Those Blue-gray Eyes.

6 we are in trouble now.


Apesar de saber que não conseguiria disfarçar, e olharia cada canto do novo apartamento do dono dos belos olhos azuis-cinzentos, e que também iria observar cada simples movimento dele, Kiro acabou concordando com a ideia de ir ajudar Strify. '' Ora, o que pode acontecer de tão ruim? O máximo que ele vai fazer é me expulsar de seu apartamento, pensando que sou um maníaco. Ótimo. '', ele pensou.

- Claro que ajudo. — Kiro respondeu, sorrindo.

- Vamos, então? — Strify se virou, e saiu andando na frente, dando tempo para Kiro fechar a porta de seu apartamento e segui-lo.

Mesmo em pleno estado de desespero, sendo capaz de correr nu pelo prédio e depois dar uma de macaco e escalar o Empire State, Kiro foi com o garoto dos benditos olhos azuis-cinzentos até o seu apartamento. Claro, era só um mínimo corredor de distância. Mas para ambos, pareciam quilômetros. As mãos de Kiro suavam excessivamente, e isso contribuiu para que seu corte voltasse a doer.

Ele acabou expressando uma careta de dor, que não passou despercebida por Strify. Mas, de qualquer modo, este abriu a porta, e deu passagem a Kiro. Dentro do apartamento, encontrava-se uma bagunça infernal. Caixas e mais caixas, e alguns objetos espalhados aleatoriamente eram os responsáveis pelo cenário. Kiro percebeu que o único móvel que se encontrava no lugar era um sofá roxo, mas este também estava parcialmente ocupado por caixas.

- Eu sei, está horrível. — disse Strify, quase fazendo um bico. Aquilo matou Kiro por dentro. Ele realmente teve de segurar-se para que, em um impulso, ele não abraçasse o garoto.

- Bom, por onde quer começar? — Kiro indagou, sorrindo, e cruzando os braços.

- Se não for incomodo, gostaria que você me ajudasse a tirar algumas coisas daquela caixa, para que as coloque na estante. Tudo bem pra você? — Strify corou um pouco ao olhar diretamente para Kiro, e se este não estivesse tão ocupado em olhar os olhos do garoto, aqueles que tanto o hipnotizavam, e que ele tanto sonhara, ele teria visto as mãos inquietas deste, que indicavam seu nervosismo.

- Estamos perdendo tempo aqui. Vamos? — disse Kiro.

Eles direcionaram-se até a caixa, e com uma tesoura, Strify cortou a fita que a lacrava, e então, eles começaram a esvazia-la.Kiro teve tempo de observar que, na caixa, haviam muitos livros. Mas um Strify pegou com um carinho especial.

- O Retrato de Dorian Gray. A melhor obra literária de todos tempos. Na minha opinião, claro. — disse Strify, ao pegar o livro e abraça-lo, antes de coloca-lo na estante, em um lugar separado de todos.

E, deste modo, as horas foram passando. Eles já haviam esvaziado a maioria das caixas, e se Kiro não estava enganado, já se aproximavam das 2 da manhã. Ele já nem se lembrava da dor de seu machucado, e ele nem ao menos percebeu quando o firme curativo que ele havia feito se soltou. Quer dizer, não percebeu, até o momento em que dobrou a mão de modo mais rude para pegar um porta retrato e entrega-lo a Strify, quando sentiu uma dor lancinante.

- O que foi? Se machucou? — disse Strify, descendo da escada em que estava, quando viu Kiro colocando o porta retratos no chão, e curvando-se, segurando sua mão.

- Não. Eu ... estou ... legal — disse Kiro, pausadamente, respirando profundamente entre as palavras. Logo sentiu alguém passando a mão por suas costas, e puxando seu rosto pelo queixo.

- Onde você se machucou? — perguntou Strify, preocupado. Por alguns segundos, o mundo de Kiro parou, e tudo que ele pôde ver e pensar eram os olhos azuis-cinzentos do garoto, olhando firme e preocupadamente para si.

- É só um corte que fiz, hoje mais cedo. Não é nada demais. — Disse Kiro, estendendo a mão e mostrando o corte que fora feito pelos cacos de vidro do espelho, que ele quebrara, pensando justamente nos olhos azuis-cinzentos. Porém, logo fez outra careta de dor, e soltou um pequeno gemido.

- Eu acho que é algo para se preocupar. Sente-se ai, vou buscar alguma coisa para lhe fazer um curativo. — Strify tinha uma voz doce, angelical, que fez Kiro esquecer a dor, e se concentrar no garoto.

Logo, Strify voltou para a sala com uma caixinha de primeiros socorros na mão. Ele sentou-se perto de Kiro, no sofá, e este realmente achou um perigo extremo, ter Strify assim, tão perto. A proximidade fazia com que Kiro ficasse totalmente embriagado com o cheiro do garoto dos olhos azuis-cinzentos. Ele nunca havia sentido esse cheiro antes, e, de algum modo, sabia que não era perfume algum. Era o cheiro dele.

Strify pegou a mão de Kiro gentilmente, policiando cada um de seus movimentos. Com uma gaze molhada com soro fisiológico, ele limpou os cortes, e depois, passou um pouco de anti-bactericida, para que não inflamasse. Ele fazia tudo com tamanha delicadeza, porque no fundo, não queria que Kiro sentisse mais dor. Ele não entendia o porque, mas o garoto que morava em frente ao seu apartamento tomava sua atenção de tal modo, que ele não conseguia não se preocupar com ele.

Devagar, Strify foi enrolando uma faixa em volta da mão de Kiro, desta vez bem firme, para que os cortes ficassem protegidos. Com o curativo pronto, Kiro sorriu para o garoto dos olhos azuis-cinzentos.

- Obrigado. — Kiro agradeceu, mas sua voz saiu como um sussurro. — Bom, está ficando tarde. Acho que é melhor eu ir para casa, afinal, você deve estar cansado.

- Ah sim, claro. — Quando Kiro disse isso, Strify percebeu o quanto eles haviam feito. As caixas estavam quase todas vazias, e o apartamento já estava quase todo arrumado. E quando percebeu isso, não pode conter um sorriso meigo de agradecimento, direcionado a Kiro.

- Se quiser, eu posso voltar amanhã ...

- Espero por você, então. — Strify havia dito isto rápido demais. Mas o que ele poderia fazer? Queria Kiro perto de si.

E deste modo, os garotos se despediram. Enquanto Strify iria dormir, pensando no que o fazia querer tanto se aproximar de Kiro, este iria dormir, simplesmente para poder sonhar novamente com os olhos azuis-cinzentos de Strify. Pelo menos em seus sonhos, ele não precisava segurar-se para não abraçar o garoto ...