Tigers

26 Mudanças repentinas


Notas iniciais
Sim. Voltei a escrever. Sim. As outras fics também. Espero voltar com minha rotina de publicações. Boa leitura ^^

Os 5 dias do Tausarani se passam rapidamente. Lentamente e ainda abalada, Sairati volta com suas atividades diárias. Na Oren, Geixa é uma das primeiras a se levantar e, como era de seu costume, iniciou uma corrida pelo lugar. As palavras de Lysa, durante o renascimento de Nakixa, ecoavam em sua mente: "... Não quero ser um peso morto".

— Se arriscar daquele jeito sem pensar nas consequências. Você pode ser qualquer coisa, criança, menos um peso morto.

Sua concentração começa a sumir quando, lentamente, passos se iniciam atrás dela. Ao se virar Geixa percebe que muitos membros da Oren, garotas entre 7 e 12 anos, estavam seguindo-a.

— Vocês me assustaram. Bom dia!

— Bom dia, Enishi Sigren. — respondem em uníssono.

— O que fazem acordadas, tão cedo?

— Queremos saber o que você faz!

— O que eu faço?

— É! Para nos tornarmos Enishis também.

— Isso é ótimo, mas vocês sabem o que uma Enishi faz?

— Não! — novamente em uníssono.

— A Enishi cuida da segurança de Sairati. Tanto da Oren quanto da Eren.

— Uuuuuuuhhhhhhhh!

— É. E por isso a Enishi tem que ser forte e destemida. Igual a nossa Zorishi, Satir Nohara.

— A Satir assusta. — comenta uma jovem.

— Ela da muito medo. — comenta outra.

— Mas ela também quer proteger vocês. Igual ao Erigashi Akishiba que protege a Eren. Ela pode assustar um pouco, mas ela é uma boa pessoa. Não é Satir?

Assustadas com o comentário, as garotas correm e se escondem atrás de Geixa, que de pronto começa a rir.

— Por que fez isso? — pergunta uma das jovens que caiu na piada de Geixa.

— Ela já fez algum mal para vocês?

— Não. — todas respondem.

— Então por que o medo?

Olhando para os lados, nenhuma delas consegue responder.

— Não é certo julgar as pessoas pelo que elas aparentam, mas sim pelo que elas fazem. Se vocês querem se tornar Enishis um dia, precisarão mudar esse pensamento.

— E como faremos isso?

— Tudo tem seu tempo certo para acontecer. Não se preocupem. Com esforço e um pouco de ajuda, tudo dará certo. Não é, Satir?

— Não vamos cair nessa de novo, Enishi. — zomba uma garota.

Uma enorme sombra aparece e cobre as garotas. Ao olharem para trás, elas encaram os assustadores olhos da giganta ruiva.

— Bom dia, meninas.

Correndo e gritando. Muitas se espalham e somem do campo de visão delas, enquanto a gargalhada de Geixa percorria o lugar.

— Que confusão foi essa? — questiona a ruiva.

— Zorishi?

— Ah?

Uma pequena jovem, de olhos e cabelos castanhos e trajando um manto púrpura, encarava a ruiva. Ainda mantendo o olhar ameaçador, Satir se abaixa e fica cara a cara com a pequena.

— Algum problema, Ariha?

— Não.

— Então o que foi?

— Eu quero ser uma Zorishi! — responde com um sorriso no rosto.

— O que? Uma Zorishi? Baixinha desse jeito?

— EU NÃO SOU BAIXINHA!

Revoltada, a pequena chuta a canela de Satir, fazendo a se levantar e saltitar enquanto acaricia o local atingido. Geixa, que iniciaria uma risada, para logo ao receber um olhar penetrante da Zorishi.

— Você tem coragem, admito isso. Cresça primeiro e veremos o que pode acontecer.

A pequena Ariha mostra a língua e corre, deixando Satir com o humor alterado e Geixa rindo das trápolas da jovem.

— Pestinha. — reclama a ruiva.

— Não diga isso. Crianças são assim mesmo. Cheias de energia.

— Não é diferente quando crescem.

— Como ela está? — com seriedade em sua voz.

— Não come, mal conversa e não levanta da cama. Se continuar assim ela pode-

— Eu vou falar com ela. Só espero que, por hora, as coisas deixem de se complicar. Obrigada por vigia-la durante o Tausarani, Satir.

