Notas iniciais
Oláaa! Como estão?
Bom, a ideia de escrever essa one surgiu de uma forma bem aleatória e eu pensei que seria bom "passar para o papel" e ver no que ia dar. Espero que gostem do resultado e tenham uma boa leitura! ♥

A classe estava agitada; todos falavam sobre o último discurso que haviam escutado. Mas em uma das carteiras, a pequena Amelia aguardava silenciosamente que a professora anunciasse sua vez. Era uma sexta-feira, que antecedia o domingo em que é comemorado o Dia das Mães, e cada aluno estava ali com suas respectivas mães. Naquele ano, os professores haviam se reunido e decidiram que seria legal fazer algo diferente para as crianças: elas iriam falar um pouco sobre suas mães e desejar coisas boas para todas. Serviria também para ajudá-las a ir perdendo o receio de falar em público ou o medo de situações parecidas. No final, teriam algo como uma pequena festa.

—Muito bem, crianças, agora silêncio! — a Sra. Cooper pediu e obteve o que desejava. Mudando a direção do seu olhar, perguntou. – Preparada, Amelia? Sim? Então, pode vir.

A menina acenou com a cabeça mais uma vez e se levantou, indo parar em frente a todos, em cima de um palco improvisado. Tinha agora oito anos e a cada dia se parecia mais com sua mãe, exceto pelos olhos, tão azuis que quase não pareciam reais. Suas mãozinhas se entrelaçavam, enquanto movia o corpo de um lado para o outro, fazendo seus pequenos cachos castanhos balançarem também: estava nervosa. Havia ensaiado para aquele dia muitas, muitas vezes em casa, mas, ainda assim, custou a conseguir controlar seus batimentos cardíacos. Não podia desistir agora, afinal, queria estar ali, queria dizer tudo o que tinha para dizer. Era importante demais para que não o fizesse.

—Amelia? — a voz da Sra. Cooper a impediu de mergulhar mais em pensamentos. – Está pronta, querida?

—Ham... sim. — respondeu, voltando o olhar para todos da sala. Aquele completo silêncio a amedrontou um pouco, mas precisava continuar. — Olá. Meu nome é Amelia Beckett Castle. E hoje eu irei contar para vocês um pouco sobre a minha mãe, Katherine Beckett. Alguns de vocês já devem ter ouvido falar sobre ela. – disse e viu que algumas mulheres assentiram com um gesto quase imperceptível. – Ela trabalhava para a polícia de Nova York, em Manhattan, como uma detetive de homicídios e era muito boa no que fazia. A melhor, na verdade. — deu um pequeno sorriso nervoso, e recebeu vários outros como resposta. — Mas ela não era perfeita, é claro, e, para falar a verdade, isso é o que eu mais gosto sobre ela: o que a fez imperfeita, e a transformou na pessoa que era. Ao mesmo tempo em que era forte em todos os sentidos, era também insegura, tinha medo. Ela perdeu a mãe quando ainda era jovem, e o culpado saiu ileso. Esse é o porquê de ela ter seguido o caminho que seguiu. Seu objetivo era trazer justiça para todas as famílias, enquanto não era possível fazê-lo para si mesma. Por mais difíceis que fossem os casos, ela não desistia, ia atrás da verdade de todas as maneiras que pudesse e essa é uma característica que eu espero ter herdado. Ela salvou muitas vidas. Não é incrível? É muito bom pensar que era assim que ela passava os seus dias.

—Você quer ser como ela quando crescer? – uma de suas colegas de classe perguntou, num tom de voz que deixava clara toda a sua inocência.

Amelia agradeceu internamente: isso iria ajudá-la a se acalmar um pouco mais.

—Você quer dizer, uma detetive?

—Sim.

Isso, não acho que eu tenha herdado. – sorriu. – Mas, quem sabe... — e voltou ao que falava antes. – Mas havia também outros pontos. Minha mãe era uma mulher muito interessante, mas também complicada. E é aqui que entra o meu pai. Eles se conheceram durante um caso, e ela despertou nele a inspiração para escrever um novo livro. Sim, ele é um escritor. E ele a usou como sua “musa”. Minha mãe simplesmente não conseguia suportar a presença dele, porque ele confundia os seus sentimentos. Ninguém me disse isso, mas eu sei. — riu. — É realmente engraçado imaginá-los assim, como duas crianças discutindo pelos corredores da delegacia onde ela trabalhava, fazendo apostas, alfinetando um ao outro. É quase inacreditável como consigo montar esse cenário em minha mente, escutar a voz dela, sua risada... Às vezes me pego imersa nas memórias que meu pai transmite para mim, e é como se eu realmente pudesse vê-la. – fez uma pequena pausa, e respirou um fundo. – Uma parceria incrível foi sendo criada entre eles ali, naquela delegacia, e fora dela. Resolveram muitos assassinatos juntos. E meu pai foi vendo-a mudar tanto em seu interior, quanto no exterior. Aos poucos, ela ia se abrindo mais e mais, deixando-o conhecê-la por inteiro. E então havia a relação entre eles. Acreditam que se passaram quatro anos, até que ela parou de lutar contra o amor? — o jeito como ela falou, fez alguns de seus colegas rirem. — Mas eu a entendo, acho. É preciso ter certeza, antes de nos tornamos comprometidos com algo, certo? Se realmente for importante? Ela precisava ter certeza de que podia finalmente amar. E fez a escolha certa. Com ele, minha mãe se tornou uma pessoa melhor a cada dia, lutando contra tudo de ruim que havia vivido em seu passado e esquecendo aos poucos. Mas algumas coisas são para sempre... — sua voz falhou e ela achou que iria chorar. Deixou seu olhar percorrer toda a sala, até que, encontrou um par familiar de olhos azuis a observando do lado de fora, através do vidro da porta. — Papai...? — sussurrou.

