Notas iniciais
Oi gente, Espero que gostem do cap novo! Beijinhoss

Eu sou uma pessoa horrível. Eu sou uma pessoa horrível. Eu sou uma pessoa horrível. Comecei a pensar. Ele estava com outra. Ele. Estava. Com. Outra. Eu sei muito bem como é ser traída, e não desejaria isso a ninguém. Sei a resposta do porquê que não estávamos fazendo isso antes. Por que é errado.

–Caleb, pare.- interrompo.- Isso não é certo.

–O que você está falando? –Ele pergunta, confuso. Me levanto de onde estava sentada.

–Não sou eu que devia me tocar disso, mas você está com alguém. –Eu falo, e ele fica quieto. – Digo, você nem pediu desculpas para mim.

–Desculpas pelo o que? –Não sei se estava sendo lerdo ou orgulhoso. Torço que seja o lerdo.

–Olhe, eu não quero brigar de novo, mas acho que você deveria se tocar Caleb, e não ser tão egocêntrico.

–Você realmente acha que está certa?

–Sim, eu acho. Hora de você tomar uma decisão concreta. –Desço as escadas e entro em casa. Não ia ser daquelas garotas que acreditam em todas as palavras doces; já fui assim, e não iria voltar a ser.

Acordo de manhã me sentindo péssima. Estou com uma dor de cabeça fortíssima, e calafrios. Tenho certeza que estou com um resfriado, e acredito que esteja com febre. Mando uma mensagem de texto para Lou, falando que não vou para o colégio hoje, e ligo para o trabalho também dizendo o mesmo.

Passo o dia inteiro na cama deitada, relendo alguns livros e escutando música. Por volta das cinco da tarde, Louise aparece lá e ficamos até tarde conversando até tarde; senti falta dela. Não falei do que aconteceu na noite passada, pois Caleb não era só amigo meu (amigo? Não sei.), mas também era dela. Teria que respeitar, mesmo morrendo de vontade de falar alguma coisa a ela.

–Lou, o que Nick vai querer fazer no aniversário dele? –Pergunto a ela. Seu aniversário seria em breve, e tinha acabado de me tocar disso.

–Acho que ele vai querer mais ou menos a mesma coisa que nem o meu, só nós quatro, e depois encontrar uns amigos no bar. Tudo bem por você?

–Claro, é o aniversário dele. Vai ser legal. –Respondo com sinceridade. -Podemos pegar as bicicletas e ir até as rochas, oui? –Lá no final da praia tem umas grandes pedras de frente para o mar. Tem até uma trilha, uma “estradinha” de pedras, por onde pedalávamos para chegar lá. Costumávamos ir com bastante frequência, até entalhamos nossos nomes na maior rocha. Louise concorda comigo, e diz que vai falar com ele.

Ela vai embora logo após minha mãe chegar, por volta das 22h. Pelo fato de ser sexta e ela não precisar trabalhar no dia seguinte, passamos a madrugada assistindo TV, até que adormeço no sofá.

O final de semana passa rápido, fico o tempo todo com a minha mãe e volto a trabalhar no sábado. Só me recupero totalmente no domingo, ou seja, no dia seguinte, teria que ir para o colégio.

Acordo de manhã ainda mais cedo, e vou preparar alguma coisa para comer, já que minha mãe foi ontem à noite para a casa de Jean. Decido ir a pé hoje, pois fiquei os últimos dias deitada.

Fecho todas as janelas antes de sair, mas quando estou prestes a partir, escuto alguém batendo na porta. Me deparo com um homem que aparenta ter uns 35-40 anos, com os cabelos castanhos, assim como os olhos. Ele me encara e não diz nada por alguns segundos, em plena segunda-feira de manhã.

–Oui? –Pergunto a ele.

–Bom dia, estou procurando Abigail Adams. Ela está? –Ele pergunta em inglês americano mesmo.

–Não, ela só chega de noite. Quem é você?

–Sou Richard Palliot, um amigo antigo de Abby, dos Estados Unidos. O que você é dela? Amiga, colega de quarto?

