Notas iniciais
Olá, me desculpem pelo atraso, mas é que um incidente ocorreu com meu cachorro, e eu fiquei sem condições de escrever por pelo menos umas duas semanas. Para piorar, eu fiquei sem criatividade e então...É Enjoy :)

Alexi

Sento na enorme cama do castelo, sem poder fazer nada. Ainda estava congelada quando Meredith entrou correndo no quarto, falando coisas e coisas que eu não consegui escutar. Senti o medalhão queimar em minha clavícula. Mordi a língua.

–Desculpe-me, Meredith, mas eu vou tomar um banho.

–Minha princesa...

–Não me chame assim –corto-a. Ela me encara um tanto surpresa. Estou estressada. Só quero voltar pra casa e continuar com minha querida e problemática irmã.

–A senhorita... –ela tosse, para estabilizar a voz –A senhorita quer ajuda?

–Não, obrigada –ela faz uma leve reverência e sai do quarto. A porta bate atrás dela e tenho dificuldade para entender se é proposital. Talvez sim. Suspiro

O dia está apenas no meio. Você aguenta mais um pouco Alexi.

***

Deitei-me, cobrindo-me até o pescoço quando alguém batia na porta e pedia para entrar. Todo o meu pescoço e minha clavícula estavam vermelhos. Era difícil viver assim. Com a certeza que se eu errasse em apenas um detalhe, seria queimada na praça principal da cidade.

O pensamento sobre onde poderia estar Morgan martelou em minha cabeça. Praguejei e me levantei.

Vesti um vestido roxo, que estava pendurado no meu “novo” armário. Penteei meu cabelo e o prendi em um coque o mais bem feito que poderia fazer. Olhei-me no espelho e completei o visual com algumas joias que achei. Em vez do salto, coloquei uma sapatilha. Seria muito mais fácil correr daquele jeito.

Abri a porta para sair. Dei de cara com a rainha, sem nenhuma criada.

–Oh –exclamou ela, e abriu um sorriso. Retribui e fiz a reverência –Perdoe-me, estava de saída?

–Iria apenas na biblioteca. –respondi –Mas posso adiar, não há problemas. –ela abriu mais seu sorriso.

–Não, querida, não há porque adiar –ela emitiu um pequeno riso –Lhe incomodarei depois, então. Deixarei você ler seus livros. –ela acenou com a cabeça. Refiz a ridícula reverência . Ela saiu da porta do meu quarto e entrou em um outro corredor. Respirei aliviada.

Saí do meu quarto e fui para a biblioteca novamente. Refiz meu caminho entre as prateleiras, apenas para assegurar que eu não acharia nada que me interessasse. Fui até o jardim e sentei em um dos bancos.

–Droga –praguejei mais uma vez. –Agora Morgan está na minha cola. –revirei os olhos com minha própria fala. Senti uma irônica vontade de rir. Então o fiz.

E lá estava eu, sentada em um banco, de um castelo desconhecido, rindo da própria desgraça. Acho que isso seria um ótimo resumo da minha vida.

***

No meio da noite, fugi do Castelo. Foi três vezes mais fácil de quando tentei ir atrás de Morgan. Quase todos estavam dormindo, alguns guardas parados na porta prestavam atenção apenas no essencial. Acho que foi por isto que não repararam em uma certa camponesa com capuz sobre a cabeça e vestidos esfarrapados.

A cidade estava fria, mas era quatro mil vezes mais quente do que o castelo. Alguns camponeses ainda fechavam seus comércios, outros corriam para dentro de suas casas, com a vontade de descansar exalando do corpo. Alguns cabarés permaneciam com as portas abertas, recebendo cada vez mais homens. A paisagem era tão nojenta, que tive que me distanciar e entrar em uma das vielas. Algumas coisas eram demais até para mim.

A escuridão era boa, mas me fazia sentir-me deslocada. Fui acostumada a viver na grande Nova Iorque, a cidade que nunca dorme. E agora, naquela vila, tudo parecia quieto demais para mim. Escuro demais. Frio demais. Eu apenas queria voltar pra casa.

Estava inclinada a voltar pro mísero castelo, onde pelo menos eu tinha “lamparinas”, quando uma voz chamou minha atenção. Um grito na verdade. Terrivelmente familiar. E vinha do cabaré antes visto.

Contornei as casas e os pequenos “prédios” que tinham ali numa facilidade impressionante. O ar parecia ficar cada vez mais rarefeito conforme eu corria, e quando eu finalmente cheguei na rua principal, não havia mais luzes acesas. Corri até a porta do tal cabaré, e espiei por entre as janelas de baixo. As pessoas festejavam, mas em silêncio e com as “luzes” apagadas. Dei um passo para trás. Nem sequer um ruído se era escutado. Franzi o cenho.

–Ei, você! –olhei de soslaio para o percurso da voz também familiar. O guarda que antes me defendera apontava para mim, acusadoramente. Era por isso que tudo tinha se fechado, então. –Vire-se calmamente e abaixe seu capuz.

