Tigers

5 O desconhecido, a Alegria e o Medo


Notas iniciais
Demorei mais postei! Espero que gostem e boa leitura.

Tudo estava diferente. Um mundo diferente. Um ambiente diferente. Sensações diferentes. Mas o que mais surpreendeu Toni quando este abriu os olhos, foi o simples fato de ele abrir os olhos. Tentou levar uma de suas mãos até sua cabeça que doía muito, mas não conseguiu. Por tentar mexer seu corpo todos os seus nervos começaram a doer. Uma dor latejante e quase insuportável. Ele não gritou, pois não sentia sua voz. Virou os olhos para ver onde estava mas sem muito sucesso. Sua visão estava embaçada e não via claramente aonde se encontrava. Ouviu passos se aproximando e começou a se assustar. Não conseguia se mexer, pois seu corpo doía insanamente pelo menor movimento que fizesse. Sentiu um toque gelado em sua perna esquerda acompanhado de uma corrente elétrica que percorreu todo seu corpo e o desacordou novamente. Tempos depois acordou com o som de leves batidas de madeira. Sua visão estava boa e seu corpo não estava mais doendo. Olhou a sua volta e se viu em um lugar ao estilo “Casa do Tarzan sem a Jane”. Olhou mais ao redor e notou uma senhora que estava de costas e batia algumas ervas em uma madeira, extraindo seu líquido. Ele tenta se levantar, mas recebe um alerta.


- Não se mexa. (ele prontamente atendeu) Foi muito trabalhoso tratar de todos os seus ferimentos. Não quero tornar a fazê-lo.


Como se percebesse agora, todo seu corpo estava com folhas laranja em cada possível ferimento. Ele se levanta devagar e se senta apoiado na parede. A senhora coloca as folhas trituradas em um copo de barro, levanta e se aproxima. Usava roupas simples e aparentava ter entre 60 e 70 anos.


- Beba.

Toni – (olha desconfiado)

- (levemente nervosa) Se eu quisesse você já teria morrido.

Toni – (pega o copo e se prepara para beber)

- (se vira e vai arrumar o lugar onde esmagou as folhas) O sabor não é muito bom.

Toni – (no que ela falou, ele deu um belo gole do líquido e ficou roxo com o sabor asldkfhaskljdfh daquilo. Mesmo assim engoliu)

- Você se cortou em diversas plantas e vegetais com diferentes tipos de veneno. (ele fez uma expressão assustada) Não se preocupe. Os Nirohagais que estão na sua pele eliminam qualquer veneno de origem vegetal. O líquido que acabou de beber irá curar sua fala pouco a pouco. Não coma nada durante um tempo.

Toni – (ele tenta falar, mas não sente sua voz. Como se estivesse com água em suas cordas vocais)

- Sua voz voltará. Não precisa forçar nenhuma palavra por enquanto.

Toni – … S… (ela olhou surpresa) seu… no… me?

- ‘Ele não devia falar tão cedo’ Meu nome é Nizuka.

Toni – O… Obri…

Nizuka – Se quiser agradecer pelo tratamento, aceito os agradecimentos. Se quiser agradecer por ter essa chance, vá lá fora. Você pode andar normalmente agora (e aponta para as folhas no corpo dele)


As folhas que antes eram laranja, agora estão azuis.


Nizuka – Não existe mais veneno dentro do seu corpo.


Toni se levanta e as folhas começam a cair e, simplesmente, queimavam e desapareciam em contato com o chão. Sua perna direita e ombro esquerdo estavam doendo. Anda devagar pela pequena casa e logo está do lado de fora.


Nizuka – (diz pra si mesma) Espero que ele não seja igual ao antigo.


Observando a paisagem, ele está no alto de uma montanha (ou na beira de outro desfiladeiro) e uma imensa floresta é vista. Três cachoeiras acima dessa floresta completavam o que parecia ser “A Imagem do Paraíso” na Terra. A admiração da paisagem parou quando ouviu uma doce risada não muito longe. Ele se vira e caminha até passar por alguns arbustos próximos e se surpreende: uma garota deitada de bruços na grama, vestindo uma saia que parecia ter sido feita com uma enorme folha, mas que mostrava suas belas pernas que estavam erguidas e cruzadas. Usava, também, um tomara-que-caia que deixava sua barriga a mostra. Tinha pele clara, cabelos negros, compridos até os ombros e rebeldes. Devia ter uns 15 anos e um pequeno pássaro azul descansava em seu dedo. Ela admirava o pequeno animal voador com um sorriso lindo em seu rosto que deixou Toni sem ação (e sem audição, também). Quando percebeu já era tarde: um enorme lobo branco pulou em cima dele jogando-o contra uma árvore próxima. Um grito abafado de dor espanta o pássaro e chama a atenção da garota que rapidamente se levanta. Ele cai de bruços no solo e o lobo sobe em suas costas e mira suas afiadas e douradas presas em seu pescoço.


