— Milo, por favor, não faça isso. — Disse o loiro encabulado.

— E qual o problema? Eu já disse que está tudo bem, ninguém vai nos ver, só relaxa...

A voz propositalmente aveludada do grego soou rente ao ouvido do menor à medida que as mãos ávidas lhe tocavam a pele com um desespero febril. Não demorou muito e a túnica que o mais jovem utilizava agora jazia sobre o chão, enquanto os lábios ávidos de Milo tratavam de sugar cada pedacinho da pele de alabastro do loiro.

— Não, não aqui! — Choramingou.

— Fica quieto, assim vão te ouvir, eu sei que você quer.... Olha como está duro. — Tornou o loiro com um sorriso cafajeste.

Sem conseguir resistir às investidas do maior o loiro guiou a destra até os lábios, mordendo a pele em uma atitude desesperada para conter os gemidos que já teimavam em escapar, em consequências os grunhidos eram abafados. Em contrapartida Milo parecia à vontade com aquele tipo de situação, os lábios primeiramente envolveram os pontos rosados que eram os mamilos do Hindu enquanto as mãos deslizavam para as nádegas do mesmo, apertando com vontade a carne durinha e desejável. Continuou usando a língua a fim de tirar quaisquer resquícios de sanidade do loiro que amolecia em seus braços. Por dentro o escorpião sorria vitorioso, sabia que bastaria apenas um pouco de insistência e Shaka Devraj Phalke cairia em suas graças. Era irresistível afinal, Shura estava errado, não importava o quão fosse diferenciada a educação e os preceitos de ambos, no fim a luxúria sempre cantava vitoriosa prova disso foi o gemido nem um pouco casto que o belíssimo loiro soltou quando os lábios ávidos tomaram seu membro com volúpia. O grego utilizava a língua iniciando uma felação digna de um Oscar, sugava e envolvia a glande do menor chupando-o com vontade. Enquanto seu amante relaxava no estofado e abria as pernas, pôde sentir uma das mãos do loiro agarrando seus cabelos com desespero enquanto jogava a cabeça para trás. Os olhos azuis tempestuosos encaram a face rubra do Hindu perdendo-se nas expressões deliciosamente eróticas que ele próprio não tinha noção. Shaka era uma verdadeira obra de arte, era verdade que fazia o tipo de rapaz recatado e cheio de manias e acreditava em tradições, e mais parecia um anjo com seu par de belos olhos azuis e cabelos extremamente longos e trigueiros. Sua face demonstrava a pureza da qual era dotado e por algum motivo Séferis via-se compelido a macular aquele ser e fazê-lo descer de seu pedestal e vivenciar os prazeres da vida como um reles mortal.

— Milo hnn... — Gemia e se contorcia quase ao ponto de perder a noção de onde se encontrava. — N-não... assim eu vou.... Eu... — Estremeceu diante do orgasmo avassalador que ameaça explodir.

— Shhh... — Pediu o modelo enquanto se erguia e abria o zíper da calça expondo o membro já rígido e pulsante. — Vira...

Shaka apesar achar constrangedor aquele tipo de situação sabia que Milo não desistiria de ter o que queria e ele próprio já ardia num desejo incontrolável. Portanto, decidido a acabar de vez com aquela agonia, ajoelhou-se sobre o estofado usando o encosto como apoio e abriu as pernas expondo-se ao grego. Quase gritou quando a língua impudica e imoral invadiu-lhe a intimidade atirando-o num vórtice de prazer insuportável. Cravou as unhas no estofado enquanto as mãos do outro abriram suas nádegas expondo a cavidade apertada e a língua o violava sem pudor algum. Só sabia gemer e logo para sua agonia o grego invadiu-lhe o corpo com o dedo médio e não demorou em adicionar um segundo digito golpeando-o sem dó na próstata. Estremeceu e mordiscou o lábio inferior com força a fim de conter os sons libidinosos que lhe queimavam a garganta. — Ahh... Milo vem, eu te quero dentro... — Implorou perdido naquelas sensações que ameaçavam enlouquecê-lo.

— Seu desejo é uma ordem... — Ditou o grego ao pé do ouvido do loiro, enquanto a língua deslizava por trás da orelha dele, mordiscando-lhe por fim o lóbulo da mesma.

