Three Lives

6 Let's Party


Eu podia sentir a tênue mão esquelética da morte me tocar. Violet já me odeia sem motivo, e agora que eu dei um á ela, é sua deixa pra acabar com a minha raça.

– Tudo o que faço é pro seu bem – Justifiquei, dando um último suspiro – Ao contrário de você, que só quer ferrar com a minha vida.

– Que vida? – Questionou, maldosa – Sabe o que você é? Um otário que não fode, mas também não deixa ninguém foder. Tenta estragar meus planos, por puro ciúme, porque eu vivo e você não. Eu falo o que penso, você não. Eu faço o que quero, já você...

– Eu que tenho ciúme? – Dei uma risada de indignação – No fundo, você gostaria de ser aceita pela família, de fazer parte de alguma coisa, e não uma ovelha negra problemática, que tenta esconder sua frustração nessa pose de badass, fumando e causando por aí.

– Pense o que você quiser, Arthur – Ela virou a cara – Pelo menos eu tenho amigos.

– Você chama aquilo de amigos? Na primeira oportunidade, eles te deixam na mão – Tentei olhar em seu rosto, de lado, escondido atrás do véu negro de seus cabelos – Quando a tia foi te levar em bora, algum deles fez alguma coisa? – Ela não respondeu – Tirei as palavras da sua língua afiada? Talvez eu até não tenha amigos, mas eu tenho dignidade.

– Qual o seu conceito de dignidade? – Ela olhou pra mim. Seus olhos estavam marejados – Levar esporro na escola, apanhar dos bad boys ou esconder isso de todo mundo e sofrer calado, chorando no banheiro?

– Como você...?

– Tu acha que eu não te noto naquela porcaria de escola, mas eu vejo.

– Você é podre – Olhei pra baixo, frustrado – Vê seu irmão apanhar, mas não faz nada... Porque quem tá me batendo são seus amigos.

– Se eu sou podre, você é isso e egoísta – Ela cruzou os braços – Quer que eu interfira pra apanhar também? Cinco contra dois!

– Vamos falar de egoísmo, então – Cruzei os braços também – Egoísmo e covardia. Eu dei minha cara á tapa, já você se escondeu atrás de uma máscara e transformou o que era pra ser cinco contra dois em seis contra um. Você se juntou á eles, me abandonou.

– Pra te abandonar, nós teríamos que estar unidos primeiro – Retrucou – E a última vez que estivemos juntos foi no útero.

– Você não é mais minha irmã – Um rancor cresceu dentro de mim.

– Digo o mesmo – Ela se deitou de costas.

Ficamos quietos, ela fingindo que eu não existia e eu fazendo o mesmo. Depois de uma hora torturante do lado daquela monstra, alguém bateu na porta.

– Gente, posso entrar? – Era a doce voz de Mel

– Quero ficar sozinha – Violet a respondeu

– Pare de agir como se eu fosse ninguém – Reclamei – Deixa ela entrar.

– Não, o quarto é meu – Ela se sentou na cama, ficando de frente pra mim.

– É metade seu – Respondi – E na minha parte, ela pode entrar

– Não me teste – Ela franziu o cenho

– Se eu quiser, você vai fazer o que? – Desafiei

– Criou coragem agora? – Ela me lançou um olhar provocador.

Fiquei quieto, ambos nos encarávamos.

– Eu posso entrar ou não? – Ela perguntou depois de algum tempo, ainda do lado de fora.

– Pode/Não – Respondemos juntos, prendendo a risada.

Não consegui prender o riso, Violet virou a cara pra não demonstrar que riu também.

Só a hippie mesmo pra me fazer rir até sem querer. Ela abriu a porta e viu dois campos de batalha inimigos: O lado esquerdo era a parte boa, repleta de pôsteres, estantes de livros e jogos. E do lado direito a parte trevosa, com a parede cinza esfumaçado, onde estava pendurado o baixo-machado que meu pai deu pra ela, junto de cartazes daquelas bandas de gritaria que ela gostava. Mina doente...

Mel pode ser meio lerda como seu pai, mas logo percebeu que ela tinha que escolher um lado pra ficar, o meu ou o outro, e que isso poderia significar treta pro lado dela. Então, ela usou seu raro raciocínio rápido e sentou no chão, com as costas encostadas na parede, bem no meio do quarto.

