Tiara De Flores
2 ~01/07/2012~
–Bom dia Liz. — Disse Dante, me empurrando da cama e me fazendo cair.
Esfreguei meus olhos, e ao abrí-los me deparei com os olhos verdes de Miles. Eu havia caido ao seu lado.
–Oi... Que horas são? — perguntei ainda sonolenta.
–11h30.- respondeu Miles. As janelas do quarto estavam quase totalmente fechadas, mas um raio de sol conseguia escapar entre as cortinas e iluminava os cabelos ruivos e meio compridos de Miles.
–Porra, vocês podiam me deixar dormir mais meia hora...
–Nem pensar moça. — disse Dante.
–Ok...
Me levantei com a ajuda dos meninos e aos tropeços, fui até o banheiro. Meu cabelo estava bagunçado e embaraçado. Penteei e fiz um coque. Eu estava vestindo apenas uma camisa larga de algum dos garotos e uma lingerie roxa. Eu era baixinha, cabelos castanhos e enrolados e olhos castanho.
Peguei meu celular e meus fones de ouvido em cima da cômoda e fui para a cozinha. Coloquei meus fones, dei play e comecei a fazer panquecas. Muffin me observava de cima da pia. Ele era todo mesclado de branco, preto e laranja e tinha heterocromia. Um olho azul e outro verde.
–Oooi Muffin, gatinho lindo. — disse, lhe acariciando.
–Miau. Prrrr — respondeu Muffin.
Peguei uma tigela e coloquei um pouco de leite morno, que Muffin tomou lentamente. Continuei fazendo minhas panquecas e ouvindo Nirvana, quando senti duas mãos na minha bunda.
–Ai viado, me larga! — disse quase rindo. Era Miles quem estava lá. Dante observava e ria da porta — E você, ta rindo do que? Idiotas... Façam algo útil e liguem a tv pra mim.
–Senhora, sim senhora — disse Miles, antes de apertar minha nadega esquerda e sair correndo e rindo.
Não pude conter um risinho. Dante ainda me observava e sorria da porta. Ele era alto, tinha cabelos pretos, que caiam sobre lindos olhos castanho-claros. Devolvi um sorriso.
–Quer alguma ajuda? — perguntou ele, andando em minha direção.
–Sim, sim... Pega o mel alí em cima pra mim, por favor. Eu não alcanço.
–Tsc, baixinha.
–Calado. Sou mesmo.
Terminando de fazer minhas panquecas e meu leite com achocolatado, fui para a sala, coloquei meu café da manhã na mesinha de centro e me joguei no sofá menor, enquanto os garotos se estendiam no outro sofá.
–Eu cozinho muito, meu Deus. Experimentem isso — eu disse, estendendo o garfo com um pedaço de panqueca para os meninos.
–Hm, bom. — disse Miles.
–Realmente... Muito humilde você, viu — retrucou Dante.
–Obrigada.
Após terminar meu café, ficamos na sala mesmo até 15h, quando acaba CSI. Depois, peguei meu notebook, um cigarro de maconha e fui fazer meu trabalho de biologia. O irônico era que eu me enchia de drogas e queria fazer faculdade de medicina. Meus amigos me diziam que eu só faria isso pra ter drogas quando eu quisesse, mas eu realmente amava a medicina. Após ver minha mãe morrer na minha frente e não poder fazer nada, eu queria poder fazer algo para as pessoas.
Minhas notas na escola nunca foram muito boas e meu historico também não era dos melhores. Brigas com alunos e professores, diversos deveres sem fazer, aulas "matadas"... Eu não fazia a minima ideia de como passaria na faculdade de medicina, mas sabia que tinha bom senso o suficiente para compensar na faculdade o esforço que faltou no colégio.
Quando eu estava quase acabando uma parte de minha pesquisa o telefone tocou. Eu estava me levantando para ir atender, mas atenderam antes de mim. Voltei minha atenção para o notebook, quando Dante apareceu na porta do quarto com um semblante sério.
–É pra você.
–Quem é? — perguntei.
–Lauren. Sua madrasta.
–O que ela quer?
–Não sei, mas ela parece preocupada.
–Ok...
Peguei o telefone um pouco confusa. Porque Lauren me ligaria às 16h30 de uma terça feira? Ela mal me ligava normalmente...
–Alô? Lauren? — Eu disse.
–Liz, Lizzie, aconteceu algo ruim, preciso de você aqui.
Percebi que sua voz ao telefone estava trêmula e ela chorava.
–O que aconteceu? Você esta bem? — perguntei preocupada.
–Sim, sim, eu estou bem... Seu pai, ele estava voltando para casa — ela começou a chorar mais — e um carro perdeu o controle e foi para cima do carro dele...
Eu fiquei em silêncio. Não sabia o que responder.
–Ele esta no hospital, com ferimentos graves, respirando por máquinas — Lauren não parava de chorar e soluçar — eu voltei para casa para pegar uns documentos e te ligar. Já estou voltando para lá.
–Ok... Já chego lá...
Levei um tempo para processar as informações. Comecei a chorar e corri em busca dos garotos. Eles me receberam com um abraço e me perguntaram o que havia acontecido.
–Meu pai sofreu um acidente, está em coma. — respondi em meio às lagrimas.
–Ok, ok, eu levo a gente até o hospital — disse Miles.
Dante continuou abraçado comigo, enxugando minhas lágrimas, enquanto Miles pegava as chaves do carro.
Eu não podia acreditar que estava quase perdendo mais alguem importante. Eu não podia o perder.
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