Thomas Avery.
2 Tente Por Ela.
Notas iniciais

Forks – 1864.
Os raios solares atingiram o rosto do rapaz que permanecia imóvel em sua cama, a janela de seu quarto estava aberta, o que tornava o ambiente iluminado e fresco. Abriu as pálpebras e piscou algumas vezes antes de se acostumar com a claridade, sua cabeça latejava e todos os ossos do seu corpo estavam doloridos, era sempre assim, desde a morte de Melinda, o mesmo bebia até altas horas da madrugada, e depois voltava para casa onde recebia reclamações vindas de seu pai, que não se orgulhava da situação do filho.
O jovem Avery, se sentou na cama com colchas de marfim, e se apoiou na cabeceira, sentindo um gosto amargo em sua garganta, suspirou antes de colocar as mãos em cima do criado-mudo ao seu lado, e retirar da primeira gaveta dele uma foto manchada e sem muita qualidade, mas, nela estava presente sua amada, tocou a imagem com carinho.
— Sinto sua falta, Melinda, o que eu não daria para te ter aqui ao meu lado, peço que a onde quer que estejas, que me desculpe por ter tido a ideia de fugirmos, desculpe-me por ter sido covarde. — sussurrou como se já tivesse decorado aquelas palavras, e se levantou disposto a encarar mais um dia sem ela.
[...]
Na varanda da enorme mansão Avery, Aurora Avery repousava em uma cadeira de balanço bordando peças delicadas, enquanto apreciava seu chá, esboçou um mínimo sorriso ao ver seu filho aproximar-se dela, mas, o sorriso logo se dissipou de seu rosto, ao notar que Thomas estava com o rosto abatido e algumas olheiras visíveis.
Só ela sabia do romance secreto de seu filho, sempre o apoiou porque queria que ele se casasse amando sua esposa, queria que ele tivesse uma vida plena e feliz, mas, agora a única coisa que enxergava nos olhos do filho era tristeza. Mesmo não tendo conhecido Melinda, imaginava que a garota era boa, caridosa e gentil, porque somente ela, deixava Thomas feliz a ponto de ver as orbes do filho brilharem com uma intensidade que chegava a ser encantadora quando fala dela.
Por mais que quisesse aconselha-lho sabia que simples palavras não fariam a dor parar, nem diminuir, o único que poderia fazer isso era o tempo, e ela esperava que ele agisse logo pois não aguentava mais ver seu filho naquelas deploráveis condições.
— Bom dia minha mãe. — Thomas a cumprimentou brevemente, antes das repreensões que com certeza viriam.
— Bom dia meu filho, irá sair? — Aurora questionou, deixando de lado suas custuras. Sua preocupação era notável, pois ela tinha em mente o que provavelmente o filho faria e isso cortava mais ainda seu coração. Thomas estava destruindo sua juventude.
— Irei a cidade espairecer minha mente...Necessito de um tempo, antes de voltar as minhas atividades normais. — ele respondeu com a voz rouca, talvez por conta da ressaca que o atingiu, mas, de certa forma um alivio percorreu seu corpo, por sua mãe não ter lhe repreendido por chegar de madrugada na noite anterior.
— Sabes que seu pai já está ficando impaciente por conta desta situação, ele não lhe dará mais tempo para que assuma seus negócios...É seu dever aprender tudo...Quando se casares será o homem da casa, precisa assumir responsabilidades. — sua mãe falou com a voz doce, tentando amenizar o peso de suas palavras, mas, não surtiu o efeito que ela queria.
— Eu só começarei a fazer o que meu pai quer quando me der vontade...E quanto a eu me casar, creio que isso não acontecerá porque nenhuma outra irá ocupar o lugar de Melinda. — ele falou-lhe com rispidez, odiava o fato das pessoas tentarem com palavras disfarçadas o aconselhar a desistir do seu amor por Melinda, fingir que o que um sentia pelo outro simplesmente nunca houvesse existido.
— Tudo que quero és que seja feliz, meu filho. — sua mãe disse-lhe delicadamente, e Thomas enviou-lhe um sorriso triste.
— Não sei se isto será possível minha mãe, desde que Melinda se fora, apenas um espaço oco ocupa parte do meu coração, o que antes era colorido, acabou se tornado tons obscuros de preto em branco. — explicou-lhe, logo após suspirando saudosamente.
[...]
A cidade estava parcialmente cheia, as carruagens causavam um barulho ao se chocarem com as pedras da estrada, e as conversas alheias despertavam uma onda de confusão na cabeça de Thomas, que caminhava lentamente sem prestar muita atenção no mundo a sua volta, ou nas pessoas. Permitiu-se sorrir um pouco, ao lembrar-se que foi ali, que ele conheceu ela, tudo causado por um mero esbarrão...Uma feliz coincidência.