O loiro guiou o membro já ereto até a entrada do amante e encaixou a glande deixando um gemido de puro prazer escapar por entre os lábios. E então com um único golpe adentrou aquele corpo apertado que o fazia perder o controle. Os gemidos do outro soaram entre dor e prazer o que incitou o rapaz a movimentar os quadris iniciando os movimentos de penetração. Agarrou os cabelos loiros forçando-o a inclinar a cabeça para trás enquanto ondulava os quadris de forma circular aumentando a pressão dentro do corpo do menor que o apertava deliciosamente. — Gostoso... — Volveu deliciado enquanto cobria a boca do decorador com a própria, o osculo se iniciou voluptuoso e possessivo. Praticamente devorava aquela boca maravilhosa enquanto se arremetia firme e forte contra o corpo tremulo do rapaz. Adorava transar com Shaka, ele tinha aquela pose blasé e cheia de pudores, mas entre quatro paredes conseguia convertê-lo num devasso incontrolável. Sorriu dentre o ósculo quando o menor arremeteu os quadris para trás acompanhando-o nos movimentos, e então, com a destra tomou-lhe o falo negligenciado e começou a estimular ao mesmo tempo em que o empalava. Logo as bocas se desconectaram e os gemidos soaram em conjunto. Cada qual com uma tonalidade diferenciada.

— Milo, mais forte, vai... — Choramingou o loiro enquanto movia-se em busca de maior prazer, naquela posição podia sentir o maior golpeá-lo na próstata e era impossível deixar de admitir que adorava tê-lo dentro de si.

— Assim? — Moveu os quadris com força, entrando mais fundo.

— Ahhh... Sim... assim, isso, assim mesmo, continua... Por todos os Deuses eu... Oh Milo... — Semicerrou os olhos sentindo o orgasmo cavalgando-o com gosto.

— Isso... que delicia, está me apertando tanto... isso goza para mim, Shaka... goza... — O loiro disse sensualmente enquanto tornava as arremetidas mais sincrônicas. Ele próprio estava prestes a gozar e ter o loiro estreitando-o internamente o enchia de prazer, lambeu os lábios sentindo de repente a garganta secar e um gemido estrangulado do menor denunciava o orgasmo gostoso que o assolava. E que ao mesmo tempo também enchia o modelo de puro êxtase visando que os músculos internos já naturalmente apertados do menor se estreitavam ainda mais praticamente esmagando-lhe o falo. Moveu os quadris mais forte enterrando-se completamente e então se derramou dentro dele ao mesmo tempo em que o loirinho gozava em sua mão.

— Milo, olha só o que você fez... — Shaka resmungou ao sentir o outro saindo de dentro de si, ergueu o corpo do estofado embora suas pernas tremulassem visivelmente. Não demorou a sentir o líquido espesso e esbranquiçado escorrendo por entre as coxas. — Você tem noção de onde estamos? — Indagou colérico, enquanto procurava algo para se limpar. A verdade é que odiava quando Milo fazia o que queria e onde queria, não que fosse inocente, isso não era, ao menos não mais, pois já fazia cerca de um mês que havia iniciado aquela relação com o modelo grego.

— Relaxa Shaka, vem cá... — Estava cansado, mas não o suficiente para negligenciar aquele loiro resmungão, ergueu o corpo e puxou-o para o próprio colo. — Não se preocupe, vamos descansar um pouco. — Esfregou o nariz na curvinha do pescoço do Hindu sentindo-o estremecer e então um sorriso cafajeste adornou-lhe a face bonita. A destra deslizou pelo abdômen lisinho até chegar próximo ao falo do menor e então o envolveu acariciando-o devagarzinho.

— Já basta Séferis! Você por acaso só pensa em sexo? Está no cio? — O loiro tentou se soltar, inutilmente já que o braço do grego o mantinha deliciosamente cativo. — Sério, aposto que todos já notaram a nossa ausência. Isso pode virar um grande escândalo, temos que ir. Isso é um escritório Milo, como pode pensar que seria um lugar apropriado para... para... esse tipo de atividade? — O Hindu corou, ainda não estava acostumado a lidar com aquele tipo de situação de forma simplista. Embora seu nariz ainda continuasse de pé e ostentasse a mesma aura quase divina que o circundava. Mas quando estava a sós com o modelo se via desnudo daquela máscara de austeridade e indiferença que sempre utilizava. Era difícil resistir a ele, Shaka sempre foi um rapaz muito bem-educado e jamais se deu ao desfrute. Agora se sentia um tanto frustrado, certamente se seus pais soubessem da relação que tinha com o modelo seria escorraçado.