Eu poderia obedecê-lo. Até porque eu o devia. Mas eu não conseguia esquecer do grito. Terrivelmente e assustadoramente parecido com o de Maia. Senti um calafrio percorrer minha espinha, mas quando decidi fugir, já era tarde demais. Uma mão pousou-se sobre meu ombro, pronta para me virar á força. Não me mexi. Prendi minha respiração.

Facessat –sussurrei. A mão sumiu de meu ombro. Escutei um sonoro arfar quando o guarda foi jogado para trás. Não ficaria ali para esperar a conclusão da história. Apressei-me a entrar em uma das vielas.

Escutei os gritos dos guardas logo atrás de mim, dizendo com exatas palavras que eu era uma bruxa. Fiquei com medo. Eles capturaram Morgan. O que poderiam fazer comigo?

Encostei-me na parede de uma das casas e fechei os olhos. Levei minha mão até o medalhão e comecei a ditar o cântico dos deuses. Minha mão tremia, mas minha voz estava forte.

Parei apenas, quando percebi que respirar estava difícil.

O tempo tinha congelado novamente.

Corri para o cabaré novamente. O rosto dos guardas exalando raiva e suas posições indicando que estava indo exatamente para o local certo. Arrombei a porta e adentrei aquele lugar, evitando a todos os custos olhar para o lado. Lembrei-me do grito parecido com o de Maia e direcionei para o andar de cima. Quando estava no meio do trajeto, eu parei.

Este lugar não podia ser tão diferente quanto a vida real.

Desci as escadas e fucei todas as portas do andar de baixo. Vi pessoas tendo relações, banheiros, cozinhas, quartos prestes a serem hospedados, quartos pós-hospedados, mas não achei o que eu queria. Saí do cabaré e rodeei a construção. Achei uma porta do lado de trás do mesmo. Sorri com um pensamento maluco que veio na minha cabeça e abri a porta.

O tempo não estava tão parado assim.

Alguém gritava em inglês, e eu percebi que sua voz não era parecida com a de Maia. Era a voz da Maia. Corri pelo corredor estreito, apenas para abrir uma outra porta que dava para um recinto fechado, com celas em ambos os lados. Mulheres habitavam-nas. Sentia nojo daquelas pessoas. A última cela do lado direito parecia ter movimento. Voltei para o corredor, agarrei um pé de cabra e saí abrindo cada cela por vez.

–Ei! –gritou –Me solte, por favor. –senti um aperto no peito

Eu simplesmente não podia mais esperar. Parei de soltar aquele cadeado e corri até o fim do corredor de celas. Virei-me para a prisioneira. Arregalei meus olhos. Não era apenas a voz de Maia. Era a Maia.

–A-Alexi –ela puxou a manga do meu vestido, obrigando-me a aproximar-me da cela –Eu achei você!

–Maia –olhei para seu rosto –Maia, o que está fazendo aqui? –peguei seu rosto, obrigando-a a olhar para mim –Maia, o que está fazendo aqui? –repeti

–E-Eu –ela gaguejou, sua voz estava rouca –Eu estava em Nova Iorque, quando vim parar aqui, então comecei a te procurar e esses caras apareceram e... –ela caiu em prantos –Eu estou com medo, Alexi. Eu quero sair daqui –implorou ela. –Por favor –ela agarrou a manga do meu casaco mais forte.

–Ok, está bem –balancei minha cabeça e ataquei o cadeado com força. Ele se partiu, a cela abriu e Maia pulou em meus braços, chorando

Ela estava chorando. Chorando tanto que o tecido do vestido estava ficando molhado. Foi quando senti algo frio bater no meu medalhão.

–Maia –passei minha mão por seus cabelos. Não sabia como agir, aquilo era totalmente novo para mim. A peguei pelos ombros e a afastei de mim. –Maia, preciso de um favor –ela me olhava com os olhos lacrimejantes. Senti-me incomodada. –Vá até o castelo, prometo que nada vai lhe acontecer. Tudo que precisa fazer é escalar uma trepadeira e entrar na única janela aberta. Feito isso, eu peço que se esconda embaixo da cama. Escutou? –ela hesitou

–Alexi...

–Maia, você me escutou? –perguntei. Ela respirou fundo, abaixou os olhos e assentiu. –Ótimo. Agora vá. –ela me obedeceu.

Saiu correndo e sumiu entre as portas. Foi minha vez de respirar fundo.

Libertei as outras garotas, sai do cabaré e fui para aruá principal. O frio envolveu meu corpo por completo. Observei o feno a distância e percebi que daria um grande prejuízo a alguém. Fechei os olhos

Phasmatus Incendia.

O feno pegou fogo. Saí correndo e percebi o tempo voltando ao normal. Olhei para trás apenas para observar os guardas correndo em direção ao fogo e gritando para o apagarem.

***

Meu quarto estava escuro, os travesseiros arrumados como corpos estavam do mesmo jeito, nada mudara.

–Maia?

Ela saiu rapidamente debaixo da cama e se ajoelhou a poucos metros de mim. Uma coisa dourada pareceu brilhar em sua clavícula, mas eu não tive certeza. Estava cansada.

