu que eles passassem a viver em Magatia para testar novas combinações entre a alquimia e a tecnologia. Muitos avanços foram feitos, que chegaram até serem vendidos para outras cidades, até certo dia.

Era um sábado, dia de folga para a maioria dos trabalhadores de Magatia. Se’Trac estava trabalhando num projeto secreto junto com o oficial dos engenheiros de Edelstein, Gelimer.

Não se sabe ao certo o que era, mas, no momento do teste, uma grande explosão aconteceu que deixou Se’Trac inconsciente, além de explodir parte da cidade. Quando acordou, todos os registros de seu laboratório tinham sido roubados, e ninguém nunca mais viu Gelimer. Indo atrás de respostas, interrogou todos os outros engenheiros de Edelstein, e nenhum deles sabiam onde estava. Mas não parou aí.

Um dos engenheiros, que assumiu o cargo após a fuga de Gelimer, ficou extremamente insatisfeito com a situação, e então foi reclamar com Se’Trac. A disputa foi enorme, que acabou dividindo a cidade em dois.

Todos os aparatos tecnológicos ficaram no lado dos engenheiros, que passaram e não permitir o uso de Alquimia próximo de sua região. Do lado esquerdo, ficou Se’Trac, tendo de controlar toda a Alquimia da cidade por conta própria.

Esse problema persiste até hoje. Mesmo com a morte de Se’Trac, passando seu cargo para seu filho mais velho, Louis. Do outro lado, o novo chefe dos engenheiros, Koshin, passou para seu sobrinho, Lastiel. O conflito não é tão grande quanto antigamente, mas os novos descendentes não parecem aptos a mudanças.

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– Ahh...

Com um bocejo, um homem alto levanta-se de sua cama, usando um roupão branco. Caminha para o outro lado do quarto, tira o roupão e, através de uma porta, tem acesso ao banheiro.

Uma ducha rápida. Logo está de volta, vestido agora com uma calça jeans preta, uma blusa vermelha de colegial sobre uma camiseta branca com listras azuis. Devia ter aproximadamente 1,70 de altura. Calçou seus tênis de corrida pretos com listras e detalhes em branco, e a saiu do quarto.

De sua porta, foi de encontro a sala. Um sofá, uma televisão, uma mesa de centro e um espaço aberto para a cozinha, a esquerda. Atravessou a sala em direção a outra porta. Girou a chave que já estava na maçaneta, saiu e a trancou pelo lado de fora.

Guardou sua chave no bolso da calça e começou a caminhar. Magatia havia se tornado uma grande cidade, mas a diferença entre os dois polos (Oeste e Leste) ainda eram visíveis depois de anos do acontecimento. De um lado, algumas casas usando sistemas de energia a base de cristais envoltos de símbolos mágicos. Do outro, postes de luz ligados por fios elétricos entre si e entre as casas.

Ele particularmente não se importava com isso. Vivia a favor da Alquimia, mas como a tecnologia podia ajudar, ele aceitava da mesma forma. A televisão da sua casa movida á cristais mágicos que o diga.

Andou alguns quarteirões como se houvesse praticando Cooper. Parou próximo de uma loja de acessórios mágicos. Entrou.

A loja em si não era muito grande. Seu foco era vender utensílios para os magos da região, como lousas para treinar símbolos de alquimia, cajados, cetros, alguns cristais de bolso, entre outras coisas que iam de útil até bijuteria;

Levou consigo duas caixas de giz azulado. Como a alquimia vivia de desenhos, logo foi desenvolvido um tal de giz mágico, que foi nomeado de Giz Azulado.

Ele era capaz de, além de escrever no ar, memorizar símbolos completos, ser impermeável e só pode ser apagado pela pessoa que o fez. Por ser tão popular, um giz azulado era extremamente caro.

Não tanto para Klaus. Apesar de viver de maneira comum, trabalhou como professor na melhor escola de magia de Magatia, e seu salário engordou tanto que, mesmo depois de dois anos que saiu do emprego, ainda pode usufruir de seus ganhos.

Continuou sua caminhada, virou algumas esquinas aqui e ali, e alcançou um enorme galpão. Era de uma empresa que alugava pequenos galpões dentro de uma enorme área. É bastante comum pessoas usarem os galpões como depósito, pois as casas de Magatia de forma geral são ligeiramente menores do que em outros lugares.

Porém, Klaus usava para outros fins. Seu galpão era uma enorme sala, chegava a ser duas vezes maior que os dos outros. Usava aquele galpão para treinar sua Alquimia, além de guardar todos os seus livros de estudo.

