Till The Death Separate Us
14 Capítulo 13 - Encontros e Desencontros
Notas iniciais
Agradeço aos reviews de:
* belle_eoque
* sophia_08 (não se reprima!)
Espero que gostem!
Capítulo 13 – Encontros e Desencontros
POV_ARITA
Saímos a esmo, tentando pegar uma trilha que nos levasse até o feudo Bennet. Sem sucesso.
Andávamos e andávamos, sem encontrar qualquer ponto familiar, eu estava desanimando. Estava fraca, cansada, apoiava-me em Heitor para andar, e ele não parecia muito melhor do que eu.
Afinal, de que adiantava sobreviver a uma batalha, se o pior da guerra ainda estava por vir?
- Ei, não se entregue. – disse-me Heitor, sendo otimista.
- Não posso evitar pensar no pior. É da minha natureza e fruto das minhas experiências estar sempre preparada para o pior.
Continuamos a caminhar, até que encontramos uma casinha. Dirigimo-nos até ela, esperançosos de que algo lá pudesse nos ajudar. Batemos na porta, e uma mulher vestida de forma suspeita nos atendeu.
- O que querem?
- Ahn... – comecei, sem-graça. – Precisamos de ajuda.
- Não tenho mais vagas e não empregamos homens. – e bateu a porta na nossa cara.
- Que grossa. – reclamei. E continuamos a andar.
Dado certo tempo, ouvimos um barulho estranho de carruagem no meio da floresta em que estávamos, e, temerosos, nos escondemos.
De dentro do veículo saíram três homens de aparência maldosa. Traziam um crucifixo gigantesco no peito e o símbolo do Santo Ofício tatuado nas costas das mãos. Arquejei, assustada.
Eles eram homens civis, comuns, mas radicais religiosos, que não pensariam duas vez em matar pessoas como nós.
E no fim da contas, foi exatamente isso que eles fizeram.
Meu nome era Arita de Bourgh, fui presa quatro vezes pela Inquisição e consegui fugir em todas; apaixonei-me por Heitor Bennet, que foi preso comigo na quarta vez e morremos nas mãos de radicais ignorantes que não tinham amor no coração, após uma luta.
***
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM.
TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM.
- Ah, o que é isso? – disse, acordando assustada e confusa. Na estante, meu celular me olhava apitando, indicando que eram seis horas. Eu precisava acordar para ir à escola. Primeiro dia de aula.
Vesti-me animada, eu adoro o primeiro dia de aula. Esse ano seria ótimo para mim, afinal, todo o sufoco do primeiro ano do Ensino Médio já passara. Eu sei, tenho só quinze anos e já estou no segundo ano, mas eu pulei uma série. Isso me dava um pouco de status, se você quer saber.
Tomei café e lá fui eu, não sem antes receber um beijinho carinhoso de minha irmã mais nova Beatrice. Ela é uma fofa. Tem oito anos, e me imita em tudo o que faço.
No caminho encontrei Vitória, minha melhor amiga, e o dialogo se seguiu assim:
- Oi Arita. – disse ela, sorridente.
- Oi Vi! – abracei-a, saudosa.
- Animada para começar tudo outra vez?
- Claro.
Seguimos nosso caminho. Encontrei meus outros colegas de classe, todos nós tínhamos muitas novidades para contar. Mas então o diretor pediu nossa atenção, para nos guiar até as respectivas salas.
Eu era a primeira da chamada – claro -, e subi as escadas para minha nova sala. Tive a oportunidade de escolher um bom lugar (nem tão na frente, para não ouvir os gritos dos professores, nem tão no fundo, para não me distrair). Vitória sentaria ao meu lado, como sempre. A primeira aula do dia seria História, minha matéria favorita. Ah, como eu estava adorando aquele dia!
Os outros alunos enfim chegaram, e Vi veio pulando até mim e se sentou. A professora, uma senhorinha de aparência frágil e mente ágil, disse-nos que ela iria escolher os pares, de modo que os alunos pudessem interagir. A turma toda exclamou, mas a obedeceu. Vitória piscou para mim.
- Tomara que eu sente com alguém interessante. Desejo o mesmo para você.
A sra. Lena começou a trocar os alunos de lugar, e eu continuei sentada. Até que ela disse:
- Heitor? Quem é Heitor? – houve uma pausa, e acho que o garoto se identificou. – Sente-se aqui, querido. – ela deu palmadinhas na carteira que fazia par com a minha.
Tomara que ele não seja estúpido, tomara que ele não seja estúpido, dizia uma vozinha no fundo da minha mente. Ele chegou e se sentou.
- Oi. – eu disse, tentando ser simpática. Ergui os olhos para cumprimentá-lo melhor e quase suspirei. Ok, talvez eu não tenha conseguido reprimir.
O tal de Heitor era um garoto lindo. Na minha classe os garotos eram meio estranhos, talvez por causa da puberdade, sei lá. Mas ele não. Olhos azuis, cabelos negros e pele tão alva quanto a minha, e um sorriso alegre e simpático.
- Oi. – ele respondeu animado. – Qual seu nome?
- Arita. E você é Heitor, certo?
- Sim. – estava tudo bem... – Parece clichê, mas, eu já a vi antes? – cantada barata. É nem tudo é perfeito. Decidi responder bem humorada:
- Creio que não.
A professora começou então a passar um esquema dos assuntos que estudaríamos no ano, e depois, deu alguns exercícios simples de revisão da matéria do ano passado.
Heitor era inteligente, escrevia bem, articulando as palavras de um jeito elegante.
O intervalo chegou, e Vitória já veio saltitando para o meu lado.
- E então, como é seu novo parceiro?
- Ele se chama Heitor, tem dezesseis anos e, pelo que pude notar, é bastante inteligente.
- Ele é bonito. Beeeem bonito. – disse ela, exagerando na palavra “bem”.
- É sim. Mas sabe o que ele disse? — ela negou. – “Parece clichê, mas já não a vi antes?”. Ridículo.
- Ridículo mesmo. Mas quisera eu tê-lo visto antes. – ela riu. E então começamos a falar de outros assuntos.
O dia agitado na escola terminou, sem maiores relevâncias, e quando cheguei em casa, abri meu Diário dos Sonhos exatamente na página na qual eu relatava o meu “encontro” com um garoto.
Esse garoto lembrava muito Heitor, meu novo parceiro. Na hora, eu achei um tanto estranho quando ele disse que tinha a sensação de já me conhecer, mas agora, eu também sentia a mesma coisa.
POV_HEITOR
Hoje foi meu primeiro dia de aula na nova escola. Foi até bem divertido.
A primeira aula foi de História e a professora me mandou sentar ao lado de uma menina muito interessante.
O nome dela é Arita, super simpática. Bonita, também, com expressivos olhos verdes e cabelo castanho claro.
Mas assim que a vi, tive a certeza de que já a conhecia...
Fiz dois amigos: Ethan e Marco.
O dia passou muito rápido, e a noite, enfim chegou. Agora, se eu contar, pode parecer piegas, mas, quando me deitei para dormir, o sorriso de Arita encheu minha mente e ouvi sua voz dizendo “senhor”, o que é estranho, já ela não disse essa palavra nenhuma vez.
Adormeci, e sonhei que era um solitário rapaz que vivia na Idade Média, e que tinha por companheira uma jovem dama, seu nome nem seu rosto apareciam, mas eu sabia que era ela.
Notas finais
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