Thunder Chronicles
17 Medo
Já se passaram alguns dias desde todos os acontecimentos. Quatro dias. Tatsuo continuou treinando com Zulk, Damon, Viryna e Chao seguiam rumo a Pilastra. O ex membro do Zodíaco recusava-se a usar suas habilidades para chegar mais rápido, ele queria chegar logo, mas sem usar seus poderes.
—Sabia que já poderíamos estar lá, né? -Disse Viryna. -Estamos meio que perdendo tempo.
—Preciso acostumar a ter paciência, coisa que tem me faltado ultimamente, preciso me acalmar. -Respondeu Damon.
Eles avistaram uma pequena ilha, coberta de neve, o que era estranho, afinal apenas naquela ilha estava frio, porque o sol estava escaldante. Eles ficaram curiosos e resolveram parar lá. Na verdade, Chao e Viryna resolveram parar.
—Não é porque não estou usando meus poderes que podemos perder tempo com qualquer coisa. -Disse Damon, que ficou nervoso, mas acabou aceitando a parada. -E não foi você que acabou de reclamar de perder tempo?
Viryna fincou uma agulha grossa e rígida na corrente do barco para prendê-lo. Eles saíram do barco e viram toda aquela neve, que os surpreendeu. Não tinha ninguém na ilha, absolutamente ninguém, o que dava para de entender, estava muito frio. Eles andaram e apenas viam árvores cobertas com neves, campos com neve… Só neve. Viryna e Chao estavam tremendo, mas queriam saber o motivo daquela ilha estar daquele jeito.
—Isso é muito estranho… Nunca vi algo assim. -Dizia Damon, observando o céu, que apenas naquele lugar estava nublado. -Ele esticou sua mão para um floco de neve cair na sua palma, mas quando ele encostou, Damon teve uma má sensação, um clima pesado tomou conta do local… E o floco de neve derreteu na sua mão. -Vamos embora. -Disse.
—Espere! -Disse Chao. Damon já tinha virado as costas para voltar ao barco. -Tem um homem ali! -Ela apontou para o horizonte, Viryna olhou e Damon relutou em olhar. Mas olhou.
Era visível apenas a sombra de uma pessoa, em pé, mas aquela silhueta mexeu com Damon, o clima ficou extremamente denso, mas só ele conseguia sentir, seus amigos estavam normais. Enquanto ele olhava aquela figura, a distância entre os dois parecia aumentar, como se o espaço se distorcesse. Ele ajoelhou, não conseguia manter suas pernas firmes. Seus amigos foram até ele para ajudar.
—Saiam daqui agora! -Ele gritou. Nesse momento, uma névoa passou em sua frente e quando saiu, a sombra não estava mais lá e ele podia novamente se levantar. -Não podemos ficar aqui, vamos embora, rápido! -Ele começou a correr, e Viryna e Chao foram atrás, mesmo sem entender.
Quanto mais corriam, mais frio ficava, mais neve caía.
—Não dá, Damon. -Disse Viryna. -Es...tá muito fri...frio. -Ele mal conseguia falar. Damon olhou seus amigos, que estavam atrás dele, e quando virou seu rosto para frente, lá estava aquela silhueta de novo, mas dessa vez ela corria em sua direção.
—Merda! -O ex Zodíaco criou uma esfera de água e lançou naquela coisa, mas a esfera rapidamente se congelou e caiu no chão. E, novamente, quando ele olhou para frente, ele tinha sumido. -Ele está brincando com a gente.
Damon criou uma cúpula de água, que se congelou e protegia eles, pelo menos um pouco, do frio.
—Brilhante ideia de parar aqui. -Ele estava nervoso. -Aquilo que vocês viram, está fazendo um joguinho psicológico comigo, não podemos entrar nesse jogo, precisamos sair dessa ilh… -Antes que pudesse terminar a frase, ouviu algo colidindo com a cúpula que estavam e como o gelo era transparente, ele conseguiu ver. Era o barco deles, destruído, levado até eles pela ventania.
—E agora? -Perguntou Chao. -Damon ficou pensativo, alguns segundos sem falar mas estava na cara sua preocupação.
—Precisamos lutar.
→
A notícia do que havia acontecido em Âmbar e Lambertia já se espalhou. O Zodíaco voltou, sem medo nenhum de que algo possa pará-los, agora todos os Reinos estavam vivendo com medo de serem atacados.
O Reino de Suzanno não estava diferente.
Suzanno sempre foi um lugar que viveu mais no passado do que no presente, seu povo era pouco instruído, educação era para poucos, economia fraca, movimentada a base de atividades ilícitas como venda de pessoas e drogas… E talvez um pouco de exportação de armas, que, indiscutivelmente, eram de boa qualidade.
