Thousand Memories

4 Capítulo 3 - Desfecho da batalha.


Notas iniciais
Se estão gostando da fic batam palmas. (?)

Esse capítulo é maior do que os outros 3 (apesar de continuar pequeno, acho) porque antes era uma introdução da história, agora é o desenvolvimento xD.

A noite refletia o brilho avermelhado das chamar. O fogo dançava, engolindo tendas e pessoas, pulverizando tudo o que tocava. Sua fumaça intoxicava e irritava os olhos. O garoto não via isso de dentro da tenda, mas sabia que era a realidade lá fora. Não sabia quem vencia ou perdia, mas sabia que lá era um mar de sangue. Do outro lado da cortina que cobria seu leito, via-se a sombra das duas enfermeiras que cuidavam dele com tanto carinho, e agora estavam aterrorizadas.

- Não vai dar, a diferença é muito grande. Erand e seu exército são... Monstruosos. — Ouviu-se a voz de Micah por detrás das cortinas.

- Não podemos fugir, estamos encurraladas. Mas devemos confiar em Marcoh, ele sabe o que faz, e já no tirou de várias situações ruins. — Respondeu vivi, com uma que tentava inspirar confiança, mas que estava obviamente não amedrontada quando a da amiga. — Vamos pelo menos proteger o único ferido que não foi a luta. Não é, garoto?

O garoto não respondeu, apenas assistia as duas enfermeiras mexendo em caixas e procurando por armas no chão. Bisturis, seringas, facas... Tudo o que fosse cortante era válido.


Era interessante como o fato de segurar algo que poderia tirar uma vida, por mais inútil que fosse, trazia uma sensação vaga de segurança. Micah e Vivi conseguiam até sorrir enquanto ficavam de frente para a entrada da tenda, segurando facas e bisturis, como se fossem vencer um exército inteiro sozinhas. Era uma ilusão, claro, e elas logo descobriram quando três pessoas trajando pesadas armaduras adentraram o local. O homem ferido não enxergava direito através da cortina, e nem distinguia cores, via apenas sombras. Mas ele sabia que os invasores eram inimigos.

- Oh, tivemos sorte. Quem diria que justo na nossa barraca teriam duas mulheres tão bonitas para nos atender? — Falou um dos homens com voz de deboche. Os outros dois riram alto. — Agora que tal soltarem essas coisas perigosas e virem conosco? Podem ter certeza de que vai ser divertido... Para nós.

- Vivi, não! — Gritou Micah, mas foi em vão. A enfermeira ruiva saltou contra o homem do meio e, com uma pequena faca, tentou perfurá-lo na altura do peito. O barulho de ferro batendo com ferro, o garoto no leito logo percebeu que a armadura havia parado o golpe. E então, mesmo com sua visão precária do local, o garoto já sabia o que ia acontecer antes dos soldados se mexerem. Os homens da direita e da esquerda pegaram suas lanças e perfuraram a enfermeira de lado a lado. Depois, sob os gritos de Micah, chutaram o corpo contra a cortina, derrubando-a.

A enfermeira bateu na cama do garoto e escorregou para o chão, sujando-o de sangue. Agora ele também estava gritando, ao ver o corpo cair tão perto. Sua voz, em coro com a de Micah, chamou a atenção dos homens. Os soldados, notou o ferido, trajavam armaduras vermelho-dourado, e portavam lanças. Um deles agora segurava Micah pelos seus negros cabelos e tentava despi-la. A cena congelou por um momento, mas logo o trio se recompôs.

- Então tem mais pessoas aqui. Eu achava que os doentes haviam sido evacuados, mas pelo visto um idiota ficou. Se deu mal, pirralho, mas você não vale nada no mercado de escravos estando ferido do jeito que parece estar. — Disse o soldado, apontando a lança para o paciente deitado. O garoto tentou se levantar, mas seu corpo não o obedecia. O homem, pisando no corpo de Vivi, segurou-o pelo pescoço. — Morra agora!