- IPASHA!


Foi o que parou as presas de se afundarem no pescoço dele e o grande animal sair de cima do paralisado Toni. Ela se aproxima rapidamente, chega perto dele e o vira. Com os olhos fechados devido à dor, ele lentamente os abre e se surpreende mais uma vez: ela possui os olhos de cor alaranjados, igual ao por do Sol. Seu rosto emanava uma aura de paz que o deixava calmo e aquele olhar puro e sereno que parecia tirar toda a maldade de seu corpo.


Toni – (bate duas vezes no peito com a mão direita) T… Toni.

- (ela repete o gesto batendo no próprio peito) Melissa.

Toni – O… Obriga… do. (dá um sorriso e desmaia)


Ele fecha os olhos e desmaia. Ela apóia a mão esquerda sobre o peito dele e se despreocupa. Com cuidado o puxa e o apóia em seu colo. Seu pescoço recebeu cinco furos devido à mordida do grande lobo. Melissa as vê e olha com raiva para o animal que se encolhe, parecendo bem assustado. Ela volta sua atenção para Toni que está em um profundo sono. E enquanto isso, no outro mundo, há uma grande movimentação na sala de monitoramento de Venks Dregon. Suas unidades G’s estão preparando uma espécie de espelho no meio da sala.


- Senhor. O Zaeron está quase pronto.

Venks – Muito bem. A sala de comunicação está ativa?

- Sim Senhor. Capturamos os líderes de cada país e as atuais defesas desse planeta estão com menos de 20% de sua força. Chegamos a menos de 4 horas e a população estimada era de mais de 6 bilhões de pessoas. População atual: 4 bilhões, 689 milhões e diminuindo.

Venks – Esse mundo já é nosso. Parem os ataques por enquanto. Terminem o Zaeron, sigam de acordo com minhas ordens e nada dará errado.

- Sim Lorde Venks Dregon.

Venks — Irei passar uma mensagem aos humanos.


Se levanta e caminha até uma tela em torno de 40 polegadas e se senta. Em vários pontos do planeta, os Denairovers cessam os ataques e ficam em posição de sentido. Dois deles saem da formação e fixam suas armas sobre o solo. Mais ou menos uns 4 metros de distância uma da outra. O mesmo acontece em vários pontos do mundo. As pessoas, que já estavam assustadas, se assustam mais quando um homem aparece do nada e encara todos ao seu redor com um olhar gélido. Ele fecha os olhos e respira profundamente. Aprecia um cheiro desconhecido e solta o ar, satisfeito.


Venks – Esse cheiro. Eu conheço muito bem. Sempre que eu apareço sinto esse aroma delicioso e nunca fico cansado disso. (e abre os olhos) Esse cheiro de medo.


Na Rússia.


Venks – Todos no mundo podem me ver. Todos no mundo podem me ouvir. E todos no mundo terão medo de mim.

Russos – (um homem revoltado) Quem é você? O que quer de nós? (uma mulher em prantos) Por que esta fazendo isso com a gente?

Venks – Mostrarei á vocês.


Levanta sua mão direita e uma foto aparece. A joga para o lado e ela cresce. Fica com uns 2 metros destacando bem o rosto de Mikke. Venks faz o mesmo movimento e mais três fotos aparecem com os rostos de Lika, Toni e Lysa.


Venks – Encerrei os ataques e meus soldados não irão atacar por 5 horas. Nesse tempo, quero os familiares, amigos, inimigos... Todos os envolvidos com essas 4 pessoas entregues aos cuidados de meus subordinados.


No Brasil, algumas pessoas com idade entre 15 e 20 anos reconhecem o rosto de Lysa. No Japão, Melisson, irmã de Lysa, vê o rosto de sua irmã mais nova e se desespera. Outras pessoas reconhecem Mikke, Toni e Lika. Cinco japoneses ficam diante de Venks com um pequeno poder de fogo.