—Não, por favor… -Uma mulher pedia piedade enquanto dois homens tiravam sua roupa numa pequena rua sem saída, em plena luz do dia. Não era como se outros fossem ouvir seus gritos e ajudar.
—Cala a sua boca, vadia! -Um dos homens deu um tapa na cara da moça. -Ninguém vai te ajudar, vai ser mais fácil se abrir as pernas por vontade própria e deixar a gente te fuder. -Nesse momento, passou um homem alto e loiro pela rua transversal, e parou ao olhar aquilo. Ele estava vestindo roupas normais com um cachecol dourado no pescoço. -Está olhando o que? Saia daqui!
—Escória. -Sussurrou o homem.
Ele virou de frente para os homens, colocou sua mão esquerda, com punho cerrado, a frente e sua mão direita no formato de uma pinça atrás.
—Que porra é essa? -O bandido já estava nervoso.
—Respondam-me. -Disse o homem loiro. -Viram um homem baixo, impaciente, novo… E que controla a água?
—Não é uma pergunta muito vaga? Seu filho da puta.
—Sim, porque não queria que soubessem responder.
Ele abriu a sua mão direita e foi possível ouvir algo como se estivesse cortando o ar. Algo invisível e pontiagudo atravessou a cabeça de um dos bandidos, e só depois se materializou, era uma flecha.
—Vou perguntar mais uma vez… -Ele se preparou para mais um tiro.
—Não.. Por favor… -Dizia o outro bandido.
—Estou perguntando para a moça agora. -O coração dela acelerou mais, ela ia morrer de qualquer maneira ali? Estuprada ou com uma flecha atravessada na testa? Ela pensou rápido.
—Impossível esquecer desse homem.
—Muito bem. -Ele apontou para o outro bandido e fez o mesmo movimento, em menos de um segundo depois o bandido foi atingido e caiu no chão, morto.
—Bela mentira, moça. -Ele abaixou suas mãos e se virou para ir embora.
—Obrigado por me ajudar… Como posso te chamar? -Ela perguntou enquanto colocava suas roupas.
—Estou apenas me ajudando, escória não merece viver. -Ele começou a andar. -Pode me chamar de… Sagitário.
A moça arregalou os olhos e foi respirar fundo, pois percebeu na hora o perigo que estava correndo, e que seu reino estava correndo com aquele homem ali, mas antes de conseguir inspirar todo o ar… Sua respiração parou. Ao olhar para baixo, uma flecha se materializou no seu peito e sangue começou a escorrer. A moça caiu morta.
—Escória não merece viver. -Disse mais uma vez, enquanto continuava andando calmamente.
→
—Ali está, finalmente chegando L’anger! -Disse o homem magro, que estava no barco junto com uma moça negra. Eles haviam avistado Pilastra. Estavam muito, muito perto.
Yara treinava junto de Tatsuo no campo de treinamento enquanto Zulk e Samuel estavam no prédio principal discutindo planos e atitudes a se tomar devido a volta do Zodíaco.
—Não temos condições de enfrentar uma guerra com o Zodíaco agora, nós perdemos uma luta contra Ganya e Tatsuo, apesar de ter lutado antes, perdeu feio para o Aquário. -Dizia Zulk. -Precisamos de apoio, Samuel.
—Conseguiremos apoio, todos estão com medo, nós vamos conseguir nos unir, com certeza. -Concluía o novo governante de Pilastra. -Mas não podemos apenas contar com Tatsuo, Yara, eu e você aqui, precisamos de mais gente, somente nós não somos suficientes. -Ele se levantou da cadeira. -As Forças Táticas, precisamos de um novo líder, com a morte de Dina… As coisas ficaram difíceis… Alguma recomendação?
—Tatsuo.
—Não, ele não está pronto para liderar.
—Samuel, ele se sacrificou para defender Mithra e Yara em Âmbar, está treinando muito, ele sabe o que é ser um líder.
—Mas ele não sabe agir em grupo, você é cego se não pode ver isso, Zulk.
—Você está ignorante e arrogante desde que assumiu.
—Nosso governante colocou o rabo entre as pernas e fugiu, vocês dois deixaram nossos civis serem mortos, Yoropac foi morto por Yamamoto, minha amiga ficou na mão de um novato, independente de quem ele seja filho, ele é um novato. -Ele aumentou sua voz para falar com seu ex-capitão. -Não serei imprudente como Yamamoto foi.
—Ele não foi imprudente, se não tivesse mandado Tatsuo junto, elas estariam mortas. –Yara não podia ter ido junto e você sabe disso! Ele colocou duas vidas, a dele e a dela, em risco! -Samuel bateu na mesa. -Ele não será o escolhido, eu que decido, e eu decidi que não será.
—Então quem recomenda? -Samuel relutou em responder logo essa pergunta.
—Meu pai.
