Throwing Punches

2 Sweet Dreams, Beautiful Nightmare


Notas iniciais
Esse capítulo é grande, espero que gostem. (:

Freddie's POV

Tinha acabado de voltar do cinema com a Sam, Carly e um garoto do segundo ano que ela tá saindo, o Devon. Ele parece ser bem legal, simpático, divertido. Não consegui conversar muito com ele, mas pelo que deu, vi que ele se liga em tecnologia. Isso é legal, ter alguém pra conversar, já que as meninas mal sabem postar um vídeo no site.

Fomos ver Atividade Paranormal 3, o filme era legalzinho, mas não me assustou quase nada. Me senti uma vela, já que a Carly e o Devon estavam em um encontro. Pelo menos a Sam tava ali também. Falando nela, aconteceu algo muito engraçado.

O filme tava naquelas cenas típicas de filme de terror, com uma menina burra procurando o que não deveria, e então ela abre a porta da cozinha e aparece uma cara muito escrota na tela, um leve susto, mas pelo que eu percebi todo o cinema se borrou. O que me chocou foi o grito do meu lado. Não poderia ser dela, não, não era dela. Mas pra minha surpresa, era ela. Samantha Puckett com medo de um filminho desses. Foi tudo muito rápido.

Quando vi, ela já estava praticamente pendurada no meu pescoço, os braços tremendo, e as pernas enroscadas no meu colo. Aquilo me sobressaltou de uma forma inexplicável. Eu achei engraçado, acima de tudo, mas ela estava tão assustada... Não me contive e envolvi meus braços ao redor dela, pra acalmá-la. Funcionou, ela rapidamente relaxou. Mas eu sabia que aquilo não duraria muito. Não deu nem 5 segundos e ela percebeu o que tinha feito, e se soltou rapidamente de mim, com “nojo”.

Depois disso, ela tentou ficar o mais longe possível de mim, e eu não entendi o porquê. O que eu fiz de errado? Eu só tentei acalmá-la. Ela ficou assim o filme todo, ás vezes eu via, pela visão periférica, ela olhando pra mim, hesitante. Daria tudo pra saber o que ela tanto pensava naquele momento.

Então o filme acabou, e as luzes se acenderam, me aliviando por aquela situação tensa finalmente ter acabado.

Depois disso fomos comer uns hamburguers no Burger King. A Carly e o Devon conversavam animadamente sobre o filme, eu não prestava muita atenção, estava pensando no que tinha acontecido.

Então a Sam me perguntou qual era o problema, e eu não iria dizer que estava me perguntando o porquê daquela negação e distância dela sobre mim. Então só disse que estava pensando no trabalho de física. Ela fez cara de nojo, como sempre, quando alguém cita algo envolvendo estudos.

Depois voltamos pra casa da Carly em silêncio, e eu debochei algumas vezes dela pelo ocorrido, tentando tornar o clima mais leve. Não funcionou, o máximo que consegui arrancar daquela loira foi um soco no meu braço.

Chegamos no apartamento da Carly e eles comentaram algo sobre uma escultura esquisita que o Spencer fazia. Não prestei muita atenção. A Carly me tirou dos meus pensamentos.

– Freddie, quer ficar aqui hoje? Podemos fazer uma festa do pijama. – disse a Carly, sorrindo.

– Ah, tudo bem. Só vou lá em casa trocar de roupa. – eu disse. Não tinha nada de interessante pra fazer hoje mesmo. Em plena sexta á noite.

Saí do apartamento da Carls e entrei no meu. Tentei não fazer barulho, pois minha mãe já devia estar dormindo.

– Fredward Benson! – disse ela, irritada, saindo do quarto com seu roupão.

– Sim, mãe?

– Que horas o senhor pensa que são? – disse ela com um olhar crítico.

– Am... – olhei meu relógio – são 23:45, mãe.

