2018, Tamanduá – MG.

Em seu último ano de Ensino Médio, Mariane e Nara se preparavam para mais uma festa de várias que já tinham comparecido durante o ano. Elas tinham motivo para celebrar, uma nova fase de sua vida estaria prestes a começar e ambas se empolgavam cada vez mais ao pensar em suas futuras faculdades.
Na casa de Mariane, Nara terminava de arrumar sua maquiagem. – Mari, estou bonita? Será que o Brener vai me achar maravilhosa? Porque né, eu sei que eu sou. E menina com esse vestido seu, o Danúbio vai ficar apaixonadinho.
– Nara, você tá maravilhosa amiga. Você acha mesmo? Eu acho que ele quer terminar comigo, mesmo a gente não tendo nada. E eu amei esse seu salto menina.
Nara deu uma risadinha de leve pelo fato de Mariane sempre ser muito entregue aos garotos mesmo com eles nunca procurando compromisso. – Amiga, tem muito peixe na Lagoa, literalmente – ela riu fazendo referência a um bar que as duas sempre frequentam – se ele quiser terminar a perda é sua. Agora, vamos?
As duas estavam no ápice da beleza, Nara com um vestido preto que realçava suas curvas e Mariane com um cropped branco e uma calça preta com um coturno que a fazia parecer gótica, mas com sua cara doce o look ficava mais interessante ainda.
Pegando sua bolsa e entrelaçando seu braço ao de Nara, as duas seguiram rumo a festa que não era muito longe dali.

Em um lugar muito longe da casa de Mariane...

Jessica Serratmont aplicava seu batom preto e posteriormente aplicava seu delineador preto, combinando com sua jaqueta e calça de couro. A menina se vestia para matar. Tirou um paiol do bolso e com seu isqueiro o acendeu, e deu uma tragada pensando nas bebidas que tomaria aquela noite.
Era seu último ano e tinha sido convidada para uma festa de sua prima, Lara, que por sinal ela odiava.
Ao terminar seu paiol, guardou seu isqueiro na sua pochete e ao entrar no caminhão de sua amiga, Giovana Toucinho, apenas sorriu e ambas rumaram a festa um pouco longe de onde elas estavam.

Na festa...

— Oi Na, tá um bombomzinho hein!

Nara sorriu ao ouvir a voz de Brener e ouviu Mari sussurrar “falei que ele ia te achar gatona”. O ambiente da festa era barulhento e todos cheiravam a cerveja e maconha. Nara foi correndo para cumprimentar Brener com um beijo... desnecessário. Mariane ao ver aquela cena foi atrás de Danúbio na festa.
Jessica ao chegar com Giovana estranhou as pessoas no local. – Caralho porra aqui só tem hetero?
Giovana deu uma risada e completou: – Festa da Lara, você quer o que meu amor?
– Vou é procurar uma catuaba amiga. Fui.
E Jessica saiu marchando atrás de uma catuaba.

Duas horas depois...

— Nara, libera aí gatinha!

Nara corria de Brener que estava totalmente alterado e queria beija-la de qualquer jeito. – Não vou dar nada pra você não, louco!

Brener conseguiu agarrar a garota pela cintura e quando foi beijá-la tudo que conseguia se ouvir era um “AI!”. Ao olhar para Brener no chão com o rosto sangrando viu uma garota de cabelos curtos tipo Joãozinho com seu punho todo roxo, e a troca de olhares entre eles foi tão intensa que nem hesitou em perguntar o seu nome quando a mesma pegou em sua mão e saiu correndo com ela para o banheiro.

— Ele te machucou? Você está bem? – a misteriosa garota perguntava.

Algo sobre a garota fazia Nara se atrair e era estranho, mas tão bom. – Eu tô top.

Ambas sentaram no chão do banheiro da casa de Lara, que estava até limpo pra ser a casa da Lara. Engajaram em uma conversa sobre vários assuntos, e quando chegou no assunto funk Jessica se exaltou. – Eu sei dançar tudo querida!
Nara se sentia admirada. Nunca tinha conhecido alguém que tinha tanto entusiasmo pra dançar funk. E quando finalmente reuniu coragem e pediu para Jessica. – Me ensina?
Fato curioso: Nara sabia dançar.
Com Jessica a ensinando a rebolar, de repente sentiu mãos em suas cinturas. – Só me acompanhe.
O sussurro de Jessica a arrepiou e quando viu, já encarava a boca da menina e não demorou 2 segundos para que as duas trocassem o primeiro beijo de muitos.
Mas quando Nara abriu os olhos, Jessica não estava mais lá.

Na outra parte da Festa...

Mariane se cansava. Danúbio não dava valor para ela e quando o pegou aos beijos com Sueli, sua amiga-inimiga, desabou a chorar no meio do mato. Foi aí quando sentiu um cheiro de maconha e viu uma fumaça ao seu lado. Não querendo perder a oportunidade, sem nem mesmo ver a pessoa que fumava, pediu. – Posso dar um trago?
Quando olhou para quem fumava, viu uma garota de cabelos curtos com uma jaqueta preta. Parecia que a menina tinha se vestido para um funeral, mas isso não a deixava menos atraente. Ela deu um trago na maconha da desconhecida e sentiu a mesma sentar-se do seu lado enquanto ela olhava para o céu.
– Por que garotos são idiotas?
Mariane soltou essa pergunta e a desconhecida deu uma risada. – Não tenho esse problema, eu só beijo e jogo fora esses macho mesmo. Garotas dão menos problemas.
Mariane se sentiu confusa com a resposta e perguntou: – Dão mesmo?
Ao se virar para ela, a desconhecida tinha um sorriso misterioso. – Deixa eu te mostrar.

No final da festa...

Assim que Mariane e Nara se viram elas já se preparavam para contar uma notícia.

— Nara, preciso te contar uma coisa.
— Não miga, deixa eu te contar primeiro.
— Ok, vai Mari.
— Eu beijei uma sapatona.

— Eu também, — disse Nara chocada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.