TiMER

2 Cap. 2


Notas iniciais
Cara, eu consegui terminar uma das minhas histórias. Isso é muito feliz ç-ç

Seria mentira afirmar que Regina nunca sonhou em acordar um dia com os números diminuindo no seu pulso. Quando dormia nos braços de Daniel, ela ansiava pela dor – todos diziam que doía, “parece que seu pulso está em chamas”, dizia Daniel -, mas nunca aconteceu. Parte dela havia se conformado com aquilo, então depois de Daniel, ela sempre procurou se aproximar de pessoas, que assim como ela, não tinham números... Só que não era fácil, eles eram minoria – uma grande minoria – era mais comum pessoas com um 0 desde que nasceram – indicando que eles não precisavam de outra pessoa. Aqueles que não tinham números... Bem, eram raros. Muito raros.

Regina conhecia alguns pela internet, eram amigos até. Cientistas não sabiam explicar e pesquisas eram feitas. Zac, um dos seus ‘amigos’, disse uma vez no fórum que a avó dele tinha uma explicação: “não somos as pessoas certas para nossas almas gêmeas ainda. Temos que mudar, evoluir.” A tese da avó dele fazia muito sentido – alguns psicólogos até falaram algo semelhante – os números apareciam para pessoas que iria ficar juntas, -“um dois para o seu dois, que juntos viram um quatro. Melhor do que ambos eram antes, mas sem jamais perder sua verdadeira essência”- mas que para isso acontecer os dois tinham que ser quem eles deveriam ser. Para ficar mais fácil, era comum os números aparecerem depois de grandes eventos, eventos que mudam a vida a pessoa – coisas boas e coisas ruins.

Então, quando ela, ainda tremendo, com um copo de vinho ao seu lado – era o terceiro – ela postou no fórum pedindo ajuda, Zac foi o primeiro a responder.

“Talvez,” ele disse, “você tenha se tornado a pessoa certa para alguém. Você mudou, evoluiu e cara, isso me dá esperança.”

As respostas chegavam a cada segundo. Especulações e mais especulações. Alguns xingamentos também, mas isso, ela já esperava.

Eram quase 2 da manhã, quando ela recebeu uma mensagem privada de Jane.

“Não os escute. Olha, não é fácil, nós vivemos com uma esperança estúpida, mas muitos já aceitamos que, nessa vida, não é para ser. Mas, Gi, querida, a vida continua. Não deixe que isso te pare. Rimos aqui de como os números atrapalham a vida dos outros, mas não deixe isso acontecer com você. Você mudou um pouco, mas você continua sendo você. Vá trabalhar amanhã, saia com as suas amigas. O seu mundo não começou agora e nem parou. É só um detalhe. Sabemos que podemos viver sem os números. Não se torne refém deles agora.”

E isso fez Regina acordar no dia seguinte e ir trabalhar normalmente.

Ainda ignorava o celular e felizmente não ficaria no escritório hoje. Hoje era o dia da profissão e ela foi convidada a discursar numa escola, depois iria para uma reunião com Dominique e o presidente da empresa de transportes da cidade. Por fim, teria uma reunião com o Ministério Público e logo depois, um jantar calmo em casa.

Simples. Era só ignorar seu celular pessoal o dia inteiro.

O problema era que Cruella, Ursulla, Mal e Abigail eram muito, muito, insistentes e por alguma razão, conseguiram o celular profissional dela. E por isso, apenas por isso, ela atendeu enquanto se dirigia para a escola.

– Achamos que você tinha bebido até desmaiar! – era Ursulla, sempre dramática.

– Eu achei que teríamos que viajar até Nova York, — disse Mal. – De novo.

– Ignore-as, — disse Abi – Como você está, bem? E por que está nos evitando?

Regina revirou os olhos.

– Eu não estou evitando ninguém. Apenas, ocupada.

– Faltam 7 dias agora, não é?! – disse Cruella, — Quem diria que de todas nós, você seria a primeira a ter o tempo zerado.

– Inveja?

Morrendo. Mas, eu sei que meu casamento será o mais lindo que essa cidade já viu. Eu te perdôo.

A série de perguntas que se seguiram entraram num ouvido e saíram no outro. Ela só precisava se lembrar de Jane: “Não se torne refém deles”. Ela não planejava. Não mais. Se eles não apareceram quando ela desejava todas as noites, que direito eles tinham de aparecer agora? Nenhum. Nenhum direito.

Por medo ou talvez por rebeldia, ela pediu – assim que chegou no escritório rapidamente para pegar alguns papéis – que sua secretária cancelasse todos os compromissos que ela tinha dali a 7 dias. Ela passaria o dia inteiro em casa com seu pijama deitada no sofá e comendo alguma porcaria.

Ela queria ver o que o destino faria contra aquilo.

Dois podem jogar, ela pensou olhando para o dia vazio. E eu não jogo para perder. Depois, postaria orgulhosamente sua vitória no fórum e passaria, novamente, a fazer parte daquela comunidade.

O motorista parou o carro em frente a entrada principal da escola e rapidamente, ela desligou o telefone, pegou seus papéis e saiu do carro.

O trabalho de Henry tinha sido tão bem feito e tão interessante que Mary Margareth mostrou para a diretora, que entrou em contato com um amigo na prefeitura, que ofereceu a ideia para a secretária de Regina. Quem, na verdade, fez o convite foi Henry na manhã do fatídico dia dos números.

Ele entrou todo feliz no gabinete, sendo seguida por uma Emma exausta. Regina percebeu o cansaço na loira antes mesmo de trocaram o primeiro “olá”.

– Você não me parece bem. – comentou Regina ignorando Henry que praticamente pulara na cadeira de visitante.