– Isso mesmo! Já é de madrugada! O que estava fazendo na rua até essa hora? – ela já estava gritando. Madrugada? Oh Deus.

– Eu disse, mãe, eu fui no cinema com a Carly e a Sam. O filme acabou, e fomos comer um lanche, chegamos agora. E não é madrugada. Eu disse pra senhora que chegaria antes da meia noite, e aqui estou eu. – disse, tentando acalmá-la.

– Muito bem. Então, vá pra cama.

– Am... Na verdade, a Carly me convidou pra dormir lá hoje. Ela, a Sam e o Spencer querem fazer uma festa do pijama.

– Festa? Mas já está tarde!

– Mãe... Amanhã é sábado.

– Tá bom, então... Vá tomar um banho, e eu te quero amanhã aqui antes das 10 horas, vamos sair amanhã.

– Aonde vamos? – na tia Judith não, na tia Judith não.

– Vamos na tia Judith. – MERDA!

– Por quê?

– Porque os seus primos chegam de NY amanhã, e vamos visitá-los.

– Ah... – eu praticamente gemi de reprovação.

– Não faz assim, Freddie. Você não vê eles há dois anos. E vocês têm a mesma idade. Não vai ser tão ruim.

– Ter a mesma idade não significa que eles são legais. – eu disse, irritado.

– Bom, não importa. Nós vamos e pronto. Agora vá tomar seu banho, e se vai dormir na Carly, vá logo, não quero bateção de porta essa hora.

– Tá bom, mãe.

– Vou dormir. Boa noite, meu filho, e juízo, hein! Ah, e não deixe aquela loira judiar de você!

– Que isso, mãe. A Sam é legal.

– Legal? Uma garota que agride verbalmente meu filho não é legal pra mim. – ainda bem que eu nunca falei das agressões FÍSICAS pra minha mãe, se não ela já tinha contratado um advogado pra fazer uma ordem de restrição entre a Puckett e eu.

– Tá legal, mãe, eu sei me cuidar. Boa noite, te amo. – disse lhe dando um abraço.

– Também te amo, bebê. – eu já tinha 17 anos e ela ainda me chamava de bebê. Nunca vou entender a minha mãe.

Fui tomar um banho, eu estava muito tenso. Não sei o que tinha comigo hoje, mas algo estava diferente. Depois de uns 20 minutos relaxando debaixo da água quente, resolvi sair do chuveiro.

Vesti uma camiseta azul velha, que já estava meio pequena, pois ela colava no meu corpo; minha calça de pijama xadrez e um chinelo. Eu costumo dormir de cueca, mas como iríamos jogar, conversar e comer porcarias, achei sensato se eu vestisse alguma coisa.

Coloquei na mochila meus itens de higiene, meu laptop, e meu iPod. Estou pronto.

Saí de casa sem fazer barulho, e entrei no apartamento da Carly. Chegando lá, vi uma cena muito bizarra. O Spencer com as calças nos tornozelos, sentado no sofá, com a cara atolada no tal ornitorrinco coberto de geleia azul. Era hilário, mas nojento. O Spencer é o cara mais estranho que eu conheço. Ou seria o Gibby? Hm, difícil.

Subi as escadas e entrei no estúdio. A Carly tava sentada com seu pijama no puff azul com o laptop no colo e os fones de ouvido. Ela ria muito, então deduzi que era algo realmente muito engraçado. Resolvi assustar ela. Cheguei por trás, ela estava vendo um vídeo de um garoto gordinho cantando uma música em outra língua com uma voz muito estranha.

Não pude deixar de rir, também. Concentre-se, Freddie! Cheguei atrás dela e me preparei, então segurei seus ombros com força e a balancei, enquanto gritava no ouvido dela:

– AAAAAAAAAAAAAAAAALMONDEGAS!

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! MASOQ... Freddie! Urgh! – ela levantou assustada. – Não faz mais isso! – então ela riu.

– Não prometo nada. Mas eai, tudo pronto? – perguntei.