— Está bem, eu já entendi, mas daqui vamos ao meu apartamento, não é? — O loiro se ergueu e ajeitou-se, guardando o membro dentro das próprias calças.

— Eu não sei... acho que seria bom que nos víssemos com menos frequência. Está certo que temos trabalhado juntos, mas já imaginou se alguém nos pega juntos em sua residência? Que tipo de trabalho faria de madrugada no seu apartamento? Eu não quero te causar problemas e também tem os meus pais... — O loiro pegou a túnica e jogou de forma displicente sobre o próprio corpo enquanto se sentava no estofado.

Ambos pareciam distraídos enquanto conversavam e não foi à toa que não perceberam que a porta estava levemente entreaberta, bem, não perceberam até aquele exato momento, pois vários flashes invadiram o cômodo causando comoção em ambos. Milo que estava completamente vestido se ergueu e tentou alcançar o fotografo, mas quando correu até próximo à saída havia muitas pessoas circulando inclusive outros fotógrafos que tiraram outras fotos e alguns repórteres que mais pareciam abutres e não demoraram em ir na direção do grego enchendo-o de perguntas.

— Por favor, senhor Séferis, é verdade que o senhor vai aceitar fazer uma ponta em um filme no inicio do mês que vem? — A repórter sorria enquanto observava aquele homem belíssimo e com uma expressão amarrada.

— Senhor Séferis, quando será seu próximo desfile? — Outro repórter se pronunciou.

— É verdade que a empresa Versailles está interessada em tê-lo como modelo exclusivo? — Perguntas e mais perguntas e então logo dois homens imensos utilizando ternos interpelaram o zumzum afastando os repórteres e o loiro escapuliu.

— Senhoras e senhores, por favor, eu responderei todas as perguntas. — Um jovem de longos cabelos também loiros surgiu com um sorriso gentil e pratico.

Aquele era Saga Séferis o agente e irmão de Milo. Subitamente os repórteres pareceram perder o interesse na aparição inusitada do jovem e correram para cercar o recém-chegado.

–------ ••• -------

— Milo, o que vocês tinham na cabeça? — Saga exasperou-se e então atirou o jornal na frente de ambos. Estava furioso! Era óbvio que tinha que estar, logo pela manhã fora interrompido em sua ida ao trabalho por um bando de repórteres perguntando se estava confirmado o envolvimento de Shaka Devraj Phalke com seu irmão e agenciado.

— Senhor Séferis eu... eu sinto muito! — O loiro parecia ter perdido completamente o juízo, quem o visse certamente imaginaria que aquele não era o mesmo Shaka, pois mais parecia uma criança perdida.

— Saga, não ferra! Isso é culpa daqueles brutamontes inúteis que você contratou! Não era para impedirem que esses vermes entrassem sem ser vistos? E se fosse um perseguidor, hein? Você não pode me culpar pela incompetência de outra pessoa! — Vociferou o loiro erguendo-se também e ambos se encararam como se estivessem próximos a se matar.

No jornal o rosto de ambos, aliás, quem dera fosse simplesmente o rosto estava exposto e com uma manchete falando sobre o envolvimento homossexual de ambos. Shaka sentia-se perdido, sabia que se aquela história chegasse até os ouvidos dos pais nunca mais poderia voltar para casa, sem falar que seu futuro estaria perdido. Sentiu os olhos marejarem quando o celular tocou pela vigésima vez aquela manhã e no visor vislumbrou a foto do pai, com uma expressão sempre séria.

— Pelo amor de Deus atenda essa droga de telefone! — Saga ordenou enquanto caia sentado na cadeira e massageava as têmporas.

— Não posso, é o meu pai! Ele vai me matar. — O loiro olhou desesperado para Milo e viu-o coçar a cabeça num gesto de típico nervosismo e por fim, Saga tomou-lhe o aparelho das mãos e atendeu.

— Não, aqui quem está falando é Saga Séferis, perdão senhor Devraj, Shaka está indisposto no momento, será que poderia ligar depois? — Tentou uma abordagem sutil, quem sabe a preocupação de um pai pudesse suplantar a fúria diante de uma notícia como aquela. — Não senhor, isso é apenas uma fofoca maledicente, não se preocupe. Resolveremos o problema.

Shaka se levantou e começou a andar de um lado a outro o ambiente começou a se tornar pequeno demais, de súbito uma vertigem o acometeu fazendo-o tombar e só não foi ao chão porque sentiu os braços de Milo amparando-o.