Emma balançou os ombros e quase se arrastou para a cadeira ao lado de Henry.

– Tente trabalhar numa delegacia e ter um filho de 10 anos. Exausta é um elogio.

Regina levantou uma sobrancelha e Henry completou.

– Ela está trabalhando no turno da noite. Algo a ver com ter mais tempo para tomar café.

Se a loira pudesse e se Henry fosse um amigo ao invés do filho, Regina tinha certeza de que Emma o socaria.

– Entendo.

O fato de que pelos últimos 5 dias as duas têm se encontrado – sempre por coincidência – para tomarem café na Granny’s nem passou pela mente de Regina na hora. Ela, na verdade, só imaginou que Emma queria mais tempo para levar Henry a escola.

– É minha última semana no turno da noite. – comentou Emma se encostando melhor na cadeira – Acho que nossos cafés estão contados, prefeita.

Regina fechou o relatório a sua frente e suspirou. Ela esperava ansiosamente pelas manhãs desde que começara a dividi-las com Emma e sentiu-se verdadeiramente triste com aquela notícia.

– oh. – foi tudo que conseguiu falar. – Pelo menos terá mais tempo a noite... Para, ahn, sair e tal. Eu ouvi que você e o Graham estão bem amigáveis.

Regina não era idiota. Ela via como os dois se davam bem, as brincadeiras, as piscadas, a comunicação não-verbal. E ela também sabia que os números no pulso de Emma estavam zerados. Também não ajudava o fato de que Cruella mandara um áudio para o grupo durante a semana, dizendo:

“Acabei de ver o Xerife Gostoso salvar o gato de uma árvore, o que é normal em Storybrooke. O que não é normal é o zero redondamente lindo no pulso dele. Toda a cidade está especulando e adivinhem que está liderando a votação?”

O áudio terminava aí e Regina respirou fundo antes de pressionar o segundo áudio.

“Isso mesmo. Nossa querida loira Swan. Sinto muito, Regina amorzinho, mas acho que você dançou. Vamos beber para esquecer!”

Ela não questionou Emma em nenhum dos encontros delas e sinceramente, ela não queria saber. Mas, olhando pelo lado positivo, era bom que Emma estivesse saindo do turno da noite, elas parariam de se encontrar tanto e Regina poderia, enfim, se concentrar em outras coisas ou pessoas.

Depois disso, Henry explicou o dia da profissão e quanto alegre ele ficou quando descobriu que o trabalho dele ficou assim tão bom.

– Você vai?!

Ela não teve o coração de negar. Não com aqueles olhos brilhantes e sorriso largo. Ela disse sim e ali estava ela, entrando no lugar em que se formara e jurara jamais retornar.

A vida prega peças engraçadas nas pessoas e os números em pulso eram a prova viva disso.

A sala estava lotada, com pais, alunos e Mary Margareth. Ela acenou para Henry, que na fileira da frente, acenou de volta. Emma estava ao seu lado... E bem, Graham também.

Ela parou de sorrir.

O discurso era mais uma conversa entre as crianças e ela. Regina sinceramente não pensou em agradar os pais com o que planejava falar ali, mas pelos olhares fixados que recebia... Bem, ela acha que foi muito bem sucedida.

Tentou evitar, ao máximo, olhar para Henry, Emma e Graham e continuou falando e falando. Um comentário esperto aqui, umas risadas, um trocadilho, depois perguntas e muitos braços levantados.

O primeiro foi Nick.

– O que você faz o dia inteiro na prefeitura?

Ela riu.

– Eu resolvo problemas. Por exemplo, quando eu sair daqui, irei com o Chefe de Infraestrutura para uma reunião com o dono da empresa de transportes da cidade, nós vamos conversar sobre o valor da renovação da frota de ônibus. O meu trabalho é negociar com ele um valor acessível ao nosso orçamento. Depois, eu irei conversar no Ministério Público sobre reformas estruturais. Eles irão me informar todos os problemas que eles têm e eu vou dar um jeito de consertar tudo.

Outra mão.

– Tem alguma coisa que você não consegue consertar?

– Muitas, nem sempre conseguimos vencer. Entretanto, eu posso afirmar que meu placar é bem alto.

– O que eu faço para ser prefeita também? – Era Ava, irmã gêmea de Nick.

– Bem, é uma estrada longa, mas você pode começar se aliando a um partido, depois de um tempo você se torna elegível. O resto irá depender dos eleitores. Podemos conversar sobre isso depois, se você quiser.

Grace foi a próxima.

– A prefeitura também toma conta dos animais de rua? Eu posso trabalhar lá?

Regina riu.

– Sim, nós temos um abrigo público e sim, você pode trabalhar lá quando tiver idade para tal. Aproveitando a oportunidade, teremos uma feira de adoção semana que vem, se quiser, é uma boa chance de conhecer as pessoas que trabalham e o que eles fazem.

Grace imediatamente convocou o pai para ir a feira. E ela não foi a única.

Mary Margareth teve que intervir depois de mais cinco perguntas.

– A nossa prefeita é ocupada. Mais uma pergunta para finalizar.

Henry foi o escolhido.

– Você acha que é possível fazer uma excursão na prefeitura? Ver como tudo funciona?

Regina sorriu.

– Ah, bem, é possível sim, mas seria algo muito bem negociado entre a prefeitura e a escola, já que o convite teria que ser estendido a todas as salas. – olhou para Mary Margareth que concordou – Mas é definitivamente algo a ser conversado e explorado. Ótima idéia, Henry!

O rapaz abriu um grande sorriso e olhou para o resto da sala.

Regina se levantou da cadeira que Mary Margareth disponibilizou para ela, ajeitou a saia e se despediu. Agradeceu a presença de todos e disse que iria esperar a proposta da escola para a excursão.