– Sim, eu já montei as bandejas de salgadinhos, o vídeo-game, e os sacos de dormir, tá tudo lá no meu quarto.

– Legal. Cadê a Sam? – Hm. Salgadinhos. Já até imagino.

– Ela tá tomando banho.

– O-oh. – de repente a imagem da Sam no chuveiro brotou na minha mente. E-e era...

– FREDDIE! Tá dormindo ae? – disse a Carly, me tirando da imagem pervertida que eu criei.

– Ahm? Ah! Am... Carls, posso guardar minha mochila no seu quarto?

– Claro, vai lá. Depois volta aqui, tenho que te mostrar esse vídeo, é hilário! – ela riu.

– Ok.

Fui em direção ao quarto da Carly meio envergonhado. O que foi aquilo, Fredward?! Pensando na tua melhor amiga... Em... Enfim. Cheguei no quarto, larguei minha mochila na cama da Carls, e me sentei na cama.

Eu estava muito estressado, e nem sabia direito o porquê.

– Arg... Que calor. A Carly não tem ar-condicionado aqui, não? – pensei alto. Eu estava com calor. Resolvi tirar a camisa. Depois eu ponho de novo, tem ar no estúdio.

Tirei, e me deitei na cama. Cobri meu rosto com as mãos. O que estava acontecendo comigo hoje? Esse estresse, esse jeito meio desligado. Eu não sou assim. Eu geralmente estou de muito bom humor. Desde que aquela loira infernal teve aquele ataque no cinema, ela conseguiu me tirar do sério.

Pow, eu tento protegê-la e ela me ignora e ainda me xinga?

– Ai... Sam. – sussurei o nome dela enquanto tirava as mãos do rosto.

Nesse exato momento ouvi a porta do banheiro se abrir. Quando olhei... Oh. Meu. Deus.

– AAAAAAAAAAAAH! O QUE TU TÁ FAZENDO AQUI, SEU RETARDADO! – Era a Sam. De toalha. Cobrindo apenas o busto e um pouco das coxas.

– Sam! E-eu... Na-nada! E-eu vim aqui, largar minha mochila, e...

– SEU TARADO IDIOTA! Aparece aqui, comigo no banho, sem camisa, NA CAMA?! – ela estava FURIOSA. Eu tô fudido.

– N-NÃO! Eu esqueci que você estava no banho! Me desculpa... Eu tava com calor, e... – era inútil, eu ia morrer. Adeus, mundo cruel.

– CAI FORA DAQUI! Eu te pego depois! – ela gritou a menos de 2 metros de mim. Ela estava muito próxima.

– E-eu... É sério, desculpa Sam, eu nã-

– EU TE MANDEI SAIR DAQUI! VAI LOGO! Eu quero me vestir. Ou vai ficar aqui olhando? – ela disse, irônica.

– Bem.. – eu levantei uma sobrancelha involuntariamente. O QUE?! O que eu tava dizendo? DEUS, AGORA QUE EU MORRO.

– 3.. 2.. – ela se aproximou até ficar com o rosto a 30 centímetros do meu, levantando um punho.

– JÁ FUI! – peguei minha camisa na cama e saí correndo do quarto.

Cheguei no estúdio de novo ofegando.

– Freddie! Oh meu Deus, o que houve?! – disse a Carly se aproximando de mim.

– A.. S-Sam.. Eu tô fudido, Carls. – eu disse, olhando pra ela.

– O que tu.. OMFG! Tu espiou ela no banho?! FREDDIE!

– O QUE?! NÃO! Que tipo de garoto você acha que eu sou? Não.. Eu entrei no teu quarto, pra deixar minha mochila, e me sentei na cama. Então eu fiquei com calor, a propósito, qual o problema com o teu ar-condicionado?

– Freddie! E ai, ficou com calor, e..?