— Calma Shaka. — Milo tentou ser convincente, mas o que ganhou foi um olhar mortal do loiro, que se virou e empurrou-o com fúria.

— Calma? É isso que tem a me dizer? Você sabe o que vai acontecer agora? Meu pai vai me deixar na rua! Sem eira e nem beira, ele nunca mais vai me perdoar e tampouco vai permitir que eu veja minha mãe! Tudo isso porque você não podia esperar um pouco mais. Que inferno, Milo! Por que fez isso comigo? Minha carreira já era eu não passo agora de um... De um michê! — Murmurou desolado e irritado.

— Pelo que ouvi dizer a família Drevaj Phalke é cheia de tradições e por todos os Deuses, mesmo eu tendo uma mente liberal eu não suportaria um escândalo desses. — Obviamente já havia desligado o celular, mas ao escutar o tom de voz irado do Phalke mais velho já tivera a certeza de que não seria fácil convencê-lo.

— Não me venha com essa Saga, já disse que a culpa foi daqueles seguranças inúteis que você contratou, eu quero que os despeça agora mesmo! Como espera que eu confie minha vida na mão daqueles incompetentes? — Disse.

— Está certo quanto aos seguranças, mas está errado na situação! Eu já disse para você guardar isso dentro das calças e tentar ser profissional. — Saga rebateu sem piedade, mas arrependeu-se ao ver a face horrorizada de Shaka. — Não estou dizendo que você seja um qualquer... O que eu quero dizer é que Milo devia levar a sério os horários de trabalho, não tem nada impede vocês de serem amantes, mas, por favor, tinham que sair no jornal?

— E o que sou então? Meu pai nunca vai me perdoar, olhe para isso! — Pegou o jornal e apertou com força. — Estou exposto aqui como se fosse um criminoso, não, pior que isso! Como uma prostituta pega em flagrante!

— Eu vou dar um jeito nisso, vou conversar com os seguranças e descobrir o que aconteceu de fato aquela área era restrita e não deveria ter nenhum fotógrafo. Eu te aconselho que vá para o hotel e não fale com ninguém, entendeu? Não responda nenhuma pergunta, mais tarde converse com seu pai e tente expor a situação...

Um riso baixo chamou atenção de ambos para o modelo.

— Não acredito nisso, é óbvio que eles foram comprados! Eu quero processar esses imbecis, ligue para o Kanon e diga que eu quero que arranque até o ultimo centavo desses malditos seguranças! E quando encontrar o engraçadinho que tirou essa foto eu vou arrancar a cabeça dele! — Um baque surdo irrompeu o ambiente deixando ambos a sós.

— Escute Shaka até agora as coisas têm sido simples, mas não vou mentir, se prepare para vivenciar o inferno. Vão seguir você, tentar arrancar qualquer palavra sua e é até perigoso que ande sozinho, bem sabe que Milo é um homem famoso e pode ser que algum fã radicalista tente alguma coisa contra sua vida. Então aguarde aqui, chamarei alguém de minha confiança para levá-lo para o hotel e vão manter guarda na porta até que isso se resolva.

O loiro deixou o prédio arrasado e não demorou a ser interrompido em seus devaneios por incontáveis flashes e uma enxurrada de perguntas cretinas. Dias foram se passando e as coisas só pioravam, se em outrora a manchete do jornal havia causado comoção, agora várias revistas expuseram a foto, até mesmo uma nota no jornal da tarde a respeito do caso de ambos nas fofocas sobre famosos. Shaka infelizmente teve que encarar o pai, foi terrível, o homem disse poucas e boas, cortou sua verba e disse que ele estava proibido de voltar à Índia. Já que ele havia optado por aquela vida leviana e suja, que se virasse para viver sozinho, pois dele não teria mais um centavo. Isso foi doloroso, foi um golpe terrível, mas o pior de tudo foi ouvir da boca do próprio pai que não o queria mais como filho e que preferia que ele jamais tivesse nascido.

–------ ••• -------

— Eu não acredito. — O espanhol riu enquanto observava o amigo bebendo seu quinto copo de uísque.

— Não acredita? E de quem você acha que foi a culpa? Se não tivesse feito aquela aposta estúpida nada disso teria acontecido.

