Till The Death Separate Us
10 Capítulo 9 - Tão perto
Notas iniciais
Caso nínguém tenha percebido, eu mudei o título e a capa, vocês vão entender mais pra frente.
Agradeço aos reviews de:
* sophia_08
* ArielaFernades
* Alice_Bennet
* belle_epoque
Divirtam-se!
Capítulo 9 – Tão perto
POV_ARITA
A luz do sol tocou minhas pálpebras e as aqueceu, fazendo com que eu acordasse confusa, como todas as manhãs. Vesti-me e desci para o café. Não havia ninguém na cozinha; nem Briggitte, nem Heitor, nem um dos gatos. Achei que seria falta de educação sentar e comer sem a presença do dono da casa, e ia me dirigindo para a sala de estar, a fim de procurá-lo, quando uma tulipa vermelha chamou minha atenção. A linda flor estava em cima de um pires, com um bilhete preso em seu caule, ainda estava molhada pelo orvalho. O bilhete, com a letra de Heitor, dizia que ele estava nos jardins.
Caminhei em direção aos jardins, e lá estava ele, sorridente, em frente a uma enorme e redonda mesa de metal, cheia de guloseimas que Briggi tão carinhosamente preparou. Sentei-me e ele, da forma mai alegre possível, me saudou:
— Como vai?
— Bem, obrigada. E você?
— Muito melhor agora, que veio me fazer companhia nesta esplêndida manhã! – ele sorria, radiante.
— Posso perguntar por que está tão contente?
— Meu pai e sua esposa virão nos visitar!
— Mesmo? Mas que ótima notícia! Só um problema... – ele me fitou, apreensivo, como se não pudesse imaginar algo que pudesse atrapalhar o fato. – Ele acreditará que somos primos?
— Oh, é verdade. Então, o que faremos? O que diremos?
— Não sei. Por ora, isso não é importante... – ele se preocupou demais, e eu não queria quebrar a aura de felicidade que nos rodeava. Mudei rapidamente de assunto: — E então, vamos comer? Não quero parecer maleducada, mas estou com muita fome! – ele riu. Olhou-me atentamente e então disse:
— Você colocou a flor que te dei no cabelo! Ficou muito bonito, maravilhoso!
— Coloquei... Mas, não precisa exagerar... – corei.
— Não é exagero, é a mais pura e visível verdade! Mas não é de se espantar que tenha ficado bonito, afinal, tudo em você ganha brilho.
— Obrigada. – corei mais forte.
Comemos alegremente, tudo estava delicioso; eu deveria, posteriormente, parabenizar Briggitte pela maravilhosa mão cozinheira que tinha. Perguntei a Heitor quando seu pai e sua madrasta viriam, ele disse que em uma semana.
— Eles têm filhos?
— Não, ela é estéril.
— Oh, que triste. Quantos anos ela tem?
— Trinta e cinco. Mesmo que não fosse estéril, é uma idade arriscada.
— Entendo. Ela é... como nós? Bruxa?
— Sim. Você vai gostar dela, sabe.
— Espero que sim. – conclui com um sorriso.
Os dias se passavam assim, alegres, e em cada um deles, Heitor me fazia uma linda surpresa. Depois do desjejum no jardim, tivemos um piquenique, horas de leitura em voz alta à sombra das árvores... Ele se preocupava em fazer de cada dia, um passeio romântico; elogiava-me por tudo, sorria contente o tempo todo e presenteava-me com as mais belas e coloridas flores dos seus jardins.
Ele estava tentando me reconquistar, e admito, estava funcionando.
Certa tarde, quando faltavam três dias para a chegada de seu pai, Heitor entrou na sala, enquanto eu lia, surpreendendo-me – na verdade, assustando-me – e entregou para mim um vaso com as flores de que mais gosto: orquídeas. Lindas, linda orquídeas, com diversas cores; amarelo, lilás, roxo e um pouquinho de azul, pincelados delicadamente no branco. As flores eram muito grandes e brilhantes. Eu olhava encantada.
— Heitor... Mas que surpresa... Obrigada... Elas são... deslumbrantes. – eu falava pausadamente, incapaz de exprimir indiferença; orquídeas sempre tocaram meu coração.
— Não mais que você, devo dizer. Mas não há de quê.
— Eu lhe agradeço muito, são minhas flores preferidas.
— Eu sei. – disse, rindo. – Briggitte contou-me que você olhava muito para as orquídeas do jardim, e que sempre dava um jeito de tocá-las.
— Ah... Bem, orquídeas me acalmam. E me lembram de minha mãe. – enrubesci. – Hm... Acho que as colocarei na janela no meu quarto. Obrigada novamente. – levantei-me para levá-las, mas Heitor pegou o vaso da minha mão, e pude sentir, de novo, o choque térmico.
