Tigers
8 O Rumo de Cada Um - Parte 1
Notas iniciais
Acabei bem rápido :D
Muita coisa aconteceu e várias ainda estão por vir.
Boa leitura e até as notas finais.
Havia um sorriso ali. Aquele inexplicável ato terminou com a cabeça decapitada de Tayuu sendo jogada longe, o grande Delug, tremendo, se afastar e se ajoelhar, mas tudo que se via no rosto banhado de sangue de Rozekio era um sorriso prazeroso. Ele solta os braços do pai e observa maravilhado o sangue que está em seu corpo. Xanferhion cruza os braços e olha aquele estranho garoto se alegrar com a morte de seu pai.
Xanferhion – Delug!
Delug – (este o olha, apavorado)
Xanferhion — Você já cuidou de um, agora (olha para Rozekio) Falta o outro.
Delug – (se levanta, caminha até sua sombra cobrir o garoto e direciona sua mão até ele)
Rozekio – (não demonstra nenhuma reação)
Xanferhion se vira, começa a andar, mas para quando algo chama sua atenção: Rozekio começa a rir. Entre aquela pavorosa gargalhada, ele tenta formar frases.
Rozekio – Está morto? HÁ! HÁ! Esse desgraçado… está realmente morto? HÁ! HÁ! HÁ!
Delug – (segura a cabeça dele, mas logo solta)
Xanferhion – Espere! Garoto… esse que está morto perante ti é seu pai, não é?
Rozekio – Esse… LIXO? Sim, ele é meu pai. Melhor dizendo (pisa no corpo de Tayuu) esse lixo imundo ERA o meu pai!
Xanferhion – Uma reação estranha. Ele não te deu atenção quando menor?
Rozekio – Atenção? RA! (pega sua lança e caminha em direção à cabeça decepada) O que ele me deu foram várias surras e ossos quebrados. Dia após dia me culpando por minha mãe o ter abandonado. (olha com ódio para os olhos de Tayuu) Esse desgraçado… nunca foi um pai pra mim.
Enfia a lança em um dos olhos de Tayuu, fazendo a ponta atravessar a parte traseira do crânio. Gesto esse que fez Delug se espantar.
Xanferhion– Se tinha tanto ódio, por que não o matou?
Rozekio– Eu era fraco. Sempre fui fraco. Nunca fui bom o bastante para superá-lo. Alguns companheiros me ajudaram a passar por isso.
Xanferhion – E o que pretende fazer agora? Eu matei muitos dos seus "companheiros" aqui. Está com ódio de mim, não está?
Rozekio – Eu? (pisando na cabeça e puxando a lança) Não. Nunca gostei de muitas pessoas daqui e meu ódio era todo daquele... AH! (caminha para outro corpo e se abaixa) Eu gostava dela. Zeriga. Nunca tive coragem de me declarar para ela e... me arrependo disso. (acaricia o rosto dela) Não tenho nada que me prenda aqui, então...
Xanferhion – Então?
Rozekio – Quero ser seu subordinado, se ainda estiver "recrutando".
Xanferhion – HÁ! E o que ganho com isso? Você mesmo disse que era fraco. Que sempre foi fraco! Onde você seria de alguma ajuda para mim?
Rozekio – Ajudaria na melhor parte: (se levanta) te daria informações.
Xanferhion – Que tipo de informações?
Rozekio – Quem você está procurando?
Xanferhion – Hum! Fale mais.
Rozekio – Como eles estão, os planos, mobilizações, ações futuras... tudo o que está acontecendo dentro das muralhas de Sairati!
Delug – ROZEKIO!
Rozekio – Pense nisso! Saiba o que seus inimigos estão fazendo! Eu serei os seus olhos e ouvidos invisíveis! Use a força quando necessário e descanse para aumentá-la!
Xanferhion – O que? (descruza os braços)
Rozekio – Eu li sobre vocês! Eu… (começa a ajoelhar) Eu ficaria honrado em servir a esse grandioso clã. Ficaria (abaixa a cabeça diante dele) honrado em servir…o mais poderoso líder do Clã de Xontor, O Ceifador Xanferhion.
