Three Crazy Girls In Love
9 Anne
Não fiquei por muito na casa de Izzy. Foi bom ficarmos juntas depois de tudo que ocorreu. Eu não diria que foi realmente divertido, mas sim... Reconfortante.
Fiquei muito mal por causa de Sasha, mas já havia me acostumado. Eu tive muitos bichinhos e sempre que um falecia eu sofria muito.
- Hannah... — Sussurrava sempre ao passar pelo jardinzinho de baixo do prédio, onde enterrara minha hamster.
Você deve estar se questionando porque me importava tanto com um hamster, mas posso dizer, com certeza que por um longo tempo ela fora minha única amiga.
Quase ninguém sabe disso... Eu sofria bullying ninguém falava comigo e me chamavam de coisas ruins. Eu era apenas mais uma nerdizinha gorda... Hannah era quem me consolava ao final de cada longo dia daquela vida miserável. Lembro quando juntava minhas mãos formando uma concha e ela se aconchegava, lambendo meus dedos, como se fosse um cachorrinho miniatura.
Ela era a única que sabia sobre tudo que eu sofria. Eu nunca contei isso a ninguém senão a ela e até agora... Meus pensamentos sobre Hannah instantaneamente evaporam e minha mente é tomada por um entorpecimento.
Solto um leve suspiro. Raffael.
Lembro com clareza de nosso último encontro aqui em casa. Ele me contava um pouco sobre ele.
- Sabia que eu sofria bullying?
- Você? — Perguntei interessada, como ele poderia sofrer bullying? Ele era tão fofo e engraçado...
- Uhum — Ele olhou para o chão — Me chamavam de gordo, isso me deixou tão mal, parei de comer e fui internado algumas vezes...
- Oh — Me sinto com necessidade de abraça-lo, dizer que está tudo bem agora, mas não o faço. — Tadinho...
Ele olha pra mim e sorri, parece ter percebido minha preocupação. Contei a ele sobre o que acontecera comigo também. Ele me entendia e eu igualmente entendia ele. Esse pensamento me faz soltar uma risadinha. Anne e Raffael... Nossos nomes soavam bem juntos...
...
Um bipe me acorda para a vida e fujo de minhas lembranças.
Olho para meu celular. Ultimamente essa atividade ocupa a maior parte do meu dia. Olhar para a tela de meu ferrado Nokia, esperando uma mensagem. Ou melhor A mensagem...
"Você possui uma mensagem Nova — Raffael"
Sorrio ao ler essa pequena frase, que, para mim, tinha tanto significado.
"Oi amore, fazendo o que?"
- Amore — suspiro. Era o apelido que eu dera a ele, sempre o chamava assim, e agora ele igualmente me chamava desse jeito.
"Nada... Não vou ao basquete hoje. E você?" — respondi rapidamente.
Não demorou muito, uns dois minutos, talvez, ele respondeu.
"Na verdade eu tava pensando em ir te visitar..."
Tive um ataque de risos.
"Uhuu, tô esperando!" — Ok, acho que pareci animada demais... Mas quem liga? Heheh...
Corri para me arrumar, desci para baixo do prédio. Olho para o túmulo de Hannah. Imagino se ela estaria feliz por mim. Minha pequenina.
Ele chega correndo com seu skate. Uma gota de suor escorre pelo lado esquerdo de sua face. Seus olhos estavam num lindo tom de verde esmeralda.
- Droga... Você me viu — Ele reclama — Queria te assustar...
Rio dele. Ele faz uma careta.
Passamos a tarde conversando e rindo um do outro. Nunca imagenei que fossemos ficar assim, amigos desse jeito. Ia tudo bem até que ele confisca meu celular. O tempo para e travo. Lá tinha todas as mensagens sobre o que eu sentia por ele! Se ele visse aquilo! OMG!
- Não veja as mensagens! — Me desespero e pulo em cima dele, tentando agarrar o celular. O porteiro olha pra gente, pela posição, parecia outra coisa...
Não adiantou, ele pode não ter visto as mensagens mas viu as fotos "A+R= ♥"... Corei. Ele ri e pergunta, em tom brincalhão:
- Anne mais Raffael?
- Er... Nada a ver — Gaguejo — É... Amanda e Richard! São uns amigos meus... hehe... — Forço uma risada, sem graça.
- Huum... — Ele dá olhada em meus olhos, olha para seu skate, olha para mim de novo e muda de assunto. Mas sei que não vai esquecer daquilo.
Chega a hora dele ir embora. Novamente o acompanho até o metrô. Ele me dá um demorado abraço e se abaixa um pouco para beijar a maçã de meu rosto. Seguro sua mão um pouco mais forte, não queria que fosse embora. Tento enrolar.
- Hmm... Minha mãe disse pra eu brigar com você porque eu voltei pra casa sozinha daquela vez...
- Ah — Ele arqueja, e fica com vergonha — Desculpa Anne, desculpa mesmo... — Ele olha pra baixo
- Hehe... Tudo bem, ela se preocupa demais
- Ela tá certa. Eu também me preocupo com você.
- Mas não precisa — Eu retruco — Eu sei me virar sozinha! — Cambaleio e quase caio, o que apenas prova que eu estava errada.
Ele me olha incrédulo e responde:
- Mas quem ama cuida.
Pra mim era o bastante, me despedi e deixei que ele fosse... Nas três noites seguintes minhas noites foram tomadas pelos mais belos sonhos. Ele estava em todos eles, em toda parte.
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