Time
1 Tempo
Notas iniciais
O tic-tac do relógio ocupava todo o espaço do salão vazio. O barulho tão pequeno e tão suave, mesmo com tão pouco barulho, deixava quieto todas as festanças que ocorriam do lado de fora daquela casa.
Uma gota cai de um buraco no teto.
Sem o tempo esta gota estaria parada em muitos lugares possíveis e nenhum garante que a gota sequer estaria neste planeta, ou até mesmo existiria.
Porém, o tempo é impossível de contar, ele não existe, assim como também está em todos os lugares e em todos os tempos. O tempo é um paradoxo, uma verdade e uma mentira...
Sessenta segundos se completarem desde a queda da gota.
60 segundos... A maior ilusão do ser humano é pensar que estes números pertencem a ele, que estes números diziam ao tempo o que fazer... Uma pena, não?
Porém, das pequenas verdades falsas que o humano criou, talvez o tempo seja o mais perto da verdade, mesmo dentre tantos outros equipamentos e invenções...
O tempo é visto tão pequeno pelos humanos. Ele pensa que ele o dita, quando na realidade o tempo é como um deus, muito mais um deus do que qualquer outro conto que o humano invente, seja real ou não.
O vento sopra o cabelo das crianças ali presentes, donas de tais pensamentos.
Aqueles contos... O que há com eles? Por quê? Por que o humano insiste em pensar sempre em um ser superior a ele, mesmo sempre tentando se provar superior? O humano os cria, assim como os destrói, querendo sempre se comparar a eles. A humanidade evoluiu, e fica se colocando em seu trono de maneira cada vez mais perigosa, se vendo cada vez mais como um deus, transformando os contos em meros plebeus. Até se classificar e assinar seu tratado de morte.
As crianças sorriram.
— Esses risos – o menino fala, abrindo um sorriso brilhante e sádico.
— Em breve – a menina completa, fechando os olhos.
— Serão transformados em gritos
— Dor
— Sofrimento
— E extinção – falaram em uníssono.
Ambos levantam o olhar, os olhos, cada vez mais profundos, mostraram-se parte da verdade.
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