Aqui estava eu em casa, exausta depois da longa caminhada do ponto de ônibus até meu prédio. Olhei pra ele meio crítica. Eu nunca gostara de morar em um apartamento. Me revirava só de pensar naquele amontoado de gente em uma só construção. Minha mãe sempre me chamou de fresca, mas o fato é que eu odiava, e ainda ODEIO muvuca.

Me lembrei do único detalhe que me fazia, cada dia mais, gostar de onde morava. Suspiro. Começa com Raf e termina com Fael. Rio do meu próprio pensamento... "Hehehehe"

Sou dessas meninas loucas que riem das próprias piadas sem graça e dos tombos que levam. É... Eu sou... Feliz. Sorri, mesmo sabendo que, com o minhas variações de humor amanhã provavelmente eu estaria me xingando de bosta e inútil.

Ri disso. Esquisito, fazia tempo que eu não ria tanto de coisas tão... Normais?

Sabia que meu humor não duraria muito, logo veio minha mãe super animada comentando o quanto vai ser bom nos mudarmos para o outro lado da cidade.

Reviro os olhos. Antes eu era a mais animada a se mudar, ter meu próprio quarto. Mas desde que um pequeno detalhe... A quem estou querendo enganar? Um GRANDE e perfeito detalhe loiro de olhos verdes entrou em minha vida.

Caí na minha cama com a cara em meu travesseiro. Não queria deixar esse lugar nunca. Como ele ia me visitar quando eu me mudasse??? Eu já sabia a resposta. Ele não iria me visitar. Eu não o veria praticamente nunca e morreria de abstinência. Pude perfeitamente imaginar sua voz reclamando, como sempre. "Você é muito exagerada!". Dei uma alta gargalhada. Eu sempre respondia a mesma coisa "Eu? Imagina, nem sou!". Ele soltava aquele meu sorriso favorito... Bom, um deles, se fosse o sorriso dele já era o meu favorito.

Da última vez que o vi estavamos no ensaio do teatro do qual minha amiga Marylin participava, e ele também. Ele me apoiou tanto naqueles dois dias que fui nos ensaios.

Eu deitei no ombro dele pela primeira vez e ele beijou minha testa... Tão fofo. Ou melhor, fofo não. De acordo com ele "fofo é gay". Ah foda-se!

- Foi fofo, fofo, fofo, fofoooo — Eu cantarolo, sozinha em meu quarto — espero mesmo que ele ouça isso.

Naqueles dois dias eu Mary começamos a chamar ele e uma a outra de "Salamandras Mágicas"... Ele nunca entendeu, nem eu ou ela entendemos direito, mas fazer o que?

Começo a reler nossos SMS's...

"Sempre vou ser sua Salamandra Mágica — Raffael"

"Owwwwnt, minha salamandra mágica! — Anne"

"Owwnt, minha gatinha. — Raffael"

Sussurro — Meu lindo. MEU. Bom, quem dera meu.

Nunca entendi mas a criatura fazia questão de esfregar na minha cara como as meninas tentavam juntar ele com outras amigas ou como a amiga dele queria morder sua... Hmmm, seu traseiro. Eu ria, mas por dentro os ciúmes iam me consumindo e queimando, como fogo. Era como se ele ateasse alcool!

Era íncrivel, pois eu ficava com raiva, mas não dele... Era... Impossível para mim ficar com raiva dele.

Acho que a coisa que mais odeio em você é não conseguir de odiar por nada nesse mundo, nem por apenas te odiar, Raffael.

Desligo meu celular — Não quero mais ficar olhando de minuto em minuto se recebi mensagem dele, já virou uma dependência — e vou ligar para Izzy, quem sabe ela já chegou em casa. Como será que foi o encontro com aquele tal de Kevin?