Those Blue-gray Eyes.
13 The Wedding - Part I
Nervosismo e ansiedade eram palavras extremamente fracas para definir o que Kiro estava sentindo. Seu estômago dava reviravoltas em seu interior, fazendo-o sentir como se estivesse em uma montanha-russa, e seu coração parecia uma escola de samba, batendo freneticamente, tentando quebrar sua caixa toráxica. Suas mãos suavam, e, pela milésima vez, ali estava ele, de frente para o espelho, verificando suas roupas, cabelo e maquiagem, retocando até os mínimos detalhes, para que estivesse perfeito.
Ele passou a mão pela blusa social preta, que se encontrava com o primeiro botão aberto, suspirando. Se o vissem ali, levando em conta seu nervosismo, diriam que era ele quem iria se casar, e estava a espera da noiva. Ou do noivo, no caso. Strify mexia com seu mundo, e mexia muito mais do que deveria. Verificou novamente seus equipamentos, que foram rearrumados diversas vezes, como desculpa para se demorar ali no apartamento, sem parecer desesperado. Não que não estivesse, claro. Não pelo serviço, claro que não. Mas pelo acompanhante. Strify o deixava de pernas bambas só com o olhar. E às vezes, o menor sentia que o loiro-mestiço tinha plena consciência disso, e usava este truque para desestabiliza-lo.
Olhou novamente para o relógio, afim de saber o horário, e, como suspeitava, estava duas horas adiantado. Fora pedido que chegasse uma hora antes, para que pudesse fotografar os noivos, convidados e toda a decoração da bela igreja, e, como bom um profissional, cumpriria o pedido de seus clientes. Pegou a bolsa com o equipamento, carteira, chaves e cigarros, e se dirigiu para a porta da saída, afim de deixar o apartamento e chamar Strify, para que pudessem ir. Olhou novamente para a foto que estava agora em seu criado-mudo, e se sentiu intimidado e seduzido pelo olhar do maior. Sorriu ternamente, e saiu do apartamento.
No apartamento vizinho, Strify terminava de vestir o colete preto por cima da blusa social branca, justa. Estava simplesmente perfeito. Sorriu, arrumando o cabelo, e mordendo o lábio inferior em sinal de nervosismo assim que ouviu a campainha ser acionada. Se sentia uma colegial sendo levada ao baile de formatura por seu amado, e riu diante da imagem que se formou em sua mente. Imaginou-se em um belo vestido de seda rosa, extremamente meigo, sendo levado pela mão até a pista de dança por Kiro, seu amado, elegantemente vestido em um terno preto. Mas, desde quando Kiro era seu amado? Isso estava se tornando complicado, e muito problemático. Problemático o suficiente para que o loiro-mestiço tenha decidido jogar tudo pelos ares, e se entregar àquela loucura que era sua relação com o menor.
Seu corpo ainda queimava pelos toques sutis das mãos do loiro, e ele fechou os olhos, mordendo com mais força o lábio inferior, reprimindo a torrente de pensamentos nada castos que invadiram sua mente. Kiro estava deixando-o louco, e o maior não sabia se iria aguentar por muito tempo.
A campainha foi acionada novamente, tirando Strify de seus devaneios, fazendo com que ele gritasse um '' já vou '' para acalmar a presença masculina que estava do outro lado da porta. Kiro estava preocupado, pensando que o maior havia desistido, e estava fugindo de si. Já ia acionar a campainha uma terceira vez, quando ouviu o barulho do trinco da porta sendo aberto, e não conseguiu conter o típico ''o'' que se formou em sua boca quando viu o loiro-mestiço. Em resumo, ele estava malditamente sexy, e loucamente perfeito. O menor tossiu, e passou a língua levemente pelos lábios, tentando controlar-se para não puxar o mais velho pela cintura e mandar o compromisso para os ares.
— Vamos? — disse o loiro, tentando disfarçar o baque que levara com tanta perfeição, e recebeu como resposta um brilhante e cativante sorriso do maior.
— Estou ansioso para ver como você trabalha!
Assim, eles seguiram para o local, sempre conversando, parecendo amigos de longa data. E, na mente de cada um, o questionamento era o mesmo. '' O que diabos estou fazendo? '', eles se perguntavam, ao mesmo tempo em que não queriam descobrir o que estava acontecendo. Fora breve, rápido, mas estava acontecendo. Em menos de um mês, eles já eram íntimos o suficientes para considerarem um ao outro como amigo, e maduros o suficiente para admitir que ambos queriam que fosse muito mais que uma amizade. Ambos queriam sentir o toque das mãos, o choque dos corpos, a maciez da pele do outro. Mas nenhum dos dois era corajoso o suficiente para deixar o outro saber. Não por enquanto.
O caminho fora trabalhoso, afinal, era fim de tarde, e as ruas estavam lotadas, engarrafadas até onde a vista alcançava. A cerimônia seria celebrada no alto de um penhasco, que dava vista para toda a cidade, trazendo toda uma magia para o local. Com o pôr do sol, tudo se tornava ainda mais perfeito, encantando o maior, que parecia admirado ao chegarem no local. Kiro sorriu, vendo os olhos do outro brilharem em encantamento, e sentiu uma ânsia quase incontrolável de acariciar o rosto deste, e tomar-lhe os lábios para si. A sorte era que, quando chegaram, já haviam algumas lá, e o menor não teve tempo de pensar muito em Strify a partir deste momento. Padrinhos, noivo, pais dos noivos, damas de honra. Eram muitas pessoas, e muito trabalho. Strify ficou encostado na cerca, ainda sob efeito do encantamento daquele local. Em meia hora, o noivo foi levado para dentro da tenda, e foi a vez da noiva chegar para as fotos. A mulher estava deslumbrante, em um vestido branco típico. As fotos ficaram maravilhosas, e parte de seu serviço estava feito, já que ele era encarregado de tirar fotos apenas do exterior e da cerimônia, deixando o serviço de tirar fotos dos ''bastidores'' com outros profissionais de sua equipe. Com a deixa, ele procurou o loiro-mestiço com os olhos, intrigado, e acabou por encontrar uma cena nem um pouco agradável. No exato momento em que viu o maior, o viu sendo beijado no rosto de um modo nada amigável por homem alto, de cabelos negros com reflexos vermelhos. Ambos sorriam, e pareciam íntimos.
Para não se descontrolar, Kiro se virou, e colocou-se a fotografar tudo que via pela frente, desde pézinhos inquietos das damas de honra, incomodadas com vestidos tão pesados, até um beijo furtivo e escondido entre um casal de padrinhos, que pareciam preocupados demais com o fato de serem vistos. A cerimônia começara, e Strify ficou o tempo todo parado na entrada da tenda, lhe encarando, enquanto o menor fingia não se preocupar. O fato era que estava extremamente enciumado, porque não queria aquele moreno perto do que lhe pertencia. Quando viu o mesmo chegar perto do loiro-mestiço novamente, quase teve um ataque, e então, focou sua atenção máxima e total no casamento, esquecendo de tudo e de todos. Poderia se preocupar com Strify mais tarde.
[continua...]
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