Era um espaço vazio e indefinido, a única coisa que separava o cômodo. Ficamos em silêncio por um tempo, ninguém encarando ninguém.

– Fico triste em saber que vocês estão em guerra – Ela comentou, então

– Chegou a embaixadora da paz – Violet bufou – Você poderia ir trabalhar na ONU, defensora do amor.

– É por isso que ninguém te suporta – Retruquei

– Tanto é que eu tenho uma caralhada de amigos, e você não – Ela me calou – Parece que o jogo virou, não é mesmo?

O jeito que ela falou me fez rir, mesmo que eu ainda estivesse com raiva.

– Só tá atacando ela, porque ela está mais pro meu lado – Me defendi – Cretinazinha.

– Só tá defendendo ela, porque é sua crush – Ela riu.

– Não fala bosta – Corei

– O que é crush? – Mel perguntou – Gente, eu vivo nos anos 80, vocês não podem ficar soltando essas gírias modernas, que eu não entendo nada.

A risada controlada de Violet finalmente se soltou, me fazendo rir também. Olhei pra trevosa, que era muito mais bonita sorrindo do que séria, e ela olhou pra mim também, sem perceber que estávamos rindo juntos e olhando um pro outro, como pessoas que não se odeiam. Ao notar, isso, ela fechou o sorriso e se conteve, virando pro lado e pigarreando.

– Não entendi – A embaixadora da paz franziu o cenho – É sério, eu não sei mesmo o que é “crush”

– Bem, não importa – A Maria das trevas pigarreou – Crush é quando uma pessoa...

– Fica quieta – Interrompi, colocando o indicador sobre a boca.

– Ahh, então é verdade? – Se virou pra mim – Eu estava zoando, porque você tem tanto medo que ela saiba?

– Do que vocês estão falando? – Ela fez cara de confusa

– Nossa, você é lerda mesmo hein – A vampiranha riu – Dessa casa, você é a única que eu simpatizo, então eu vou falar, to nem aí...

– Não vai não – Ameacei – Não me faz ir até aí calar sua boca

– Se você ousar pisar na minha parte eu te mato, moleque – Ela devolveu a ameaça

– Gente...? – A outra arregalou os olhos – Calma, paz e amor, lembra?

– Você vai ver o paz e amor que eu vou te dar – Quase espumando, a histérica se virou pra ela.

– Tá vendo? Depois fica reclamando que todo te odeia... – Eu não perderia a chance de atazanar a partir de hoje.

O bom de ter uma imperatriz do amor e da harmonia como prima, é que ela é um calmante humano, capaz de tranquilizar os ânimos até de nós dois, que brigamos como cão e gato. Enquanto aos poucos nossos parentes foram indo embora, cada um para suas casa e a casa foi ficando vazia, ficamos conversando sem nos darmos conta do tempo, e até nos divertimos como não fazíamos há séculos, que por um segundo esqueci que estávamos de relações cortadas. Até a gótica puxar a discussão novamente, e eu não me aguentei.

Mel parecia tão farta disso tudo quanto eu, e pela primeira vez na vida, a vi dar um sermão em alguém.

– Por Glob, o que aconteceu com vocês? – Ela pôs a mão na cintura, meio brava, não o suficiente pra alterar o tom tranquilo de sua voz. Era como uma mãe que briga com os filhos. Não queria olhar pra ela, e involuntariamente voltei meu olhar pro nada. Eu estava sendo repreendido pela minha prima, meses mais nova que eu, é isso mesmo produção?

– Você tá nos dando uma dura? – Violet também parecia incrédula.

– Estou – Ela disse, firme – Odeio ter que censurar as pessoas, mas vocês não acham que estão passando um pouquinho dos limites? Afinal, o que aconteceu com aquelas duas crianças malucas que eu brincava? Vocês eram amigos, mesmo brigando, nós éramos um trio unido, praticamente irmãos! O que mudou?

Eu e a darkssexual não dissemos uma única palavra, porque não tínhamos contra argumentos pra essa verdade que ela acabara de jogar na nossa cara. Nos olhávamos. Eu queria saber o que se passava dentro de sua cabeça oca.

