Notas iniciais
FELIZ ANO NOVO ATRASADO o/ LOLOLOLO Eu tentei escrever o mais rápido possível, pois ando com altos projetos não terminados aqui no computador. Aliás, eu posso ter viajado em alguma parte do capítulo, mas isso foi efeito da fumaça daqui do guarujá q Brincadeira ~~

Alexi

As memórias não paravam. Fluíam em minha mente de forma repetida, obrigando-me a tentar pensar em outra coisa. Driblam cada obstáculo que eu tento pôr em seus caminhos, percorrem cada parte do meu cérebro e aparecem em frente aos meus olhos como se eu já não tivesse visto tudo isto antes.

Uma delas ainda permanece incompleta. É como se fosse mais forte do que uma realidade fantasma, como se fosse um poder tão insistente quanto o do medalhão, que ainda queimava e vibrava contra minha pele, fazendo-a sangrar. E doer.

Nunca odiei tanto esta palavra.

Depois de me chantagearem três vezes seguidas e tentarem apagar as minhas memórias novamente, os membros do conselho deixaram-me em paz. Pararam de querer observar o corpo morto que eu me transformei diante deles.

Eu deveria estar arquitetando um plano de fuga, deveria estar batendo contra as grades da cela como todos os outros prisioneiros que eu havia visto naquele corredor, mas não consigo. Não tenho forças para isto. Não tenho forças nem para ficar de olhos abertos.

Me sinto suja. Imunda, na verdade. Como se tudo o que eu tivesse feito houvesse sido para prejudicar algo ou alguém. Como se tudo que tivesse acontecido fosse traçado por linhas de dedos mortos e sangue negro apodrecido.

Levantei-me, apoiando-me nas paredes para não cair. Tropecei até as grades e cai por ali. Meu braço fez um barulho esquisito assim que cai no chão, como se eu houvesse o quebrado. Ri.

O quão fodidamente ferrada eu deveria estar?

E então, como que para lembrar que ele ainda estava ali, o medalhão brilhou. A memória voltou logo depois, mostrando a lágrima que se desfazia antes de tocar ao chão. Ao lado dela, a outra que o molhava.

Luz. Repentina.

–Acha que ela está viva? –a voz era completamente desconhecida e vinha das minhas costas.

–Eles não podem ter nos mandado para resgatar alguém que está morto. –disse outra. Masculina, desta vez. –Hey, loira. Você está viva?

–Ótima ideia, gênio. Porque, com toda a certeza, ela vai responder se ela estiver morta. –ironia. Doce ironia.

–Merda, o que vamos fazer?! É claro que ela está morta!

Minha mão apertou a grade da cela e eu obriguei meu próprio corpo a se mexer. Levantei-me novamente, gastando toda a energia e força que me restavam. Escutei exclamações atrás de mim. Ri e me virei.

–Você deveria escutar sua parceira, feiticeiro. –falei –Ela sabe das coisas.

Sarcasmo. Bom saber que você ainda continua no meu corpo, mesmo que ele esteja nessas condições. Em compensação, eu não posso dizer o mesmo de sua amiga, a mãe de Morgan Li. Parece que ela deixou você e a Ironia comigo e fugiu da morte.

Deus, estou delirando.

–Então, você está viva?

–Ainda não aprendi necromancia, garota. –respondi, lutando para ficar de pé.

–Merda, você é tão mais legal do que Samantha! –exclamou o feiticeiro, vindo até mim –Só que ela é bem mais bonita.

Ele pegou um braço meu, colocando sobre seus ombros.

Dei de ombros e concordei com a cabeça.

–Eu não ando nos meus melhores dias.

–Concordamos –disse a feiticeira, ajudando o parceiro a me dar apoio.

Fizeram um dos seus feitiços. Abriram um portal no meio da minha cela. Quase senti vontade de rir. Esqueçam os feiticeiros, pensaram os criadores das celas, eles nunca ajudarão outros bruxos.

Novidades, queridos amigos:

Pessoas fazem tudo por dinheiro.

