Three dark brothers
19 Uma boa filha, ou quase
Notas iniciais
Haec missio habet puer,
Constituam tibi,
Curam eam, quaeso.
–ML
***
Não sei quantos anos você tem agora pequena Sam, mas uma hora ou outra você saberia disso.
Uma pequena recordação 1995
O coração palpitava do outro lado, lagrimas desciam.
–Sua filha não aguentou – falou o medico após uma longa hora na sala de espera.
–Como assim? – a informação ainda se triturava.
–Pulmões com muita água, ela não aguentou, pode contar isso a sua mulher?
–Claro que não posso, por favor, não conte!
–Quando mais tempo pior, terá um prazo de ate amanhã por hoje posso dar um jeito – suspiro. – Boa sorte.
Era uma menina, compramos roupas azuis e roxas, não sabíamos o sexo nem queríamos saber. Daríamos o nome de acordo com seu rosto, já pensou chama-la de Julia e ter cara de Magdalena? Mas agora na importava, não havia mais bebe, nem nome ou rosto.
Nossa nova casa que fantasiávamos choro de bebes, e fraldas para todos os lados, agora continuaria com esse silencio infernal e essa decoração ‘adulta’.
Era tarde para adotar uma garota, o que eu podia fazer?
Nada.
Deitei-me no sofá onde pensei que dormiria cansando de ser pai, e sem perceber adormeci, sem sonhos. A campainha, meu coração acelera, abro a porta rapidamente, de primeira impressão não há nada, mas depois á uma cesta, coberta por lençóis rosa, meus olhos se entregam a um oceano de lagrimas, pego um dos lençóis, uma criança coberta apenas por uma calçola adulta, seguro e parece que o mundo para por um tempo.
–Morgan – sussurra alguém da rua.
Essa foi a única palavra que quer que ti abandou aqui falou altamente escutavel.
E um bilhete em latim.
O bebe tinha cara de Samantha.
***
Samantha
Chego em casa, cansada, hoje é sábado isso significa que amanhã não tem trabalho, tive que passar o sábado trabalhando graças ao período de experiência, meus pais ainda não chegaram e os pirralhos devem estar no banho ou na lição de casa, me sento no sofá e penso em como essa semana foi esquisita, namorei e terminei, fui para o mundo negro, conheci uma garota que diz ser minha irmã e isso é apenas o point de tudo, dou uma risada de nervosa, quero chorar, quero conversar com alguém sobre tudo, mas meus irmão não me escutariam.
Meus pais? Não é segredo para eles que eu seja bruxa porque eles também são, seria estranho dizer “ pai mãe eu fui para o mundo negro essa semana”, apesar do medo descer pelo meu corpo quando penso em Morgan Li e subir quando penso em Itakura me sinto corajosa, pelo menos o suficiente para conversar com meus pais sobre essa semana.
Preparo um frango frito com aquele tempero que apenas eu Samantha consigo fazer ficar salgado mais ainda com um gosto bom apesar de tudo. Aline e Caleb chegam, com certeza sentiram a comida em suas narinas e não podiam evitar a curiosidade de ver o que a irmã chata estava fazendo.
–Frango frito – respondo porque sei que eles vão perguntar.
–Já esta pronto? – pergunta Caleb andando ate o prato com os já preparados.
–Sim, mas esta quente Caleb – e mesmo assim o pirralho pois a mão e segurou o frango mais após sentir o tão quente que estava largou o frango no chão.
–Pegue e coma, agora! – falei com autoridade.
Caleb fez a cara bebe, mas não funciona quando você tem Morgan Li em seus pensamentos.
O barulho de chave na porta ecoou pelo ouvidos dos pirralhos que saltaram em direção a porta ao encontro com os pais cansados e molhados da chuva que eu nem sabia que estava presente, ainda sim fui ate eles com um sorriso eu precisava falar com eles e precisava me redimir com eles por ter sido tão ‘rebelde’ esses dias, chegando tarde e mal comendo.
O jantar teve conversas paralelas sobre:
–Ah você fez o jantar
–Que chuva
–Fez o dever Aline?
–Caleb pare de brincar com a comida.
–Que frango salgado!
–Que sábado duro!
Meus pais não trabalhavam aos sábados a não ser que acumulasse muito trabalho então ficavam ate tarde ou trabalhavam aos sábados.
Aline lavou a louça enquanto meus pais se aninhavam no sofá para ver TV.
Sento-me ao lado da minha mãe e pela primeira vez minha barriga gela de medo.
–Podemos conversar?
Meus pais se olham talvez passassem milhares de coisas na cabeça deles, casamento, gravidez, morar sozinha, mais era apenas um papo bruxo, se você me entende.