– Nada mudou – Ela mesma se respondeu, continuando o sermão – Ainda somos as mesmas crianças, só que crescidas, fazendo e dizendo coisas erradas sem querer. Todo mundo erra, mas eu só espero que esses erros não enterrem a linda amizade que a gente tinha. Orgulho não leva ninguém á lugar nenhum, pelo contrário, só nos arrasta pra trás.

Cocei a nuca, desejando que aquele clima se dizimasse e o peso no meu coração, que me sufoca, parasse. Eu não queria que as coisas fossem desse jeito, mas Violet nunca me dá escolhas, com suas palavras maldosas e atitude provocativa.

– Meninos? – Tia Flame bateu na porta, já abrindo – Vim aqui me despedir.

– Tchau, tia – Me levantei, abraçando-a.

– Até amanhã, querido – Ela beijou minha testa – Vamos, Mel.

Levantando-se, ela bagunçou o cabelo da emo, que retribuiu com um empurrão carinhoso. Nem tanto.

– E Violet... Juízo – Ela recomendou – Você sabe que nós te amamos e só queremos o seu bem. Um dia você entenderá.

– Sei... – Ela assentiu, contrariada – Falou.

– Eu levo vocês até a porta – Me ofereci

– Você é um amor – Minha segunda mãe passou a mão em meus cabelos – Porque você não sege o exemplo, vampirinha? – Brincou ela

– Não enche – A mesma revirou os olhos

Flame riu, fechando a porta em seguida. Levei-as até a porta, onde estava tio Finn, com a mesma cara fechada de sempre. Me lançou um olhar medonho, mas logo se desfez e bagunçou meu cabelo.

As pessoas adoram bagunçá-lo, isso aqui é um imã de mãos.

– Boa noite, garoto – Ele deu meio sorriso, que era raro em seu rosto, pelo menos comigo.

– Pro senhor também – Agradeci e fechei a porta, assim que viraram o corredor do apartamento.

O casal vinte foi o último a sair, perto da meia noite. Agora a sala estava vazia, com exceção da tia Marcy, que dormia profundamente no sofá. Coitada, dar a tarefa de cuidar de nós dois pra um espírito livre como ela deve ser no mínimo exaustivo. Se meu pai que é um irresponsável com quatorze anos de experiência com a gente não dá conta, imagina ela, que é uma irresponsável inexperiente e louca.

No meio de tanta loucura, tenho que concordar que arrastar a Violet da moto foi uma atitude que merecia menção honrosa. Ah, como eu queria ter visto isso... Quando ela contou, não acreditei.

A tia vampira tinha os genes do lado raquítico da família, ou seja, tem quase o mesmo peso de um saco cheio de penas. Não estou exagerando, quando peguei-a no colo, senti o peso de uma criança gorda. Com ela nos braços, subi as escadas e empurrei a porta do quarto dos meus pais, que estava entreaberta. A deitei na cama, do lado da tia Cake, que também dormia. Cobri ambas com a coberta e sorrateiramente encostei a porta novamente.

Não sem antes dar uma olhada rápida pra trás, pra ver se estava tudo ok, e por lá fiquei por um tempo indeterminado, observando as duas dormirem tranquilamente. As considerava um dos casais mais bonitos, só pela coragem que tiveram de assumir o amor sobre toda a sociedade preconceituosa onde vivemos. Mas apesar de toda a admiração, não acho que sejam as mais indicadas a cuidarem de nós.

Fala sério, onde meus pais estavam com a cabeça quando pediram pra Marcy tomar conta da gente? Se eles queriam “pais substitutos” responsáveis, que chamassem Chris e Babi. Parece que ninguém pensa nessa casa, eu é que estou cuidando de tudo.

Por fim, dei as costas e desci as escadas novamente. A sala estava uma zona, como ela sempre fica quando a família se reúne num canto só. Caixas de comida, copos sujos, embalagens plásticas... Mereço. Catei tudo, jogando o lixo no cesto e a louça na pia, e não aguentando ver tanta coisa suja, as lavei também. Apaguei as luzes e subi, deixando tudo arrumado lá embaixo.

Eu podia escutar a voz da Violet do corredor, e enquanto me aproximava, concluí que ela estava ficando doida, ao falar sozinha.