Depois, saiu.

Pouco antes de entrar no carro – Abigail, Ursulla e Cruella ligaram novamente e ameaçaram revelar coisas, as quais Regina não tinha muito orgulho de ter feito, se ela desligasse – Regina viu Emma e Graham saindo da escola e eles não a viram. Ela parou de escutar a conversa e viu Emma e Graham conversando e rindo. Ela viu Graham se aproximar do rosto de Emma, ela viu Emma abaixar a cabeça com vergonha, ela viu Graham levantar o queixo de Emma e ela viu os olhos dos dois se fechando.

Ela entrou no carro, desligou o celular e mandou o motorista sair dali.

Foi só então que percebeu sua quedinha por Emma Swan. Foi também que percebeu que se interessar por alguém que já tinha outra pessoa era a pior coisa do mundo.

Mas, ela ia superar. Era só uma quedinha. Passaria. Era só focar em coisas importantes como o trabalho.

“Eles passarão, eu passarinho.”

Ela evitou Emma e por conseqüência Henry, durante três dias.

Se ela entrava na Granny’s e a família feliz (mais Mary e David) estavam lá, ela dava um rápido aceno para Henry, ignorava Emma a chamando e ia embora. Às vezes, quando ninguém a percebia, mas ela os percebia, fazia o seu pedido para a viagem e ia embora.

Suas amigas notaram sua relutância em ir a Grannys, e claro, que fizeram sua vida um inferno durante os três dias.

“Ignorar a crush. Isso é muito infantil, não acha?” Era Mal. Sempre cutucando o leão com uma vara curta.

“Deixem ela em paz, meninas. Corações quebrados são a minha especialidade. Vamos no Rabbit Hole, conheça uma mulher-barra-homem interessante e tenha uma noite quente. Te garanto, você não vai lembrar de Emma Swan.” Dizia Cruella.

“Você prefere que não mencionemos o nome dela como fazemos com Ele? Podemos chamá-la de você sabe quem”. Era Abigail.

Quem liga para uma crush? Amiga! Você tem o tempo a seu favor. Quando os números forem para zero, a loirinha nem vai passar pela sua mente. Evolua. Mas, eu sou super a favor de ir ao Rabbit Hole. Vamos beber até ver estrelas.” Dizia Ursulla.

Elas foram ao Rabbit Hole, o que resultou em Regina encontrando com Robin, o que resultou numa conversa intima e o que resultou em uma Regina morrendo de dor de cabeça acordando na casa de Robin na manhã seguinte. O número 4 em seu pulso parecia zombar dela.

Ele ainda dormia pacificamente e ela se apressou para sair dali.

Uma recaída com o ex é normal, ela se convencia quando descia as escadas do apartamento dele. Mas, ela sabia que não daria certo com Robin – ele não esquecia a Marian e Regina não estava disposta a ser substituta de ninguém. Ela não queria ter que encarar Roland depois da conversa difícil que tiveram quando ela e Robin terminaram.

O pequeno chorou tanto.

Enfim, o desespero só bateu quando ela notou que seu carro não estava estacionado na rua em frente ao apartamento de Robin – só o carro dele estava lá.

Maldição.

Ligou para Cruella, depois para Mal, Ursulla e Abi. Ninguém respondeu.

Maldição ao quadrado.

– Regina? – era Graham na patrulha e Emma Swan ao seu lado. – O que está fazendo aqui? – depois ele olhou para o apartamento e levantou uma sobrancelha – Você voltou com o Robin?

– Quem é Robin? – perguntou Emma.

Maldição ao extremo infinito.

Sua cabeça latejava e ela jurou jamais aceitar uma sugestão de Cruella de novo. Nunca mais.

– Eu estou bem. – massageou suas têmporas. Ela estava velha demais para aquilo, cansada demais. – Eu só vou chamar um táxi.

– Não precisa. – disse ele. – Entra aí. Vamos te dar uma carona.

– É melhor não. As pessoas vão falar.

– Você acha que elas já não estão falando?

E pela primeira vez, Regina se lembrou do porquê ela e Robin raramente passavam a noite no apartamento dele. Robin morava perto da Grannys... E toda a cidade passava por aquela maldita avenida.

O estrago estava mais do que feito.

Suspirou, derrotada, e entrou na viatura.

– Belo vestido. – disse Graham com um sorrisinho.

Emma ficou em silêncio e Regina também.

Maldição ao limite tendendo ao infinito.

Ela já podia imaginar a fofoca do dia. “Prefeita vista deixando o apartamento do ex pela manhã”. Droga, droga, droga.

O olhar acusador de Emma Swan também não ajudava. Como se a loira tivesse algum dizer naquilo! As opiniões dela só serviam para Henry e agora Graham, que olhava para Emma o tempo inteiro. Regina revirava os olhos e claro, sua boca grande não podia deixar as coisas quietas.

– Se vai ficar olhando mais para sua tenente do que para a estrada, Graham, acho que teremos um acidente.

– Ele não está olhando para mim o tempo inteiro. – disse Emma e Regina estranhou o tom frio.

– É por que você ocupada me julgando. – respondeu. – Por favor, Senhorita Swan, como se eu fosse a única pessoa que fizesse algo assim.

– E o que algo assim seria?

Era um tom frio e debochado. Quase a desafiando a responder. Acontece que Regina nunca respondeu muito bem a desafios.

– Sexo com o ex. – e levantou a sobrancelha. – Como eu disse: não sou a única.

Ela viu o rosto de Emma ficar vermelho, depois a loira cruzou os braços e ficou olhando para fora do carro. E Regina, bem, sua cabeça doía demais para se importar ou pensar no que estava acontecendo.