–Hm, sou Katherine Adams. A filha dela. –Ele me olha com surpresa. Provavelmente porque poucos da antiga vida dela sabiam que minha mãe tinha deixado o país pelo fato de estar grávida, e vinte anos de diferença entre pais e filhos é muito pouco.- Desculpe, moço, mas tenho que ir, estou atrasada para o colégio. –Digo, fechando a porta atrás de mim, mas ele me segura pelo braço.

–Espere. Quantos anos você tem, exatamente? –Esse homem estava começando a me assustar.

–Dezesseis. Hm, pode me soltar por favor? Sem querer ser mal-educada, mas nem te conheço.

–Espere. Moram só vocês duas? –O que ele queria saber tanto?

–Ah, sim. Desculpe, moço, mas preciso mesmo ir.

–Onde está sua mãe?

–Fora. No trabalho.

–Qual é o seu nome? Precisamos conversar. –Algo me diz para sair correndo dali, mas simplesmente não vou.

–É Katherine. Não acho que temos nada para conversar.

–Katherine. Eu sou seu pai.

–Mãe. –Digo com a voz trêmula ao telefone.- Você pode vir para casa?

–Filha, o que aconteceu? –Ela pergunta, claramente preocupada.

–Richard Palliot está aqui, mãe.

–Estou a caminho. –Ela responde com a voz fraca.

Ele se senta em uma das poltronas e me sento no sofá. Já faz 15 minutos que liguei para minha mãe e começo a ficar preocupada. Faz mais de 16 anos que ela não o vê também. É uma grande notícia para se absorver.

Ficamos em silêncio por todo esse tempo, que parece durar horas. Uma hora dessas já deveria estar no colégio, tanto que recebo uma mensagem de Nick: Cadê você? O que aconteceu? E apenas respondo: Não pude ir, algo importante. Falo com você depois.

–Como você vai? –Ele finalmente pergunta.

–Bem. Nos últimos dezesseis anos, muita coisa aconteceu. Ficamos bem sozinhas se quiser saber. – Não me importo se fui rude. Ele nos abandonou e depois de quase duas décadas, nem deu sinal de vida. –Ela foi um pai e uma mãe para mim, melhor do que possa imaginar.

–Como está sua mãe? –Ele me olha com pena, o que me deixa mais irritada ainda.

–Ótima. Sabe, no começo ela aceitava empregos que não pagavam nem um salário mínimo, mas cuidar de uma criança exige dinheiro. Mas chegamos até aqui, certo? É claro que eu preciso trabalhar também para pagar as contas, mas não vejo problema nisso.

–Se o problema é dinheiro, eu posso ajudar.

–Dinheiro está longe de ser o problema. -Comento. Antes que ele consiga se explicar, minha mãe chega, finalmente. Richard se levanta imediatamente e eu só observo. Iria ser um dia longo.

–O que você está fazendo aqui? –Pergunta ela, firme.

–Abby. Quanto tempo.

–O que você está fazendo aqui? – Ele repete.

– Eu queria saber como vocês estavam. –Ele diz. –Conhecer minha filha. Você foi embora de um dia para o outro e nunca mais voltou.

–E você nunca se preocupou em nos procurar. – Retruca ela.

–Eu tentei, mas não as achava em lugar nenhum. Viviam se mudando. Depois que me formei tentei achar vocês, mas foi impossível.

–Richard, nós ficamos 16 anos seu você, e estamos ótimas assim.

–Abigail, ela é minha filha também!

–Você nem a conhece! Nunca a viu até hoje, há 20 minutos atrás.

–Abigail, nós poderíamos ter sido uma família! Você tinha bolsa de estudos na NYU, mas você simplesmente foi embora! –Bolsa de estudos? Ela nunca havia mencionado isso.

–Com que dinheiro, Richard? Você conhecia meus pais. –É verdade. Meus avós, no caso, restringiam muito. Eles queriam que sua única filha fosse para a faculdade de medicina, e ficaram muito irritados quando ela foi estudar artes. Desde lá, já começaram a cortar gastos, até que ela engravidou e se mudou para a Europa de vez. – Olha, aquilo é passado. Estamos bem aqui agora, e não precisamos de você.

