Till The Death Separate Us
6 Capítulo 5 - Gatinhos
Notas iniciais
Bem, vocês vão perceber que eu gosto muito de gatos. hehehehehe
Agradeço aos reviews de:
* belle_epoque
* ArielaFernandes (outra leitora fiel)
* sophia_08
Espero que gostem!
Capítulo 5 – Gatinhos
POV_ARITA
Estava muito tarde, mas, no entanto, eu não queria dormir. Queria ficar ali, pelo tempo que fosse, apenas absorvendo o momento passado. Haveria algum sentido além de selar o juramento? Será que Heitor realmente gostava de mim? Eu gostava dele; nunca havia gostado de ninguém. Eu ficava me martirizando com essas perguntas, quando um de seus gatos apareceu de repente na mesa.
— Olá, Meia-Noite. Está sem sono, gatinho? Hein, gatinho? – disse Heitor, acariciando o lindo gato preto. Acariciei-o também, e minha mão fria encostou na mão quente dele. Afastei-a imediatamente.
— Por que o gato se chama Meia- Noite? – indaguei.
— Porque ele sempre acorda nessa hora.
— Sério? Tem mais gatos, não tem?
— Tenho sim. Duas fêmeas: Hécate e Aurora, e três machos: Meia-Noite, Outono e Tangle. Outono é filhote de Hécate e Meia-Noite, não é mesmo, seu gato sedutor? – disse ele, rindo. Meia-Noite não é o único sedutor, pensei.
— Devem ser lindos animais.
— E são. Que vê-los? Eles devem estar na biblioteca.
— Sim.
Heitor guiou-me até a biblioteca, que era muito grande e bonita. Lá havia inúmeros livros, dos mais variados títulos. Em um canto, estavam acomodados, quatro gatos belíssimos. O menor julguei ser Outono; ele era cinzento e tinha lindos olhos amarelos. As duas fêmeas deviam ser as com lacinho rosa no pescoço.
— Venha cá, Hécate. – chamou, e uma linda gata branca de olhos azuis venho andando elegantemente até nós. Enroscou-se na minha perna, ronronando. Heitor me incentivou a pegá-la no colo e assim o fiz, um pouco receosa. Mas Hécate era um amor e não me mordeu ou arranhou.
— Esta aqui é Aurora, um pouco arisca. – uma gatinha pequena, laranja, com olhos verdes. – Este é Tangle, que é mansinho, marido de Aurora. – ele riu. Tangle era pouco maior que Aurora, todo rajado de preto e marrom, com olhos verdes. – E por fim, o bebê Outono.
— Conte-me as histórias dos nomes, são curiosos.
— Hm... Hécate é a deusa grega da magia, muito sagaz e charmosa. A minha gatinha também é assim. Aurora tem esse nome porque é... brilhante e dourada como o sol quando nasce. Tangle é o nome de um amigo de quem eu muito gostava, mas que já partiu. E Outono, porque nasceu exatamente no Equinócio de Outono.
— O senhor é muito criativo. Hécate não teve mais gatinhos além de Outono?
— Ela teve três, mas os pobrezinhos morreram. – disse ele, triste com a morte dos filhotes.
— Oh. Não se preocupe, eles devem estar bem amparados, onde quer que estejam.
— Sim, eu sei. – disse, com um novo sorriso no rosto, iluminando tudo a sua volta. – Bem, agora já conhece os gatos, gostaria de fazer algo? Pegar algum livro, conversar...
— Ah, eu acho que seria melhor eu escrever a carta pra Beatrice, para que possamos mandar já amanhã.
— Ah, sim, claro. — ele se dirigiu até uma mesa com papéis, penas e tinta. – Pode escrever.
Sentei-me e comecei a escrever:
“Minha cara amiga Beatrice,
Espero que eu não tenha lhe causado preocupações em razão de meu desaparecimento pela manhã. O que houve é eu fui surpreendida pelo destino, que me trouxe grandes aventuras hoje.
Como deve se lembrar, eu saí de manhã para colher flores. Quando estava voltando, fui atropelada por uma carruagem e torci o tornozelo. Para minha sorte, o cavalheiro dono da carruagem é um rapaz muito amável...”