Ele sorriu e bateu levemente no vidro antes de abrir a porta.

—Sra. Cooper, seria um problema eu ficar aqui e assistir ao final?

Os olhares curiosos da classe alternavam entre um e outro.

—Claro que não, Sr. Castle. Fique à vontade. — sorriu e desviou o olhar. — Amelia?

A pequena demorou um pouco para retomar sua fala. Estava feliz por ter o seu pai ali, seria mais fácil continuar. Seu olhar ainda estava preso no dele.

—Você consegue. — ele falou, apenas movendo os lábios, ao que ela assentiu.

—Mas algumas coisas são para sempre. – repetiu. – Eu era apenas um bebê quando aconteceu, e estava em uma cafeteria com minha tia Lanie. Meus pais voltaram em casa para buscar algum brinquedo meu, porque meu pai havia insistido, e foram recebidos por alguém do passado. O homem estava armado. Meu pai foi atingido primeiro, e minha mãe tentou protegê-lo e a si mesma. Conseguiu, mas também ficou muito ferida, e não resistiu. Eu não sei exatamente o que aconteceu, ou por que aconteceu. Meu pai diz que ainda sou muito pequena para saber de tudo — um soluço escapou de sua garganta, e ela deixou algumas lágrimas rolarem. — Às vezes — recomeçou. -, quando repasso a sua história em minha mente, penso que tudo o que ela queria quando sentia medo, era poder correr para os braços de sua mãe e se sentir segura... e agora ela pode. Eu sei que sim. E sempre que o meu pai sente raiva por tudo o que aconteceu naquele dia, eu peço que ele olhe em meus olhos. Ficamos assim até que ele consiga enxergá-la em mim e eu consiga enxergá-la nele, e ela esteja presente em nós. Não foi minha culpa, ou dele, ou dela. E talvez eu ainda não consiga entender completamente, então apenas tenho certeza de que tempos sombrios vem e vão, mas aquele já passou. As coisas são como devem ser, certo? — parou por alguns segundos. — Hoje, eu quero agradecer à minha mãe, em nome de todas as famílias das vítimas que ela já ajudou. E em meu nome, por ter sido a pessoa mais “excepcional, enlouquecedora e desafiadora”, que eu poderia e realmente queria ter conhecido. — e sorriu para o Castle, em meio às lágrimas. — "Ela era extraordinária", é o que o meu pai sempre diz. E eu a amo muito. Feliz dia das mães, mãe. — completou num sussurro, olhando para cima.

Todos começaram a aplaudir. Amelia correu em direção ao Castle e pulou em seu colo, abraçando-o bem forte.

—Pode me levar para casa? — pediu baixo.

—Claro, querida. — pousava uma das mãos em sua cabeça, passando os dedos levemente em seu cabelo. Comunicou à professora que iria levá-la.

—Você criou uma menina incrível, Sr. Castle. — elogiou, após permitir que ela fosse embora.

—Obrigado.

Depois de já terem passado algum tempo dentro do carro, Castle percebeu que Amelia tinha o olhar perdido lá fora.

—Ei, você está bem?

—Apenas estava pensando sobre a mamãe.

—Também faço isso sempre. Você se saiu muito bem, filha.

—Você estava lá desde o começo?

—Sim.

Ela ficou em silêncio.

—Você tinha razão, como sempre.

—Sobre o quê?

—Você sabe. — falou como se o repreendesse por bancar o desentendido e revirou os olhos. Castle sorriu diante da tamanha semelhança entre ela e a Kate. Era como se pouco importasse a cor azul colorindo aqueles olhinhos que, na verdade, pouco ou nada tinham dele quando se tratava de expressões. – Ter falado sobre ela me ajudou muito. Estou feliz por ter feito isso. Você acha que ela está orgulhosa de nós?

—Eu acho, sim. Às vezes eu queria poder enxergar tudo como você. — confessou.

—Por que eu sou uma criança? — ele concordou. — E você não? Tem certeza disso, papai?

E ali estava o que ela tinha de Rick Castle.

—Bom ponto. — levantou uma das mãos para um high-five. — Você é uma perfeita mistura de nós dois.

Ela riu do modo como as palavras soaram.

—Obrigada. — e se deixou recostar no banco do carro. — Te amo, papai.

—Também te amo, kiddo.

Notas finais
see ya!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!