–Mas ela precisa de um pai. Se não for por você, que seja por ela.

–Vocês podem parar de falar como se eu não estivesse aqui? –Digo, com irritação. Não era mais uma menininha de 5 anos, observando os pais brigarem. Nunca tive isso na minha vida, pelo fato de viver só com a minha mãe. – Olha, Richard, estamos ótimas sem você e vamos continuar assim sem você. Então pode voltar do lugar onde veio, para o seu diploma de faculdade que minha mãe nunca pode ter, para as boas condições de vida que você com certeza tem, para a família perfeita que você deve ter, por que você não passa de um estranho para mim. Obrigada pela visita.

Subo as escadas até meu quarto sem olhar para trás. Me apoio contra a porta e deslizo até o chão, onde me sento com a cabeça entre os joelhos. Escuto os comentários através da porta. Eles começam a discutir sobre quem estava errado; ele diz que ela partiu, sem pensar que a filha era dele também e que ele poderia ajudar financeiramente para eu poder parar de trabalhar, e minha mãe reclama que ele nunca se interessou em nós. Depois de um tempo, prefiro ficar sem escutar. Não iria levar a nada.

Recebo várias mensagens de meus amigos, mas só falo para não apareceram aqui e que estou bem. Perco a noção do tempo que passo lá, mas de repente os gritos param e escuto uma batida em minha porta. Minha mãe se senta o chão ao meu lado e me abraça.

–Filha. Como você está?

–Não sei, mãe. Nunca imaginei que isso ia acontecer.

–Desculpe por isso, não é culpa sua.

–Nem sua. É dele.

–É minha, também. Filha, acho que você devia falar com ele. Ele é seu pai, querendo ou não. -Ela fala, e eu me surpreendo. Depois de toda a gritaria, imaginei que ela iria falar tudo menos isso.

–Ele não é meu pai. Nem o conheço.

–Mais um motivo para ir lá. Queria tanto que você tivesse um pai, filha. Faz isso? Por mim?

–Está bem, mãe. Só uma chance.- Desde que era pequena, todos contavam histórias fantásticas que tinham com os respectivos pais. Minha mãe sempre preencheu esse buraco em mim, mas mesmo assim.

–Eu fico aqui, oui? ­- Ela comenta.

Concordo, desço as escadas e o vejo sentado no sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Murmuro um oi baixinho, e sento na poltrona ao seu lado.

–Eu queria me desculpar, antes de tudo. Por não estar aqui todos esses anos. – Ele pega a carteira no bolso do casaco e tira uma foto de dentro.- É a única foto que tenho sua. –Era uma foto minha. Foi aí que percebi que todos mereciam uma segunda chance.

Ele me conta que é casado com uma moça chamada Jane e que tem dois filhos, um de 6 anos, outro de 4. Ele diz que vai ficar por aqui só até o final da semana, depois vai encontrar com Jane em Paris. Ele é professor de sociologia numa universidade, e sua mulher é professora de história, no mesmo departamento. Ele me pergunta o que quero fazer na faculdade e falo que ainda não tinha pensado sobre isso. Conversamos mais um pouco, e percebo que temos mais em comum do que pensava. Ele conta algumas histórias de quando eles namoravam, que minha mãe nunca tinha me contado.

Já são quase 15h, e ele diz que me ligará amanhã se eu concordar em fazer alguma coisa. Não digo nada, pois ainda não tenho certeza de como estou me sentindo em relação a isso. Mas prometo considerar.

Vou andando até o café e respondo uma mensagem de Lou, que achava que eu estava mais doente ainda. Falo para ela que ligo para ela depois, mas que está tudo bem. Parte de mim se sentia bem, mas me sentia muito mais confusa e inquieta. Mas não me arrependo do que aconteceu hoje. Acho que estava precisando dessa conversa a muito tempo.

Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim! Por favor, comentem, me ajuda a melhorar! Beijinhoss