Mas, Graham continuava lançando olhares para Emma e aquilo irritou Regina mais do que podia imaginar. Se os dois quisessem ficar juntos, bem, problema deles, Emma tinha um péssimo gosto, mas ela não tinha que ser uma vítima das suas demonstrações de afeto. Uma vez foi mais do que suficiente.

Depois de horas – minutos, na verdade, mas para os integrantes do carro pareceu anos – a viatura parou em frente a sua mansão. Regina agradeceu e saiu sem olhar para trás.

O curioso foi que a patrulha não partiu imediatamente – Regina só percebeu quando lutava com suas chaves para abrir a porta. Parecia que os dois estavam discutindo alguma coisa e Emma parecia furiosa.

Oh bem, o que ela tinha a ver com o problema dos pombinhos?

Nada.

Ela tomou um banho, remédios, dormiu mais um pouco e passava das 6 da noite quando ela saiu novamente da mansão para jantar. Sentia-se um pouco melhor e seu estomago revirava.

O problema é que assim que abriu a porta do Grannys lá estava a família feliz. Henry mastigando algo miseravelmente, Emma com os braços cruzados e ódio em seus olhos, Graham tentando deixar a situação melhor – o que o idiota fez para deixar os dois tão irritados, ela não sabia, mas sentia vontade de rir – David com o braço ao redor de Mary Margareth sussurrando algo para Emma e Mary Margareth... Irada. Oh, era uma visão diferente, com certeza. O que o idiota fez para deixar Emma e Henry e Mary Margareth tão irritados, ele não soube.

Frederick passou por ela na fila do pagamento, jogou-lhe um olhar sujo e foi se juntar aos amigos. Regina teve vontade de gritar: “O que eu tenho a ver com o relacionamento da sua amiga?” Mas ficou em silêncio.

– Reggie!

Ela mal teve tempo de reagir quando Roland agarrou sua cintura. Ele estava enorme! Imediatamente, o carregou.

– Meu deus! Você está enorme! Há quanto tempo não nos vemos?

– Dias! – ele exclamou e agarrou seu pescoço. – Saudades!

E ela também sentira saudades dele. Dele e dos abraços apertados. Robin se levantou da mesa da mesa e acenou para ela... O que lhe ganhou mais olhares feios da mesa da Emma... Inclusive da própria loira.

Regina levantou as sobrancelhas.

– Vai jantar com a gente?

Não era o plano. Não mesmo. Mas, Regina tinha sérios problemas em negar crianças fofas. Fez o pedido para Ruby e com Roland no colo foi para a mesa de Robin... Que ficava ao lado da mesa da família feliz.

– Ei. – disse Robin com sorriso quando ela se sentou, depois olhou para Roland – O que eu disse sobre correr na lanchonete?

– Mas era a Reggie! – ele exclamou como se aquilo por si só fosse argumento o suficiente para explicar sua desobediência.

Robin olhou para Regina e os dois riram. O que ela e Robin mais partilhavam era a afeição por aquele garotinho e o que mais partiu o coração dela no término foi a reação dele... Que não foi nada boa

– Você está bem? – Robin perguntou. – sobre ontem a noite...

Roland estava atento a conversa e olhou para Regina.

– Está tudo bem. Estamos bem, certo?

– Mas é claro! – ele exclamou aliviado. – Embora, eu acho que tenhamos que conversar depois... Acho que tem certas coisas que não ficaram muito claras...

Ela se lembra de desabafar com ele sobre os números. Como ela os odiava e os amava ao mesmo tempo, como era difícil conversar daquilo com alguém por que suas amigas contavam os dias para os delas zerarem, então como elas iriam entender o seu ódio por eles!

– Eu estou bem, Robin. Sério.

– Você conversou sobre o Archie sobre isso?

Ah, Archie, claro. Seu psicólogo e o homem que ela estava evitando há... 2 ou 3 meses.

– Você está indo no Archie, né?

Regina não respondeu. E ele cruzou os braços.

– Sério? Regina!

– Eu não quero falar sobre isso. Não com o Roland aqui.

Robin pareceu não ouvir.

– Você não parecia bem ontem e pelo que ouvi de Mal, não foi só ontem.

– Eu estou bem. O máximo que alguém como eu pode ficar. Agora, por favor, vamos mudar de assunto. Como está o abrigo? Eu consegui umas verbas extras com o Governador.

Ele suspirou, derrotado, mas concordou em mudar de assunto.

– Eu tenho um cachorro que eu acho que você vai adorar. É a sua cara. Eu penso em você imediatamente toda vez que o vejo.

E Regina ia responder, mas o barulho de Emma levantando e saindo da lanchonete seguida por um Henry chateado a distraiu. O rapaz a olhou rapidamente e ao invés do sorriso, ele franziu as sobrancelhas e virou o rosto. O resto da mesa também se esvaziou e o único que a olhou sem raiva foi David, que abriu um sorrisinho.

– O que foi aquilo? – disse Robin – Eles pareciam furiosos com você. Aconteceu alguma coisa?

E ela foi muito sincera na resposta.

– Eu não faço idéia.

E de fato, se alguém tinha que estar irritada era ela. Era Regina com a quedinha por alguém, que obviamente já estava comprometida com um cara atraente e gentil.

Além do mais, ela tinha um 4 em seu pulso... Que logo viraria um 3.

Durante três dias, Regina evitou Emma e durante os dois dias seguintes, Emma evitou Regina e era tão tão óbvio que Abigail lhe dava aquela olhada esquisita toda vez que Emma entrava na Grannys e as duas nem se olhavam.

– Eu achei que vocês eram amigas, sei lá. O que aconteceu?

