Tiger Lily 1st

3 Hogwarts, Hogwarts


Notas iniciais
Olá. Depois de uma viagem de duas semanas voltei para publicar mais um capítulo (: o próximo deve levar mais um tempinho... Mas vai sair. Esse capítulo é mais curto que os outros, mas... Enfim, espero que gostem.

O sol estava nascendo e ela não dormiu ainda. Duas horas... Era o tempo que faltava para amanhecer, consequentemente o tempo que faltava para que a casa toda acordasse e todos começassem a se arrumar para a estação.

Lily não se lembrava de já ter ficado mais ansiosa. Ah, lembrou-se da vez que a mãe disse que a ensinaria a voar quando fizesse oito anos. Ela passou uns dois meses esperando até perceber que faltava mais de um ano para que isso acontecesse... Agora uma hora e cinqüenta... E não havia nada que Lily pudesse fazer além de tentar dormir pelo menos um pouco.

– Hora de acordar, gente! – Lily abriu os olhos ao ouvir a voz da mãe ecoando pela casa e teve a certeza de que ela não era a única acordada, e isso foi comprovado por Lysander e Rose terem levantado assim que foram chamadas, como ela. Mas a diferença é que, em algum ponto da noite elas conseguiram dormir; Lily não.

Depois do incidente com Scorpius em seu primeiro dia na mansão dos Potter, Lily sempre dava uma olhada no espelho e ajeitava as chiquinhas antes de sair do quarto.

A casa estava uma bagunça só. Alguns tomavam banho enquanto outros comiam as panquecas preparadas pelos adultos. Já estava em cima da hora quando eles entraram no carro trouxa (magicamente ampliado) e dirigiram até Londres.

Chegaram na estação e atravessaram a pilastra 9¾, e Scorpius, Rick e Lysander se despediram para se jutarem a seus pais. Lily estava ansiosa como nunca. Ela iria para Hogwarts, finalmente.

– Filha, eu quero ter uma conversa com você – Chamou Harry, enquanto Gina conversava com os filhos mais velhos. Ele segurou o braço da garota e os dois se afastaram do resto da família, Harry com a outra mão apertando algo no bolso interno do casaco.

Ele agachou-se, como costumava fazer quando Lily era mais nova, para ficarem na mesma altura. Olhou-a com seus olhos incrivelmente verdes que foram herdados pela sua mãe e sorriu, colocando uma mexa de cabelo dela atrás da orelha.

– Você é linda, sabia? – Ela corou.

– O que foi papai? – Perguntou ela, impaciente. Alguns alunos já estavam entrando no trem, ela não queria que acabassem as cabines.

– Bem... É que não sei se você sabe, mas no primeiro dia de aula de cada um dos seus irmãos eu dei para eles um... Presente especial. – Os olhos de Lily brilhavam, entendendo o propósito daquela conversa.

– O mapa e a capa de invisibilidade. – Interrompeu ela. James na verdade, nunca teria herdado o mapa, mas como ele roubou da mesa do pai antes do seu primeiro ano e Harry só pôde pedir de volta depois do natal, permitiu que ele ficasse com ele, e a capa de invisibilidade, que seria passado para ele como herança foi para Albus. Agora só faltava Lily.

– Isso mesmo... Então, para você eu tenho algo especial também. Foi deixado pelo meu padrinho, então quero que você cuide muito bem dele. – A ruiva segurou o fôlego pela ansiedade enquanto Harry tirava um embrulho de dentro do casaco. Ele desenrolou o pano que envolvia... Um espelho.

Para ser mais exato, um pedaço de um espelho. Lily pegou aquilo na mão e só viu o próprio reflexo.

– É isso? Não tem uma espada, um carro voador, nada do tipo?– Perguntou, fazendo Harry rir.

– Olhe mais uma vez. – E ela assim o fez. Mas dessa vez não viu seu reflexo, e sim o que parecia um quarto... Uma cama com um forro laranja que ela logo reconheceu.

– Seu quarto?

– Deixe-me explicar. Esse não é um espelho qualquer. O resto dele está pendurado na parede do nosso quarto, então qualquer coisa que precisar, é só aparecer que papai e mamãe vão estar sempre olhando...

Ela não acreditava naquilo. Lily corou mais uma vez, só que agora era de irritação. Porque diabos todos ainda insistiam em tratá-la como criança? Ela já tinha ONZE ANOS, não era mais um bebê. E só o pensamento de seu pai querendo vigiá-la 24horas por dia a deixava com raiva. Ela pegou o espelho e virou as costas para o pai, colocando o “presente” dentro do malão.

***

Despediu-se dos pais e familiares, disposta a ignorar o pai, mas ao pensar em quantos meses ficaria sem vê-lo não se conteve e o abraçou também. Entrou no trem na última chamada, tropeçou na entrada mas mesmo assim estava feliz. Acenou para os pais antes que a porta fechasse e viu sua mãe chorando. Passar quase um ano sem nenhum do filhos deve ser doloroso.

A mais nova dos Potter andava pelo corredor do trem procurando os primos ou pelo menos um vagão vazio. Todos estavam ocupados por pessoas que ela não conhecia – Menos um vagão que tinha Lucy, Louis, Molly e Fred, mais alguns amigos deles. A questão era, o vagão estava lotado.

– Lily! – O seu coração deu um salto. Malditas bochechas sardentas e claras, que coram com facilidade. Scorpius estava na porta de um vagão, acenando e chamando-a para entrar.

Lá dentro estava Lorcan próximo à janela lendo ou livro e do seu lado Lysander, comendo educadamente uma varinha de alcaçuz e Hugo, com o rosto sujo de chocolate enquanto devorava um sapinho. No banco da frente estavam Rose e Albus com suas coleções de figurinhas de sapo de chocolate e agora ela e Scorpius.

Scorpius abriu um pacote de feijãozinho de todos os sabores e ofereceu para Lily. Os dois brincaram de adivinhar os sabores (Lily pegou um de Amora, enquanto Scorpius comeu um com sabor de meia suja). Lily estava rindo da careta que ele fez quando alguém abriu a porta do vagão.

Lily agora estava olhando para uma garota muito magra, altura mediana, cabelo castanho liso na altura dos ombros e com duas mexas claras na frente. Ela tinha o nariz arrebitado, rosto de menininha esnobe e estava acompanhada de um garoto mais alto que ela com cara de buldogue.

– Não tem nenhum vagão livre, podemos ficar aqui? – Perguntou a menina, seca.

– Claro, podem sentar. – Respondeu Scorpius. Lily levantou ao receber um olhar frio da garota e se sentou no outro banco, seu lugar ao lado de Scorpius ocupado pelos dois desconhecidos.

– Esses são Lorcan, Lysander, Hugo e Lily, Albus e Rose vocês já conhecem. – Falou Scorpius para o casal. – E esses são-

– Freya Puncey e Gordon Nott, Sonserina, Somos terceiro ano também. – Falou a garota, seus olhos cruzaram com os de Rose por um segundo e Lily quase pôde ver faíscas.

O clima ficou tenso de repente, mas depois de algum tempo e Scorpius com suas tentativas frustradas de manter uma conversa (Que sempre terminava com um comentário frio da tal de Freya), Rose sugeriu que fossem trocar as vestes para quando chegassem a Hogwarts, e ela, Lily e Lysander saíram para se trocar.Quando voltaram a atmosfera voltou ao que era antes dos sonserinos entrarem no vagão, a diferença é que agora tinha uma garota olhando as unhas e um parrudo mal encarado encarando os sapatos devidamente lustrados.

Lily não conseguiu conter a ansiedade ao ver o castelo pela janela do trem. Ela, Lysander e Hugo se empolgaram falando sobre Hogwarts e até Lorcan, que geralmente fica calado, participou da conversa.

– Alunos do primeiro ano aqui, por favor. – Chamou uma garota com um broche de monitor. Ela tinha cabelos loiros platinados bem lisos e olhos azuis. Lily lembrou-se de já tê-la visto numa foto de James que tinha todo o time de quadribol da Grifinória.

Ela, Hugo e os gêmeos desceram do ônibus e seguiram a garota até um píer, onde tinham vários pequenos botes e um homem que media pelo menos o dobro de uma pessoa normal.

– Aqui estão, Hagrid. – Falou a garota, sorrindo. Ela era realmente muito bonita.

– Obrigada Heidi, bom vê-la de novo! – Falou o gigante, abraçando-a.

O homem se apresentou como Rubeo Hagrid, protetor do castelo e professor de trato com as criaturas mágicas e direcionou os alunos para os seus botes, Lily dividiu um com os gêmeos e o primo. Os barquinhos de madeira começaram a navegar com mágica e Hugo estava colocando o braço dentro da água, esperando que a lula gigante aparecesse.

– Você sabe que se ela aparecer vai te puxar para o fundo e você vai morrer certo? – Falou Lorcan, o rosto ainda coberto pelo mesmo livro do trem. Hugo olhou para ele irritado, mas parou a brincadeira.

– Que livro é esse que você tanto lê? – Perguntou Lily, curiosa.

– É um que eu ganhei de aniversário... – Falou Lorcan, mostrando a capa.

– Foi tia Hermione que deu, não é? – Falou a garota, reconhecendo a capa de “Hogwarts, uma história”, o que fez tanto ela quanto Lysander rirem.

– Ei, o que tem minha mãe? – Perguntou Hugo, que gerou mais risos ainda, inclusive de Lorcan.

O bote parou e os quatro saíram, supervisionados por Hagrid (Que Lily descobriu ser apenas meio-gigante). Eles entraram pelo fundo do castelo e Lily junto com todos os outros alunos do primeiro ano ficaram num corredor, de frente ao grande portão que ela julgava ser o tão famoso salão principal.

– Ham-ham. – Disse uma voz que Lily não conseguiu identificar de onde vinha, mas que fez todos se silenciarem. – Bem vindos todos vocês para a escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Meu nome é Filius Flitwick, seu vice-diretor e professor de feitiços. – Lily ainda não via quem estava proferindo tais palavras, mas muitos alunos que estavam na fileira da frente olhavam para baixo. – Como a maioria de vocês sabe, nossos alunos são separados entre quatro casas. Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Durante o ano, professores e monitores entregarão ou descontarão pontos por comportamento. Ao fim do ano, a casa com mais pontos ganhará a taça das casas, prêmio de grande honra.

– Cadê ele? – Lily sussurrou para Lorcan, que apenas suspirou.

– Lily, ele é um anão. – Sussurrou Lysander de volta.

– ... Sua casa será com sua família, o que não impede um relacionamento saudável com membros de outras casas. Então, agora em fila vamos entrar no salão principal para a seleção. Mais uma vez, bem vindos a Hogwarts.

***

Era sério isso? Estavam todos ali, no grande salão de Hogwarts... Assistindo um chapéu cantar.

Ela não conseguiu prestar atenção na letra – Algo sobre as quatro casas – De tão ansiosa que estava.

O salão era realmente grande. Tinha cinco mesas enormes, quatro para os alunos e uma para os professores. No centro dessa mesa estava uma mulher magra e velha, com óculos e vestes verde esmeralda. Lily voltou à realidade quando todos começaram a bater palmas para o Chapéu Seletor.

O vice-diretor, que Lily pôde comprovar ser um anão, andou até onde o chapéu estava segurando um banco. Colocou-o ao lado do banco em que o acessório mágico estava e subiu. A cena era realmente um pouco cômica.

Flitwick desenrolou um pergaminho enorme e secou a garganta da mesma forma que fizera no corredor. Era agora, a seleção ia começar.

– Adams, Chloe. – O nome lhe era familiar. Uma garota saiu da multidão de alunos do primeiro ano e Lily a reconheceu; Era a menina asiática que ela conheceu no Beco... Uma imagem de seu pai conversando com aquela tal de Cho lhe veio à cabeça e ela pôde perceber a semelhança. O chapéu foi colocado em sua cabeça e alguns segundos depois o chapéu gritou:

– GRIFINÓRIA! – A mesa se encheu de vivas enquanto recebiam a menina. As mãos de Lily suavam enquanto ela apertava a barra da saia. E se ela não fosse para a Grifinória?

– GRIFINÓRIA! – Gritou novamente o chapéu para um tal de Ralf Carter.

– Colton, Michael.

– LUFA-LUFA! – Foi a vez da mesa do texugo celebrar. Outros nomes foram chamados; Uma garota loira foi para a Lufa-Lufa, outro garoto, Leonard alguma coisa, para a Corvinal...

– Kennedy, Kasia.

– SONSERINA!

– Knight, Christine. – A garota que sentou-se no banco era linda. Cabelos loiros bem claros, ondulados. Ela parecia ter mais de onze anos, e tinha uma pintinha do lado esquerdo da boca. — CORVINAL! – A mesa aplaudiu bastante, mas o que chamou atenção de Lily foi ela abraçar um outro menino da mesma casa, bem parecido com ela. Irmãos, com certeza.

– Mitchell, Jushua.

– SONSERINA! — Alguns outros nomes foram chamados, até chegar a letra “O”.

– Owell, Alan.

– GRIFINÓRIA! – Mais palmas.

– Owell, Chad. – Um garoto exatamente igual ao anterior foi para a frente. Cabelos castanhos, olhos cor de mel... Gêmeos idênticos.

– LUFA-LUFA!

– Potter, Lily. – O coração parou. As pernas se mexiam entre um misto de facilidade e dificuldade. Hugo teve que dar um empurrão para que ela fosse para a frente.

O anão colocou o chapéu na cabeça dela e todo o barulho do salão foi abafado pela voz que parecia vir de dentro da sua cabeça.

– Ora, se não temos aqui outra Potter? Onde devo colocá-la... Na Grifinória, onde o mais velho foi colocado... São realmente parecidos, os dois. Ou na Sonserina, onde o filho do meio teria ido caso não tivesse me pedido a Grifinória? Sim, sinto a mesma necessidade de se provar que o seu pai tinha quando veio para cá... Ou colocar em outra das duas casas, variar um pouco? Seria algo arriscado, e você pertence mesmo à GRIFINÓRIA!

Palmas. Gritos. E ela saiu em direção a todo esse barulho, sorriso no rosto, abraçando cada um do clã Weasley. Não prestou atenção nos outros nomes, estava só conversando com Rose, mas esta interrompeu quando chegou a letra “S”

– Scamander, Lorcan. – O chapéu mal foi colocado em sua cabeça quando gritou.

– CORVINAL! – Previsível. Agora vinha a verdadeira agonia.

– Scamander, Lysander.

A pequena menininha de cabelos loiros na altura do ombro sentou-se no banquinho e o chapéu foi colocado em sua cabeça. Seu olhar encontrou o de Lily e uma sorriu para a outra. Foram segundos que duraram eternidades quando o chapéu gritou:

– GRIFINÓRIA! – E o fôlego que Lily segurou sem perceber foi finalmente liberado.

***

Não há muito mais o que dizer. Hugo e uma outra garota, Elizabeth Wright foram os últimos selecionados para a Grifinória e a Diretora McGonagall se levantou, propôs um brinde e iniciou o banquete.

A comida era maravilhosa. Lily, Hugo e Lysander conversavam sem parar sobre o nervosismo de ser escolhido para as casas. Hugo estufando o peito e falando “Eu sabia o tempo todo que iria para a Grifinória”. Depois que todos acabaram de comer, Os alunos do primeiro ano da Grifinória foram novamente guiados por Heidi, mas dessa vez para o salão comunal, que ficava no sétimo andar, atrás de um quadro com uma mulher gorda.

– Orelhas extensíveis. – Falou Heidi, e a entrada se abriu.

O salão da Grifinória era todo decorado de dourado e vermelho, muito bonito. Lily viu Albus, Rose e uma menina que ela lembrava se chamar Amy conversando em um sofá. James por outro lado, estava cercado de gente, a maioria do sexo feminino. Infelizmente ela estava cansada demais para ficar ali.

Lily e Lysander subiram um lance de escadas, já que o dormitório do primeiro ano é no primeiro andar, e escolheram duas camas da ponta. Suas malas já estavam ali,e quando Lily foi trocar de roupa pra pijama lembrou do espelho que seu pai deu e colocou dentro do malão, embaixo de todas as suas roupas.

– Vai ficar ai. – Falou, mais pra si mesma do que qualquer pessoa.

Ela trocou de roupa, escovou os dentes e quando saiu do banheiro viu mais três meninas no quarto; Uma delas segurando sua mala.

– Ei, isso é meu! – A garota se virou e Lily percebeu que era Chloe.

– Acontece que eu cheguei aqui primeiro e coloquei minha bolsa nessa cama. Você pode escolher outra, queridinha? – Perguntou ela, gerando risos em uma outra menina, que Lily reconheceu como Elizabeth Wright. Gordinha, pequena, olhos azuis e cabelos bem cheios em um tom de castanho avermelhado.

Lily pegou sua mala da mão de Chloe e levou para a cama ao lado da de Lysander.

– Claro que sim, queridinha. – Sussurrou Lily, para que só Lysander pudesse ouvir, essa reprimiu uma risada. Assim que a ruiva colocou sua mala na cama, uma outra menina, alta, olhos verdes e cabelos lisos cor de mel, colocou sua bolsa ali.

– Ah, desculpa! – Falou a menina, tirando a bolsa, envergonhadamente, ajeitando os óculos em sua face.

– Não, pode ficar com a cama se quiser, você já estava vindo pra cá... – A garota sorriu.

– Tudo bem, eu posso ficar com a cama do lado. Obrigada.

– Qual é o seu nome? – Se intrometeu Lysander.

– Sou Isabella Foster...

– Lily e Lysander, prazer. – Falou Lily, com um sorriso. As três foram para as suas camas depois de Chloe reclamar que a luz estava incomodando.

– Pelo menos nem todas são chatas. – Cochichou Lily a Lysander, se referindo a Isabella. – Boa noite.

– Boa noite, Lily.

Notas finais
Reviews, por favor ;)