Three dark brothers
29 Parentes da morta
Notas iniciais
–Você concorda com as acusações Samantha? — diz o homem de bata vermelha.
–Não -, então penso que na verdade está correto, totalmente. -; Na verdade sim.
–Tem algum tipo de defesa? – pergunta a mulher de terno e bata azul.
–Sim – me levanto, me lembro dos filmes e o quanto gostava de brincar de tribunal, mas agora é de verdade, agora não era mais um jogo. -, Morgan li, ela me propôs a fazer isso.
–Da onde conhece Morgan Li? – diz o homem de bata vermelha, ele se levanta e parece realmente interessado.
Algo toca em mim, Alexi. Encaro sua mão em minha perna, porque ela está fazendo isso? Ela aperta e solto um gemido.
–Pare... – não consigo pronunciar o resto, nada sai pela minha garganta, meus pés bambeiam, minha mão a sinto gelar, o que está acontecendo?
Então finalmente tudo se escurece e deixo que meu corpo cai por completo.
***
Estou sentada, o cheiro é com certeza do perfume de Hayle, sinto de longe o quanto ela é exagerada para passar perfume, me levanto e posso sentir é meu quarto. Desço as escadas escuto o barulho da conversa dos meus pais, eles estão cozinhando, seus rostos não tem um tipo de expressão que eu posso dar nome, era um tipo de enjoo com angustia e tristeza, papai está mexendo os ovos enquanto mamãe arruma a mesa.
–Estou com fome – digo e saiu escada a baixo, nada.
Ninguém se vira para mim. Hayle agora aparece entrando na sala, ela tem uma mochila em suas costas e arrasta uma mala. Hayle iria para casa vovó! Agora posso ver Michel, está brincando em baixo da mesa com algum tipo de caminhão.
Ninguém parece ligar para mim, ninguém percebe que estou aqui, nem mesmo um olhar. Sento-me no sofá, e choro, como um bebe que não pode andar, ou falar, então ele chora para chamar atenção dos pais porque está com fome, essa sou eu agora, um bebe, com fome e tentando chamar atenção dos meus pais ou irmãos. Agora que me pego pensando em Hayle e Michel penso pela primeira vez no meio dessa confusão que eles nunca foram meus irmãos de sangue como sempre falei a Afro, já que ela era minha irmã de consideração, mas sempre falei ‘eles são meus irmãos de sangue’, mas que na verdade não são de sangue, e isso me deixa em prantos novamente, mas penso em Irie e como ela se parece fisicamente comigo e sinto que tenho uma irmã de sangue, apesar de pensarmos tão diferentes, talvez eu tenha sido criada com menos magia, menos fé em Morgan e ela sempre soube de quem era filha sempre esteve preparada para hoje.
–A vezes acho que sinto o cheiro do cabelo da Sam – diz Hayle enquanto se senta à mesa.
–Eu sinto que ela nunca saiu, sempre está aqui conosco. – diz papai.
–Onde será que se meteu? – diz novamente Hayle.
–Onde sempre deveria ter se metido.
Mamãe não entende o que papai quis dizer com isso então o encara. Observo o relógio na parede em frente da mamãe nove horas da manhã.
–Precisamos conversar um dia desses – ele se senta a mesa com os ovos e um prato com fatias de pão.
–Sobre o que! – mamãe está descontente. –Você sabe onde ela está? Porque não diz logo?
–NÃO É SIMPLES ASSIM – ele põe a mão na cabeça e mamãe chora junto a Hayle.
–Estou bem mamãe – sussurro e tento abraça-la, me concentro para não atravessa-la.
Me sento a mesa e desejo estar morta.
Algo toca meu ombro, viro-me.
–Morgan? – digo e me levanto.
–Filhinha – ela me acaricia.
–O que aconteceu? Porque eu eles não me veem?
–Você está morta em Hentland, por algumas horas, precisava que parasse de falar!
–Falar?
–Ia pôr o plano inteiro na mesa, para esses imbecis.
–Mas e Alexi ela me tocou e...
–Não era tecnicamente ela – Morgan sorri e então tudo
Por um momento sinto que cai, mas estou em terra firme, tudo está preto por mais que arregale meus olhos. Meu ar parece estar acabando, começo a me debater, então vejo um fiapo de luz em cima da minha cabeça, e dele outros fiapos se formam e se juntam como um enorme buraco de luz, coloco a cabeça para fora, uma sala. Olho para baixo e vejo um enorme saco plástico, sinto algo no meu nariz, passo a mão, algodão. Por isso não respirava tanto, saiu de dentro da sacola, estou com um vestido preto até o chão, reconheço esse vestido. Afro o fez para mim e me deu de aniversário de 16 anos, o usei apenas uma vez, a vovó sabe que tecnicamente morri?
Vou a única porta da sala, do lado de fora pode se ler Samantha de Lucia, sala do morto. Lucia é o sobrenome da vovó, ela realmente sabe que morri. Será que ela passa bem? Penso também no meu verdadeiro nome, Samantha Li? Irie Li? Ou Morgan deveria ter outro sobrenome? Preciso me desfazer dessas perguntas. Começo a andar reto, sem rumo, com certeza é o hospital de Hentland, o único lugar que temos tecnologia tanto humana como magica, até mesmos os bruxos precisam de uma cirurgia de vez em quando. Temos uma parte apenas de magia, onde todos os tratamentos são feitos por curandeiros mágicos e temos uma ala só de tecnologia hospitalares humanas.
Avisto um tipo de lugar para atendimento e corro até lá, segurando o vestido, mas mesmo assim caio, mas me levanto antes que algum enfermeiro perceba. Chego em um balcão e avisto uma loira baixinha assinando alguns papeis.
–Oi – digo e tento formular alguma pergunta.
–Olá, eu posso ajudar? – ela sorri e inclina o pescoço.
–Eu gostaria de saber de um morto – digo e me pergunto se fiz bem?
–Nome?
–Samantha de Lucia
–Diz aqui que ela foi cremada a duas horas, motivo da morte envenenamento.
Cremada? Mas eu estou aqui! Eu sei que sempre que morremos nos jogam no outro mundo para que queimemos, dificilmente somos enterrados, pegam nossas cinzas e costumam enterrara-la, cada cinza resulta em uma flor. Mas porque a duas horas.
Mas estou aqui, meu corpo não tem sinais de cinzas, estou aqui em carne e osso.
–Sabe-se algo sobre sua família? – talvez vovó tenha parado o processo.
–Bem o que posso saber é que a avó e a irmã já se despediram da jovem, e trouxeram uma roupa a ela.
–Você tem certeza que levaram o corpo?
–Sim.... Qual o seu nome? – ela pergunta. Enquanto penso em uma resposta, encaro o relógio em cima da mesa da loira, duas horas da tarde.
–Hayle de Lucia, uma parente da morta. – viro de gostas e me deparo com um homem de jaleco. Ele sorri para mim.
–Senhorita Lucia eu estive esperando por você – ele estende o braço me chamando.
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