– E eu tirei minha camisa e me recostei na cama. Fiquei ali descansando por uns minutos e então a Sam saiu do banheiro só de toalha, e aí.. Ela pensou que eu tava ESPERANDO ELA, ela tá achando que eu sou um tarado!

– Oh Deus. – a cara da Carly era de choque e divertimento.

– Gosta de me ver sofrer, né? – eu debochei. – E agora eu tô fudido.

– Calma, Freddie. Eu acalmo ela, ela não vai te fazer nada... Grave. – ela riu.

– Pow, valeu, hein.

– Tá, vem, deixa eu te mostrar o vídeo. – disse ela indo até o laptop.

– Ok.

Era um vídeo muito engraçado, realmente. Depois assistimos mais alguns, e uns 10 minutos depois eu ouço a porta do estúdio se abrindo.

– Eai, Benson. – disse a Sam sorrindo maliciosamente. Ela estava com um pijama roxo, era blusa de manga curta e um shortinho de pijama MINÚSCULO. Porra, já era sacanagem.

– CARLY! ME AJUDA! – eu disse correndo pra trás da Carly. Que patético, olha o meu tamanho. Mas, né, aquela loira era louca. Não importava a situação, ela sempre me vencia em força. O que é incompreensível, já que de uns tempos pra cá, eu malhei, e meu corpo mudou bastante.

– Calma, Freddie.. – disse a Carly, rindo da minha situação patética.

– É, Benson, calma.. – disse a Sam ainda com aquele sorriso maléfico na cara, se aproximando de mim.

– AAH! CARLY, FOI BOM TE CONHECER! DIZ PRA MINHA MÃE QUE EU A AM–

– Porra, Benson, deixa de ser medroso. Eu não vou te matar. – disse a Sam rindo.

– N-não vai?

– Bom, não. Não agora. – ela viu meu rosto ficar branco e explodiu em uma gargalhada. O que aquela loira demoníaca pretendia? – Mas eai, vamos comer algo? – disse ela, indiferente.

– Vamos. – disse a Carls, sorrindo.

– T-tá.. – eu ainda estava em choque.

Fomos pro quarto e sentamos os três na cama. Eu sentei o mais longe possível da Sam. Eu não sabia o que ela pretendia, mas sabia que podia ser algo terrível.

Ficamos ali, conversando (elas falando bastante tempo sobre o tal do Devon, o que me deixou entediado), comendo porcarias, vendo uns vídeos, jogando vídeo-game. E a propósito, eu tava com vergonha de mim mesmo. Estávamos jogando um jogo de futebol, e eu ganhei 4 de 5 partidas com a Carly. A outra eu deixei empatar. Eu achei que tava arrasando, até o a loira pegar o controle. De 11 partidas eu só tinha vencido UMA! Ela ganhou nove, e estávamos quase no final dessa. Estava 2x2, eu tinha que vencer pelo menos mais uma!

– E.. GOOOOOOOOOOOOOOOL! – gritou ela. – Haha. A mama aqui venceu 10 partidas seguidas. É isso ae, Freddumb. – ela fazia a dancinha da vitória. Droga, não acredito nisso. Logo eu, que entendo tanto de tecnologia, fui perder pra uma garota no vídeo-game? 10 VEZES?

– É, tá, tá, boazona. – eu tava irritado.

– Awn, o Freddinho não sabe perder? – ela apertou minha bochecha.

– Não 10 vezes.

– É.. Fazer o que. A mama aqui entende de bolos gordos E de video-game.

– Gente, vamos dormir? Já são 5:30. – disse a Carly, bocejando.

– Pode ser, já tô cansada de ganhar desse nerd. – disse a Sam.

– Haha, engraçadinha. Vamos, então.

A Carly colocou 3 sacos de dormir no chão, mesmo com uma cama Box de casal no quarto. Ela queria que fosse como uma festa de pijama mesmo. Meninas..

