Tiger's Life

4 Pequeno Kishan


Kelsey notou uma coisa quando estava grávida. Quando sua barriga cresce demais, você não consegue ver os próprios pés.

E no estagio de gravidez que ela estava, isso era bem verdade.

Kelsey estava deitada na cama, com preguiça de se levantar. Ela podia ouvir o som do violão vindo do andar de baixo. Ren provavelmente estava compondo alguma coisa.

Nilima entrou no quarto. Os cabelos negros longos estavam presos em um rabo de cavalo alto. Ela e Sunil tinham planejado se mudar, mas Kelsey e Ren tinha pedido que ficassem. A casa era grande o suficiente para abrigar a todos, e assim eles não se sentiam muito sozinhos.

– Senhorita Kelsey.... –ela começou.

– Por favor, só Kelsey.

– Kelsey – Nilima sorriu. – Eu e Sunil vamos passar o dia fora, você precisa de algo?

Kelsey se ajeitou nos travesseiros – Não, obrigada Nilima, eu estou sentindo um pouco de dor, vou ficar deitada aqui. Você e Sunil tenham um bom dia.

– A senhorita também – ela disse fechando a porta.

Kelsey fechou os olhos, tentando voltar ao sono. Ela tinha dormido bastante nos últimos meses de gravidez. As dores nas costas eram constantes, e o inchaço nos pés e nas mãos eram as coisas que mais a irritavam. Ela parecia uma velha, redonda, e nada atraente. Mas não era o que Ren achava.

Ele entrou no quarto. Kelsey sentiu os olhos de Ren nela, mas ela permaneceu com os olhos fechados. Curiosa para saber o que ele faria.

Ren se aproximou dela, ela podia sentir. Ele tocou os cabelos dela, afastando-os do rosto, ela murmurou. Ela ouviu aquele doce suspiro que ele dava todas as vezes que sorria. Ele colocou as mãos sob a barriga inchada dela, e beijou. Kelsey colocou a mão nos cabelos dele, ainda sem abrir os olhos mas sorrindo.

– Nilima me disse que você estava acordada – ele disse.

– Eu estava tentando voltar a dormir – Kelsey respondeu.

– Você tem dormido demais – ele beijou as costas da mão dela e se deitou ao lado. Kelsey abriu os olhos, ele a fitava com um olhar um pouco infantil e travesso. – Eu queria te levar para um lugar hoje, o que acha? Está se sentindo bem?

– Estou — ela disse. – Me ajude a levantar, eu preciso trocar de roupa se vamos sair.

Ele assentiu e se pos de pé em um salto. Kelsey deu as mãos para ele e ele a puxou.

Assim que ela se equilibrou os próprios pés, sentiu um liquido quente descendo por sua perna.

– Se você queria tanto ir no banheiro, podia ter pedido minha ajuda para se levantar antes – Ren disse.

– Ren, eu não estou fazendo xixi, seu cérebro de fuinha. A bolsa estourou. O bebe vai nascer.

Foram poucas as vezes que Kelsey tinha visto Ren perder o controle. Ela não conseguia se lembrar de nenhuma no momento. Mas vê-lo assim foi completamente hilário. Ele arregalou os olhos, e por um momento ficou se reação, depois ele começou a correr de um lado para o outro, completamente desesperado. Kelsey ficou parada ali no meio, com um sorriso no rosto, Ele so parou de correr quando ela gargalhou.

– O bebe... – ele começou.

– Ren, você não leu mesmo nenhum dou livros sobre gravidez que eu te dei não é? – ela sorriu. – Ainda vão demorar algumas horas para o bebe nascer, dependendo da minha dilatação, e eu nem estou sentindo as contrações ainda, então me faça um favor. Peque a mala do bebe que eu já deixei pronta, e as nossas, e eu te espero no carro.

As contrações começaram quando Kelsey e Ren estavam a caminho do hospital.

Kelsey tinha lido sobre elas, mas não imaginou o quão dolorosa seriam. Quando a primeira veio, parecia que alguém tinha martelado do seu útero, ela se dobrou, dando um urro de dor. Ren imediatamente tocou o braço dela.

– Está tudo bem, Vallabh? – Ele perguntou Alarmado.

Ela assentiu- Contrações – ela disse entredentes.

O caminho até o hospital pareceu uma eternidade para Kelsey. Quando eles chegaram, Ren a ajudou a caminhar para dentro, ele ainda estava com os olhos arregalados, um pouco desesperado.

– Deixa que eu cuido disso – ela disse a ele. Ela voltou-se para as atendentes no balcão, arranhando no melhor Hindu que ela conseguia. – Oi, meu nome é Kelsey Rajaram. Eu já tenho uma ficha... eu estou tendo meu bebe.

A mulher assentiu, digitou algumas coisas no computador e disse – Quarto trezentos e sete.

Ren pegou uma cadeira de rodas e a empurrou todo o caminho até o quarto.

– Isso é ridículo – ela reclamou. – Eu posso andar.

– Nós dois sabemos que não pode – ele disse.

O quarto do hospital era até que bem luxuoso. Havia uma cama bem no meio, e um sofá espaçoso na parede, uma grande janela de vidro com vista para a cidade, cortinas douradas davam contraste com as paredes brancas. Ren colocou as malas em cima do sofá.

– E agora? – ele perguntou.

– Agora esperamos.

A medica veio algumas vezes para checar a dilatação de Kelsey, ela disse que andar ajudaria, então a garota ficou dando voltar no quarto. Ela já usava aquela típica camisola do hospital, que dava a Ren uma visão completa da bunda da garota. Não que ele reclamasse disso.

Então finalmente chegou a hora. Kelsey foi levada para uma sala ao lado.

– Você é o pai? – uma enfermeira perguntou antes que Ren entrasse, ele assentiu. – Vista isso – ela deu as roupas da sala de cirurgia a ele, e ele voltou correndo ao quarto para se trocar.

Quando ele voltou a sala de parto, Kelsey já estava ligada a vários aparelhos, os cabelos dentro de uma toca azul, algumas mechas escapando pelo rosto suado, sua expressão era de dor, mas ela forçou um sorriso quando Ren se aproximou.

– Vamos começar – disse a medica. Kelsey pegou a mão de Ren. – Quero que você empurre querida.

E foi o que ela fez, a dor era cortante, mas ela podia pensou em seu filho, e ela pode fazer isso.

– Agora respire – ela disse.

O parto inteiro passou assim. Um empurra e respira que parecia que não ia acabar mais. Ren não sentia mais os dedos, de tanto que Kelsey os apertava, A toca havia escapado dos cabelos dela, e eles estavam soltos, grudados de suor no rosto e no pescoço dela.

– Eu estou vendo – disse a medica. – Vamos garota, mais um empurrão, com força.

Kelsey tornou a apertar a mão de Ren, e urrou de dor.

Ren viu a medica levantando o bebe. Um segundo interminável de silencio se fez antes que o bebe chorasse. A medica abriu a boca dele com os dedos, e ele começou a berrar a com toda a força.

– Pulmoes fortes, esse garotão tem – ela disse.

Ela entregou o bebe a Kelsey. Aquele pequeno ser humano todo ensanguentado e com a cara amassada, que ninguém mais no mundo acharia bonito sem ser ela e Ren. Assim que ela o pegou no colo, a primeira coisa que notou, era que ele se encaixava perfeitamente nos braços dela. Quando ele se ajeitou, o choro diminuiu para um balbuciar.

– Vamos leva-lo agora querida – disse a medica estendendo os braços para o bebe. Para os primeiros exames e o banho. Vá descansar um pouco, que logo iremos trazer ele para a primeira amamentação.

Kelsey assentiu. Eles empurraram a maca até o quarto dela, e lá ela se deitou, já limpa. Ren sentou-se ao lado dela, com a cabeça apoiada no colchão. Ela passou as mãos pelos cabelos dele.

– Está cansada? – ele perguntou.

– Estou exausta – ela disse com um suspiro.

– Descanse um pouco, talvez eu faça o mesmo. – ele sugeriu. Já era tarde da noite, eles haviam passado o dia inteiro lá.

Kelsey assentiu. Ren fechou os olhos, ainda sentado na poltrona com os braços cruzados em cima da cama e a cabeça repousada no meio. Ela ficou brincando com os cabelos dele, até ver seu rosto relaxar por completo, e a respiração ficar mais lenta e ritmada.

Então ela fechou os próprios olhos, e adormeceu instantaneamente.

Ela acordou com o barulho da porta se abrindo, ainda se sentindo exausta, como se não tivesse dormido um minuto sequer. Ren ainda ressonava baixinho. Uma enfermeira entrou no quarto, empurrando aqueles pequenos bercinhos que os bebes ficavam na maternidade. Ver isso fez com que Kelsey despertasse completamente.

A enfermeira olhou Ren dormindo e deu um sorriso – Noite longa – ela comentou.

– Nem me fale – Kelsey respondeu.

– Chame-me se precisar – disse ela. Ela era definitivamente chinesa. – é só clicar no botãozinho. Aproposito, meu nome é Yoko.

Kelsey se curvou sob o pequeno berço, o bebe continuava com os olhos fechados, mas ele segurou o dedo dela assim que a mão dela se aproximou, o que fez o coração dela se encher de uma sensação até então desconhecida, mas muito boa. Ela era mãe.

O bebe se ajeitou no colo dela, ele tinha um tufo de cabelos bem negros, a pele era ligeiramente morena, e antes que ela pudesse dar o peito a ele, os olhos se abriram. Olhos dourados a fitavam. Dourados como ouro derretido... como ouro de pirata.

– Ren – ela sussurrou, e ficou surpresa por sua voz soar chorosa. – Ren, ela repetiu, e dessa vez ele acordou, levantando a cabeça e examinando o rosto dela.

– Está tudo bem? — ele perguntou confuso

Ela assentiu. – Ele tem os olhos dele Ren. O bebe tem os olhos dele.

– De quem? – ele perguntou sentando ereto na cadeira.

– De Kishan – ela disse e uma lágrima rolou dos olhos dela. Ren estendeu o braço e Kelsey entregou o bebe a ele.

Ren sorriu, um sorriso terno, que aumentou quando o bebe segurou o dedo dele. Kelsey viu uma lágrima escapar dos olhos de Ren.

Ele entregou o bebe a Kelsey, que deu o peito a ele.

– Nosso pequeno Kishan. – disse Ren.

– Nosso pequeno Anik Kishan Rajaram.

Notas finais
ta ae. não se esqueçam das reviews!