Milo estava sentado no balcão bebendo desde que a comitiva com a imprensa terminara. Saga o fez se retratar publicamente com a família Devraj e dissera que aquela situação foi um enorme mal-entendido. Claro que as fotos eram uma prova de que aquela conversa toda não passava de uma tentativa desesperada de mudar o foco dos holofotes, mas era fato que no mundo do show business e assim como em outras várias áreas da vida o que mandava era o dinheiro. E isso, Séferis tinha de sobra, além é claro de um ótimo advogado que estava disposto a arrancar tudo de quem ousasse contestar as explicações com um belo processo. Os caminhos de Séferis e Devraj se cruzaram devido um desfile que seria feito com uma abordagem diferenciada. A família do loiro era dona de uma empresa que organizava eventos e era responsável por decorações exóticas, no caso, Shaka viera da Índia especialmente para auxiliar Saga naquela jogada arriscada, claro que o desfile foi um sucesso. Milo sempre foi um conquistador nato e ao vislumbrar a figura recatada de nariz em pé resolveu que iria levá-lo para cama de qualquer maneira. Em um momento de tédio Shura propusera à Milo que fizesse tal façanha em uma semana e para o Grego aquilo foi simples. Achava que a história terminaria ali, pois após os desfiles acabarem Shaka retornaria ao país de origem e fim, porém não estava preparado para vivenciar aquele flagra que tiveram e agora depois da notícia se tornar uma bomba sensacionalista ambos estavam fodidamente ferrados.

— Ora, você não pareceu nada incomodado em dar continuidade à brincadeira. A verdade é que Saga tem razão, embora eu ache que seu irmão precisa relaxar, ainda assim você passou dos limites. Era uma festa Milo, a imprensa estava toda lá, não podia ter esperado até chegar em casa? — Indagou divertido enquanto entornava uma dose de tequila.

— Cala a boca!

Ambos permaneceram ali no bar conversando amenidades até que o celular de Milo tocou, na verdade, tocou pela décima vez durante aquele período. Shura Aguille era também modelo e conhecera Milo em um desfile que fizera na Espanha há dois anos, o entrosamento de ambos na passarela fora um sucesso tão grande que Saga correu atrás do contrato do Espanhol e agora ele também era agenciado pelo Grego. Ambos se tornaram amigos muito rápido, afinal, tinham muito em comum, principalmente a vida boemia que levavam, outro que também se dava bem com ambos era Kanon, advogado e irmão gêmeo de Saga.

— Eu tenho que ir. — O grego murmurou baixo enquanto terminava de beber o último copo da noite e o que simbolizava o fim da garrafa de Green Label.

— Claro! Agora que está casado precisa chegar em casa cedo, senão vai perder as bolas! — O espanhol gargalhou ao ver a expressão de ódio que o companheiro lançava. — Ah, não faz essa cara! É a verdade, não é? Agora você está praticamente casado!

— Muito engraçado Shura! Vá se foder! Você não entende o dilema que estou vivendo, ele está sem nada, eu posso até ser um crápula, mas não posso deixar o garoto na rua. Ele recém completou dezoito anos de idade e os pais dele não o aceitam de volta e para piorar a situação ainda cortaram toda a verba... — De má vontade retirou algumas notas da carteira e jogou em cima do balcão.

Estava péssimo, parecia enxergar tudo em dobro, mas recusou-se a aceitar a ajuda de Shura que mais ria e fazia comentários no mínimo irritantes do que outra coisa. Com muito custo permitiu que o amigo o colocasse em um táxi e optou por deixar as chaves do carro com ele, não tinha mesmo condições de dirigir, o espanhol garantiu que levaria o veículo até o apartamento assim que a festa acabasse. Aquela comitiva de imprensa fora uma idéia de Saga, mas também se passava em um coquetel para comemorar um dos muitos contratos que o Grego havia assinado, Milo por sua vez nem se importava muito com o assunto e não fazia idéia de para que empresa desfilaria dali para frente. Só queria ir para casa e dormir, mas sabia não ser possível, visando que encontraria com Shaka dali alguns minutos e tudo se tornaria uma nova discussão sobre horários e assuntos tão chatos que o faziam sentir uma prévia da ressaca que o assolaria no dia seguinte.

"— Milo, por que diabos você precisa enfiar seu pênis em tudo que se mexe? Sério! Você ficou louco? Sabe a que família ele pertence? Se eles resolverem entrar com um processo estaremos fodidos! Ele só tem dezoito anos!”