Ela deitou no da ponta, e a Sam no do meio. O que não me deixou escolha, eu teria que deitar do lado da Sam. Eu não tinha problemas com isso, mas eu tava com medo do que ela poderia fazer comigo á noite, já que ela não se vingou pelo incidente do banho.

Sam's POV

Aquele nerd idiota me paga.

Me deixa explicar. Depois de voltarmos do cinema, ele foi pra casa pegar algumas roupas, e eu subi com a Carly. Ela tomou banho, e depois eu fui também. Tava lá, bem tranquila, cantando a música do Bolo Gordo, e depois de bastante tempo debaixo d'água resolvi sair.

E quando eu saio do banheiro me deparo com algo interessante. O nerd, na cama da Carly, com as mãos no rosto, e sem camisa. Aquilo me deixou meio atordoada. Eu nunca tinha visto ele assim. Quero dizer.. ASSIM. Ele começou a malhar há uns meses, e.. Wow. A diferença era evidente. Ele tinha os braços bem mais fortes que antes, e se eu vi direito, aquilo era um tanquinho. Wow. CONCENTRA, SAMANTHA!

Mesmo assim, nem toda musculatura do mundo diminuiu a minha raiva. Aquilo era uma falta de respeito! Ele sabia que eu tava no banho, e aparece aqui, seminu, na cama? Nerd tarado. Quem ele pensa que é?

Depois de dar meu aviso, de que ele provavelmente morreria depois, eu expulsei ele do quarto e fui me vestir.

Depois de fazer ele se borrar no estúdio, nós três fomos pro quarto. Ficamos conversando um tempo, por parte da Carly, sempre que dava pra mudar o assunto pra “Devon”, ela fazia questão. Comemos bastante, enfim. Tava bem divertido.

E logo depois de eu vencer o Freducini no video-game nada mais nada menos que 10 vezes, a Carly disse que estava com sono, e fomos nos deitar. Deitei no saco de dormir do meio, eu estava realmente muito cansada.

Olhei pra Carly do meu lado direito, ela já dormia tranquilamente, com um sorriso no rosto, parecia feliz com o dia de hoje. Acho que esse Devon vai fazer bem pra ela. Olhei pro outro lado, e o Freddie parecia que já tinha dormido. Ele.. Não parecia tão idiota assim, relaxado desse jeito, quando não estava me irritando. Parecia muito tranquilo, uma expressão quase angelical.

Fiquei olhando pra ele por um tempo. O que esse pateta tinha se tornado pra mim? Eu acho até engraçado, como a nossa relação mudou durante os anos. No início, a gente praticamente se odiava. Mas depois eu fui vendo que ele era um garoto legal, e estabeleci certa confiança nele. Apesar de nós não passarmos um dia sequer sem brigar, eu o considero meu amigo. Meu melhor amigo, na verdade.

Ao contrário do que todos pensam, e do que eu demonstro, eu não o odeio. Bom, não o tempo todo. Seria impossível odiar alguém que é bom pra mim, como ele é. Ele e a Carls são meus melhores amigos. Estão sempre do meu lado, me ajudam a superar meus problemas. Eu reclamo tanto desse idiota, mas eu não consigo ver a minha vida sem ele. Mesmo eu não querendo admitir, ele é sim, importante.

E ele sabe disso. Temos essa coisa do "eu te odeio", mas é mais por diversão. Às vezes é mais fácil dizer que o odeio e lhe dar um soco do que sorrir e dizer obrigado.

Já muito cansada, relembrei tudo o que aconteceu hoje, desde o meu ataque no cinema, que acabou no meu constrangimento por ter pulado no colo dele, desde nossas mãos se tocando, e o pequeno episódio do quarto da Carly.

Eu ainda não esqueci disso, ele me paga. Pode não ser hoje, pode não ser amanhã, mas eu pego ele.

Quase adormecendo, olhei pra ele e deixei escapar um sorriso involuntário. Fechei os olhos, suspirei e sussurei:

– Te odeio, seu idiota.