Geixa se vira e começa a caminhar, com o quarto de Lysa como destino.

— Foi um prazer, Enishi. — meio embaraçada, com um leve sorriso no rosto e coçando a bochecha direita com o indicador.

Seu embaraço se vai ao notar que a porta de entrada para a Oren estava se abrindo. Essa ação, que não deveria acontecer tão cedo, fez a ruiva sacar sua katana e se prontificar diante do portão.

— Aproxime-se mais e garanto-lhe um sofrimento agonizante.

— Zorishi Nohara. — uma voz conhecida, porem triste, iniciou daquela jovem de cabelos e olhos rosados.

— Gashi Nadok? O que aconteceu contigo?

Os olhos de Elie demonstravam pavor e confusão.

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Alguns minutos se passam e estamos no hall de audições da Gashi. Lika e Geixa estão na "mesa de juizes", mas elas demonstram estarem sem graça. Satir está na entrada da sala, com a katana semi retirada da bainha e um olhar assustadoramente furioso. Elie está em uma cadeira, perto de Geixa, com um olhar abatido. Mikke está no "lugar do réu", de cabeça baixa e totalmente paralisado de medo do que poderia acontecer. E Janessa está ao seu lado com a mesma cara.

— O-o que tem a dizer... e-em sua defesa? — a voz de Lika estava bem trêmula.

— DEFESA? — Satir exclama — ESSE MONSTRO AINDA TEM O DIREITO DE DEFESA?

— Acalme-se, Zorishi! — Geixa solicita — Acredito que esse fato possa ter uma explicação… aceitável. Mikke?

— S-sim? — tremendo.

— O que aconteceu?

— Foi o seguinte: meu kimono estava rasgado e eu queria troca-lo. Alguns dias atrás, Janessa disse que-

Mikke instantaneamente para de falar ao ter a lâmina da katana de Satir próxima de seu pescoço.

— É Grisma Omura para você, porco. — Satir sussurra ameaçadoramente.

— Contenha-se, Satir! — ordena Geixa — Nenhum ato de violência será tolerado nesta sala.

Obedecendo, mas tremendo de ódio, a Zorishi guarda sua katana e volta para a entrada da sala.

— Prossiga, Mikke.

—V-v-v-vossa — engole seco — Grisma disse que eu poderia ir em seu quarto se precisasse de ajuda. Eu fui até o quarto dela e...

FLASHBACK ON

No quarto de Janessa

— Você rasgou o seu manto. — observa.

— Me desculpe. Nem são minhas roupas e acabei detonando elas.

— Mas… foi por uma boa causa?

Os olhares se cruzam e Mikke encontra um sorriso lindo estampado no rosto de Janessa. Envergonhado, ele vira o rosto e começa a coçar a nuca.

— Espere aqui. — pede a jovem, se levantando e seguindo para a porta.

— Aonde vai?

Ela sai do quarto. Pouco tempo se passa e ela já está de volta, trazendo algo em suas mãos.

— Aqui. — entrega para Mikke.

— Outro manto?

— Você não deve andar assim por Sairati. Se temos roupas boas, então devemos usa-las.

— Obrigado.

— Vou buscar alguma coisa para comermos enquanto você troca de manto.

Janessa se levanta e sai do quarto. Mikke, agora sozinho, observa o manto trazido por ela e fica pensativo sobre os atos da jovem.

— Ela é tão boa pra mim. Tão gentil. Tão… linda. — fica corado ao relembrar o beijo — Queria que ela me explicasse melhor. Tudo isso ta me deixando louco. Eu vou trocar de manto e, quando ela chegar, eu pergunto pra ela.

Pegando pela parte de baixo de seu manto, Mikke começa a tirá-lo.

— Que chato de tirar! S-sai logo!

Tirando-o completamente e jogando o manto para o lado, Mikke se estica para pegar a nova vestimenta.

— Bom dia, Vossa Gris-

— AH!

— AH!

A porta se abriu e a pequena Elie adentrou o quarto. Ambos entram em choque: Mikke cobre as partes íntimas com o manto enquanto Elie...

— AAAAAAAAAAHHHHHHHHH!

— NÃO É O QUE ESTÁ PENSANDO!