- Pare. — Disse uma voz masculina da entrada da tenda. Era bem calma, mas ela não precisou ser alta para silenciar o local. Um homem com armadura branca e brilhante estava na entrada da tenda, carregando uma bela espada com um rubi cravejado na empunhadura. A lâmina era comprida, a espada tinha mais de um metro de comprimento de sua lâmina até o fim da arma. Os cabelos do homem eram vermelhos, do mesmo tom de Vivi. Ele chutou o soldado que despia Micah, derrubando-o no chão, e levantou a enfermeira. — Lembro-me bem de ter ouvido o senhor Erand dizer para não matar quem não queria lutar. E acho que estuprar também não é permitido.

- Quem é você, idiota? — Perguntou o homem chutado. Não disse muito mais que isso. A espada do soldado de branco decapitou-o com um único movimento.

- Respeito. Sou o quarto em comando do Royal Angels. Sou um arcanjo que recebe ordens diretas de Deus. Agora, largue esse garoto e saiam daqui, ou mato os dois.

Os soldados não pensaram duas vezes, mas ao sair da tenda, atearam fogo nela, e fugiram dali. Rapidamente, o fogo já estava engolindo tudo.

-Saia daqui, mulher. Vou levar o garoto para fora também. — Disse o arcanjo de cabelos flamejantes, segurando o garoto e colocando-o por cima do ombro. Ao sair da tenda, jogou-o no chão. O corpo do menino doía insuportavelmente, mas ele foi obrigado a se manter de pé pelo soldado.

- Obrigada pela ajuda, senhor. — Disse Micah com a voz fraca, vestindo novamente seu avental.

- Não me agradeça, você será um presente para Erand, e o garoto será vendido.

- Vendido... Como escravo? Vou ser vendido? — Lamentou o garoto. Será que algo mais poderia dar errado?

-Doutor Marcoh!! — Gritou a enfermeira, desesperada.

No meio da batalha, um homem com uma espada gigante e negra atacava sem parar um médico de avental quase completamente vermelho. Ele e sua espada dançavam no lugar, se defendendo de ataques em seqüência, mas sem conseguirem revidar.

- Aquele lutando com Erand é o famoso estrategista Marcoh? Tentamos pegá-lo por anos, mas finalmente a sorte dele se acabou. — Disse o arcanjo, sorrindo satisfeito.

- Marcoh não morreu, e nem vai morrer! Marcoh, Marcoh! Saia dai! — Gritava Micah, tentando correr até lá, mas sendo segurada pelo homem de armadura branca. Tudo o que eles podiam fazer era ver aquela batalha.

Erand não dava chances para Marcoh atacar, mas também não acertava nenhum golpe nele. Podia-se até dizer que o general estava testando o médico, por algum motivo que só ele conhecia. Mas obviamente saiu decepcionado, pois rapidamente chutou o médico na barriga e deu alguns passos para trás. Marcoh, em uma última tentativa, tentou avançar, correndo até seu adversário.

- NÃO! — Gritaram garoto e mulher em uníssono, mas, assim como com Vivi, foi tarde demais. A espada de Erand quebrou a espada e decepou o pescoço do médico. Sua cabeça saiu rolando pelo campo, mas o corpo continuou de pé, firme e forte, como se não tivesse notado que estava morto. Erand, por fim, cortou o corpo ao meio com outro golpe de sua espada, e com uma lança, espetou a cabeça e a ostentou como se fosse uma bandeira macabra. O seu exército urrou em alegria, e os inimigos largaram as armas.

Afinal, os rebeldes haviam sido derrotados.

Notas finais
Não sou bom com batalhas, acho... no fim, medieval deve ser o pior tipo de fic para eu escrever. Mas é legal ficar pensando na história durante aulas chatas. Isso e os reviews me ajudam a continuar escrevendo xD. Então, não percam o próximo episódio (?) de Thousand Memories -n
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.