–Claro Sam, vamos para o seu quarto!
Cada degrau é uma saliva que escorrega dificilmente pela minha garganta secando cada vez mais minha boca, querendo me fazer vomitar o frango salgado e toda angustia.
Abro a porta do quarto com as palavras brincando na minha boca, prestes a sair e não saber se a brincadeira acabaria com alguém machucado ou com uma brincadeira de família.
–Fale – disse minha mãe se sentando em minha cama como se eu tivesse falado algo, ainda sim deixo isso quieto.
–Essa semana... Eu – meus olhos querem esborrifar água para todos os lados mais preciso me concentrar nas palavras certas.
–O que – meu pai se inclina preocupado.
–Tem uma garota me chamando de irmã, tem uma mulher que se chama Morgan e mesmo nunca ter falado comigo tudo parece ter saído dela – não aguento choro -, e eu passei, passei para o lado negro e não... Olhe eu estou viva então...
Meu pai abaixa a cabeça minha mãe pensa em alguma coisa para dizer, ambos analisam cada palavra que pulou da minha boca.
Na verdade minha mãe analisa as palavras como se eu fosse uma adolescente bêbada ou que me droguei e fantasiei coisas, sabe?
–Eu... — meu pai começa, — sabia que esse momento chegaria.
Minha mãe o encara, talvez nem a própria saiba o que ele vai dizer.
–Eu só queria o seu bem... – minha mãe o encara mais profundo.
–Esta falando de que?
–Esqueça... Eu hã – ele coça a nuca como quando não sabe o que falar.
–Fala – digo.
Ele pisca para mim e acho que isso significa algo.
–Ai, ai – ele diz com a mão na barriga enquanto faz uma cara de dor.
Minha mãe se desespera e o leva para sala, sigo-os meu pai disse que talvez seja pelo frango salgado e me sinto culpada, eu apenas tentei ser eficiente, e estraguei a conversa!
Tendo dormir, mas penso no dia de amanhã e tenho que me levantar como a maioria das noites as exatas 3:25 da madrugada para beber água com uma colher generosa de açúcar como um calmante.
Vou devagar meus pais estão cansados e meu pai então coitado, quando ligo a luz da cozinha vejo a silhueta de alguém no sofá, cerro meus olhos e sou capaz de ver o próprio, meu pai com um copo em uma das mão com uma tranquilidade. Pego meu copo e o açúcar que esta em fácil acesso como fica todas as noites e o enquanto mexo o frágil copo de vidro vou devagar ao encontro do sofá.
–Pai?
–Eu preciso ti falar algo! – ele começa a tremer, depois vasculha a sala com o olhar a procura de outra silhueta.
–Diga – falo e em seguida bebo o copo de água e me sinto relaxada o suficiente.
–Não podia falar para sua mãe, nem posso para você, não vou dizer leia! – ele me entrega um papel de carta meio empoeirado e cheirando a mofo.
–Quando? – digo tentando não parecer louca para abrir.
–Amanha longe de casa eu só peço para não me questionar com raiva ou sei lá...
–Ok – já estou na metade do copo e o termino enquanto caminho de volta para a cozinha amarelada pela luz.
–Boa noite, filha – meu pai não chamava muito assim, mas eu acho que meu pai sabe o que esta acontecendo, mas o medo cobre sua boca para não falar demais e acabar em merda.
Lembro do meu pai mais novo, seus olhos era tão claros e seu cabelo tão vivo com um tom meio loiro, e seu sorriso constantemente visível, e quando descobriu que Ali estava presente em minha mãe, foi comovente e ao mesmo tempo perturbador, quando Ali chegou em casa meu pai estava no banho, e do seu quarto eu escutava os xingamentos e palavras incompreendidas por mim. O olhei diferente por algumas messes, o que se passava naquela cabeça? Segredos?
–Boa noite, pai.
***
Gostaria de falar com Irie hoje, ou talvez ate com Alexi, preciso perguntar a ela, não posso ficar com isso preso em mim para sempre. Mas hoje preciso ir aonde tudo esta acumulado, o mundo branco.
Coloco um vestido na bolsa que a vovó fez para mim, e saio logo cedo, vou para a estação de metro mais próxima, meu cabelo esta no pior estado de todos.
–O magicales viribus mundos distant a porta ad viator maleficus.
Portal se abriu, fui para o quartinho do faxineiro, havia uma escada para os trilhos lá, desci devagar e ao chegar nos trilhos por uma porta que havia secretamente lá em baixo o portal se diminuía cada vez mais, corri e então a sensação de se estar drogada, lá estava eu agora com um vestido preto na saia e roxo nos seios.
Não aguento abro a carta.
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