-Depois. – colocou o vaso na mesinha de canto. – Eu ajudo você, depois. – segurou minhas mãos entre as suas, aquecendo-as. Eu olhava em seus olhos, e senti como se estivesse afogando no mar. – Suas mãos são tão frias.
— Elas nunca conseguiram manter o calor.
— É? Então, nós nos completamos. Sempre achei minhas mãos quentes demais.
— Ah. – olhei mais fundo em seus olhos e me perdi. Percebi, então, que eu não podia mais negar. – Gosto de você, Heitor. De verdade. – admiti e baixei os olhos. Ele me abraçou.
— Eu gosto demais de você, Arita. – ficamos abraçados por um longo tempo, para o meu contentamento. Até que ele me soltou e olhou bem para mim, dizendo com a expressão mais séria do mundo: — Perdoe-me se eu faltei com respeito ao dizer isso.
— Não faltou. Você já me deu todas as atitudes que eu queria.
— Atitudes? Ahn... aquilo não foi nada demais. Eu só a tratei como merece. – ele estava corando. Que meigo.
— Eu não mereço tanta pompa e circunstância, como você fez tudo nos últimos dias. Você foi o mais cavalheiro dos homens, sabe disso. Mas está sendo modesto, porque é isso que os verdadeiros cavalheiros fazem; são gentis e amáveis, mas todo elogio lhes parece grande demais. Não é falsa modéstia, é simplicidade de coração. É uma das qualidades que mais aprecio.
— Diga-me, quais seriam as qualidades do homem que teria seu coração para todo o sempre? Quais seriam os atributos perfeitos para você? O que a encanta, a deixa feliz? – ele perguntou, tímido, mas curioso, como se estivesse disposto a ser esse homem.
— As suas. – respondi, vendo seu rosto se iluminar com a compreensão. – Seu sorriso me deixa feliz, sua voz me encanta. – corei, não sabendo de onde veio toda a coragem para dizer tudo isso.
— É bom saber que gosta de mim. – ele sorriu.
— É, creio que sim. – disse, envergonhada. Não sei bem o que esperava. Um beijo, talvez. Depois do que eu disse a ele naquela noite, acho que ele ficado temeroso em tentar mais uma vez. Eu podia ver o quanto ele lutava para ser respeitoso. Um beijo não seria desrespeitoso... Eu gostaria bastante... Controle-se, Arita, repreendeu uma vozinha no fundo de minha mente. Que pensamentos são esses? Você é uma moça direita. São pensamentos apaixonados, respondi a mim mesma. Enquanto eu divagava, Heitor disse em voz baixa, mas tão baixa, que eu quase não ouvi:
— Arita... Eu quero pedir uma coisa, mas tenho medo de ofendê-la...
— Peça.
— Tenho medo... de receber... uma resposta negativa. – ele ficou vermelho vivo.
— Nunca saberá a resposta se não pedir. Peça.
— Você... quer... Eu posso... Eu posso dar-lhe um beijo? – ele falou, rápido. Reprimi minha vontade de rir, ele falou de um jeito engraçado. – Um beijinho, de amigo, sei lá, um beijinho no rosto, só para mostrar que gosto de você, sabe? Uma coisinha simples, rápida... – ele estava morrendo de timidez. Ele tem mesmo mudanças bruscas... Era divertido de ver.
— Não precisa ser assim, se você não quiser. – mentira minha.
— Eu quero demonstrar... – disse ele, aproximando-se de mim e encostou, cheio de doçura, os lábios nos meus.
O que era para ser apenas um beijinho rápido se tornou algo mais demorado e elaborado. Meus lábios se entreabriram, dando passagem para Heitor, que não foi menos delicadamente doce nesta parte.
Acho que posso dizer que este foi o beijo mais doce de toda a história. Ainda sonho com ele, mesmo agora. Quando acabou, senti como se tivessem tirado algo importante de mim, mas Heitor ainda estava ali, me segurando em seus braços gentilmente, impedindo-me de cair por falta de forças. Eu jamais fugiria dele novamente.
— Já sentiu como se tudo isso pudesse acabar de repente?
— Já. – respondi, triste com essa perspectiva.
Mal sabia eu que o destino sempre tenta separar os verdadeiros amores.
Notas finais
Aaaain, eu quero alguém que me dê orquídeas ~são minhas flores preferidas, sério~ /também gosto de tulipas, rosas, qualquer flor que alguém aí queria de dar, viu?/
O Heitor é tão fofis *-*
O que você acharam?
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