Those Blue-gray Eyes.

11 I should kiss him? I think so ... - Part I


Notas iniciais
sim, este capítulo terá uma pequena continuação.

Já era manhã. O sol invadia o quarto de um pequeno ser loiro, chamado Kiro, com seus primeiros raios de luz, à fim de despertar alguém que, por incrível milagre, já se encontrava acordado. Kiro estava sentado na cama, abraçado às próprias pernas, apoiando o queixo nos joelhos. Em seu olhar, aquele brilho perturbador de quem gosta do que sonha, mas desta vez, tinha algo a mais. Adicionado ao brilho rotineiro, podia-se ver nitidamente o brilho que se vê no olhar de um homem, quando seduzido por uma criatura humana. Era este o olhar de Kiro.

O porque dele estar assim? Seus sonhos. Strify nunca estivera tão provocador como no sonho da noite passada. O dono dos olhos azuis-cinzentos se rastejara como uma cobra, sedutor como um animal em sua dança de reprodução. Em seu olhar, um leve brilho de malícia, uma inocente malícia, que uma criança tem ao se descobrir. Mas o Strify-sonho fizera Kiro acordar neste estado, e não conseguir dormir mais.

A pergunta que não saia da mente do menor era se tudo o que estava vivendo era realmente verdade. Não sabia se ainda estava sonhando, ou se tudo era realidade, como os fatos indicavam. Ainda não acreditava em tudo que estava acontecendo, afinal, em um dia, os olhos que tanto o perturbavam eram fruto de sua imaginação, e no outro, eles estavam ali, em sua frente, olhando-o com um fogo típico, sedutor.

Ele esfregou a cabeça, arrumando levemente seu cabelo, e decidiu que sairia para tomar um café, e dar uma volta pelo Central Park, que se localizava perto de seu apartamento. Se desse sorte, ou azar, não encontraria Strify, e poderia colocar seus pensamentos em ordem. Assim, levantou-se, e trocou de roupa rapidamente. O relógio marcava 9 horas da manhã, e isso o animou. O parque estaria relativamente vazio, e ele poderia ficar tranquilo.

No caminho, ele não pode deixar de encarar a porta do dono dos olhos azuis-cinzentos, e no fundo, desejou chama-lo, e levá-lo consigo. Mas não queria parecer sufocante, e por isso desistiu. Passou na loja de café da esquina, e comprou um copo grande, para alimentar seu vício diário. Assim, à pé, embrulhado em um elegante casaco de cor gelo, com calças jeans, ele seguiu para o parque. Ao passar pelo elegante portão, ele se sentiu revigorado. Mesmo artificial, o cheiro de verde daquele oásis em plena selva de concreto trazia algo de reconfortante e familiar para Kiro.

Este seguiu até um gramado, em frente à famosa ponte localizada no parque, e ali, sentou-se, saboreando seu café. Sem perceber, acabou caindo no sono, e ali ficou.

- Kiro? Kiro, você está bem?

Ele sentiu um suspiro quente próximo à sua face. Uma mão macia tocou sua face, e ouviu a voz doce de ninguém mais, ninguém menos que seu novo vizinho. Ao abrir os olhos, ele viu o rosto do garoto, dividido entre preocupação e diversão, ao ver que o menor tinha caído no sono. Este, intrigado, indagou como Strify o descobrira ali, já que não avisara nem nada. Segundo o mais novo, ele viu Kiro passar pelo lugar onde ele estava, lendo o jornal e comendo algo como café da manhã, e resolveu segui-lo. Ficou à espreita durante alguns minutos, e quando viu que o menor não se mexia, resolver acordá-lo.

- Ah, sim. Não quis chamá-lo, pensei que estava dormindo. — O mais velho justificou, sorrindo embaraçado.

- Está tudo bem. Eu não estava em casa, mesmo. — Ambos sorriram, enquanto Strify se sentou ao lado do menor.

Eles conversaram por um bom tempo, sobre assuntos aleatórios, desde cafés e cães até política e corrupção. E, no meio deste assunto, surgiu a dúvida:

- Então, Kiro, fiquei curioso com o seu trabalho.

