This is our song

1 Every Breath You Take


"Every breath you take and every move you make, every bond you break, every step you take, I'll be whatching you" no mesmo minuto em que ouvi a letra da música, me identifiquei.

Memorizei o trecho e vi o carro se aproximando do portão da escola. Iria baixar a música mais tarde, e escutar milhões de vezes. "Tchau, mãe. Tchau pai!" falei, saindo do carro. Entrei na escola com o pátio vazio. Mais uma vez atrasada. Hoje era o penúltimo dia de aula antes das férias de inverno, e eu estava animada para as férias. Logo, iria viajar para Curitiba, onde ficava metade da minha família. Pela parte de meu pai.

Assim que cheguei no andar de cima, e estava perto de minha sala avistei Caroline e Lalá me esperando em frente a porta de entrada. "Oi" falei assim que me aproximei. "Oi Lara" elas responderam com um abraço. "Acho que seu paquera não vai vir pra aula hoje" Lalá disse em tom de deboche, fazendo beicinho. "Cala a boca" falei, mas não pude deixar de rir.

Carol olhava para trás com um sorriso malicioso desenhando seus lábios. "Ou talvez não" ela disse, depois voltou o olhar para mim. Virei para trás no mesmo minuto, assim que o vi meu coração deu um pulo, mas logo voltou ao controle.

Quando o enxerguei, sorri. As conhecidas borboletas no estômago se estendiam pelo meu corpo inteiro, e minha mãos frias que antes ardiam, surpreendentemente esquentaram, apesar do ar úmido e frio dos corredores da escola.

"Oi Lara" disse ele se aproximando. Meu rosto queimou, era a primeira vez que ele me cumprimentava tão espontaneamente, o que havia mudado? As frestas da luz do sol que vinham da janela batiam no seu cabelo preto e brilhante, seu olhar era carente e iluminado. Seu sorriso, fofo e brincalhão. Meu corpo vibrou de felicidade ao ouvir sua voz.

"Oi Dean" falei, a voz saia fraca e baixa. O sinal bateu bem na hora em que ele ia puxar assunto, em que íamos conversar nos corredores da escola e começar nossa história. Assim, interrompendo-nos o sinal simplesmente bateu e tivemos que entrar na sala.

[...]

"Lara, ele senta atrás de você! Você está me entendendo?" Lalá exclamou assim que saímos da sala para o recreio. "Atrás de você!" ela repetiu. "Podia muito bem puxar uma conversa!" ela continuou. "Ah, e você por acaso deve puxar muita conversa com o Matheus, né?" falei, com um tom de sarcasmo.

"Eu sei como é Lara, dá vergonha é normal" Carol disse calmamente, mantendo seu jeitinho delicado "mas você têm que tentar falar com ele ao menos" ela explicou. "Mas o que eu vou falar?" perguntei na defensiva. "Qualquer coisa serve, ele já vai adorar! Dá pra ver que também está na sua!" Lalá afirmou. "Como você sabe?" perguntei, com o olhar esperançoso e cheio de alegria. "Dá pra ver" Lalá e Carol confirmaram.

Depois, fomos sentar em nosso ponto habitual de sempre no pátio. Ao lado do bebedouro, perto da biblioteca, alguns bancos na nossa frente, entre a biblioteca e onde nós sentávamos, em uma área fechada.

Compramos nosso lanche no bar, e depois quando fomos sentar lá vimos Dean, Matheus e Louis sentados nos bancos à nossa frente. Automaticamente, as meninas olharam maliciosamente para mim. "É a sua chance" Lalá falou. "Talvez na aula mais tarde, eu puxo assunto. Mas aqui não, não na frente de todo mundo!" falei, minhas mãos já tremiam. "Pare de ser medrosa" ela disse. Ignorei.

"Porque você não vai até lá e puxa assunto com o Matheus então? Afinal, vocês até já ficaram" mudei de assunto. Ela sorriu, e seu olhar brilhou. "Se eu e a Carol formos lá, você vêm junto" elas disseram. Meu coração acelerou em um compasso. "Primeiro vamos na biblioteca, tenho que entregar meu livro! Já aproveitamos para passar na frente deles, para nos notarem" falei. "Boa!" Carol falou.

Levantamos e andamos distraidamente e rindo passando na frente dos meninos, espiei um pouquinho pelo canto do do olho, e o meu olhar se encontrou com o de Dean. Sorri para mim mesma, mas passei a andar mais rápido. Não via a hora de falar com ele novamente, ao mesmo tempo que tinha medo. Mas, medo do que?

"Por que será que Maria faltou hoje, né?" Carol perguntou. "Não sei" afirmei. "Deve ser besteira" Lalá comentou. Conversávamos enquanto esperávamos a minha vez para entregar o livro. Assim que ela chegou, as meninas saíram em disparada ao encontro da porta da biblioteca, eu parei.

"Será que devemos mesmo?" perguntei com as costas suando, apesar do frio. "Claro que sim" Lalá afirmou "vamos Lara, você não tem mais 10 anos" ela afirmou. Eu ri. "Claro, tenho doze!" falei, "que diferença faz?" ela fez cara feia. Mas querendo ou não, eu tive que ir, senão sabia que ela ia me arrastar.

[...]