Xanferhion – ‘Inteligente... direto... vingativo... gostei desse garoto' Muito bem. Siga-me!
Rozekio – Obrigado! (se levanta e o segue)
Xanferhion – Delug?
Delug – E-Estou indo.
Xanferhion – Não. Você fica.
Delug – O que? Por quê?
Xanferhion – Você tentou, cegamente, me enganar ao fingir a morte daquele homem.
Delug – N-não! Achei que ele havia morrido e...
Xanferhion – Enquanto Rozekio estava planejando entregar Sairati, você me fez questionar ainda mais sua lealdade.
Delug – (seus olhos demonstram pânico)
Xanferhion – E... pensando bem, trabalharei melhor com uma pedra quase invisível do que com uma montanha gigante.
Rozekio – Adeus, Delug!
Delug fica apavorado quando Xanferhion começa a caminhar, lentamente até ele. Desesperado, o gigante avança em um ataque e urra ferozmente. Logo, tanto seu ataque, seu urro e sua vida acabaram ali.
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O que pensar observando aquela cena? Daquele ato impensável e sem razão? Poucas palavras foram ditas e menos ainda foi feito, mas não seriam o gatilho para tal. Mesmo assim, por que isto aconteceu? Esses eram os únicos pensamentos que assombravam a mente de Lika ao ver a cena de Janessa beijando Mikke sem qualquer motivo. Igual à situação anterior, Mikke não conseguia assimilar o porquê dessa ação de Janessa.
Janessa – (se afasta e olha carinhosamente para Mikke)
Mikke – Por que você…
Janessa – Você irá compreender tudo. Logo.
Lika – JANESSA! (a segura pela gola do manto e começa a sacudi-la) O QUE FOI ISSO?! BEIJAR MEU IRMÃO ASSIM NA MINHA FRENTE?! ELE JÁ ESTÁ MAIS PERDIDO QUE CEGO EM TIROTEIO! QUER TRAUMATIZAR MAIS O GAROTO É?!
Janessa – O Grande Loritai explicará tudo, Gashi Lika. (com os olhos girando) Até lá, peço gentilmente que me deixe respirar.
Lika a solta, Janessa vai ao chão e toma uma boa quantia de ar. Mikke olha para Janessa perplexo, enquanto a garota de olhos azuis, timidamente, olhava de volta. Lika observava aquela situação sem saber o que pensar.
Mikke – ‘Mais um… mais um acontecimento sem explicação. O que é isso tudo e… (de repente, um estalo em sua mente e se levanta)’ LIKA! Onde estão Lysa e Toni? Eles estão bem?
Lika – Agora que você falou, não vi Toni desde que chegamos. Com certeza ele está bem. Lysa teve uma reação alérgica ao Ita e está sendo tratada.
Mikke – Ita? O que é isso?
Lika – Aquilo que atingiu nossos pescoços na floresta. Foi o novo “Sistema de Segurança” do Frankiba. Ainda não sei o que é isso.
Janessa – Ita é um dardo feito com pelo de Gauri banhado em um composto a base de Lágrima de Gimal e Fanieris.
Mikke e Lika –…Ah?
Janessa – Retira impurezas do corpo.
Lika – Janjan onde você aprendeu tudo isso?
Janessa – Quanto maior o seu status em Sairati, maior a sua…
– Grisma! – a pequena de cabelos rosados chega ofegante – O… Grande Loritai… quer vê-la.
Lika – ‘Ela realmente é uma Grisma. Como isso aconteceu?’
Janessa – Iremos, imediatamente. (olha para Mikke) Vamos indo?
Mikke – Sim.
Janessa – Elie, leve Lika para que ela coloque um manto da Gashi. Eu os levarei até o Grande Loritai assim que voltar.
Elie – Sim! Gashi Lika, pode me acompanhar?
Lika – (olha apreensiva para Mikke) S-sim.