– Não sei. – respondeu bebendo um gole de café e lutando ao máximo para deixar seus olhos no jornal.

– Até alguns dias ela só perguntava sobre você... Ah não, você disse que você tem uma queda por ela?!

Revirou os olhos.

– E claro que não... E ela perguntava sobre mim?

– O tempo todo. Era só me ver que ela parava qualquer coisa para conversar comigo... Ai ela saía com o Graham. – desde que aquilo começou, Abi só falava o nome de Graham com deboche. – Você sabe que se eu fosse bi, você seria o amor da minha vida, né?

Aquilo fez Regina rir.

– Iríamos nos matar no primeiro mês de namoro.

– É claro que não. Nos damos super bem!

– Acredite, nós iríamos nos matar.

– Touché. Mas eu posso ver você e Mal juntas. E Cro e a Ursulla. Por que eu sou a única que só gosta de homens no grupo?

– Sempre existe um azarado. E nesse caso é você.

– Mesmo assim. – desconversou. – É estranho.

Na manhã do dia seguinte, Emma e Regina se encontraram na porta da Granny’s. Regina saia e Emma entrava. As duas pararam e se olharam.

– Ei. – disse Emma meio nervosa. Colocou as mãos no bolso traseiro da calça e olhou para o chão.

– Há quanto tempo. – respondeu Regina surpresa.

– Pois é.

O ambiente estava pesado e Regina quis ir embora.

– Como está Robin? – perguntou Emma por educação.

– Ah, bem, imagino que ele esteja bem. E Graham?

Emma levantou a sobrancelha.

– Também. Eu acho. Eu o vi rapidamente hoje cedo.

Provavelmente saindo da casa dela. Regina mordeu os lábios, forçou um sorriso e desconversou.

– Entendo. Eu tenho que ir. Foi bom te ver.

E tentou sair apressadamente, quando Emma pegou seu braço.

O erro de Regina naquele dia foi usar um vestido sem mangas, então quando Emma puxou seu braço e pediu para Regina esperar, a pulso de Regina pareceu arder mais.

– Desculpa! – Emma soltou imediatamente. – Eu puxei muito forte? Não foi minha intenção!

– Não foi isso. – levantou seu pulso e tocou nos números. O dois parecia rir dela. – Ardeu muito, foi só.

Emma a tocou novamente. Dessa vez, com mais gentileza e por um momento, os olhos verdes só se fixaram na tinta negra.

– Você não tinha números.

Regina concordou.

– O destino gosta de me zombar. Apareceu há alguns dias.

– Um ‘dois’... – Emma pareceu ficar pálida. – Sortuda. – Depois soltou Regina, sussurrou um até logo e sumiu dentro da lanchonete.

Regina a acompanhou com o olhar até notar os olhos severos de Ruby nela.

– O que foi? – questionou.

Ruby não abaixou os olhos assustada. Só balançou a cabeça negativamente e foi atrás de Emma.

Aquilo incomodou Regina o resto do dia, mas o orgulho a impediu de entrar no Grannys a noite e confrontar Emma e Ruby sobre aquilo tudo.

Ela não tinha nada a ver com o relacionamento de Emma e Graham. Nada.

O 1 no dia seguinte a assombrava.

E era por isso, que almoçara bem mais tarde do que o usual, e que no Grannys vazio ela repensara sua vida. Traçava o 1 em seu pulso e resistia a vontade de arranhá-lo. Iria para casa mais cedo e se recusaria a atender qualquer um no dia seguinte. Se fosse para seu tempo zerar que fosse com sua taça de vinho.

David pareceu brotar no chão e se sentar na cadeira em frente a ela.

– Há outros lugares vazios se não percebeu. – olhou ao redor. – Na verdade, quase todos estão vazios menos o meu.

– Eu não vim aqui comer.

Ela o olhou com dúvida.

– Eu já consegui uma parte maior do orçamento para o abrigo.

– Eu sei. Conversei com o Robin.

– Então...

– Então, eu quero conversar com você sobre outra coisa.

– Bem, então temos um problema, eu não quero conversar com você. Adeus, David.

Ele se recusou a levantar.

– É urgente.

– Eu não vou falar sobre a Abigail. Ela está te superando e não, não vou pedir o perdão dela para você.

Ele negou.

– Não é sobre a Abi. É sobre a Emma.

Regina sentiu seu coração acelerar.

– Ela está bem? Aconteceu alguma coisa? Henry está bem?

Ele assentiu.

– Eles estão bem. Henry está na escola e Emma está na delegacia.

– Então?

– Então, o que diabos deu em você para voltar com o Robin?

Regina bebeu mais um gole do café e pediu para ele repetir a pergunta.

– Eu acho que não entendi bem.

Ele repetiu. O rosto sério e determinado.

– Não é da sua conta com quem eu durmo, David. Eu não sou uma pessoa comprometida, sou?

Ele queria falar algo, era obvio, mas algo o impedia.

– Eu achei que vocês não tinham dado certo. Abi me disse que vocês chegaram a essa conclusão juntos.

Regina estava surpresa. Ela não sabia o que estava acontecendo ou de onde David tirou tamanha intimidada para falar com ela daquele jeito.

– Eu e Robin não iremos nos casar. Foi uma noite. E eu não tenho que te explicar a minha vida, David. Ela é minha.

– Então, vocês não voltaram?

– Por que você quer saber?

– Só me responda se vocês voltaram.

– Não é da sua conta, que tal essa resposta?

– Robin me disse que vocês estavam muito bêbados. Eu só queria confirmar. – ele pareceu relaxar na cadeira. – se vocês tivessem voltado, você teria esfregado isso na minha cara. Algo como: “eu estou com alguém e não precisei trair ninguém”. Eu não traí a Abi, mas sei que você acha isso.