A voz de Saga inundava a mente do loiro que agarrando aos cabelos e com a cabeça enfiada no estofado do táxi parecia estar pronto para abraçar a morte. Tudo girava e seu estômago embrulhava de uma forma incomoda por demais. Não demorou mais do que trinta minutos e lá estava ele, na frente do apartamento que Shaka havia alugado com o restante das economias que lhe restavam. O lugar não era exatamente confortável, mas com o pouco dinheiro que havia restado para o Indiano se tornara perfeito. Ele era orgulhoso demais para aceitar o dinheiro que o loiro havia oferecido e isso só tornava a situação do modelo ainda mais complicada. Shaka queria um compromisso sério e só aceitaria ajuda caso estivessem vivendo juntos, obviamente Milo achava isso um absurdo, mas depois de tantos problemas a solução parecia à única saída. Teria que morar com o Hindu e cuidar para que ele tivesse uma vida digna, mesmo porque soubera de alguns atentados, apesar dos esclarecimentos ainda assim alguns fãs, principalmente o público feminino, parecia disposto a dar um fim à existência de Shaka. Quando adentrou o apartamento tudo estava escuro, caminhou trôpego até o sofá de dois lugares que havia ali e deixou a cabeça pender para trás. Afrouxou a gravata e atirou-a em algum lugar enquanto abria os botões da camisa social, se sentia quente e frustrado.

–------ ••• -------

— Onde você estava? — A voz trovejou raivosa.

— Apaga essa droga de luz!

O loiro devolveu enquanto tentava inutilmente tapar os olhos que estavam incomodados com a luz, porém Shaka não o escutou e tampouco parou de reclamar.

— Você sabe que horas são? E você está fedendo a álcool! Como se atreve a aparecer aqui nesse estado, você está querendo me matar de desgosto? — O loiro andava de um lado a outro, era notável como estava mais do que irritado.

— Não sei loiro... 3h00 da manhã? — Retorquiu debochado e um sorrisinho trocista adornou-lhe a face. — Nem deve ser tão tarde já que você ainda está acordado para tornar o resto da minha noite um inferno! Dá um tempo Shaka, que merda!

— Sim, são 3h00 da manhã! E o coquetel acabou 23h30min e você ficou por aí sabe Deus com quem e ainda chega em casa bêbado, quem você pensa que eu sou? — Parou em frente do grego e cruzou os braços, olhando-o como se ele fosse o pior homem da face da terra, todavia, ainda assim o outro não demonstrava abalos já que aquele sorrisinho irritante ainda complementava o visual sexy e arrojado. Milo Séferis era mesmo um cretino e vislumbrando-o mesmo numa situação daquelas era impossível negar o quão sedutor poderia ser. Mesmo quando estava sendo um desgraçado prepotente. — Dá para você tirar esse sorrisinho idiota da cara? Ao menos tente compreender o meu lado. Você sabe tudo que tenho passado para mim isso está sendo um inferno Milo! E eu fiz tudo por você!

— Você fala como se eu fosse o único culpado, não te vi reclamar em momento algum enquanto estávamos na cama! Dessa forma parece até que eu te estuprei e te forcei esse tempo todo, dá um tempo, eu estou tentando resolver as coisas, hoje mesmo dei uma entrevista e expliquei sobre o ocorrido, mas você tinha que confessar para o seu pai que temos um caso, não é? Esperava o quê? Que ele recebesse a notícia que o único filho dele é homossexual numa boa? Faça-me o favor Shaka! — O loiro se levantou e bagunçou os cabelos nervosamente, era uma mania, sempre que ficava irritado acabava fazendo isso.

— Relacionamento! — Exasperou-se. — Não temos um 'caso', Séferis! Caso você tem com essas rameiras que está acostumado, eu não sou um qualquer, não me trate como um. O que esperava? Que eu mentisse para as pessoas que me deram a vida? Além de ter passado esse vexame, ainda queria que eu me tornasse um mentiroso, é isso? — Shaka ergueu a cabeça e empinou o nariz, olhando-o de cima, estreitou os olhos e o encarou com aquela típica imagem superior que tinha naturalmente. Era como se fosse dotado de uma aura de arrogância indescritível e naqueles momentos não fazia questão de ser agradável, principalmente quando estava sendo contrariado. — Eu achei que você me amasse, mas você não passa de um cretino. Para você eu não sou nada além de mais um troféu, não é? Milo Séferis o irresistível... conseguiu levar para a cama o idiota sem graça aqui e agora quer me jogar fora como se eu não passasse de lixo.