As pessoas que andavam na calçada, que eram conhecidas por ele, passavam pelo mesmo e o cumprimentavam, gesto esse que não era reciproco. Aquela era uma das partes que ele mais odiava nisso; As pessoas o tratavam sem saber como ele estava devastado por dentro, porque nem mesmo o direito de declarar-se vitima daquela dor ele tinha, no fim das contas, todo amor que ele sentia por Melinda padeceria em segredo. Joseph de alguma forma tinha a honra de receber as condolências, mesmo sem merecer, ele podia sofrer sem ser questionado, se pelo menos o fizesse.
Thomas esperava não encontra-lo tão cedo, pois não saberia o que fazer se se deparasse com aquela face hipócrita mais uma vez, aquele crápula que se dizia noivo de sua amada, nem ao menos tentava fingir que sentia pelo que tinha acontecido á jovem Konstantinova.
Segundo boatos o Phillipis havia se mudado para Londres, junto com seu irmão caçula, mas, nada havia sido confirmado, e Thomas nem fazia questão de saber.
O jovem Avery apertou o livro que tinha em mãos, tentando dissipar os pensamentos nada dignos que ele tinha em relação ao Phillipis, e atravessou a rua, rumo a um dos bares da cidade, mas, parou seu trajeto, ao ver uma moça muito elegante, sentada em um dos bancos da praça, perto do chafariz, a mesma balançava um leque em suas mãos, enquanto um chapéu cobria seus cabelos negros lisos. Thomas caminhou até ela em passos firmes e a mesma sorriu quando lhe viu.
— Senhor Avery. — a mesma cumprimentou, enquanto seus olhos cor de mel, brilhavam por causa do contraste do sol com eles.
— Senhorita Summers. — ele cumprimentou de volta, com um aceno de cabeça. Aquela era nada mais nada menos que a prima de sua amada. Morava em Londres com uma tia adotiva, mas, mesmo assim, uma vez ao ano vinha visitar sua prima. Dessa vez havia vindo por um motivo diferente...Um motivo trágico.
Mas suas visitas a Forks não se resumiam a encontrar os Konstantinova, vinha também para ver seu noivo; O irmão mais novo de Joseph, Melinda havia comentado uma vez com ele sobre isso, ela lhe contou, que como as duas famílias eram muito amigas, uni-las virou uma especie de tradição.
— Por favor Thomas, chame-me apenas de Marie. — ela pediu carinhosamente, com um tom tão calmo e sereno quanto o de Melinda, mas, haviam diferenças nítidas entre as duas, não fisicamente, mas, sim em suas personalidades, Marie tinha no olhar uma superioridade que era quase intimidadora. Enquanto Melinda tinha pureza.
— Pensei que seu barco para Londres partisse hoje. — Thomas comentou, lembrando-se que ela havia lhe dito isso quando deu-lhe a pior noticia de sua existência.
— E de fato iria, mas, não pude deixar meu tio naquelas deploráveis condições. Elizabeth não daria conta de cuidar dele, e como sou a única familiar viva, terei de ficar até os mais tardá, até que pelo menos se recupere desta situação tão impactante. — falou-lhe de uma forma que não soou muito sincera. Uma vez Melinda também lhe disse que Marie era uma boa garota, só que se encontrava perdida em meio a tantas regras.
— Se me permite dizer, seu tio colheu o que plantou. — Thomas disse com amargura, lembrando de tudo que ele fez o fez.
— Sei que meu tio não teve atitudes muito nobres ou compadecentes, mas, sobre hipótese alguma pense que ele não amava Melinda, ele está sofrendo, lidar com a perda da minha tia já foi difícil, imagine agora não poder contar com Melinda para preencher sua solidão. Toda fortuna que ele construiu está ruindo. — falou-lhe tentando amenizar os danos que seu tio causou, mas, não poderia.
Thomas respirou fundo.
— Sinto muito não poder continuar esta conversa, mas, preciso ir. Foi bom revê-la, em uma situação menos trágica do que a anterior. — anunciou calmamente, girando os calcanhares pronto para sair dali, mas, foi impedido ao ouvir a voz de Marie soar em um chamado, ele virou-se, pronto para ouvi-la.
— Espere Thomas. — pediu e depois suspirou antes de falar. — Tenho certeza, de que a onde quer que minha prima esteja, ela deve querer que você seja feliz, de que recomece sem ela. Eu sei que é difícil, que é pedir demais, mas, pelo menos tente...Por ela.
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