— Devo contar a ela que é meu primo ou devo contar que fizemos um trato?
— Por ora, diga-lhe que somos primos.
“... um rapaz muito amável, que, por acaso, é um primo distante! Pois bem, eu estou, neste momento, em sua casa, onde fui muito bem cuidada. Não se preocupe, estou bem. Ele é como nós.
Meu primo Heitor – é o nome dele – é muito solitário, tem apenas dezesseis anos e mora inteiramente só, sem nenhum parente, como eu. Embora eu tenha você, é bom reencontrar parentes de sangue. Em decorrência desses fatos, informo-lhe que irei morar com meu primo, afim de lhe fazer companhia e resgatar os laços familiares.
Muito em breve irei buscar meus pertences. Não se aflija, pois sempre que quiser poderei visitá-la e você também.
Com amor,
Arita de Bourgh.”
Tendo assim terminado a carta, coloquei-a num envelope e selei. Então levantei os olhos e vi que Heitor me observava atentamente.
— A senhorita tem uma linda letra.
— Obrigada. – eu agradeci.
— Muito bem, agora eu poderia lhe mostrar alguns livros... Se a senhorita não estiver cansada, claro.
— Oh, não, estou sem sono. Por favor, mostre-me os livros. — ele sorriu e andou até uma estante alta. Pegou então um livro grosso, velho e bonito. Entregou-me e eu abri, vendo as páginas amareladas.
— Era o livro de minha mãe. O diário, sabe.
— Ah, sim. Mas... eu realmente posso ler? Não é algo pessoal? — não é costume deixar os outros lerem esses livros.
— Pode sim. Preciso que leia para que, posteriormente, possa me ajudar. Há muitas coisas que não entendo.
— Ah, claro. Bem, podemos começar a ajudar-lhe agora mesmo, senhor, se assim lhe parecer bom.
— Ótimo! Então, por favor, comecemos! — ele sorria feliz, cheio de curiosidade. Sorri também. Ele estava interessado em aprender, uma característica que eu aprecio muito.
— Mostre-me suas dúvidas. – ele pegou o livro e folheou até chegar em uma parte com várias canções.
— Aqui. Meu pai conta que era a música preferida de minha mãe, mas eu nunca entendo o significado. — comecei a ler. Era linda, parecida com as que minha cantava.
— É uma canção cheia de simbolismo, senhor. – quando levantei a cabeça, deparei com aqueles grandes olhos azuis me fitando. Procurei não demonstrar emoção. – Veja só. Aqui, onde fala de “flores felizes e risonhas” e “ relva que abraça”, está falando de elementais. Em “grande dama prateada” é a Lua. “ Ouro que alegra os dias” é o Sol. Entende-me?
— Sim... Eu agradeço muito, Arita, por toda a sua ajuda. – dizendo isso, ele se aproximou do meu rosto, com os olhos focados em meus lábios. Desviei o rosto e ele beijou minha bochecha.
Assim passamos parte da noite e a madrugada, eu decifrando canções e ele sorrindo. Ele sorria sempre, mas não era um sorriso falso, só para sorrir. Era um sorriso verdadeiramente alegre, como o de uma criança que descobre coisas novas ou... de alguém apaixonado.
Quando amanheceu, todos os criados levantaram e lá estávamos nós, lendo, concentrados, tanto que, quando Briggitte abriu a porta, nos assustamos. Ela me levou até o quarto onde ficava e trocou-me. Durante o café, Heitor deu a notícia:
— Hoje, no fim da tarde ou amanhã, bem cedo, suas coisas chegarão, Arita. E sua carta também chegará a Beatrice.
— Mesmo? Muito obrigada, senhor! Agradeço-lhe mil vezes. Mas que rapidez!
— Bem, não por isso. – disse ele modestamente. Ele me olhava e olhava, eu estava ruborizando. Felizmente, desviando a atenção, Meia- Noite, Hécate e Aurora entraram na cozinha, e Heitor começou a brincar com eles, e eu também.
Notas finais
Até mais!
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