Ela só cruzou os braços.

– Eu ainda não entendo o que isso tem a ver com a Emma?

– Ela está estranha.

Isso Regina tinha percebido.

– Não deveria discutir isso com o namorado dela?

– Namorado?

– Graham. Ele é muito melhor para discutir qualquer coisa relacionado a Emma. Ela vem me evitando recentemente.

Ele ficou em silêncio, depois lentamente foi abrindo um sorriso.

– Por que você acha que eles estão juntos?

– E eles não então? – uma pontada incomoda de esperança. O tempo só ia diminuindo. Felizmente, ela optara por um bracelete para esconder sua vergonha.

– Por que você acha isso?

Ela encostou-se ao encosto da cadeira.

– Eu os vi se beijando na porta da escola.

– Escola? Na amostra de profissões?

Ela assentiu. Bebeu um gole de café.

– Eles não estão namorando?

O pequeno sorriu floresceu numa gargalhada.

– Que ótimo! Foi logo depois que você começou a evitá-la, não foi? Faz sentido agora.

E antes de falar mais qualquer coisa, ele se levantou da cadeira e saiu correndo da lanchonete.

Regina ficou olhando para o caminho que ele fizera com as sobrancelhas franzidas. Granny e Ruby espelhavam sua expressão.

O que diabos estava acontecendo?

No dia seguinte, Regina evitou a todos. Dormiu até tarde, fez uma macarronada esplêndida para o almoço, colocou o neflix e selecionou a terceira temporada de Passion of Santos. Eram 9 e ela planejava chegar até a sexta ainda naquele dia. Alguém bateu na porta, mas ela ignorou.

O bracelete em seu pulso a impedia de olhar os segundo se esvaindo e sinceramente, o enredo dramático de Santos a deixava distraída o suficiente para nem se lembrar do que estava em seu pulso. Só deixou o celular próximo em caso de uma ligação urgente de sua secretária, portanto ignorou as ligações de Abi, de Cro, de Ursulla e de Mal. E foram muitas.

Já passava das 17 horas.

O plano era olhar o zero redondo às 22 hras, rir do destino e ir ao fórum cantar vitória. Faltavam poucas horas, Santos estava dominando um navio pirata cujo capitão era o avô perdido de um de seus interesses amorosos e um número desconhecido ligou para o seu celular.

Imaginou que fossem as amigas, mas pensou também em uma possível emergência...Se fosse as amigas era só desligar, mas se fosse uma emergência... Deu pause no programa e atendeu.

– Alô.

Silêncio. Ela tentou de novo.

– Alô? Quem é?

– Regina? É Emma. Emma Swan. – a voz dela estava pesada.

Regina sentou-se imediatamente no sofá e limpou o resto de sorvete de seus lábios.

– Emma? O que aconteceu? Você está bem?

– Estou, estou. Só cansada. Eu corri muito. – Houve uns sussurros ao fundo. – Eu precisava falar com você. Urgente. Mas ninguém conseguia falar com você.

– É meu dia de folga. Só atendo emergência.

– E você me atendeu.

– Para ser sincera, eu não sabia que era você. Enfim, há algum problema?

Emma não respondeu imediatamente e houve mais sussurros.

– Emma?

– Você achou que eu estava com o Graham? Tipo, que nós estávamos juntos?

– Creio que não estou entendendo.

– Você achou?

Regina respirou fundo e olhou a televisão. A avó de Santos tinha um enorme sorriso no rosto e pulava em cima de um pirata. Ela era a maior razão pela qual Regina insistia em continuar a novela. Regina queria ser como ela: corajosa, sem medo, sem receio. “Eu faço o que quero. Tudo bem se eu me arrepender, faz parte. Prefiro isso a não ter histórias para contar.”

Então, Regina respondeu.

– Eu os vi numa cena intima em frente à escola, então sim, eu achei.

– Cena íntima?

– O beijo?

Emma não respondeu por um tempo e Regina quase a chamou novamente, então a voz parecia quase desesperada.

– Não, não! Aquilo não foi-! Não, eu e Graham não temos nada. Eu estava feliz, e ele-! Eu o conheço desde que éramos crianças e ele costumava colocar a testa na minha quando estávamos felizes. É só!

– Você não me deve explicações, Emma. Nenhuma.

Mas é, ela se sentia um pouco mais leve depois daquilo. Os olhares, as brincadeiras, será que ela tinha interpretado tudo errado?

– É por que você não entende!

– Você tinha um zero, ele tinha um zero. Foi uma suposição inocente. Só isso.

– Meu zero foi antes do dele e-

– Emma. Você não me deve explicações.

– E você não entende!

– O que eu não entendo? Por que eu admito que não faço idéia do que está acontecendo há alguns dias.

Desde os malditos números.

– Você pode abrir a porta?

E Regina se desesperou. Ela estava de pijamas, com os cabelos curtos presos, sem nenhuma maquiagem e cheirando a sorvete. Ah, e com uma novela tola na televisão.

Ela não podia abrir aquela porta.

Talvez ainda desse tempo de se arrumar...

– Agora? Abrir agora?

– Eu estou aqui fora.

– Por quê? Para quê? O que você quer me falar que não pode ser por telefone?

Regina estava pé e não sabia para onde ia. Trocar de roupa, arrumar o cabelo, arrumar a sala, colocar maquiagem. Ela não tinha tempo!

– Porque não. E não adianta correr pela casa, eu não ligo.

– Emma, eu não sai nem recebi visitas o dia inteiro. Eu não estou em condições de receber visitas.

– Regina, eu não vim aqui fechar um negócio com você. Só conversar. Não ligo se você estiver vestida como um mendigo. Não têm papparazzis aqui, só eu.

