Three dark brothers
12 O poder de uma garota revoltada
Notas iniciais
Alexi
–E-Eu... -eu não sabia o que dizer. Tinha os meus motivos. -Eu não...
–Você não lembra -falou ele -O conselho apagou suas memórias.
–Por... -limpei a garganta, tentando esconder a surpresa -Porque...?
–Porque você ultrapassou as barreiras -respondeu ele. Ela estava...ele estava com raiva? -Você era do negro, e eu do branco. Você ultrapassou para poder ficar junto á mim.
–Mas é impossível -falei finalmente perdendo a surpresa -Eu morreria, eu... -ele me interrompeu
–Porque acha que o conselho apagou suas memórias?
–Não faz sentido -falei -É do conselho
–O conselho é uma mistura dos bruxos negros com os brancos. -respondeu sem paciência -De qualquer jeito... Eu ultrapassei as barreiras, me tornando um negro.
–E porque não...Apagaram as suas memórias...?
–Porque me acharam útil -me virei e comecei a andar em direção á rua -Alexi...
–Eu só preciso ficar sozinha -exclamei tentando segurar as lágrimas -Só... só me deixa... -as últimas palavras foram tomadas pelas lágrimas. Apressei meu passo e depois saí correndo. Parabéns Alexi, mesmo com seus poderes, você foi decretada inútil.
***
Bati a porta de casa e me virei encarando a sala. Maia estava sentada, com um moletom comendo sorvete. Limpei minhas lágrimas, e andei em sua direção. Tirei o pote de sorvete de sua mão e a encarei
–Êi! -reclamou -Me devolve
–Não -Isso Alexi, pensei, seja útil. -Nada de fossa, não por aquele otário
–Não é fossa! -reclamou. Olhei para TV e na mesma passava Marley e Eu
–E eu sou o pateta -contra-ataquei e a mesma riu -Aquele idiota não merece sorvete de chocolate nem filminho deprê. Agora vai pro lado, porque eu mereço uma fossa. -ela arqueou a sobrancelha e deu espaço para mim no sofá. Comecei a ver o filme e a comer o sorvete.
–Cadê o seu amigo? -perguntou
–Pois é... -me interrompi e arquiei uma sobrancelha -Ah, quer saber?! Foda-se! Você já deve saber mesmo
–Saber o que? -perguntou em tom de alarme
–Que a sua querida irmã aqui, é uma bruxa -esperava gritos, afastamentos, até expulsões, mas tudo o que eu recebi foi:
–É tem razão, eu já sabia -arregalei os olhos e a encarei
–Desde quando?
–Desde que escutei os nossos pais conversando quando eu era pequena. E aquela sua frase no colégio, me fez provar que eu estava certa. -ela deu de ombros -Só há uma coisa que eu quero saber
–Diga -falei
–Tem um feitiço contra espinhas? -perguntou e nós duas caímos na risada. Era fato que eu e Maia não conversávamos assim á séculos.
–De qualquer jeito, eu acabo de descobrir que ele já foi meu namorado. E o mais importante: não me lembro disso porque fui considerada inútil.
–Que...Loucura -disse franzindo o cenho e eu concordei
Meu celular tocou e eu o peguei. Desconhecido no identificador de chamadas.
–Quem é? -perguntou Maia e eu dei de ombros e atendi
–Alô? -perguntei colocando mais uma colher de sorvete na boca
–É o Simon -engasguei
–O que?
–O Simon, o primo que tentou te matar
–O que quer comigo? -perguntei com raiva -Mais poder?
–Não seria de todo ruim -falou no mesmo tom -Mas não é isso o que eu quero
–O que quer? -perguntei quase explodindo -Fale ou eu desligo na sua cara
–Soube que sua mãe retornou ao conselho -falou, e agora seu tom era carregado de bom humor -Parece que Morgan não está tão morta assim.
–Morgan...
–Eu faço vocês duas se encontrarem, se me der o que eu quero -a porta da minha casa se abriu e um Dylan ofegante e suado surgiu nela
–Não aceite -avisou ele
–O que você quer? -perguntei
–Alexi, não...
–Maia, pode ir para o quarto? -perguntei e a mesma assentiu e se levantou, indo para o quarto e fechando a porta
–Eu quero o livro -falou
–O livro...
–E a varinha
–O que quer com eles?
–Alexi, por favor, me escuta... -o interrompi
–Fechado -falei -Me encontra no campo
–Campo...
–Ambos conhecemos de que campo eu estou falando -e desliguei o celular
–O que você fez? -perguntou Dylan gritando de raiva
–Se você não percebeu, eu acabo de capturar um assassino -a expressão dele se suavizou
–O que...?
–Chame seus amiguinhos, Dylan -falei pegando as chaves -Hoje prendemos um assassino -peguei uma bolsa e um livro qualquer -Vou mostrar quem é inútil -murmurei, mas tive certeza que ele escutou
***
Desci do carro (que era emprestado de Louis) e bati a porta. Um grande campo se alastrava pelo horizonte. Ali só se via o verde do mato e o azul do céu. Á mais de quilômetros dali estava o orfanato. O lugar onde Simon me adotou.
Ele se encontrava de costas, a mais ou menos 6 metros de mim. Estava com um casaco cinza, que cobria os braços. Quando cheguei perto dele, o mesmo se virou. Eu, sinceramente, achava Simon bonito. Agora tudo o que restava era nojo.
–Trouxe o que pediu -falei
–Ótimo -falou e estendeu a mão -Agora me dê
–Primeiro que quero uma prova -disse -Uma prova de que ela realmente está viva -ele tirou do bolso dois centímetros de cabelo. Ri -Isso? Me desculpe, mas tudo o que vejo é cabelo
–É o cabelo de Morgan -ri mais ainda
–Engane outro otário -falei -Te dou o livro e a varinha, quando me der uma prova concreta -me virei para sair dali, mas ele me segurou tão forte, que com certeza iria deixar marcas.
–Escute, Alexi, é minha prima, mas se não pode me dar o que eu quero, acho que vou ter que te matar -cerrei os olhos e ele gritou de dor. Tinha aberto um buraco em seu abdômen
–Não pense que pode fazer tudo que quer -falei sem emoção nenhuma na voz e abri mais o buraco -Dói, não dói?
–Vadia... -murmurou e eu ri.
–É apenas uma pequena vingança -falei e peguei na sua mão, a queimando. Ele soltou outro grito de dor e se encolheu mais no chão
Portais surgiram atrás de mim.Deles saíram membros dos conselhos. Dylan e aquelas pessoas que eu conheci saíram por último
–Vingativa -disse Alex e eu assenti
–Uma cilada? -murmurou ele do chão -Bem espertinha você, em?
–Cale a boca -disse Dylan com raiva, o levantando do chão -Vamos, não podemos poluir o meio-ambiente -sorri
E então eles retornaram. E só uma garota ficou comigo, a de cabelos azuis. Eu não lembrava o nome dela, e nem me interessava em lembrar.
–O que ele disse sobre Morgan é mentira -falou
–Eu sei.
–Ela não está no conselho -ela me encarou -Ela fugiu.
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