De ponta a ponta, havia estantes e mais estantes cheias de livro. Em um canto, mais recostado, havia uma mesa com algumas cadeiras e mais livros empilhados. No centro da sala, havia três lousas móveis com diversos símbolos desenhados.

Klaus se aproximou, e apagou uma das lousas. Colocou uma caixa de seu giz azulado no suporte, levando um consigo, e foi em direção aos livros. Procurou em diversas estantes até achar o que procurava.

No tomo, estava escrito “Alquimia Invocativa versão 671”. Com sua magia, deixou o livro flutuando a sua volta e foi em direção à lousa que havia apagado. Folheando as páginas, parou até encontrar um enorme símbolo, que ocupava as duas páginas que estavam visíveis do livro.

Passou a copiar o símbolo. Era bem detalhado, e cada risco tinha seu significado. Um símbolo com um pedaço faltando podia gerar uma catástrofe. Quando estava próximo de acabar, a luz do galpão apagou-se rapidamente.

– Sério mesmo? Pior que não consigo enxergar nada nessa escuridão. Talvez se eu tentar desenhar aquilo...

Alguns segundos depois, um pequeno foco de luz surgiu em meio da sala escura. Klaus havia desenhado no ar, com seu giz azulado, um pequeno símbolo que, uma vez completo, passou a emitir luz para frente, como uma lanterna.

– Será que cortaram a luz? Mas o guarda me viu entrar no galpão, porque ele iria fazer isso...? Será que ele me esqueceu?

Com a ajuda da luz, foi seguindo até encontrar o interruptor interno. Apertou. Nada. Nenhuma corrente elétrica,

– Ah, não posso treinar nessa situação. Vou ter que pegar minhas coisas e voltar outra hora.

Caminhou até a lousa novamente. Guardou seu giz mágico no bolso, deixando a caixa em cima da mesa. O livro voador foi colocado no suporte da lousa. Por um breve relance, olhou para a lousa novamente.

Estranhou. Sabia que não havia terminado o símbolo, mas não imaginava que ele estivesse quase completo. Ele estava extremamente detalhado, parecia tão completo quanto o original.

Com essa sensação, pegou o livro do suporte e passou a procurar a página novamente. Encontrou-a depois de alguns segundos, e passou a comparar ambos os desenhos.

– Estranho! Está completamente diferente. É quase como se eu não tivesse copiando mas fazendo um novo! Será que eu me atrevo a ativar...?

Pensativo, passou a olhar para a lousa mais atentamente. Aumentou a força da luz provinda do outro símbolo flutuante. Queria ativar aquele misterioso símbolo, embora sabia que não devia. Como professor, zelava pela segurança da prática de alquimia, e uma delas é: não ative símbolos que não conheça.

Atrevido pela curiosidade, pousou a mão pelo símbolo, e ele começou a brilhar. Uma leve alteração no ar começou a acontecer, e em poucos segundos, tudo dentro do galpão começou a voar em volta de Klaus e da lousa.

A luz da sala voltou aos pisques, como se a utilização da magia ativasse-a sem a ajuda da eletricidade do galpão. Klaus cada vez mais liberava magia, para ver o que quer que fosse acontecer, e a cada vez que isso acontecia, mais forte as coisas voavam em sua volta.

Em certo momento, soltou sua mão. Não aguentava mais a utilização de tanta energia. Porém, a situação não mudou. As coisas continuavam voando, prendendo Klaus no olho de um furacão de livros.

O símbolo da lousa começou a brilhar mais intensamente, liberando certo tipo de fumaça. Poucos segundos, e toda a sala ficou sufocada por ela. Para Klaus, aquilo estava começando a ficar ainda mais perigoso, quando sentiu um efeito de sucção a partir da lousa. Agora, ela estava puxando tudo para si. O símbolo estava iniciando um teletransporte forçado.

Sem ter aonde se segurar, deixou-se levar. Estava apreensivo quanto ao lugar onde aquele símbolo iria levar, mas sabia um outro para retorno, então não estava completamente desesperado.

Poucos segundos depois, tudo parou. Todos os livros e as estantes caíram no chão automaticamente. No centro da sala, só restava uma lousa, com um símbolo completamente diferente e inacabado, desenhado em giz azul. Mais nada, mais ninguém. Klaus havia sumido.

Notas finais
Não estranhem a data, está correta!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.