Se isso era para deixar Regina mais calma, não funcionou.

– Se você me der uns 20 minutos...

– Eu não tenho 20 minutos. Eu tenho que pegar o Henry com Mary Margareth em 15 minutos. É rápido. Eu não vou julgar.

– Não pode ser amanhã?

– Tecnicamente, pode. Mas eu não quero esperar.

Batidas na porta. E Regina respirou fundo.

E ela só queria um dia tranqüilo assistindo novela.

Andou até a porta principal e a abriu.

Emma estava na porta com o celular no ouvido. Sua jaqueta vermelha estava no banco do bug amarelo, e ela estava com a camiseta branca e um sorriso bobo.

Regina, por outro lado, estava com um short cinza e uma camiseta negra. Nunca aparecera tão mal vestida na frente de alguém. Jamais. Maldição!

– Ei. – disse.

– Ei.

As duas desligaram o celular ao mesmo tempo e ficaram se olhando.

– Emma?

A loira pareceu se lembrar do que estava fazendo ali.

– Claro. – balançou a cabeça. – Eu e o Graham não estamos juntos. Nossos tempos zeraram com pessoas diferentes... Ele meio que está com a Ruby.

Aquilo fez as duas sobrancelhas de Regina arquearem.

– Com a Ruby? Quando?

Emma só balançou os ombros.

– Um dia ele chegou todo feliz e disse o que tinha acontecido. Sei lá. Mas, não foi comigo e o meu. – mostrou o zero. – também não foi com ele. Eu queria ter te falado há muito tempo, mas eu... Eu não sei por que eu preciso te falar isso hoje, mas...

– Você está enrolando.

– Certo. Direto ao ponto. O meu tempo zerou no meu primeiro dia em Storybrooke. Quando eu acompanhei o Fred numa entrevista de emprego num sábado de manhã. Meu tempo zeruo quando alguém com ressaca e sem blusa nos atendeu. Não foi com o Graham.

Regina não respondeu. Ela piscou algumas vezes e Emma engoliu com dificuldade.

– Você... Eu... Mas... O quê? – Regina passou a mão pelo rosto e se questionou se estava dormindo e aquilo era um sonho. Faria todo o sentido. – Por que não me disse isso antes?!

– Eu ia! Eu queria! Mas aí eu soube que você não tinha números e fiquei assustada!

E a história começava a fazer sentido.

– Por isso você me evitou depois da nossa conversa!

Emma ficou envergonhada.

– Eu cheguei em casa sem saber o que fazer. Tipo, que sorte, não? Eu fiquei olhando para aquele tempo durante anos e quando ele zera, quando ele finalmente zera, a pessoa que deveria ser minha, que deveria ficar do meu lado, simplesmente não tem números. Eu me senti uma idiota depois. Todos os meus amigos me disseram isso. Até o Henry.

– Ele sabe?!

– Ele descobriu nessa época. Depois do trabalho, eu juro. E foi sem querer, ele me escutou conversar com o Fred.

– Por que você continuou conversando comigo então?

– Por quê? Eu não sei. Mas, não era o que eu imaginei. Eu gostei de você, eu gostei de como você agia, de como você tratava o Henry e como protegia suas amigas. Eu simplesmente... Gostei de tudo. E pensei, bem, números nem sempre são românticos... Eu podia te ter como amiga, eu jurei que podia. Mas... Mas, você começou a me evitar e aquilo me deixou louca. Eu não sabia o que estava acontecendo. Num momento, nos encontrávamos todas as manhãs e no outro, você não ficava no mesmo espaço que eu. – Emma respirou fundo – Eu achei que você tivesse descoberto dos meus números, então eu pedi ao David e ao Fred, até mesmo a Ruby, para alguém me ajudar a descobrir o que estava acontecendo. Eu até perguntei sobre você várias vezes para a Abigail!

– Eu tinha visto você com o Graham. – admitiu Regina – E tinham os números que surgiram do nada e me deixavam doida. Eu só fiquei... Com raiva. Com muita raiva. Eu não imaginei que tinha te incomodado tanto.

– Incomodou. Você não tem idéia. Então, patrulhando com o Graham e reclamando sobre não conseguir conversar com você...

Regina fechou os olhos como se tivesse sido atacada.

– Robin.

Emma balançou a cabeça.

– Aquilo me deixou irracionalmente furiosa. E eu achei que vocês estavam juntos de novo. Graham me disse que vocês eram muito amigos e tinham namorado... E eu pensei... Que talvez fosse o melhor por que era obvio que eu não conseguiria ser só amiga, por agora pelo menos. Sei lá... Eu só... Fui estúpida e minha raiva forçou todo mundo a descobrir o que tinha acontecido. O Graham foi ameaçado e contou sobre aquela manhã e só David achava que vocês não estavam juntos. Mas aí, teve aquele dia no restaurante... E você e o garoto, Rolando certo?, ficavam tão bem juntos. Acho que o Henry viu isso também... Então, o David me falou que vocês não tinham voltado e que o que você viu na escola te incomodou... E.. E... Eu tive que vir. Eu não sei por quê.

– Roland é um rapaz solitário e um amor, mas eu e Robin não daríamos certo. – balançou os ombros. – Ele ainda espera pela Marian, embora escorregue às vezes... E eu... Bem, eu... Sei lá.

– Mas você tem números agora. Era um dois na última vez que nos vimos, certo? Então tecnicamente... É hoje! – Emma ficou agitada — E o que você está fazendo aqui? Você devia estar na cidade, na Grannys, numa reunião, em algum lugar com pessoas! Eu te dou um carona! Ou eu posso pedir para Graham te buscar... Ou sei lá, um táxi! Não sei, mas você tem que sair daqui. Faltam quantos minutos?

