Notas iniciais
1.Gente linda que eu vi que comentaram a minha história, eu fiquei surpresa porque achei que essa fic não ia dar em nada, obrigado! ♥

2. Eu escrevo os capítulos na hora então eu não sei o que esperar de mim, acho que assim fica mais interessante, enfim, é isso. Beijos e aqui vai mais um capítulo.

1 de março, 2013.

Não dormi essa noite pensando em tudo que eu deixei pra trás. Sei lá, eu vivia pensando. Acho que nada é mais interessante pra mim do que pensar, mas acho que acabei de mentir, pois me lembro bem o quão intrigada eu sou com a morte, o amor e as ruas. Sim, isso é parte dos meus pensamentos, então concluímos que o mais interessante pra mim é pensar. Eu definitivamente fico perdida em meus conceitos, acho que sou louca e que ao invés de vir pra Nova York eu deveria ter ido pra um hospício, porém ninguém além de mim sabe o que eu penso, então eu não estaria em um hospício.

Hoje é meu aniversário de 16 e pretendo comemorar (eu morava no Rio de Janeiro e o aniversário dele é no mesmo dia que o meu), só falta saber como, onde e com quem. Duas semanas em Nova York e eu só conheço o porteiro do prédio que eu estou morando. Sou uma pessoa extremamente popular em qualquer lugar do mundo, todo mundo me conhece e eu conheço todo mundo. Porém não. Não é assim que as coisas funcionam, só nos meus pensamentos, mas só lá. Eu não conheço ninguém aqui e ninguém e nem em lugar nenhum. Agora me lembro alguns dos porquês de eu querer vir pra cá.

1.Não ter mais uma vida monótona e extremamente entediante.

2.Conhecer gente e futuramente ser amiga dessa gente.

3.Conhecer alguém que eu possa me apaixonar, porque definitivamente, eu não entendo como isso nunca aconteceu comigo.

4.Descobrir poque ruas me intrigam tanto.

5.Viver a minha vida e depois morrer (espero que não dolorosamente) e finalmente entender como é depois (acho que não vou descobrir, mas tudo bem)

Pois bem, decidi tomar um café do outro lado da rua e depois conhecer melhor a cidade. Até agora eu só tinha andando três quarterões em duas semanas. Paguei e saí, continuei andando e parei para responder uma sms da minha mãe. "Parabéns filha, eu te amo demais e nunca se esqueça disso. Espero que esteja conseguindo o que quer em Nova York que não pode conseguir aqui comigo, infelizmente. Espero também não estar sendo dramática demais, mas se é isso que você quer eu sempre vou te apoiar não importa o que seja. Já disse que te amo? Se não aqui vai um eu te amo, se já, aqui vai outros 5125684645566 eu te amo da sua mãe, que te ama tanto. Beijos." Sorri e de repente vi lágrimas escorrendo no meu rosto. Não sabia se chorava ou se sorria por querer tudo aquilo longe de onde ela estava, não era por causa dela e não sabia se era isso que ela pensava, mas decidi que deveria fazer isso sozinha e manteria essa decisão. Claro que todos os dias eu sentia uma saudade enorme dela aqui comigo, mas já estava feito. Eu ainda estava parada, sorrindo e chorando quando senti o que eu segurava caindo, celular e dois livros e algumas outras coisas caindo também, acho que outro celular e uma pasta.

- Hi, I'm sorry, é, que coisa!

- Oi. — Eu sorri torto.

- Você é brasileira? — Eu vi um sorriso largo se abrir no rosto dele, e que sorriso.

- Pois é, e você derruba o celular e o livros de garotas novas na cidade ou algo assim?

- É, talvez. — Ele sorriu e se abaixou pra pegar as coisas que ele tinha deixado cair.

- Obrigado.

- Ah, não foi nada. Posso te perguntar uma coisa?

- Depende. — Sorri. — Então, o que é?

- Você sempre chora quando ri? Acho que isso foi meio idiota de se perguntar, mas é que...

- Saudade da minha mãe, ela me mandou um sms e eu não sabia se chorava ou se sorria, se ficava triste ou feliz. Eu meio que sou assim.