– Tá, mas o Devon vai?... Claro que não, deixa de ser idiota... Sim, eu sei disso, já tá tudo pronto... Relaxa, eu espero... Nah, eles dormem como pedra... Eu me livro dele... Ok, tchau – No meio da fala concluí que ela falava ao telefone (Genius).

Voltei lá pra baixo e esperei um tempo, depois subi, pisando firme e fazendo barulho, para que ela me notasse chegando. Abri a porta, dando de cara com o quarto escuro e ela “dormindo”. Liguei as luzes e me sentei na cama, cruzando os braços e fitando aquela sonsa fingida.

Eu sabia qual era o lance dela: esperar que eu pegasse no sono e fugir na calada da madrugada, pra cair na farra com os arruaceiros.

– Já vai estragar os planos da garota de novo? – Minha consciência pesava – Ela tem razão, você não vive, nem deixa ninguém viver.

É verdade, eu sou um careta insuportável. Comecei a pensar que talvez nesse jeito errado, ela esteja certa. Eu tenho que deixar de ser tão certinho sempre, pois a vida passa num piscar de olhos, e eu fico aqui, estagnado em casa, arruinando minha juventude e tentando impedi-la junto. Foi aí que tive uma ideia infame. Aliás, a ideia mais insana da minha vida.

– Resolveu dormir de maquiagem agora? – Indaguei.

– Eu durmo do jeito que quiser – Ela franziu o cenho, sem nem abrir os olhos.

– Você vai sair – Afirmei

– Não viaja – Ela virou pro outro lado, de costas pra mim.

– Eu sei que tu vai, não queira me enganar – Insisti – Eu te ouvi falando no celular.

– Você ouve coisas o tempo todo – Ela girou o indicador no ar, fazendo um círculo ao redor da orelha – Tenta negar, mas é doido de pedra, como eu.

– Violet... – Me levantei, perdendo a paciência e tirando sua coberta – Faça-me o favor, vai dormir de bota?

– São coturnos – Ela corrigiu – Qual o problema? Tu dorme de cueca, porque eu não posso ficar do jeito que eu quiser?

– Você não desiste, né – Suspirei – Fala sério...

– Ok, ok, eu vou – Admitiu o óbvio – Mas nem pense que vai acabar com a minha diversão.

– Eu não vou te impedir – Respondi, ela parecia surpresa – Pelo contrário, vou pedir.

– O que você quer?

– Viver.

Ela não sabia se dava risada ou ficava mais confusa do que já estava. Nem eu acreditaria no que eu vou dizer a seguir, e me arrepender amargamente mais tarde.

– Oi?

– Só por uma noite – Propus – Eu tô cansado de sempre seguir as regras e ser perfeito, como você diz. Tipo, eu amo meus games, livros, séries, continuo adorando tudo isso, mas eu quero sentir algo... diferente, saca? – Ela assentiu – Eu preciso calar essas vozes na minha cabeça, elas me atormentam. Quero provar pra mim mesmo que sou capaz de fazer correr adrenalina no meu sangue, fazer meu coração pular pela boca... Você sabe, me sentir vivo. Só hoje.

– Certo... – Ela disse pausadamente, ainda digerindo a informação – Como eu posso ser útil?

– Me levando pra essa coisa aí pra onde você vai.

– Se chama festa – Ela falou como se fosse uma palavra completamente nova pra mim – E por qual motivo você acha que eu vou te ajudar a virar um porra loca?

– É simples – Abri o característico sorriso maldoso dela – Se você não me levar, eu acordo a tia Marcy... E aí você vai se foder bonito, porque além de te dedurar, eu ainda invento um monte de coisas a seu respeito.

– Hmm, você tá ficando bom em ser mal – Ela abriu um sorriso, se virando rapidamente para a cômoda ao lado de sua cama, na parte negra do quarto.

De lá ela tirou uma tesoura pontuda, me assustei ao vê-la com aquilo na mão, vindo em minha direção e dando risada. Dentro da minha cabeça flutuavam duas perguntas: 1 – Porque ela tinha uma arma na gaveta; 2 – O que ela pretendia fazer com aquilo. Vindo dela, achei sensato me afastar.

– Deixa de ser medroso, caralho – Ela me empurrou, gentil como um cavalo para minha cama – Sentai aí e fica parado.