Quando atravessamos o portal, senti ânsia de vômito e uma queimação do medalhão em protesto. Isso sempre acontecia quando eu os atravessava. Eu não era muito familiarizada com eles, e mesmo se fosse, o medalhão não melhoraria a viagem.

O outro lado cheirava a grama molhada e fogo. Estava de noite e estávamos perto de um rio, pois o barulho da corredeira era forte. O vento era forte, indicando para cada bruxo permanecer em sua casa. Um cheiro se camuflava entre o aroma natural.

–Enxofre. –falei, em voz alta.

–Ora, ora, ora. Você está terrível, querida.

A voz veio de trás de mim. Eu não precisava virar para saber quem era, mas mesmo assim o fiz. Joey estava sentado em uma pedra, enquanto afiava um galho de uma árvore. Ele estava um pouco melhor do que antes, mas muito pior comparado a um mês atrás.

A lembrança da morte dos meus pais veio á minha visão.

–Igualmente, falsificador. –respondi, segurando-me no feiticeiro para não cair.

Joey riu e pulou da pedra, em minha direção. Brincava com o galho afiado e me encarava com olhos tão afiados quanto.

–Não, não, não. –ele balançou o indicador de um lado para o outro, enquanto discordava com a cabeça. –Não venha com essa para cima de mim. Eu sei que você está se lembrando do assassinato dos seus pais.

Minha vontade era de mata-lo. Esquartejá-lo e jogar cada pedacinho naquele rio. Mas eu não era retardada e sabia que não tinha forças para aquilo. Nem física, nem mágica.

Então, eu deveria responder.

–Ah, sim. Esqueci de te agradecer por isso.

Ele ficou em silêncio e sorriu com o olhar de ódio que eu provavelmente o lançava. Depois, ele simplesmente me encarou e lançou o galho afiado.

No começo, achei que era em minha direção, mas ele passou por cima de meu ombro. Eu e os feiticeiros viramos para ver o destino da pequena arma, apenas para vê-lo atingindo um homem na cabeça.

Ele caiu, morto.

Eu o reconheci como um dos guardas do Conselho.

Quando voltamos o olhar para Joey, ele simplesmente coçou o queixo e deu de ombros, indo para o rio logo em seguida.

–Vocês não parecem se gostar muito. –disse o feiticeiro.

–Ex-namorado e assassino dos meus pais. –resumi, soltando-me dele e sentando no chão.

–Bem, isso explica muita coisa. –respondeu a feiticeira.

Eu ignorei o comentário e olhei para o rio. O barulho da água me fazia lembrar da memória, das lágrimas, da melodia, do homem e da mulher. Parecia que eles se amavam, mas ele a matou. E depois, chorou. Não fazia sentido nenhum, mas machucava. Principalmente a parte da outra lágrima batendo no chão.

Era familiar, mas impossível. Eu deveria lembrar de tudo o que eu havia passado depois de entrar em Itakura, mas era como se aquela memória não se encaixasse. Ela não parecia me pertencer, nem se completava. Não importava o quanto eu tentasse, as lágrimas eram o meu limite.

–Ô loira!

A voz do feiticeiro me chamou atenção. Eles estavam em pé, junto com Joey. O feiticeiro estendia a mão na minha direção, indicando para segui-los.
Levantei-me em um pulo, ignorando sua mão. Eu tinha problemas suficientes na vida real para ficar presa a memórias incompletas.

–Você está melhorando. –comentou a feiticeira.

–Ela está se curando. –respondeu Joey. –Habilidade especial de bruxos do lado negro.

–Você sabe muita coisa para um bruxo sem poder. –disse o feiticeiro, analisando-o.

Bati em minhas roupas para tirar a sujeira. Olhei para o grupo e ri ironicamente.

–É claro que ele sabe. Rouba os poderes deles. –afirmei.

Joey sorriu e voltou a andar. Os feiticeiros se entreolharam e voltaram a andar. Eu os segui, olhando ao redor.

–Para onde estamos indo? –perguntei.

