This love is my God
2 - Cala a boca, você é crente!
Notas iniciais
Kurt e Troian foram para diretoria e, após conseguir roupas no achados e perdidos,eles descobriram que eram da mesma sala...
–Haha, ironia não, crentelho ?
–Sermos da mesma sala ? Sim, mas é um alivio pra mim.
–Pena que não posso dizer que é pra mim também.
–Oque ?
–Esquece...
O diretor perguntou quem havia feito aquilo com Kurt, que obviamente não contou quem era os garotos, fato que irritou a garota que o havia ajudado, até agora tudo que tinha visto era um “crentelho” chato e covarde. Após alguns sermões sobre como combater o bullying, ambos foram liberados.
Depois de sair eles foram direto para a segunda aula, pois já havia se passado o tempo da primeira. Na sala, Troian se sentou do lado oposto e bem afastado do de Kurt. Ela era acostumada a ficar sozinha, e, no fim das contas, eles não eram amigos só por que ela o levou na diretoria da escola. Kurt começou a observar a menina durante a aula, ela era alta, muito magra, cabelos pretos, tão grandes que mesmo amarrados em um rabo de cavalo, chegavam um pouco acima de seu quadril. O rosto da garota era bem marcado nas maçãs e no maxilar, seus olhos eram de um castanho bem claro, que ficavam verdes quando o dia estava muito ensolarado.Seus lábios eram grandes e carnudos, dentes alinhados e brancos.Seu nariz era fino e delicado, admirável. Ela estava usando uma regata toda branca com uma jaqueta de couro preta, que chegava só até sua cintura, uma calça leg e seu coturno de cano alto preto. Kurt admirou a forma como ela se vestia, realmente tinha estilo. Diferente dele,que só usava o uniforme da escola, camiseta branca, calça de moletom preta e um tênis comum preto e branco. Seus cabelos eram grandes e enrolados, seu rosto era fino e magro o que fazia com que seu óculos grande, quadrado e preto caísse bem, olhos verdes e boca com os traços bem marcados num tom rosa escuro, sua pele era um pouco mais escura, mas não tanto, ele era baixinho e magro.
O garoto ficou horas se comparando com os outros alunos, ele realmente se detestava, se achava muito diferente, ou muito mais feio, e assim as horas das aulas foram passando e o garoto ficou seu primeiro dia de aula assim, viajando na beleza alheia.
Na hora do intervalo, Kurt se agarrou na única garota que conhecia, mesmo ela deixando bem claro que não queria a sua companhia, mas cedeu as preces do garoto, que estava desesperado com medo de ser colocado dentro de uma privada de novo.
Jeremy e Sam andavam pela escola sozinhos, não participavam de nenhum grupo ou coisa do tipo, eram só eles dois, eram amigos a muito tempo então já era um costume, eles matavam algumas aulas para ir até a quadra de futebol, ficavam embaixo das arquibancadas fumando e bebendo.
–Você acha que aquele garoto vai dedurar a gente ?
–Só se ele quiser morrer , Sam.
–Ainda não entendo, estamos no terceiro ano e continuamos assim, nunca vamos mudar?- Indagou de forma amargurada.
–Olha cara, se você quiser parar de perturbar novatos comigo, eu entendo, mas não espere que eu vá ficar te defendendo do time de futebol, lembra do seu primeiro dia de aula ? Quem te salvou de estar no lugar daquele garoto de hoje mais cedo ? Fui eu! E aposto que adorariam fazer isso com você, mesmo você sendo do terceiro ano.
–Calma,cara! Eu só comentei.- Falou, ficando vermelho de raiva, então levantou e ia sair quando seu braço foi puxado fazendo com que os dois ficassem muito próximos, a ponto de seus narizes quase se tocarem.
–Só para garantir que você entendeu… Se você me deixar, vou contar para todo mundo sobre como você quer muito fazer isso- Disse o maior se aproximando, podiam sentir a respiração um do outro, seus lábios estavam quase se tocando quando Jeremy se afastou.- Então fique avisado — Disse sorrindo e saindo daquele lugar.
As aulas daquele dia já haviam acabado, Kurt e Troian estavam andando de volta para suas casas, a garota estava totalmente quieta, enquanto o garoto tentava puxar diversos assuntos.
–Você gosta de ler ? Assiste alguma série ? O que você gosta de fazer ?- Perguntava o garoto pela décima vez, mas a garota continuava em silêncio, o garoto pareceu se cansar e abaixou a cabeça sussurrando — Por que ela não gosta de mim ?
–Cara! Cala a boca, você é crente! Realmente, espera que eu goste de você ?- Vociferou a garota com um olhar de indignação e virou a rua sem ao menos se despedir. Então o menino depois de alguns minutos atordoado pelas palavras, retomou seu caminho para casa.
Durante o caminho ele reconheceu um dos meninos que havia enfiado sua cabeça na privada mais cedo, Sam, então com medo pegou seu celular e começou a andar rápido tentado passar despercebido, mas antes dele passar pelo moreno, olhou novamente e viu que ele parecia triste ou preocupado, e ficou paralisado olhando para o mesmo, então, depois de alguns segundos, Sam notou o olhar sobre si e levou os olhos ao pequeno e assutado garoto do outro lado da rua, pensou que talvez estivesse com medo dele tentar algo, aquilo de algum modo tocou o maior, ele realmente tinha assustado o novato, pensou em como não queria maltratar ninguém, mas em seguida lembrou de Jeremy o ameaçando, então espantou os pensamentos e continuou andando, deixando Kurt para trás.
Quando chegou em casa, ainda intrigado pelo desgosto de todos em relação a ele, Kurt se dirigiu para seu quarto, pegou um caderno qualquer e começou escrever seus textos para Deus.
“ Querido Senhor, não entendo por que as pessoas não gostam de mim. Amar você causa tanto ódio assim nas pessoas ? Hoje, foi meu primeiro dia de aula, e uma garota me ajudou quando dois grandalhões enfiaram minha cabeça na privada, só que, mesmo ela fazendo isso, me tratou mal o dia todo, e dava a justificativa de que eu sou “crentelho”, por que isso me faz ser um chato ? Bom, de qualquer modo, não vou deixar isso me abalar, pois Deus é maior que tudo isso, e eu estou feliz em estar com Ele, obrigado por estar comigo e fazer dos meus dias os mais abençoados” .
Após escrever essa carta, ele desceu para almoçar, sua mãe estava de folga e seu pai não trabalhava.O garoto ficou feliz por ela estar em casa, os almoços ao seu lado eram mais gostosos, até por que seu pai não fazia nada mais do que miojo para ele comer.
–Bom dia pai, bom dia mãe !- Falou se juntando a mesa com eles.
–Bom dia filho, como foi seu primeiro dia na escola ?- Perguntou a mulher colocando os pratos na mesa.
–Foi….- Lembrou novamente do ocorrido com a privada — Foi ótimo mãe, já tenho três amigos. -Mentiu, isso pesou em sua consciência. Pegou uma colher e estava levando a comida até sua boca, quando levou um tapa na mão fazendo a colher cair no prato novamente.
–Você já orou para agradecer, mocinho ?- Sua mãe ordenou discretamente, em um tom severo.
Então eles oraram, e depois do almoço o garoto subiu para seu quarto, e depois de pensar muito em como foi seu primeiro dia ele acabou adormecendo.
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