- Ah, acho que eu sou meio curioso também. Qual é seu nome?

- Achei que você iria perguntar só uma coisa... — Sorri.

- É, eu também achei. Mas não é todo dia que se esbarra em uma garota bonita e interessante que não sabe se ri ou se chora. — Ele sorriu e eu fiz questão de rir disso descontroladamente.

- Lia, 16 anos agora e você?

- Miles, eu sei não é nome de brasileiro. Mas é que eu sou nascido aqui, minha mãe é americana e meu pai brasileiro. Ah, eu tenho 17.

- Interessante, aliás, gostei do nome. Um dos personagens do livro Quem é você, Alasca do John Green se chama Miles. Portanto eu acho que gostei do seu nome, só acho.

- Hmm, você gosta de ler. Me interessei por você mais ainda!

- Estranho já que ninguém se interessa por mim. Você é definitivamente estranho por isso.

- Que seja então, mas eu gostei de você.

- Hmm, não sei como responder a isso.

- Que tal se sair comigo hoje? Só como uma pessoa que eu conheci porque esbarrei enquanto ela chorava e ria de saudade e me interessei e agora quero que ela saia comigo, por enquanto só por isso?

- Sabe, você é meio engraçado. Só meio.

- Mesmo que só meio, eu sou.

- É.

- Ah, eu tenho que ir. Minha aula começa á, 15 minutos. Tô atrasado.

— Isso é o que acontece quando se fala que eu sou interessante, mesmo que eu não seja.

- Se você acha, eu gostaria de perder mais minutos da minha aula conversando com você. A gente se vê aqui ás 20:15?

- Vou pensar, caso contrário eu não estarei aqui. — Sorri.

- Então eu vou até seu prédio, tenho meus contatos por aqui senhorita Lia.

- Bom pra você, não acha?

- Não podia acontecer nada melhor que isso! — Sorriu mais uma vez e seguiu em frente pra onde quer que seja. Eu continuei andando na direção oposta sorrindo. Aquele sorriso bobo de quando você conhece alguém que fala que você é bonita, interessante e te convida pra sair. Então decidi voltar pra casa esperar ás 20:15. Cheguei e joguei o celular na mesa, guardei o livro na pratilheira e procurei por Quem é você, Alasca. Peguei e me deitei no sofá, abri em uma página qualquer e procurei por algum trecho que eu quisesse ler, encontrei um que naquele dia não saiu mais da minha mente.

"Tantos de nós teríamos de conviver com coisas feitas e deixadas por fazer naquele dia. Coisas que terminaram mal, coisas que pareceram normais na hora, porque não tínhamos como prever o futuro. Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resultariam das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil."

Esse trecho lembrava a minha vida, por mais estranho que não pareça, ou pareça. Digo, eu decidi ir embora e aqui eu quero viver minha vida, e as consequências que eu teria seriam o amor e a morte. O amor eu poderia encontrar em qualquer rua, em qualquer canto e quem diria, mas a morte também. A consequência da vida é a morte e o amor. Existir já é uma consequência, o resto é consequência de existir. Aqui estou eu, perdida novamente em meus pensamentos bonitos, mas também suicidas. Eu estava ali pra viver a minha vida e pra me importar com as consequências que eu queria que ela tivesse. Consequências que eu já citei milhares de vezes e que citarei outras milhares. Então decidi que eu iria me encontrar com o Miles, e que sei lá, eu iria futuramente me apaixonar por ele. Eu quero isso, e quero que seja com ele. Ele despertou minha atenção. Não é só porque ele é bonito, tem olhos verdes e o cabelo loiro escuro. É porque eu gostei dele. Do senso de humor, da curiosidade, desse jeito que ele fala que te faz querer ficar sorrindo o dia todo porque ele te acha interessante. Ele poderia ser um cafajeste, um filha de uma puta cafajeste, mas eu agora ia gostar dele, me apaixonar por ele, é assim que eu quero que seja. “Saio em busca de um Grande Talvez.” Sim, eu assim como o Miles (o personagem) saio em busca de um Grande Talvez, e espero que esse Grande Talvez saia em busca de mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.