–Vamos atravessar a fronteira. Nosso contratador fica do lado negro. –respondeu a feiticeira, olhando para mim de relance –Temos que te levar até ele.

–E ele? –apontei para Joey.

–Ele também. –continuou ela. –Agradeceríamos se vocês não se matassem antes de chegarmos até lá.

–Vocês podem se matar assim que chegarmos na casa do cara. –completou o feiticeiro.

Olhei para o feiticeiro, cerrando os olhos. Jurava que já havia o visto antes. Então, eu lembrei. Ele era o feiticeiro que havia me encarado na entrada daquele bar.

Ri comigo mesmo.

–Está ficando louca, Alexi? –Joey pronunciou meu nome lentamente, como se fosse algo precioso.

Esquartejado, queimado, afogado, enfeitiçado, torturado, preso, asfixiado e por aí vai. Nenhuma alternativa parecia precisa o bastante para ele. Tinha que ser algo pior.

–Tenho que te aguentar até o final, querido. –respondi, docemente. –Não dificulte as coisas.

A verdade era que se eu o matasse agora, os feiticeiros provavelmente se voltariam contra mim. Eu tinha poder para matar uma pessoa sem poderes, mas matar dois feiticeiros era loucura. Se eu disparasse qualquer coisa na direção de Joey, seria suicídio declarado.

Além do mais, a fronteira não ficava tão longe.

Depois de Joey lançar um sorriso divertido em minha direção, a caminhada continuou completamente silenciosa. Eu não queria saber para onde exatamente estávamos indo. Também não queria saber de onde os feiticeiros conheciam a falecida Samantha. Eu poderia viver sem essas informações, digamos assim.

Quando chegamos na fronteira, uma linha de pedras traçava uma linha, como um aviso inútil. Ignorei tudo o que passava por minha cabeça e simplesmente atravessei. Não aconteceu nada, com nenhum de nós.

Mas alguém soltou um som assustado.

Nós olhamos de olhos arregalados para um grupo de bruxos escondidos. Eles nos encaravam de olhos tão arregalados quanto.

Joey foi até eles, sem dizer nada. Ele mexeu a mão na frente deles, como um aceno. Os bruxos nos olharam, com olhos aparentemente vazios e depois franziram as sobrancelhas.

Joey voltou para nós, com um sorriso no rosto.

–O que você fez? –perguntou o feiticeiro, que parecia tão perdido quanto eu –Cumprimentou eles?

–Modifiquei as memórias deles. –ele me lançou um olhar e voltou a andar.

Franzi o cenho e fiz minhas contas. Não importa quanto poder Joey sugasse, ele nunca teria o suficiente para voltar no tempo e permanecer na mesma linha de tempo. Eu não lembrava da morte dos meus pais do mesmo jeito, antes de ir para Itakura. Para mim era só mais um cara normal do qual o rosto eu havia esquecido.

Mas quando ele falou aquela frase e me encarou com aqueles olhos, eu lembrei de tudo. Era a palavra chave.

–Alexi?

Poder insuficiente para voltar no tempo, mas suficiente para manipular uma mente já manipulada. Ele me fez lembrar do passado e plantou aquilo lá, como uma vingança pela suposta traição. Os membros do conselho manipularam a mente dele também, mas ele ainda não havia descoberto aquilo.

Então, ele sabia que eu ia falar tudo para Dylan quando eu fosse pega. Era assustador o modo como ele me conhecia. E quando eu dissesse aquilo, o conselho perceberia que ele era bem mais poderoso do que eles imaginavam.

Ele plantou uma mentira em minha mente no meio de todas as verdades. Me fez contar aquilo, como se fosse algo que eu havia lembrado. Ele não só se vingou de mim, como também se vingou de Dylan, mostrando que tinha poder suficiente para fazê-lo comer em sua mão.

Era genial. Assustador, mas genial.

Ri e olhei para ele.

–Mentiroso filho da mãe.

Torturado. Definitivamente torturado.

Notas finais
See ya!