Three Fathers
1 01 - Prólogo
Nunca havia se visto tamanha tempestade naquele local. Talvez por conta de estar localizado nos lugares mais tropicais da região visivelmente seria impossível. Os barulhos se intensificavam a cada minuto, como se houvesse pequenas pedras caindo invés de gotas. Completava-se quatro horas de chuva incessante e o medo de evacuação apenas aumentava.
Roy havia contado uma vez que tinha medo da chuva. Foi estranho escutar isso para seus amigos, — um recém-formado espadachim de curtos cabelos negros e equilibradamente musculoso com medo de uma tempestade? -. Todavia, ele era obrigado a retornar a seu passado para contar o que lhe havia traumatizado tanto.
Descendente da antiga família que dominava o noroeste de Yotz, os Reeves, Roy evita lembrar-se da tragédia que eliminou todos da sua família e a perda de suas terras. Salvo por um pequeno caseiro viajante que o criou até se tornar o guerreiro que é hoje...
– Não sei como o Senhor Epash lhe aguentou esse tempo todo. – Seu melhor amigo, Dukie, sempre repetia isso em qualquer oportunidade onde ouvira a mesma história várias vezes.
A estória de fato nunca foi escondida de ninguém, Leroy nunca teve medo de mostrar que era o único fruto sobrevivente do império. A chamada Guerra Sangrenta dizimou dois estados juntos em uma só batalha, e logo após o seu fim, uma forte e duradoura chuva evaporou todo o banho de sangue que havia sido derramado e no fim, acreditava-se que nenhum de ambos os lados havia sobrevivido. Até porque, as duas províncias soltaram bombas devastadoras sobre cada região, matando qualquer um que estivesse no alcance. Porém, por conta de Roy ser a prova viva de que isso não era verdade, no fundo do seu coração temia se que o outro lado, ou os Kyandeos, ainda tivessem algum tipo de base contra sua vida.
Dukie não se impressionava nem um pouco com a história de seu amigo. Sempre tinha na ponta da língua um:
– Puf! Você chama isso de história épica?! Meu amigo é porque você ainda não ouviu a minha. – Indagava. O mais impressionante se tornava o fato de ele nunca ter contado em si, sua origem.
Seth havia ficado com tédio daquela história, preferia também não se pronunciar quanto a sua mais sempre confirmara que não era nada de macabro e surpreendente. E este tédio se incrementava com a forte tempestade que o prendera na república impedindo-o de caçar suas recompensas diárias:
– Vocês viram o quanto tava custando o lobo negro? –Disse, com um ar de indignação. – Tão fácil de pegar e eu tenho de ficar aqui -.
– Seth, Seth... Você sabe o quão perigoso é os arredores não sabe? Esses momentos são muito bem aproveitados por eles. – Lembrou Roy.
– Tu acreditas nisto? – Seth o encarou (Roy) face a face. – Se seu “caseiro” lhe ensinou sobre fábulas ninguém é obrigado a ter de acreditar.
– Silêncio! – Interrompeu Dukie – Eu sou o líder deste grupo e independente de ser verdade ou não ficaremos aqui até a tempestade passar, se você não está recordando Seth, o lobo se localiza no bosque, e nestas tempestades e com estes trovões, eu tenho certeza de que algumas árvores irão cair e pegar fogo também. Seria muito perigoso, e não estamos aqui para brincar de vida e morte, certo? .
Sem falar nada, apenas soltando fumaça pelo nariz, Seth se retirou á seu quarto.
A tempestade continuará a mesma frequência, sem nenhuma interrupção. Quando horas depois a tempestade foi indo embora e num intervalo de 10 segundos um clarão se estendeu em toda a cidade. A energia caíra, e o clarão de que tanta intensidade possuía, mais parecia ter vindo para cegar todos os que o avistassem. Quando cessara a tal luz, Seth mesmo espantado por ignorância continuou em seu quarto, enquanto Dukie e Roy correram para a porta pra observar se o clarão ainda estava por ali. Ao abri-la, com Dukie dando um passo para fora da república, Roy viu algo inesperado:
– NÃO PISA DUKIE! – Gritou Leroy espantado.
“WHOA”, Dukie deu impulso para trás e acabou caindo sentado:
– O que é isso...
*TOC* *TOC*
– O Que é? – Falou Seth.
– Temos uma surpresa para você. – Disse Dukie.
Mesmo hesitando, Seth caminhou em encontro a porta em seu resmungo:
– Sei, é minha recompensa do lobo negro é? Porque só isso será uma surpresa pra mim ho... UM BEBÊ?!
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