Freddie's POV

Estava tudo tão escuro.. Eu não conseguia enxergar absolutamente nada. De repente um monte de imagens estranhas se passou pelos meus olhos, e eu pude deduzir que estava sonhando. Eu estava na saída de incêndio do Bushwell, sentado numa cadeira, olhando a cidade. A sensação de dejavú era perturbadoramente agradável. Eu me lembrava muito bem daquele lugar, daquele tempo, daquele dia. Foi um dos dias mais marcantes da minha vida. Foi quando eu percebi que não estava sonhando; Eu estava relembrando.

– Flashback ON –

3 de janeiro de 2009. Saída de incêndio do Bushwell.

Me sentia sozinho. Como se ninguém ao menos ligasse pro que eu penso, muito menos pro que eu sinto. Como ela pôde fazer isso comigo?! Agora todos riam da minha cara. Eu não podia nem ao menos pisar no Ridgeway que eu era alvo de piadas.

Mesmo assim, eu.. Eu não conseguia sentir raiva dela. Ela era minha melhor amiga. Apesar de me agredir, e me humilhar constantemente, eu não conseguia sentir raiva. Só vergonha.

Então eu ouço batidas no vidro. Quem pode ser? Olho pra trás e lá estava ela, com a pior cara que eu já vi. Uma mistura de arrependimento e tristeza.

– Sam? – não acredito que ela realmente tinha aparecido aqui.

– Oi. Posso..? – ela fez menção pro canto da janela, querendo se sentar.

– Ah! Claro. Como me achou aqui? – Sentei-me de frente pra ela, na escada.

– Não sei. A Carly te procurou por toda parte, e eu pensei que talvez estivesse aqui. Eu venho aqui ás vezes também. É um lugar calmo. Bom pra pensar. – ela disse indiferente.

– É. – concordei.

Ficamos em silêncio por minutos. Não parecia que ela iria dizer alguma coisa, e eu não sabia o que dizer.

– Olha.. Me desculpa. – ela disse, de repente.

– Pelo quê? – perguntei.

– Por.. Contar pra todo mundo que você nunca beijou. – ela parecia triste. – ...e por colocar molho de queijo no seu frasco de shampoo. – ela brincou. – ...e por mandar seu celular pro depósito. – eu ri. – Por tudo, tá bom? – ela parecia muito sincera.

– Então.. Isso quer dizer que você não vai mais mexer comigo?

– Não, eu vou continuar mexendo contigo e te perturbando. Só vou me desculpar de vez em quando pra poder começar do zero. – ela sorriu.

– Que bom. – eu ri.

– Bom?

– É! Seria muito estranho se você não fizesse da minha vida um inferno o tempo inteiro. – ela riu. – Mas.. Sabe.. Talvez você pudesse pegar um pouquinho mais lev-

– Eu acho que não. – ela me cortou.

– É.. Nem eu.

Ficamos em silêncio de novo.

Ela suspirou. – É tão ridículo.

– O quê?

– Sabe.. Como as pessoas ficam preocupadas por causa do primeiro beijo. Tão idiota.

– Então.. Você nunca beijou ninguém mesmo? – perguntei. Não entendia o porquê. A Sam era uma garota tão legal, e ela era muito bonita também.

– Nop. – ela ficou pensativa. – Sabe.. Às vezes eu.. Queria poder me livrar disso.

– É, eu também.

– Né? Só pra tipo, eu parar de me preocupar.

– É.. – eu ri. De repente pensei em como seria.

– O que foi? – ela perguntou.

– Nada..

– Me fala. – ela pediu.

– Não.. É besteira.

– Fala! – ela insistiu.

– Tá bom! Eu só ia dizer..

– Que nós devemos nos beijar? – ela levantou uma sobrancelha e deu um sorriso de canto.

– É-é.. Vai quebrar meu braço agora, né?

– Não. – ela disse, pensativa.