E as duas se vão deixando Mikke e Janessa sozinhos.
Janessa – Seu nome é… Mikke né?
Mikke – Sim. Mikke Nakashyro.
Janessa – Sei que deve estar muito confuso agora, mas você entenderá…
Mikke – Por que você me… (ele cora) me… beijou?
Janessa – (meio chateada) Você… não gostou?
Mikke – NÃO! NÃO! Não é isso!
Janessa – É a minha aparência? (leva as mãos ao rosto) Você me acha feia né?
Mikke – DE JEITO NENHUM! Eu… Eu… (cora mais) acho você m-muito linda e…
Janessa – E? (seus olhos pareciam diamantes de tão brilhantes)
Mikke – E eu g-gostei do… beijo. Gostei muito. Mas é que…
Janessa – Eu… assustei você. Não assustei?
Mikke – Como é?
Janessa – Aquele jeito que eu espantei o Erigashi Akishiba! É uma mania horrível que eu tenho! Quando sou interrompida eu acabo fazendo aquilo com os outros e… e… todos se afastam de mim, assustados. Você me acha assustadora, né?
Mikke – Eu…
Janessa – (sua feição começa a esbanjar tristeza, mas logo mostra espanto)
Mikke–Uau! Parando para pensar… é uma mania bem assustadora. “Não me interrompa ou te jogo na parede”. Parece bem simples.
Janessa – O que está insinuando?
Mikke – Que você é única!
Janessa – Ah?
Mikke – Somos diferentes. Todos nós temos algo que nos torna únicos. Que nos torna especiais. Podem impressionar ou assustar, mas se antes de nos conhecerem as pessoas nos julgarem assustadores, se espantam, menosprezam, ou ignoram, elas não merecem nos conhecer.
Olhando para Mikke, Janessa abaixa o rosto e esconde um lindo sorriso dele. Ela, que ainda estava abaixada, tenta se levantar, mas o manto não deixa.
Janessa – Droga de manto!
Mikke – Vem! (chega perto dela e estende a mão) Deixa eu te ajudar.
Janessa estende a mão e Mikke, cuidadosamente a levanta. Ela se segura nos braços dele e cora.
Mikke – Esse manto deve ser pesado.
Janessa – Só… um pouco. Ainda não me acostumei com ele.
Mikke – Sobre aquele beijo, eu…
Janessa – O que?
Mikke – Eu realmente quero saber o porquê dele.
Janessa – É que…
– NÃO PRECISA EXPLICAR NADA, JANJAN!
Trajando um manto púrpura, Lika chega gritando alegre e com um sorrisão no rosto. Janessa e Mikke se separam e ficam em posição de sentido devido ao espanto. Lika pega os dois pelo pescoço: Janessa no esquerdo e Mikke no direito.
Lika – Elie me contou tudo o que precisava saber e isso me alegra muito, Janjan!
Janessa – (cora) E-Elie?!
Elie – M-me desculpe Grisma!
Mikke – Do que está falando, Lika?
Lika – Ora! Ora! Não seja apressado, maninho! Nunca estraguei uma surpresa e não vou começar agora! E você, Janjan… (cochicha no ouvido dela) não seja “apressada” também.
Janessa – (cora mais e desvia o olhar)
Lika – Vamos lá, mocinhos! O Grande Loritai nos espera!
Começa a caminhar e literalmente arrasta os dois juntos a ela.
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Passos rápidos e precisos. Nenhum obstáculo diminuía sua velocidade. Eram facilmente vistos por aqueles olhos felinos e desviados por um movimento impecável de Onihime que perseguia ferozmente Safira e seu irmão. Seus passos param e sua busca, aparentemente havia acabado. Ela estava em uma parte bem escura e densa daquela floresta. Pegando uma boa quantia de ar devido à corrida, Onihime apenas descansa sobre os pequenos feixes de Sol que passava pelas folhas.
Onihime – Vocês nunca saem das sombras?