- Hum, eu não faço nada demais. Apenas fotografo algumas pessoas, por diversão, ou por dinheiro. Acho que fiquei razoavelmente aceitável na arte da fotografia.

- Gostaria de ver algumas de suas fotos.

Kiro lembrou-se do quarto que mantinha em seu apartamento, para eventuais revelações das fotos que fazia por hobbie, e ofereceu-se para levar Strify até lá. Não via problema algum com as fotos, nem com o fato do dono dos olhos azuis-cinzentos entrar lá. É claro, era um lugar particular. Mas se este já entrara em seus sonhos, porque não deixa-lo ver sua suposta arte?

Com o convite prontamente aceito, eles deram uma volta pelo parque antes de irem em direção ao apartamento. Durante todo o percurso, ele riram e conversaram ainda mais. Se sentiam quase completos juntos, se não fosse a falta do contato físico. Ambos estavam sedentos pelo calor do corpo do outro, mas nem sequer se davam conta deste fato.

Chegando no apartamento, ambos tiraram seus casacos, ficando apenas de camisetas. Kiro guiou o mais novo até o quarto, e abriu a porta, dando espaço a ele. À primeira vista, era apenas um quarto escuro com suas paredes pintadas de preto. Mas quando o menor acendeu a luz, Strify pode ver vários e vários varais de fotos, preenchendo quase todo o quarto. Ele se encantou com a sensibilidade do menor para captar grandes significados em pequenas ações. Crianças brincando, a lágrima no rosto de uma senhora idosa, as mãos unidas de um casal recém casado, cada foto com seu significado. Kiro recostou-se no balcão, cruzando os braços, deixando que o outro se entretesse com as fotos.

- São incríveis, Kiro. Você é um artista.

Sorrindo, o menor agradeceu silenciosamente. Percebeu que a atenção do maior ficou retida em uma foto que mostrava dois garotos de idade relativamente igual à deles abraçados, debaixo de uma marquise, se protegendo da chuva forte que castigava a cidade. Percebeu também que este se prendeu a uma sequência de fotos do mesmo homem, olhando intrigado.

- Você gostou dele. O fotografou diversas vezes.

Kiro pode sentir um tom quase melâncolico e ciumento na voz do maior, mas preferiu não se iludir, e se aproximar, apontando para as mãos do garoto na foto.

- Não gostei dele. Apenas das mãos. Eram delicadas, mas fortes. As mãos de um garoto-homem. — Dizendo isto, tomou a liberdade de puxar Strify pela mão até o balcão. Puxou uma caixa branca, e deixou ali, à mercê do garoto. Este olhou-o como se perguntasse se podia mexer ali. — À vontade, pode mexer.

Com isto, o maior abriu a caixa, e ficou surpreso ao ver seu conteúdo. Eram apenas fotos suas, no dia em que foram à campina. Observou como Kiro tirou diversas fotos suas, assim como de suas mãos.

- As suas mãos são como as mãos de um ser nobre e sensível, Strify. Delicadas, macias, carinhosas. Mas tenho certeza que podem ferir alguém, ou serem rudes. — Ele pegou novamente as mãos do mais novo, e acariciou-as. Como estava por trás deste, aproveitou para se aproximar mais, sentindo o calor que emanava do corpo do maior.

Aturdido com a proximidade e a profundidade do toque simples e confortável de Kiro, Strify se virou para este, ficando, assim, pressionado entre o corpo do menor e o balcão. A proximidade era tão grande, que fazia com que as respirações se confundissem. Ambos sentiram as bochechas ficarem vermelhas pelo sangue que se concentrara ali.

O menor levou sua mão ao rosto do dono dos olhos azuis-cinzentos, que agora o encaravam profundamente. Acariciando a pele macia do mais novo, este teve sua atenção dividida entre os olhos extremamente hipnotizantes deste, e sua boca, que se abrira em um mínimo ''o'', como se pedisse para ser beijada. [continua]