Por um instante Milo encolheu os ombros e desviou o olhar, ele não estava errado, afinal, de fato tudo que fez fora conquistar o loiro. E, diante de tamanhas demonstrações de interesse, bem, ele correu atrás daquele homem como se sua vida dependesse disso, o queria e estava decidido a tê-lo, é claro que era natural que ele pensasse que o amava. E por todos os Deuses, aquilo não era um pecado, era? Querer ser amado? Ele era o errado ali e sabia disso, tinha que ter paciência e se responsabilizar por seus atos, pela primeira vez na vida queria fazer as coisas direito. Levantou-se do sofá e quebrou a distância de ambos os corpos, circundou a cintura do loiro o trouxe mais para perto. Os olhos fixos nos dele, ele era tão bonito, isso ele não podia negar, também tinha um coração gentil, embora não demonstrasse facilmente, queria poder amá-lo como ele queria, realmente desejava isso.

— Me perdoe. — Sussurrou gentilmente e deu um leve beijo nos lábios do loirinho. — Eu entendo você Shaka, farei o possível para que possamos dar um jeito nessa situação e sabe... eu pensei bem e eu acho que você tem razão, esse lugar não é agradável e nem seguro, se estiver tudo bem para você amanhã mesmo levaremos suas coisas para meu apartamento, pode vir morar comigo.

Aquela era a decisão correta e foi assim que finalmente viu um sorriso adornar os lábios do outro e dali foram tomar um banho juntos e depois fizeram amor até o dia raiar, só conseguiu pegar no sono depois das 6h:00min da manhã, ajudaria o loiro com a mudança na parte da tarde e agora só queria descansar. Foi com esse pensamento que pegou no sono, enquanto observava a imagem adormecida daquele que poderia até mesmo ser confundido com um anjo enquanto dormia.


–------ ••• -------

— Eu sabia que você já estaria de pé!

Um furacão loiro invadiu o quarto do ruivo, com um sorriso lindíssimo expresso no semblante. Aquela manhã em particular era realmente agradável na visão de Afrodite Laursen, um rapaz ambicioso com a cabeça cheia de sonhos, sonhos estes que começavam a se tornar realidade em parceria com Camus Versailles. Desde cedo seu sonho era revolucionar o mundo da moda com suas ideias pouco ortodoxas e na faculdade conheceu o ruivo que logo herdara a empresa de seus pais. Ambos eram um time e tanto e devido aos esforços que fizeram juntos agora a marca Versailles fizera sucesso e ganhara nome em todo o mundo.

— Bom dia, Afrodite. — O ruivo disse num tom frio enquanto terminava de ajeitar a gravata num imenso espelho.

— Bom dia, ótimo dia, dia perfeito! — O loiro volveu alegremente enquanto se jogava na cama do Frances.

— Saga assinou os papéis, finalmente Milo Séferis é nosso! — Disse.

O ruivo voltou-se para o amigo e olhou-o com o cenho parcialmente franzido. Não compreendia o motivo de tanto estardalhaço aquele horário, era fato que o tal Milo era um modelo muito bem visto no atual mercado, mas isso não era grande coisa, não é? Existiam muitos como ele, então não compreendia o motivo daquele sorriso imenso do outro.

— Sei... — Volveu sem muita animação. — Mas não chegamos a conversar direito, na verdade a proposta foi feita por você, mas ele sabe que esse desfile é beneficente?

— Tanto faz Camus! Não faça essa cara, vou ligar para ele agora mesmo e marcar um encontro. Assim você pode conhecê-lo e entender o motivo da minha alegria. — Com um salto o loiro se colocou de pé e discou o número particular do modelo. Estava esperançoso, ademais conhecia Camus bem o suficiente para saber que o amigo bem podia ser um gênio em finanças, mas ele precisava era se divertir, e na atual conjectura ninguém poderia ser melhor do que Milo Séferis, talvez ele fosse um desafio à altura para transformar aquela vida enfadonha do amigo em algo que valesse a pena.

Acordou pouco tempo depois sentindo a cabeça latejar, as doses de uísque que tinha bebido fizeram um efeito e tanto, ademais quando olhou para o relógio na cabeceira da cama constatou que eram 07h30min da manhã, quem diabos ligaria num horário como aquele? Não tinha tido chance de dormir nem duas horas! Pegou o celular de péssimo humor e arqueou a sobrancelha quando viu que o número era desconhecido.

— Alô, quem está falando? São 07h30min da manhã e hoje é sábado. Isso lá é hora de ligar para uma pessoa? — Foi ácido no comentário, pouco importava quem fosse não costumava acordar cedo, mesmo porque não conhecia o individuo.