- Nunca iremos fazer isso com outro ser humano! ACABEM COM ELE!


Vira o pescoço para dar a ordem, mas, antes de começarem a atirar, o homem que deu a ordem se desespera quando sente a mão de Venks segurar sua nuca e seu peito ser atravessado e rasgado por uma espada fazendo seus órgãos internos saltarem de seu corpo. Os outros, apavorados com a cena, apontam as armas para Venks, mas é inútil atirar sem o braço. Jogando os restos do primeiro corpo ao chão e decepando três braços e cravando a lâmina no ombro do ultimo em menos de 4 segundos. Esse último sentiu o osso de seu braço direito ser finamente partido ao meio. Mas essa dor foi passageira, pois a mesma lâmina atravessou seu pescoço. Foram movimentos rápidos, mas que os humanos conseguiram visualizar.


Venks — Da mesma maneira que as imagens foram mostradas para vocês, essa cena não foi diferente. O horror que eu posso lhes proporcionar, vocês não conseguiriam imaginar.


Em diferentes pontos pessoas desmaiam, outras começam a vomitar.


Venks – Essa minha aparição demorou 6 minuto. Vocês têm menos de 04h54min para acatar minhas ordens ou recomeçarei o ataque até todos ficarem (e aponta para os pedaços cortados ao chão) assim.

Americano – O-o que você fará se os entregarmos?

Venks – Por quê? Você tem algum envolvimento com eles?

Americano – N-n-não.

Venks – Então não se preocupe. Seus líderes foram capturados. Suas defesas foram esmagadas. Ajam como heróis e morram como insetos.


E a imagem de Venks simplesmente desaparece. Na aeronave ele se levanta e procura resultados.


Venks – Como está o Zaeron?

- Está terminado, Senhor. Energia em 9%.

Venks – Ótimo. Digam á Xanferhion para se preparar.

- Agora mesmo. (Venks começa a caminhar) Senhor? Nossa simples presença aqui deixou as pessoas apreensivas. Por que intimida-las mais?


Venks o olha com um sorriso e olhar que mais lembravam um demônio.


Venks – Nada movimenta os humanos além do medo!

O pânico é visto no olhar de seu subordinado.


Venks — Nos próximos 30 minutos eu espero o equivalente a 100 pessoas entregue a nós (se vira e continua sua caminhada) Avise Xanferhion.

- S-sim, Senhor.


Retorna para sua cadeira de onde observa a movimentação de seus subordinados. De volta a estranha floresta, Lysa , Mikke e Lika continuam caminhando. Lika, na frente, abrindo o caminho e os outros dois logo atrás. Ambos cabisbaixos e muito abatidos.


Lysa – Mikke… (olha para ele, mas não obtém o mesmo resultado. Volta os olhos ao chão)


Dirige os olhos para Lika e sente um tipo de raiva para com ela. Esse sentimento se esvai por um momento quando sua atenção é pedida.


Mikke – Ela não é mentirosa. (ela vira o rosto e o olha) Muita coisa aconteceu e promessas foram feitas. Lika sempre tenta cumprir o que fala e, quando não consegue, ela fica muito mal.

Lysa – (olha com um outro olhar para Lika)

Mikke – Ela não demonstra, mas está se segurando para não gritar.


De repente Lika tropeça entre as pernas e cai. Rapidamente Mikke se aproxima.


Mikke – O que foi, Lika? Ah! (se espanta)

Lika – (ofegante) Eu… estou bem… (sua voz estava seca)

Lysa – O que houve? (leva as mãos a boca, assustada)


Toda a pele de Lika estava enrugada, como se a água de seu corpo estivesse sumindo. Mikke a vira e o rosto dela está igual ao de uma senhora idosa e com uma expressão de sofrimento.


Mikke – C… Como? O que é isso?

Lika – Vou ficar bem. (lentamente se levanta) Já estamos chegando. (fica de pé e dá um passo) Estamos perto… (desaba novamente)

Mikke – (ele a segura) Não caia.

Lika – O que?

Mikke – (com o cabelo cobrindo os olhos) Se você cair também, não saberei o que fazer.

Lika – (com um sincero sorriso) Virou sentimental de repente?

Mikke – Pra onde…

Lysa – (a apoia pelo outro lado) Pra qual lado?

Lika – E-em frente.


E eles continuam seguindo um caminho desconhecido. Chegam até uma área sem árvores, apenas o campo gramado com grandes rochas.


Lika – Estamos na… metade do caminho. (demonstrando sérios sinais de cansaço)

Lysa – Vamos parar e descansar um pouco.

Lika – Não podemos… Não sei se… vou agüentar muito mais.


Essa simples frase entrou na mente de Mikke como uma faca em seu cérebro.


Mikke – O que quer dizer?

Lika – Mikke, eu… (percebe um movimento entre as rochas)

- Quem ousa invadir nossos domínios?

Lysa – AH!

Lika – ‘E-essa voz…’

- Aqueles que entram na floresta de Sairati devem deixar tudo aqui. Começando pela suas vidas.

Lika – ‘Está bem mais grave, mas… será?’

- Aqui não existe maior autoridade que a minha! Tremam diante do nome…

Lika – CARA DE BOLACHA!


A voz desaparece por um tempo e todos encaram Lika com um olhar de “Como é que é?”. Lika se solta dos dois e três passos adiante são dados por ela.


- Quem é essa velha que me insulta?

Lika – Velha é a espinha no seu nariz, FRANKIBA!

Lysa e Mikke – Frankiba?

- Frankiba? FRANKIBA! A única pessoa que me chamava assim era… Macaca?

Lysa e Mikke – Macaca?

Lika – (com olhos franzidos de raiva e veias começam a saltar de sua testa) Apareça e você verá quem é a macaca!

- Mas por que você está parecendo uma velha? Você está com 19 anos não é?

Lika – Quer calar essa boca e me dá logo o Dyuto!

Lysa e Mikke – Dyuto?

- Sem problemas, mas…

Lika – Mas…?

- Estamos em um outro lugar. Temos um sistema de segurança a seguir e temos que por em prática.

Lika – Vai me dar o Dyuto ou quer que eu morra? Faça o que tem que fazer.

- Certo.

Mikke – Lika? (ela se vira) Eu não to entendendo nada. Quem e esse cara?

Lysa – E o que foi isso de “Cara de bolacha” e “Macaca”?

Lika – Ah! Ele é um antigo amigo meu. Inofensivo. Acreditem, ele nunca nos faria mal…


Enquanto estava finalizando esta singela frase, algo perfura seu pescoço, um montante de sangue jorra e seu corpo lentamente vai ao chão. Olhos apavorados presenciam a cena de um ente querido caindo. A visão dele começa a tremer e embaçar. Lika cai completamente ao chão e Mikke vê claramente os olhos dela se fecharem. Ele não conseguia escutar. Sua audição não foi afetada, mas os sons a sua volta estavam distantes. O grito de Lysa foi algo que não afetou em nada a atenção dele. O tempo a sua volta parecia parar e as coisas se mexiam muito devagar. Lysa corria para ajudar Lika, mas Mikke a via em câmera lenta.


Mikke – ‘O que… por que…’


Sente uma dor no pescoço e um líquido á jorrar sobre seu ombro. Seu corpo começa a ficar pesado a cada segundo, o bastante para derrubá-lo de joelhos. Lysa o vê e fica sem saber o que fazer. Mikke estava com os olhos abertos e conseguia enxergá-la. A via mexendo os lábios, parecia estar chamando-o, mas nenhum som chegava aos seus ouvidos.


Mikke – ‘Eu não… não consigo… Lysa… minha irmã… Lysa…’


A ultima imagem que ficou em sua mente foi a de Lysa recebendo a mesma perfuração e indo ao chão. Perde a consciência ao ouvir um grito, que lembrava o rugido de uma fera, cheio de ódio. Algum tempo passou. Ele não sabe quanto tempo. Sabe apenas que o tempo não parou. Ele nunca para. A verdade absoluta onde não temos escolha. Mikke abre os olhos e sua visão está embaçada. Algum líquido está em seus olhos que o impedia de enxergar. Sua mão direita estava presa e a esquerda segurava algo. O estranho líquido começa a escorrer e ele enxerga um pouco a sua volta. Do fundo de sua alma desejou não poder enxergar. Não poder enxergar o sangue que escorria de sua pele, o corpo dilacerado de Lysa a sua frente, o corpo de um estranho com o rosto desfigurado e o pescoço quase totalmente arrancado por uma mordida e sua mão, ou melhor, seu braço atravessando o coração de sua irmã.



Notas finais
Esse foi meio curto. Espero que tenham gostado. Postarei o próximo assim que possível.