Maia deu um pequeno gemido de dor, atraindo-me toda a atenção. Ela deu um outro, dessa vez mais alto.

–Maia?! -mal acabei de falar ela deu um grito de dor. Arregalei meus olhos quando vi minha irmã cair no chão. Comecei a sentir um cheiro de queimado.

Corri até ela, me ajoelhei ao seu lado. Ela estava gelada, totalmente gelada, mas sua clavícula estava quente. Muito quente. Senti meus olhos lacrimejarem.

Abri seu casaco e rasguei sua blusa. Meu medalhão estava no pescoço dela, e em volta dele, sangue escorria.

–Não, não, não. –agarrei minha irmã pela cabeça, seus olhos, ainda abertos, me encaravam –Maia?! –meu rosto foi consumido por lágrimas –Maia, acorde! –exigi. Minha voz estava ficando tremula. –Maia! –bati em seu rosto, repetidas vezes, esperando que ela revidasse, mas nada aconteceu –Qual é, Maia, não faça isso comigo. –pedi. –Maia, por favor, acorde. Por favor... –eu já não conseguia mais falar. Abracei o corpo totalmente gelado de minha irmã e comecei a chorar. Não pouco, ou muito, mas bem acima do normal. Muito acima do normal. Meu estômago doía a cada soluço que escapava de minha boca.

Eu gritei. Gritei de dor, enquanto chorava repetidamente.

Algo queimou dentro de mim, e dessa vez não era o meu medalhão. Era meu ódio. Só tinha uma pessoa que poderia ter dado este colar para Maia. E essa pessoa era Samantha.

Eu simplesmente ignorei tudo. Eu sabia onde ela estava, simplesmente sabia. Saí daquele castelo e andei até a vila. Minha mão coçava, meu ódio ardia, meu medalhão queimava.

Arrombei a porta da tal casa roubada de Morgan. A mesma pulou, em sequência veio a garota do dia anterior, por último, foi Samantha.

–O que...? –Morgan não teve tempo de terminar a frase, pois caiu desacordada no chão. Junto com a garota. Mas Samantha continuava ali, encarando-me de um jeito estranho. Se eu não tivesse com tanta raiva, talvez tivesse feito um autoelogio.

–O que está fazendo aqui? –perguntou ela

Eu a ignorei. Andei até ela, e em um segundo, estava com minha mão em volta de seu pescoço, tirando-a do chão.

–O que eu estou fazendo aqui? –rosnei –Eu vim matar você, sua vadiazinha de araque. Vim arrancar cada membro de seu corpo e triturar cada osso seu. Sente medo disso?

–E-Eu... –sua voz estava entrecortada. Lembrei-me do corpo de Maia jogado no chão. Joguei Samantha no chão, apenas para pegá-la pelo mesmo local e encosta-la na parede.

–Eu fiz uma pergunta! –gritei –Você sente medo?

–M-Medo –ela estava tonta. Era extremamente visível. O prazer encheu meu peito, até ela soltar uma risada –V-Você está c-com medo. –respondeu. Apertei mais seu pescoço, de modo com que minhas unhas o perfuraram. Ela gemeu de dor. –E-Eu sinto i-isso.

–Sente é? –perguntei entre dentes –Sinta isso então. –enfiei minha mão em seu abdômen. –Você sente isso, Samantha? –gritei, enquanto chorava –Você matou minha irmã, sua cadela. Tirou tudo o que eu tinha, apenas para ser a filha perfeita. –tirei-a. Ela gritou de dor –Sente como dói? –perguntei –Você a tirou de mim.

–E-Eu sinto muito –ela respondeu. Algumas lágrimas escapavam de seus olhos. A cadela tinha, pelo menos, a decência de chorar –E-Eu...

–Cale a boca! –gritei. –Você a matou! Tirou-a de mim! –eu estava perdendo minhas forças –Você a matou! –gritei.

Eu queria apenas chorar. Eu a queria de volta. Queria minha vida normal de volta.

– Você não teve a decência nem de se lembrar de seus irmãos. E se você os perdesse? Como se sentiria.

–P-Por Favor...

–Eu não sou você –respondi. Seus olhos mostraram o arrependimento.

A paisagem mudou. De repente, havíamos sido transportadas para o Conselho. Soltei Samantha e caí no choro. Samantha se afastou completamente de mim. Eu poderia sentir, ela poderia sentir, ambas poderíamos sentir e não adiantava negar: Ambas estavam com medo.

A nossa única diferença, foi a que o meu medo se tornou realidade.

Maia agora passaria a ser apenas uma lembrança. Como meus pais

Braços me envolveram, e eu os reconheci imediatamente. Era Dylan. Eu não queria perguntar o porque para ele, eu apenas queria chorar.

Abraçada com Dylan, chorando o quanto eu podia, pelo canto do olho pude ver Samantha sendo algemada. Ela se debatia na minha direção, gritando coisas com olhos arrependidos. Mas eram coisas que eu não queria escutar.

Por hora, tudo o que eu queria, era que a ideia de Maia nunca mais voltar para casa com seu sorriso sarcástico e sua mochila no ombro não fosse real.

Notas finais
Bem, tchau o/