Então ela pegou uma mecha do meu cabelo e passou a tesoura.

– Tu tá ficando louca? – Empurrei sua mão pro lado, observando uma mecha de cabelo loiro flutuando no ar e repousando no chão – Quem deixou você cortar? Me dá essa merda aqui que eu vou te deixar careca.

– Fala baixo, imbecil – Ela colocou o indicador sobre os lábios – Quer acordar suas tias? Se quiser sair comigo, não vai ser com esse cabelinho de virgem.

Contrariado, permiti que ela cortasse, deixando despencar meus braços ao lado do corpo, totalmente de luto e quase desistindo dessa ideia idiota. Eu escutava as lâminas da tesoura batendo uma na outra, enquanto via cabelos brancos voando soltos pelo quarto. A cada corte, era uma nova dor no coração.

Quando ela acabou, eu passei a mão na nuca e senti falta do volume que outrora havia ali. O que aconteceu com meu cabelo longo? O que eu to fazendo da minha vida? A resposta está espalhada pelo chão. Me levantei rapidamente e corri até o banheiro, me olhando no espelho. Eu estava em choque e ao mesmo tempo queria esganar aquela pentelha. Ela meteu a faca sem dó!

Só pra vocês saberem, eu tinha uma peruca enorme que batia na altura dos ombros, e agora, ela sumiu. No lugar havia um cabelo baixo do lado direito, e repicado na altura do maxilar do lado esquerdo. Ela criou uma franja da puta que pariu, que chegava até a altura das têmporas, um pouco acima da minha boca.

– Tá com cara de homem – Ela apareceu atrás de mim, orgulhosa do serviço.

– Eu to parecendo um rockeiro revoltado – Passei a franja pra trás, tirando-a do rosto.

– Tá lindo, confia em mm – Ela repousou a mão no meu ombro – Não era porra loca que você queria ser?

Passei a mão do lado raspado e senti vontade de chorar, que foi contida quando ela me virou pra si, suspendendo minha blusa e ajoelhando na minha frente.

– O-o que pensa que está fazendo? – Gaguejei

Ela não respondeu, apenas pegou a tesoura fez um puta rasgo no meu jeans, desfiando em várias tiras. Agora sim, eu podia me afogar em lágrimas, eu amava aquela calça. Ela não se conteve em cortar só um pedaço, ela fodeu com tudo, na altura da coxa até abaixo dos joelhos.

Agora sim eu parecia um delinquente. Ela se levantou e correu até o quarto, voltando rapidamente com uma blusa na mão.

– Ok, vestir suas roupas já é demais – Reclamei

– Você não tem uma roupa descente – Ela empurrou a peça contra mim – Tive sorte de achar essa camiseta aqui, que é super folgada em mim. Roubei da sessão masculina, não dava tempo de provar.

– Você o quê? – Engasguei

– Veste logo – Ela insistiu.

Peguei e vesti, serviu perfeitamente. Era uma blusa simples preta, com uma estampa de caveira cinza nela. Até que eu não estava tão ruim, pensando bem. Pensei em dizer alguma coisa, quando o celular no bolso da vampiranha começou a vibrar. Ela atendeu, falou algumas coisas rapidamente e me disse que nossa carona estava na porta.

Corri rapidamente até o quarto e meti um par de all star no pé, descendo as escadas e chegando a tempo, antes que Violet me deixasse pra trás. E eu não duvido nada que ela faça mesmo isso.

A luz do corredor do apartamento estava apagada, então tivemos que iluminar a passagem com o visor dos celulares. Segundo ela, eles sempre faziam isso depois da meia noite, afinal aqui é subúrbio e não podemos ficar gastando horrores em energia desnecessária. Eu me perguntava como é que ela sabia disso, quando me liguei que ela já fugira de casa na madrugada milhares de vezes.

Depois de atravessar aquele corredor medonho e escuro e quase morrer ao tropeçar na escada que leva até a rua, cheguei no destino me sentindo um sobrevivente. O medo e a culpa começaram a bater agora. Eu mal acreditava que estava saindo com essa delinquente e seus amigos depravados.

Mudei de ideia, quero voltar pra minha cama.

Notas finais
Sinto que alguém vai arregar u.u Até semana que vem ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.