—Está louco? Seu pai está internado há anos, ele não consegue ficar longe do soro. –Ele é um estrategista incrível, se não fosse por ele, duvido que Dakko teria vencido Waryoku. Ele pode liderar, não precisa lutar, eu procuro alguém que saiba como fazer seu trabalho, e você sabe que ele sabe.
—Não será bem visto pelo povo.
—Não de início, talvez, mas eles verão que foi o melhor a se fazer. -Um rapaz, secretário, entra na sala correndo e fala com os dois.
—Invasores! Precisamos de alguém, rápido! -Ele estava desesperado.
—Merda! -Disse Samuel. -Zulk, chame Yara, Tatsuo e o resto, eu vou indo na frente. -Os dois saíram da sala correndo.
O homem e a mulher não haviam se movido ainda, mas já tinha soldados em volta deles. O que assustou a todos foi a aparência bizarra daquele homem, magro, branco, com uma máscara de ferro, negra, vestindo apenas uma calça e carregando uma arma que era composta de um mastro e na ponta tinha algo em forma de losango, com diversos espinhos ao longo das quinas e com um gancho em cima e outro menos em baixo.
—Estou com um pouco de preguiça. -Disse o homem. -Pode começar você. -Ele sentou no chão e se deitou, com seus braços debaixo de sua cabeça para se acomodar.
—Idiota. -L’anger deu um passo e os soldados já levantaram suas armas. -Buraco vazio!—Em sua mão um disco roxo apareceu, ela o lançou nos soldados que desviaram para o lado, mas ao chegar no meio, o disco parou, inchou e explodiu. Mas o que aconteceu foi inesperado, ao explodir, ele gerou uma força que atraiu todos os soldados para o lugar onde estava o disco. -O que acontece quando vários corpos ocupam o mesmo lugar? Exato. Isso não pode acontecer. -Como todos os soldados foram puxados para um lugar só, eles começaram a se desintegrar enquanto gritavam de dor. -Vocês estão deixando de existir nesse exato momento… Não espere ir para o céu e nem para o inferno, porque, se para a física vocês não existem, para Deus também não.
—Sempre esse discurso besta, já te disse que não deve falar isso, é imoral. -O homem se levantou. -Isso foi bem rápido, vai ter que deixar a diversão para mim na próxima.
—Você demora demais para devorar sua presa.
—Gosto de brincar com ela, fazer o que.
Os civis olhavam aquilo de longe, com medo de chegar perto. Lógico que os dois viam todos, mas o objetivo deles eram duas pessoas, pouco importavam aqueles civis, se não entrassem em seu caminho, tudo ficaria bem.
—Quem são vocês? -Samuel chegou. Estava atrás deles, que tiveram que se virar para vê-lo. -O que querem?
—Talvez você possa nos ajudar. -Disse o homem. -Uma moça que controla bolhas de pressão e um rapaz para-raio. -Samuel não gostou.
O governante investiu rápido e golpeou ele com um soco no estômago, o homem foi lançado pra longe.
—Não irá tocar nos meus amigos. -Ele estava se levantando, colocando no lugar um braço e o pescoço que havia quebrado. Aquilo chocou Samuel. -O que você é?
—Você vai descobrir. -Ele pegou sua arma nas costas e partiu para cima de Samuel.
Ao golpear o governante de Pilastra, ele se defendeu com seu braço direito sem problemas nenhum, nem se moveu. Aquilo surpreendeu L’anger e seu parceiro. O homem, quando se tocou de que seu golpe não surtira efeito, ele recuou a arma e ficou parado, encarando Samuel.
—Como? -Estava indignado.
—Meu poder é do tipo físico, minha resistência física é a maior que você vai encontrar! -Ele acertou outro soco, desta vez no rosto de seu adversário, o lançando para trás a 45 graus. -Agora é sua vez.
—Tilit pode ser um idiota, mas eu não sou! -Ela gerou o mesmo disco, fez o mesmo golpe contra Samuel. -Buraco Vazio!
Agora algo diferente aconteceu.
O disco gerou a mesma força de atração, mas Samuel não se moveu nenhum momento, é como se o poder não tivesse sido feito.
—Resistência… A tudo. -Ele parte para acertar um soco nela também, mas atravessa seu corpo e acaba tropeçando e quase caindo no chão. -Você tem outro poder?
—Eu controlo o vazio e também posso me tornar ele, é apenas um poder. Sou intangível.
—Samuel! -Gritou Tatsuo, que corria para ajudá-lo com Yara e Zulk do lado.
Tilit se levantou e ficou na frente, bloqueando o caminho para os três passarem.
—Você… E você. -Apontou para Tatsuo e Yara. -Foi bem fácil… -Ele passou a mão na ferida em seu peito. -L’anger, cuida desse merda, eu vou fazer o que fomos chamados para fazer.
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