— Para os negócios não tem horário, querido. Quem fala é Afrodite Laursen, sou executivo da empresa Versailles. Imagino que esteja a par de tudo, seu agente assinou um contrato com a nossa empresa, quero marcar um encontro com o senhor para resolver os detalhes e te apresentar ao meu sócio. Temos uma proposta irrecusável e se o senhor aceitar certamente terá a chance de revolucionar o mundo da moda, o que acha?

Ficou mudo no telefone enquanto ouvia aquela voz irritante tagarelar aquele horário, mas que droga era aquela? Agente? Saga? Sim, obviamente o irmão havia assinado outro maldito contrato, mas nunca fora ele a lidar pessoalmente com aquelas pessoas. Ele só tinha que desfilar, então por que aquele maluco estava ligando aquele horário para marcar um encontro? Demorou um pouco para compreender que aquilo não era uma piada. Limitou-se a ouvir a proposta do infeliz, embora tivesse vontade de mandá-lo as favas com o contrato, com o encontro e mais um pouco. Por ele mandaria o engomadinho para o inferno, mas sabia que isso no mínimo causaria uma sincope em Saga e não estavam exatamente bem depois da confusão que causou.

— Senhor Séferis ainda está aí? — A voz soou ansiosa.

— Infelizmente... — retrucou. — Versailles, é, eu acho que é essa empresa mesmo..., mas eu sinto informar que esse tipo de coisa você resolve com o meu agente e não comigo. E hoje é sábado, ele saiu da cidade a negócios, então poderia retornar na segunda-feira e resolver com ele.

— Impossível! Temos que resolver urgentemente. Precisamos que o senhor nos encontre na cafeteria Pallas, fica no centro da cidade, conhece? — Dite insistiu enquanto revirava os olhos.

O Frances de aproximou do sócio e rosnou baixo, obviamente o loiro havia colocado no viva voz e era notável a falta de interesse e profissionalismo daquele idiota. Quem ele pensava que era? Só porque era um modelo famoso tinha o direito de tratá-los daquela forma? Devia ser mais um estúpido, um riquinho mimado e cheio de manias que gostava de perder a vida na farra. Talvez por isso a voz soasse tão débil, provavelmente estaria de ressaca.

— Perdão? Você está na rua? Ou tem algum cachorro por perto? É que por um instante eu ouvi um rosnado... — rebateu o Grego um tanto confuso. — Não, olha eu já disse que não será possível eu...

Aquilo foi à gota d'água, Camus tomou o telefone da mão de Afrodite e então se colocou a falar. A voz era glacial e sem dúvidas a expressão também era, embora Séferis não pudesse vislumbrar a face do mesmo pelo telefone.

— Escute aqui, senhor Séferis o senhor tem 30 minutos para chegar ao local do encontro, entendeu? Caso não o faça processaremos a sua agência por quebra de contrato!

— Como é? Escuta aqui você ô seu merdinha, quem você pensa que é para me dar ordens? Faz o favor de passar o telefone para o senhor Laursen, porque eu não tenho tempo para perder com subordinados. — Devolveu igualmente irritado.

— 30 Minutos! E nem um minuto de atraso ou prometo que o senhor vai se arrepender pelo resto da sua vida. — Desligou.

— Mas que porra é essa?!

O loiro gritou e atirou o telefone na parede do outro lado do quarto. Nesse mesmo instante o amante que estava adormecido ergueu-se assustado e o encarou.

— O que houve? — Estava preocupado com a expressão do Grego, não era raro vê-lo perder a compostura, mas aquela em particular estava sendo realmente assustadora e parcialmente cômica. Milo bufava e o rosto estava vermelho de raiva. Os cabelos ainda bagunçados por ter acabado de acordar e os olhos brilhavam em uma fúria latente.

— O que houve? Eu vou te dizer o que houve… É hoje que vou quebrar o pescoçinho de um estagiário estúpido daquela porcaria de empresa Versailles.

Notas finais
Gostaria de agradecer a quem chegou até o fim. Espero que tenham gostado, humildemente peço a cooperação de vocês em relação aos comentários. Para que eu possa saber se devo ou não dar continuidade a história e se preciso ou não alterar alguma coisa. Desculpe se houverem alguns erros de português, mas não foi betado, tentei ao máximo evitar cometer gafes imperdoáveis. Agradeço a Sion Neblina pelos sobrenomes dos personagens.