– Eu não vou sair daqui.

– É claro que vai! Eles vão zerar a qualquer minuto!

Oh, ela sabia disso. Era estranho que, agora, ela quase conseguia sentir os segundos mudando e diminuindo cada vez mais.

– O que você quer de mim, Emma?

A loira parou de se desesperar e a olhou.

– O quê?

– O que você quer de mim? – repetiu. – Nós mal nos conhecemos! Eu sei nada sobre você e vice versa.

Emma respirou fundo.

– Nem sempre é romântico. – disse – e nem sempre é ao mesmo tempo. Às vezes, o tempo zera para pessoas que você conhece há anos; às vezes, é para pessoas que você acabou de conhecer. E eu não ligo de esperar. Eu esperei dez anos, o que são mais dez? Podemos nos conhecer... Depois, decidir daí, não? – um sorriso torto – Não é um pedido de casamento. Não ainda. Eu vejo os números como um aviso.

– Um aviso?

– Para você parar e prestar a atenção. Sem os números poderíamos ter nos cruzados, nos interessado, mas continuaríamos nosso caminho sem pensar duas vezes. Os números não te deixar fazer isso. É um aviso, tipo, “ó, idiota, presta atenção na pessoa que está do seu lado há 10 anos, ela é a única para você, trouxa.” – Regina sorriu – ou “presta atenção nessa pessoa que você acabou de conhecer, tem algo nela que você vai gostar.” Acho que sem esse aviso... Poderíamos jamais nos notar ou dar chances... Pode imaginar a bagunça? A quantidade de pessoas como eu vagando pelo mundo?

Regina podia imaginar. Ela não tinha números. Mas fazia sentido. Pela primeira vez, os números fizeram sentido. Finalmente, ela conseguiu respirar com algum alivio.

– Seria interessante. – disse. Emma a olhou curiosa. – Te conhecer. Seria interessante!

O sorriso que recebeu valeu a pena toda aquela confusão.

– Ótimo, agora que nós estamos resolvidas, precisamos dar um jeito nos seus números. Tem algum lugar que você precisa muito ir? Quando o meu zerou, eu não consegui dizer ‘não’ ao Fred.

Tinha sim.

– Tem.

– É longe? Eu posso te deixar lá. – e era obvio que Emma tentava se lembrar da distância dali até o apartamento de Robin.

– É aqui. Eu quero ficar aqui.

Emma pareceu não entender, mas estava claro para Regina agora. Se os números eram um aviso, então os dela estavam vermelhos e brilhantes. Tirou o bracelete e mostrou para Emma.

000:000:002.

E foi diante os olhos verdes surpresos de Emma que o 2 se transformou em 1 e o um em 0.

A emoção da loira foi tanta que Regina se viu abraçada, levantada e rodopiada.

– Eu estou tão feliz que poderia te beijar!

A resposta de Regina foi uma sobrancelha levantada, sua mão agarrando a fábrica da camiseta branca e a puxando para um beijo. Os lábios de Emma tinham gosto de canela e café, e Regina imaginava que seus próprios lábios tinham resquícios do sorvete de chocolate belga – que provavelmente derretia na sala. Sentiu mãos em sua cintura a puxando mais perto e ela própria afundava seus dedos em longos e cacheados cabelos loiros.

O momento deveria ser único e para elas, apenas para elas, mas, Regina, sabia, quando o destino era bom para ela?

Quatros tipos de gritos as assustaram. As duas se afastaram e olharam ao redor desorientadas.

Cro, Ursulla, Mal e Abi eram as origens do sons.

– Zerou?! – perguntou Abi quase pulando de emoção.

Regina não respondeu e Emma levantou uma sobrancelha para ela.

– Não é da conta de vocês!

Mal só revirou os olhos e correu até a entrada da casa, pediu a permissão de Emma e agarrou o braço de Regina. Claro que Cro e Ursulla foram ajudar e quando as três viram o 0, gritaram novamente.

– Zerou!

Abi fez uma dancinha, virou o corpo e gritou: zerou!

– Traidoras! – resmungava Regina tentando sair do abraço mortal das três.

Um Henry sem fôlego apareceu seguido Fred tímido, um David orgulhoso e uma Mary Margareth vermelha.

Depois de todo o tumulto, das perguntas e das piadas. Regina descobriu que Emma fez, literalmente, um pacto com o demônio. Veja, ela deixou as garotas verem a declaração e em troca, elas lhe ofereciam informações e o número privado de Regina.

– Você é uma idiota.

Emma só abriu um sorriso orgulho.

– Sim, sua idiota. E eu não tomaria uma decisão diferente agora.

É, Regina também não.

Ah, ela contou sobre a teoria de Emma no fórum em sua postagem de despedida. Jane foi a primeira a responder

“O que ela disse faz todo o sentido. Mas, você não deveria sair do blog. Ter números agora não invalida tudo que você já sofreu antes de tê-los. Você entende. Você pertence aqui.”

Talvez, os números foram um indicativo de mudança. Talvez, fossem apenas avisos. Talvez, algum traço evolucionário que escolhia os parceiros com base em código genético e probabilidade de sobrevivência. Em todo o caso, estava lá, acontecia e querendo ou não as pessoas tinham que aprender a lidar com aquilo.

Não dá para saber se a história teve, de fato, um final feliz. Conhecer alguém leva tempo, amar alguém ainda mais. Só que o aviso foi dado. Agora só resta esperar.

Talvez, o destino não fosse tão cruel assim com Regina, mas isso não significava que ela gostasse dele. Ela ainda o socaria se pudesse.

Notas finais
Muito obrigada!!