– Isso te incomoda? Você tem medo de sombras? – a voz do irmão de Safira ecoava por aquele local.
Onihime – Pelo jeito “bruto” de falar… Safira?
– Acertou. Que foi? Você pediu pra eu falar isso, agora aguente!
Onihime – (fecha os olhos e começa uma boa gargalhada)
– Qual é a graça?
Onihime – Vocês! Vocês dois são hilários! (continua gargalhando)
Abre os olhos, joga o corpo para o lado e desvia de algo parecido com uma foice negra que surgiu das sombras.
Onihime – Parece que a mudinha não gosta de receber provocações.
– Não. Desta vez não foi a Safira. Eu não gosto de receber provocações!
Onihime – Então… vamos brincar?
O vento sopra algumas nuvens, fazendo com que o raio de Sol que iluminava Onihime fosse coberto por elas. Momento este em que as sombras levantam sobre os pés dela jogando-a para o alto. Com ela no ar, Safira e o irmão aparecem, como sombras mais negras, em posições opostas golpeando-a rapidamente. Onihime se defende desviando do golpe do irmão e rebate com um chute em seu estômago fazendo-o ir ao chão, mas ela recebe um corte horizontal no braço direito por defender o golpe de Safira. Vai ao chão com a perna esquerda encolhida e a direita esticada. Safira, antes de ir ao chão, desaparece voltando para as sombras.
Onihime – Tsc! Por acaso está com raiva de mim, mudinha?
– Eu… estou bem, Safira! Já disse que não consigo entender nada se você ficar gritando! Droga! (aparentemente encara Onihime)
Onihime – Algum problema?
– ‘Quem é ela?’ OUTRA VEZ, SAFIRA! (some entre as sombras)
Onihime – Venham!
Uma lança negra sai das sombras mirando o rosto de Onihime, que desvia dobrando o corpo para trás.
Onihime – Estamos ficando nervosos? (com um sorriso provocador)
Ela coloca a mão esquerda no chão e vira um mortal de costas, desviando de mais três pontas que saem do solo. Pairando no tronco de uma árvore, logo pula desviando de outra ponta, mas é surpreendida pela sombra do irmão de Safira vindo rápida e perigosamente em seu ponto cego.
Onihime – D-Droga!
Ela, tentando se virar, já via o golpe acertando-a. Em um ultimo instante, o Sol ilumina o local e a sombra dele desaparece, mostrando seu corpo.
– ‘Essa n…’ AH!
Com o braço esquerdo, Onihime o puxa pelo braço direito, acerta um soco em seu estômago, o puxa novamente desferindo uma joelhada em sua testa, que o desacorda. Gira o corpo e desfere um chute onde Safira aparece e tenta bloquear. A força do chute foi mais forte do que ela imaginou e termina por ser jogada, junto com o irmão, na direção de uma grande rocha ali perto. Antes do impacto, ela oculta o irmão nas sombras e em seguida se oculta também. Pairando no solo, Onihime apenas observa o distanciar das sombras.
Onihime – Agora o pega-pega virou esconde-esconde? Adoro esconde-esconde!
Começa a caminhar, seguindo-os. Fora das sombras e longe dali, Safira sacode o irmão que ainda está desacordado. Seus olhos ameaçam derramar lágrimas, mas logo passa o braço para secá-los. Ao que volta o braço para o irmão, sente dores do lado direito da barriga. Antes de se ocultar totalmente nas sombras, Safira recebeu o impacto na rocha e aparentemente quebrou algumas costelas. Alguém a chamando de longe faz seu coração gelar.
Onihime – MUDINHA! CADÊ VOCÊ?! SAIA DE ONDE ESTIVER!
Pegando várias folhas, ela cobre o irmão dos pés até a cabeça, visando esconde-lo. Antes de cobrir sua face, ela dá um sorriso, acaricia seu rosto e o beija na testa. Parecia estar se despedindo. Ela termina de cobrir o irmão e segue ao encontro de Onihime.
Onihime – HEY! MUDINHA! VENHA AQUI!VOCÊ CORTOU MEU BRAÇO AGORA EU QUERO TE CORTAR TAMBÉM!
Safira – (aparece entre sombras a menos de 20 metros diante dela)
Onihime – Seu irmão deve estar dormindo profundamente agora não é? Você o escondeu bem?
De cima pra baixo, a sombra de Safira começa a sumir revelando seu corpo: vestindo um tomara que caia branco e uma calça azul, exibindo um estilo árabe. Estica o braço esquerdo deixando o pulso na vertical e aproxima o direito do rosto, com o pulso também na vertical, mas invertido.
Onihime – Cansou de se esconder? Então tá (leva a mão direita fechada até a base da cintura e estende a esquerda aberta). Quer começar?
As duas ficam apenas se encarando. Safira demonstra nervosismo e uma expressão séria enquanto Onihime esbanja confiança e um sorriso vitorioso. O ataque começa com Safira que, em um pulo, desfere um chute horizontal mirando o rosto de Onihime que, em um ultimo momento, consegue defender.
Onihime – ‘Rápida’.
Safira – (se abaixa, gira e desfere um chute em seu estômago)
Onihime – (levanta a perna direita e bloqueia o chute. Segura a perna dela, gira e a joga contra uma árvore)
Safira vira o corpo, paira com os dois pés na copa da árvore, pega impulso e volta preparando outro chute horizontal. Onihime prepara um soco, o desfere, mas se surpreende quando Safira aparece atrás dela acertando-a no pescoço. Ela sorri confiante acreditando ter quebrado o pescoço dela. O corpo de Onihime cai inerte e Safira também, sentindo a dor nas costelas. Faz um esforço, levanta e, mesmo cambaleando um pouco, começa a andar. Safira troca sua expressão de “missão cumprida” por uma de pavor quando escuta a risada de Onihime. Ela se vira e vê aquele corpo se levantando após receber um golpe mortal.
Onihime – Devo agradecer por duas situações aqui. A primeira é por você não ter usado nada cortante. Poderia ter virado sombra e me decapitado ao invés de quebrar meu pescoço.
Safira – (dá um passo para trás, não acreditando no que via)
Onihime – A segunda é por eu ter uma boa visão e ter me preparado fisicamente para receber o seu golpe.
Safira – (se espanta)
Onihime – Você foi bem esperta, usando a sombra para se deslocar daquele jeito. O que foi? Achou mesmo que eu estava despreparada?
Safira se recobre de sombras e começa a evocar lanças negras. Eram tantas lanças que parecia uma floresta de espinhos. Mesmo com a quantidade assustadora, Onihime avançava lentamente e desviava de todos os golpes sem diminuir a velocidade ou desviar o olhar de Safira. Apavorada, a pequena de cabelos azuis camufla sua sombra junto com o ambiente e tenta se afastar.
Onihime – Ai! Ai! Odeio isso.
Ela pula e desfere um soco na sombra de uma árvore. A sombra desaparece, Safira é revelada e o soco dado por Onihime atingiu o lado direito de sua barriga, local este onde suas costelas estavam quebradas. Ela vai ao chão, Onihime se aproxima e, com o braço esquerdo a ergue pelo braço direito a encostando em uma árvore.
Onihime – Achei que tinha escutado. Não entendeu?
Recebendo mais dois socos em suas costelas, Safira começa a cuspir sangue. Onihime se afasta, ainda segurando o braço dela, pega embalo e a joga de costas no chão. Continua arrastando-a de lado e a joga de costas na mesma árvore. Solta o braço dela, segura em seus cabelos e a encosta na copa da árvore. Com a dor, Safira está de olhos fechados e quase inconsciente.
Onihime – Vou te contar um segredinho. Não pense que me impressionou quando esmigalhou a sombra daquele galho. Ou quando se escondeu entre as pedras e invocou aquelas lanças para que seu irmão me derrubasse.
Safira – (se assusta com os comentários)
Onihime – Isso mesmo, mudinha! Eu vi tudo! Eu SEMPRE vejo tudo! Não importa o lugar, não importa como… (com a mão direita abre os olhos dela)
Safira – (encara aqueles assustadores olhos vermelhos totalmente em pânico)
Onihime – Nem mesmo se a própria escuridão te abraçar e te acolher. Não existe lugar seguro para se esconder enquanto EU ESTIVER PROCURANDO!
Safira não conseguia coordenar seus pensamentos e aqueles olhos vermelhos estavam trocando qualquer pensamento de sua mente por medo. Medo esse que ficava mais visível com as fartas lágrimas que corriam de seus olhos. Safira não conseguiu fechar ou desviar o olhar, mas viu perfeitamente Onihime sendo afastada com um golpe desferido por uma conhecida sombra: era seu irmão. Com Onihime afastada, ele fica entre as duas.
– Eu não vi o que ela fez com você Safira, mas não quero ouvir você dizendo esse tipo de coisa nunca mais.
Safira – (olha espantada para o irmão)
Onihime – Não esperava por isso. Acreditei que ficaria desacordado por duas horas.
– Sono leve. Nunca gostei de dormir muito! Pode ficar quietinha um pouco?
Onihime – O que? AH!
Mesmo com sua “super-visão”, Onihime se surpreende quando sombras que pareciam tentáculos prendem seus pés.
Onihime – Bela jogada.
– Obrigado! Agora… preciso falar a sós com minha irmã. Nos dê licença, sim?
Onihime – Só peço que não demore ok? Odeio esperar.
Ele apoia a mão esquerda no ombro de Safira, encobre ela em sombras e os dois se afastam dali. Cerca de 1 km de distância, eles param e saem das sombras.
– Estaremos seguros, por enquanto.
Safira – (percebe que o lado direito dele está caído)
– Isso aconteceria cedo ou tarde. Por que essa cara de espanto?
Safira – (fecha os olhos e leva as mãos ao rosto)
– Pare de dizer isso. (acaricia a cabeça dela) Nada disso foi culpa sua. Eu também não acreditei que ela fosse tão forte daquele jeito.
Safira – (com os olhos encharcados, olha nos olhos do irmão)
– Estou no meu limite. Não conseguirei segura-la por mais tempo. Não sei nem como estou em pé até agora.
Safira – (abaixa a cabeça e mais lágrimas escorrem)
– Há algum tempo, Nakixa enfeitiçou alguns lugares para que, se necessário, poderíamos voltar para Veratia e conseguir ajuda em Sairati. Você pode voltar através dessa árvore atrás de você. Pegue esta bússola. (igual a que Mikke recebeu) Quando chegar procure a vila do Grande Loritai e entregue para Nakixa. Ela saberá o que fazer.
Safira – (balança negativamente a cabeça e olha para o irmão)
– Aquele beijo que você deu antes em minha testa. O que foi aquilo?
Safira – (abaixa a cabeça)
– Foi o que pensei. Então…
Safira arregala os olhos enquanto ele chega perto e dá um beijo em sua testa. Com a corrente da bússola, ele a coloca no pescoço dela.
–… Essa é a minha despedida pra você. Cai fora daqui, minha irmãzinha.
Safira – (com os olhos arregalados, apenas as lágrimas caem)
– Safira, vá ago-
Sendo bruscamente interrompido por uma joelhada na cintura desferida por Onihime, ele vai ao chão e, novamente, Safira está frente a frente com a mulher de olhos vermelhos.
Onihime – Achei que tinha dito que detesto esperar.
– Urgh!
Onihime – Agora… você fica quietinho aí (olha para Safira) enquanto eu resolvo uma situação pendente, aqui!
Safira – (os olhares se encontram e o pânico era transmitido em seu corpo que começou a tremer)
– SAFIRA! (ergue sua mão visando um golpe em seu inimigo, mas sua visão começa a embaçar) Maldição!
Onihime, exibindo um sorriso assustador, leva lentamente a mão direita até os olhos de Safira. Não conseguia lutar. Não conseguia fugir. A presença quase imbatível de Onihime tirou a força de vida de Safira que apenas tremia e chorava diante daquele ser. Demorou um tempo a perceber que Onihime havia sumido. Que seu irmão também havia sumido e que ela não estava mais no mesmo lugar. Uma floresta cheia de vida com três cachoeiras acima delas: ela estava em Veratia. Ainda tremendo muito, ela fica de joelhos, deita no solo e abraça os joelhos. Seus lábios se mexiam, tentando chamar o irmão que mais uma vez a salvara.
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Onihime – (ainda com a mão estendida e chateada) Tsc! Você realmente é um incomodo.
– Faço o que posso. Geralmente as mulheres gostam desse meu estilo.
Onihime – (caminha lentamente até ele) Saiba que eu a encontrarei. É só questão de tempo até isso acontecer.
– He! He! Se nesse tempo eu ainda estiver aqui, não vai acontecer.
Onihime – Entendo. Então, temos que dar um jeito nisso, não é?
– Vocês mulheres são tão apressadas.
Onihime – Então, para deixar esse momento um pouco mais confortável, posso te contar um segredinho surpreendente?
– Acho que… nada mais me surpreendera nesse momento.
Onihime – Muito bem. Você sabia que os olhos são a janela da alma? E que, olhando direito, percebemos o que a pessoa está sentindo?
– Isso é meio… antigo. Não acha?
Onihime – Bom… isso é mesmo antigo, mas… (abaixa perto dele) não é mentira. Podemos dizer se uma pessoa está triste, feliz, com raiva, apaixonada… tudo o que ela está sentindo naquele momento.
– Até aí continua antigo pra mim.
Onihime – E somos nós as apressadas?
– Tá certo. Continue.
Onihime – Obrigada. Olhando para você, posso dizer que está tentando esconder a dor das suas costelas que quebrei e o lado direito do seu corpo paralisado após o golpe que acertei em sua testa, mas… está feliz por sua irmãzinha estar parcialmente a salvo.
–… É! Você me surpreendeu. E o que mais?
Onihime – E o mais curioso. Você sabia (encosta a mão no peito dele e cochicha em seu ouvido) que todos os sentimentos tem um sabor diferente?
– Sabor? – visivelmente surpreso.
Onihime – Sim, sim! Cada um diferente do outro! E por mais que o sentimento seja o mesmo, o sabor varia de pessoa pra pessoa! É sempre uma surpresa! E faz 75 anos que não tenho um desses!
– 75 anos… Impossível. Você é…
Onihime – Me conhece? Não me lembro de ter dito meu nome.
– Os mais velhos falam de você. A última dos Senzoukais…
Onihime – Ora! Parece que consegui te surpreender! Não terminei de contar meu segredo! Sabe como você pode sentir o sabor dos sentimentos?
Ela direciona sua mão para o rosto dele.
Onihime – Desse jeito!
Uma gota de suor desce por seu rosto e seus olhos começam a tremer.
Onihime – Uma refeição… depois de tanto tempo, uma belíssima, deliciosa e digna…
Nada mais foi dito. O que se seguiu foi o grito de dor do irmão de Safira enquanto Onihime retirava seus olhos com um sorriso nos lábios.
…
Notas finais
Gostou? Quer que eu escreva mais? Publique um review... Acompanhe minha FIC... Adicione aos favoritos... Critique... Elogie... Xingue (brincadeira ¬¬)
Mais alguns malvados >]
Meleck - É tudo desconhecido desse cara. Idade, tipo físico... ele simplesmente imita o primeiro que aparece para passar despercebido. Guarda um segredo que atiça a curiosidade do nosso próximo personagem.
Volgan - 1,85 de altura, 45 anos, pele morena, cabelos cumpridos e negros, mas cinzentos nas pontas. Usando um sapato e calça social brancos, bem elegantes e trajando um casaco branco comprido.
Descreverei mais no decorrer dos CAPS.
Até a próxima!
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