– Bom.. Então.. Devemos? Só pra.. Só pra nós dois podermos acabar com isso?

Ela suspirou.

– Hm. Só pra acabar com isso?

– Só pra acabar com isso.

– E você jura que vamos voltar a nos odiar assim que acabarmos? – ela se sentou perto de mim.

– É claro! E não vamos contar pra ninguém.

– Nunca. – ela assentiu.

Fiquei olhando pra ela, eu não sabia direito o que fazer. Meu coração batia freneticamente enquanto eu pensava no que estávamos prestes a fazer. Ela.. Ela era tão bonita. Mesmo com seu jeito agressivo, ela conseguia ser incrivelmente doce, ás vezes. Isso que eu mais admirava na Sam. Ela era completamente imprevisível.

Ela olhava nos meus olhos, e eu pude ver a insegurança neles, tanto quanto pude ver a decisão. Ela queria aquilo. E eu também. Olhei pros seus olhos novamente, e então pros seus lábios. Tão convidativos.. Já chega. É agora.

Me inclinei lentamente, meu rosto chegando cada vez mais perto do dela. Se eu disse que meu coração batia forte antes, esqueça. Ele batia cinco vezes mais rápido, agora. E então, toquei meus lábios suavemente nos dela.

Aquilo era.. Incrível. Eu podia ouvir seu coração batendo, na mesma velocidade do meu. O vento leve batia no meu rosto, que estava quente. Era, com certeza, a melhor coisa que já senti. Levemente, nossos lábios se separaram.

Olhei pra ela. Ela me olhava, confusa. Eu não faço ideia do que se passava na mente dela agora, mas eu daria tudo pra saber. Ela.. Ela tinha gostado?

– O-olha.. Isso foi.. – eu tentei dizer.

– Bom.. – ela disse, corando. Eu nunca a tinha visto assim antes, o modo como suas bochechas estavam vermelhas, aparentando estarem tão quentes. Era simplesmente adorável.

– É.. Bom.

– Parabéns. – ela disse.

– Pra você também. – então ela se levantou e já ia saindo pela janela. Eu.. Eu não podia deixar ela simplesmente ir embora assim. Eu.. Eu tinha que dizer alguma coisa. Eu tinha que, de alguma forma dizer pra ela o que eu senti. Mas nem eu sabia o que sentia ao certo.

– Hey. – a chamei.

Ela se virou.

– Eu te odeio. – sorri gentilmente.

Ela levantou as sobrancelhas, e sorriu de volta.

– Também te odeio. – e se foi.

Fiquei ali, pensando no que aconteceu, e de uma forma estranha, eu me sentia feliz.

Graças á ela.. Eu estava.. Feliz.

– Flashback OFF –


Eu acordei meio atordoado, sem ter muita noção de onde eu estava. Quando olhei pros lados, eu estava no quarto da Carly. Ah, foi um sonho. Ou melhor, foi o melhor sonho de todos.

Lembrar daquele dia, com tanta clareza, me trouxe uma paz inexplicável. Obrigado, subconsciente. Aquele sorriso bobo não saía do meu rosto.

Foi a voz dela que me tirou dos meus pensamentos.

– Não.. N-não. – olhei pro meu lado, e a Sam se mexia freneticamente, com a testa franzida.

– Sam?

– Não.. Não! Por favor.. Não vá embora. – ela quase chorava.

– Sam?! Sam, olha pra mim. – foi quando percebi que ela ainda dormia. Estava tendo um pesadelo.

– Freddie. – ela sussurrou meu nome.

– Estou aqui.

– Não vá embora, por favor. Não me deixa. – ela se virava constantemente no saco de dormir.

Eu não sabia exatamente o que fazer. Não queria acordá-la, só acalmá-la. Então envolvi meus braços ao redor do seu corpo, protetoramente.

– Eu.. Eu.. – ela sussurrava.

– Shhh. Eu estou aqui. Estou com você. – sussurrei no seu ouvido.