— SOCORRO! TEM UM TARADO NO QUARTO DA GRISMA!

— E-ESPERE! NÃO GRITE!

Lutando para que a situação não piorasse, Mikke caminha até Elie, visando acalma-la. Tropeçando e escorregando no manto, ele perde o equilíbrio e cai sobre a pequena, levando os dois ao chão.

— Ai! Ai! Me desculpe. Eu não queria-

— AAAAAAAAAAHHHHHHHHH!

Olhando a origem do novo grito, junto com o som de coisas caindo e quebrando, Mikke nota que Janessa o observa horrorizada.

— O-o q-q-q-que está fazendo?

— O que eu... tô- AH!

Analisando a situação, ele logo nota o porquê do espanto de Janessa: Elie esta desacordada e, devido à queda, com a parte inferior de seu manto erguida. Mikke está nu e sobre a pequena. Ele, mais do que rápido, se afasta, pega seu manto e se cobre.

FLASHBACK OFF

— Após isso a garota acordou e, quando me viu, saiu correndo. — complementa o acusado.

— Vossa Grisma. — Geixa inicia — O que tem a dizer sobre isso?

— Bom… eu confirmo que o informei sobre para que me procurasse, caso viesse a precisar. E também confirmo ele aguardar em meus aposentos e experimentar o novo manto.

— Entendo.

— E confirmo também eu ter encontrado os dois… daquele jeito. — muito corada — Isso é tudo que tenho a dizer.

— Elie?

— Sim? — a pequena responde o chamado com a voz trêmula.

— Pode nos confirmar algumas coisas?

— Eu… posso sim. Eu sempre passava no quarto de Vossa Grisma de manhã, para cumprimentá-la, e hoje não foi diferente. Não esperava encontrar outra pessoa em seu quarto e muito menos… daquele jeito.

— Existe uma regra em Sairati que, mesmo os membros da Gashi tendo acesso, a entrada em certos lugares é proibida. — Geixa explica.

— Mas-

— Tal ação é passível de punição e-

— Espere. — Janessa interrompe.

— O que foi, Vossa Grisma?

— Fui eu quem a permitiu entrar em meus aposentos, mesmo sem minha autorização. Isso é uma clara desobediência a esta regra criada pelo Grande Loritai, então eu assumo a responsabilidade.

— Se Vossa Grisma assim desejar, então-

— Não.

A interrupção de Mikke impressiona todos.

— Eu sou o culpado aqui. Não posso desfazer o que aconteceu, mas garanto que não foi intencional. Ainda desconheço as regras desse lugar e isso é mais um problema para vocês, mas não as culpe por algo que eu fiz.

— Mikke Nakashiro. — Geixa inicia — Você será iniciado na Eren o quanto antes. Até lá você está proibido de acessar a área principal de Sairati. Salvo quando solicitado. Erigashi Akishiba logo lhe mostrará um lugar para ficar.

Nesse mesmo instante o Erigashi adentra a sala e, como se soubesse do ocorrido, confirma com a cabeça.

— E quanto a elas?

— Você aceitou a punição no lugar delas. — agora era Lika — Então a sua punição será ajudar na caça de lakuis durante um mês.

— Lakuis?

— São pequenas feras que comem e destroem nossas plantações. — Akishiba inicia — Não são difíceis de se caçar, mas não sei se você se adequa a esta tarefa.

— Como é?

— Explique-se, Erigashi. — Geixa solicita.

— Para caçar um lakui, ou qualquer outro animal, é necessário paciência, agilidade e precisão. Se você não possui uma dessas qualidades, isso o impossibilita de ser um caçador e ele mostrou claramente que paciência não é uma de suas virtudes.

— E aonde quer chegar com essa explicação, Erigashi?

— Ele precisa ser treinado. Tanto para ser um Tiger, quanto ser um morador de Sairati. Não posso simplesmente coloca-lo em um lugar se ele não sabe o básico.

— E qual é a sua solução para isso?

— Encontrarei alguém que possa ensina-lo até o final desta tarde e iniciar o seu treino pela manhã. Até lá, não o coloquem em nenhum departamento de Sairati para que nada grave possa acontecer.

Irritado com o comentário, Mikke fecha e aperta os punhos. Sua raiva logo se vai quando ele tem sua mão esquerda segurada por Janessa.

— Está certo. — Geixa confirma — Ache alguém para treina-lo e-

— ERIGASHI!

Um rosto conhecido entra ofegante na sala, interrompendo a reunião.

— O que foi, Zolay?

— Ele voltou!

— Quem?

— Aquele que destruiu o portão!

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— O QUE QUER AQUI, MISERÁVEL?

Gritos agressivos e ameaças eram direcionados para Toni. Sua aparição junto de Nizuka, Melissa e seu "bichinho" agitou toda a Eren.

— Sabemos que você destruiu o nosso portão e não vamos deixar isso passar!

— É! Vamos te arrebentar!

— Vocês não parecem mais fortes que aquele portão. — provoca o jovem.

— Como é?

— Acalme-se Toni. Não viemos aqui para brigar. — Nizuka alerta.

— Se pensarem em me atacar, eu farei mais do que congelar uma ponte.

A ameaça de Toni fez com que muitos ali se preocupassem. Mesmo os membros da Eren sendo maiores e fisicamente mais fortes do que Toni, muitos deles se amedrontaram com suas palavras.

— Quero ver você fazer isso comigo aqui.

Novamente pontual, Erigashi chega e acalma os moradores. Junto dele estavam Geixa, Zolay e Mikke. Ao olhar o "amigo", Mikke se surpreende com os ferimentos que estavam em seu corpo.

— Que confusão é essa, Nizuka? — Geixa questiona.

— Não há nenhuma confusão, Enishi. Apenas um mal entendido que-

— Esse mal entendido parece uma clara ameaça! — Akishiba exalta enquanto finca sua lança no solo — E eu não vou permitir isso.

— Erigashi, não faça- AFASTEM-SE!

Com os seus instintos falando mais alto, Geixa e muitos membros da Eren se distanciam ao máximo. O alerta fora para o solo de gelo que se formou, originário dos pés de Toni, que congelou objetos 10 metros a sua frente. Akishiba, que estava nessa distância, fora parcialmente congelado. Apenas sua cabeça ficou para fora do gelo. Assustado e sem entender o que acontecia ali, Mikke observava o corpo de Toni ganhar tons azulados e ser preenchido com uma armadura feita de gelo.

— O que foi isso?! — Mikke questiona após ser empurrado por Geixa.

— Akishiba! — Geixa exclama.

— Estou bem! — responde. — Como conseguiu fazer isso? Como conseguiu controlar o Presente Sagrado em tão pouco tempo?

— Ele... tem um? — Mikke pensa. — E consegue controlar?

— "Presente Sagrado"? — Toni ironiza — Que tipo de presente deixa aqueles que são importantes para você em um caminho de morte? Te dá dons que te possibilita ferir os outros?

— Esse é apenas um dos lados do Presente Sagrado. — Akishiba explica — Você que escolhe como irá usa-lo. Neste momento você é apenas aquele que está machucando os outros e preparando seu próprio enterro.

— E você é um cara congelado que não pode se mexer.

— Você vive na terra.

— Hã? — confuso.

— Tudo o que existe no mundo tem uma ligação com a terra. E essa ligação é feita através de uma energia única chamada Naha. As pessoas possuem uma Conexão Naha maior do que qualquer outra espécie e...

Nesse momento a armadura de Toni se despedaça, a cor de sua pele volta ao normal e este vai ao chão, imóvel. Akishiba facilmente quebra o gelo a sua volta e se liberta.

— Eu consigo ver, sentir e usar essa energia como eu quiser.

— O que fez comigo? — Toni, muito enfraquecido, pergunta.

— Cortei, um pouco, sua Conexão Naha. Só um pouco foi o suficiente para sua força adormecer. Agora é a sua vez.

Sem encostar em Toni, Akishiba direciona sua mão direita sobre ele e fecha o punho, deixando o jovem inconsciente.

— Às vezes eu esqueço o quão perigoso é o seu Presente Sagrado, Akishiba. — Nizuka pensa enquanto observa o aluno caído.

— Toni? — Melissa abaixa e o cutuca na bochecha.

— Ele está bem. — explica — Só está dormindo.

— Como ele conseguiu entrar? A ponte não estava erguida? — Akishiba questiona enquanto observa o portão.

— Estava, mas ele jogou algo que acabou por cortar as cordas. — explicava um deles.

Enquanto olhava a roldana que suportava a corda, Akishiba nota que um tronco fino estava estourado e com água congelada ao seu redor.

— Prendam-no! Por ameaça aos moradores de Sairati! Iniciem os reparos no portão agora.

Após as ordens de Akishiba, dois membros da Eren se aproximam de Toni e o arrastam para a parte interna de Sairati. Mikke, que permanecia entre o corredor e a entrada, viu o amigo ser arrastado. Toni, quando passou por Mikke, abriu os olhos e o encarou com frieza, com raiva.

— Pode nos explicar o que aconteceu aqui, Nizuka? — Geixa pergunta

— Precisamos falar com vocês.

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— O que ela faz aqui?

Janessa questiona, indignada, após ver Nizuka entrar em sua sala acompanhada de Geixa e Akishiba.

— Como antes, eu...

— Ninguém lhe dirigiu a palavra. Quieta.

— Ela estava junto do novo portador do Presente Sagrado de Gelo. — Geixa explica — Ela o trouxe de volta.

— Precisaremos de todas as forças que tivermos acesso nessa guerra. — Akishiba completa.

— Ele não vai entrar nessa guerra.

A afirmação de Nizuka fez a descrença invadir os olhos de todos ali.

— Como é?

— Barok está morto. Isso já é um fato conhecido. Antes de morrer ele passou seu Presente Sagrado para aquele jovem. Toni.

— Que ligação isso tem com ele não se envolver nessa guerra?

— Barok era o avô dele.

As palavras ditas por Toni, durante seu breve duelo com Akishiba, agora faziam sentido.

— Durante nosso percurso até aqui, ele disse que quer controlar os dons que tem, mas para usa-los a sua maneira. Ele não quer se envolver no nosso mundo ou nos problemas que existem aqui.

— Você explicou que esse dom dele será um eterno alvo? — Janessa pergunta alterada — Aquele que enfrentamos não vai deixa-lo em paz só por que ele não quer brigar.

— Se vocês quiserem, podem argumentar a vontade com ele, mas não sei se mudará a sua opinião.

— Resolverei isso, Vossa Grisma.

Akishiba se prontifica e segue para a cela de Toni. O ódio de Janessa por Nizuka era palpável. O punho apertado e o tremor nos olhos mostravam claramente o seu desgosto por ela.

— Vossa Gri-

— Lembro que Ganeshi Akato solicitou sua presença para lhes ensinar. — Janessa continua — Enishi Sigren. Encaminhe-a e deixe-a sobre os cuidados dele e da Oren.

— Agora mesmo.

— Providencie também um lugar para ela ficar.

— É possível também um lugar para a jovem que me acompanha e seu amigo?

— "Amigo"? — Janessa pergunta.

— É um Telakir Alfa, Vossa Grisma.

— UM TELAKIR? QUEREM COLOCAR UM TELAKIR EM SAIRATI?

— Ele é inofensivo, desde que não o afastem da garota ou a machuquem.

— Você consegue dar conta dele em algum imprevisto, Enishi?

— Com o apoio da Zorishi, creio que não teríamos problemas.

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Os gritos de pavor se iniciaram por todos os lados. Mesmo com a presença de Geixa, muitas jovens se amedrontaram ao ver o grande lobo adentrar a Oren.

— Está dizendo que esse monstro vai ficar aqui? — uma das muitas perguntas que começaram.

— Sim, mas não se preocupem. Ele-

— Não nos preocupar?! -agora era Satir que falava com sua katana fora da bainha — É de um Telakir que estamos falando e-

O medo aumenta quando Melissa vai em direção de uma tenda e o bicho a segue. Todas em seu caminho se afastam apavoradas, até ela alcançar o seu destino: o quarto de Lysa. Adentrando a tenda ela vê alguém embaixo de um cobertor feito de plumas brancas. Ao seu lado havia uma bandeja de belas e suculentas frutas, mas nem sequer foram tocadas.

— O que você quer?

A voz fraca de Lysa acompanhou o cobertor sendo retirado e seu rosto ser revelado. Olhos inchados, vermelhos, juntos de uma aparência que indicava desnutrição. Melissa a encarava com um olhar de dúvida e não esboçava nenhuma reação. Lysa notou que ela não era dali, pois não trajava mantos.

— Quem é você?

Vendo a cara amarrada de Lysa, Melissa pega uma fruta e oferece para a jovem. A ruiva se vira e se cobre, ignorando-a. Melissa a rodeia, encontra novamente os olhos dela e começa a fazer caretas.

— Sai daqui.

Irritada, Melissa retira o cobertor de Lysa, a segura pelo braço e a puxa.

— O que você tá fazendo? Me solta!

Por estar fraca, Lysa tropeça na entrada da tenda. Abrindo os olhos ela fica cara a cara com o lobo branco. Ao ver a cena, muitos da Oren começaram a gritar.

— O que ela vai-

— SAIA DAÍ, LYSA! — Geixa grita, desesperada enquanto corre para auxilia-la.

Ela se cobre com os braços, apavorada enquanto o lobo se aproximava de seu rosto. Dava pra sentir a respiração dele em suas mãos.

— Não... Não... Por favor...

Seu pavor vira surpresa quando ela sente algo molhado em sua mão: uma lambida. Ela abaixa as mãos e recebe uma lambida no rosto. E outra. E mais outra. Ela vai ao chão e o lobo continua lambendo seu rosto.

— Hey! Não! Pare com isso!

Não demorou muito para que os apelos fossem transformados em risos. E os risos virarem gargalhadas.

— Ipasha.

Após a ordem de Melissa o lobo se afasta de Lysa. A mesma fruta que lhe fora oferecida, é novamente ofertada e, desta vez, é aceita pela ruiva.

— Obrigada! — Lysa responde com um sorriso ainda abatido, mas sincero.

Melissa repete as caretas e, diferente de antes, agora tiraram sorrisos da jovem. O lobo deita em seu colo e recebe carinhos da ruiva em sua cabeça.

— Ele não parece tão assustador.

— É fofinho!

— Será que ela deixa eu fazer carinho nele?

O medo havia passado e a curiosidade e euforia tomaram conta da Oren por conta dos novos moradores.

— Isso foi inexplicável. — Geixa comenta.

— Foi mesmo. — Satir complementa enquanto guarda sua katana. — Mas ficarei de olho nesse bicho. Não sei sobre os fatos de sua criação, mas ainda sim é um Telakir. Ele ser dócil não muda isso.

— Sei disso, Satir. Mas tudo ficará bem enquanto deixarmos os dois juntos. Além do mais, acho que era disso que estávamos precisando.

Lysa, agora se alimentando, está rodeada por membros da Oren que a cumprimentavam e acariciavam o grande animal. Melissa também não escapou da curiosidade das outras garotas e também fora cercada. Observando a jovem, o sorriso de Geixa desaparece e um olhar sério domina o seu rosto.

— Algum problema, Enishi? — Satir questiona.

— Nada não. Eu só estava... estava...

Satir nota que Geixa não para de olhar para Melissa e logo percebe o porquê de sua aflição.

— Elas teriam a mesma idade, não é? 14... 15 anos?

— Talvez. — responde abatida.

— Enishi-

— Vou ver se Ganeshi Akato precisa de ajuda.

Deixando Satir para trás, Geixa inicia seu percurso para a sala do Ganeshi. Fechando o portão de acesso da Oren, ela segue lentamente o seu caminho.

— Não é ela. Não é ela. Você viu, não viu? Não pode ser ela. Pare de pensar assim. Pare de ter tanta... esperança.

Ela encosta-se à parede, passa a mão no rosto e sente as lágrimas.

— Me desculpe. Eu não devia ter te deixado. — pensa — Eu devia ter ficado e te protegido. Eu...

Levando as mãos até a boca, Geixa tenta abafar os soluços de choro que começaram a lhe dominar.

— Me perdoe, Sarah.

Sarah. Aquele era o nome de sua filha que fora perdida ainda bebê. Sua dor é única, mas Elie, encostada na parede de um corredor ao lado, também partilhava de seu sofrimento e, em silêncio, também chorava.

Notas finais
Bom... é isso. Espero que tenham gostado. Todo autor gosta de reviews. Sejam eles bons ou ruins. Se não for pedir demais, deixem alguns pra mim. Até mais!