Ela se aconchegou no meus braços.

– Apenas.. Apenas fique. Não vá embora. – ela implorava. A essa altura, eu não tinha certeza se ela sonhava ou estava acordada, mas eu só sentia que ela precisava de mim.

– Nunca. Eu estou aqui, Sam. Nunca irei. – ela suspirou.

Ela lentamente se acalmou. Se aconchegou mais em meus braços e caiu num sono profundo novamente. Tranquilo, dessa vez.

Eu olhava pra ela, e não sabia o que via. Eu nunca tinha visto ela daquele jeito, tão frágil, desprotegida. Ela parecia tão inocente dormindo. Tão doce. Suspirei. O que essa garota estava fazendo comigo? Eu não devia me sentir assim. Digo, era ela. Era eu. Éramos.. Nós. Não agíamos assim. Nunca o fizemos.

Talvez as coisas estivessem realmente mudando. Me lembro que há poucos meses atrás eu não a suportava. Hoje.. Eu simplesmente não consigo imaginar a minha vida sem essa loira. Sem ela.. Seria tudo tão sem graça. Sem cor. Sem emoção. Sem.. Sem sentimento.

Por Deus.. Como chegamos á esse ponto? Não suportávamos a cara um do outro, não passávamos um dia sequer sem brigar. Era uma espécie de jogo. Um jogo imaturo que jogávamos desde o 6º ano. E é impossível parar. Eu não posso, e não consigo me comunicar com ela de uma maneira diferente.

Estávamos tão acostumados a detestar um ao outro.. Que com o passar dos anos, agir de forma contrária se tornou difícil. Quase impossível.

Eu até gostava de como as coisas eram, era divertido. Pra quem olhasse de fora, tinha certeza que pareciam apenas dois jovens infantis brigando. Mas pra nós dois era muito mais complexo que isso. Era uma competição constante, sempre um tentando provar ao outro que era melhor. Que podia mais. Que um tinha o que o outro não poderia ter.

Isso nunca tinha fim. Não existia um prêmio. E eu não me importava de perder a 'partida'. O simples fato de vê-la sorrindo, maliciosa e vitoriosa pra mim, toda vez que ganhava alguma discussão, fazia o meu dia.

Eu não tinha raiva dela. Nunca tive. Quer dizer.. Eu tenho. Um pouco. Mas não dela em si. E sim o que ela faz. O que ela me faz. É.. É estranho. Ela me faz sentir bem, e mal ao mesmo tempo. Ela me agride, verbal e fisicamente, e claro que dói. Mas eu não ligo. Nunca realmente liguei. O simples fato de ter a atenção dela voltada pra mim, nem que fosse em um punho, me satisfazia.

É doentio, mas eu adoro isso. Mas.. Depois de tudo isso, depois de hoje, eu não sei realmente se isso me satisfaz mais. Eu não sei muito bem o que a Sam é pra mim. Tudo o que eu sei é que eu preciso dela.

E com ela aqui, agora, nos meus braços, eu sinto que ela precisa de mim também.

Olhei pro seu rosto novamente, e ela tinha um leve sorriso estampado nos lábios. Afaguei o seu cabelo. Eu só queria que esse momento durasse pra sempre. Queria prolongar isso até amanhã, e depois. Queria que ela precisasse de mim sempre, tanto quando ela aparenta precisar nesse momento. Eu estaria sempre aqui por ela. Estaria sempre aqui, pra ela.

Suspirei. Acho que ela conseguiu a vingança que tanto queria. Nesse momento, eu era dela. Apenas dela.

Ela se mexeu levemente no meu peito.

– ... bons sonhos, Princesa Puckett. – beijei o alto de sua testa e aconcheguei ela em meus braços.

Adormeci novamente, num sono profundo e sem sonhos.

Notas finais
Então.. gostaram? *o*
Quero reviews, hein u.u
Sugestões, sempre bem-vindas. (: