Depois de passarem por uma longa temporada fria, o calor começou a incomodar o pequeno conde. Era incomum um clima daqueles vindo do local onde vivia. O dia já estava se despedindo, fazendo com que o sol sumisse lentamente e o céu fosse dominado por um belo azul-marinho e preenchido com brilhosas estrelas. A lua cheia não demorou em aparecer depois disso. Ciel pensou que, talvez, podia ignorar o tempo e aproveitar a noite. Afinal, ela estava tão bonita...

Porém, seus pensamentos foram completamente interrompidos quando seu mordomo invadiu o cômodo. Suspeitou, pois ele raramente entrava sem pedir permissão. Deu de ombros, pois aquilo não era o que mais lhe importava no momento. Queria admirar a lua, e isso era tudo. Mas o outro não parava de insistir para que Ciel o notasse.

- O que foi? – O menor questionou sem demonstrar muito interesse. Achava que aquela atitude do mais velho era um tanto ousada. Onde já se viu? Uma pessoa tão inferior a ele tentando lhe distrair? Virou os olhos.

- Você tem uma visita, bocchan. Ele já está esperando faz algum tempo. – Respondeu sem enrolações. Ficou surpreso por dentro, pois não esperava ninguém hoje.

- Quem é? – Cruzou as pernas, prestando total atenção em Sebastian.

- Ele pediu para que você fosse atendê-lo. – Disse de modo simples. Era incrível como o mais velho estava calmo e o conde bem pelo contrário. Levantou-se da cadeira, sem muito ânimo para ir até a visita. De toda forma, o fez. Dirigiu-se até a porta da mansão e abriu a porta rapidamente.

Congelou com a figura que viu. Os organizados cabelos loiros, os belos olhos azuis que lhe davam um charme irresistível que tanto conhecia. Alois estendeu a mão, deixando com que um sorriso perverso se estampasse em seus lábios. Ciel segurou sem mais delongas, sentindo o toque suave e confortável do garoto.

- Olá, Ciel. – Cumprimentou com a voz animada, soltando-se do outro e levando as mãos até a cintura. O menor estava irritado, e muito. Por que diabos aquele infeliz havia vindo o visitar? Sebastian deveria saber mais que ninguém que eles não se davam muito bem.

- Tch. O que faz aqui? – Ignorou completamente a fala anterior e o encarou. Alois soltou uma risada fraca, olhando-o de relance.

- Deveria ter mais educação com os seus convidados! Eu só vim visitar o meu amigo. Sabe, eu estou tão sozinho... – Deu um passo à frente, ficando mais próximo do conde. Notou perfeitamente a ironia em sua voz quando ele o chamou de amigo. – E talvez, visitá-lo fosse minha única opção. Posso entrar?

Hesitou em responder. Sabia que aquilo acabaria mal, uma hora ou outra. E que, em questão de minutos, estariam tentando se matar no escritório. Não suportava aquele jeito falso de Alois Trancy.

E mesmo assim, concordou em deixá-lo entrar.

O demônio só sorriu com a cena. Divertia-se um pouco com suas reações. Por fim, quando ele e o loiro entraram no quarto, Sebastian os deixou completamente a sós. Foi realizar suas tarefas atrasadas para depois tirar um descanso.

Trocaram olhares por alguns segundos. Alois era repleto de malícia e maldade, enquanto Ciel parecia inocente e desentendido. Nunca ficara sozinho em um quarto com aquele rapaz. Sequer fazia ideia de suas reais intenções. E Trancy já havia percebido isso desde o primeiro momento.

- Fofo. – Deixou com que o elogio escapasse de seus lábios.

- O que? – O conde arqueou uma sobrancelha.

- Estou pensando alto. – Fez um gesto bobo com a mão esquerda e piscou um dos olhos. Ciel engoliu seco e tentou ignorar. Eram só pensamentos idiotas, não deveria se importar com aquilo.

Sentou-se na ponta da cama e levou as mãos até os joelhos. O mais velho continuava de pé, observando-o antes de se sentar ao seu lado.

O moreno abaixou o olhar. Sentiu aquele calor quase que insuportável novamente. O clima não estava deixando fácil para ele.

- Está com calor? – Trancy perguntou, recebendo como resposta um aceno com a cabeça. Deu um sorrisinho travesso. – Eu sei de algo que pode aliviar isso.

- Diga. – Foi só fechar a boca que percebeu o movimento de Alois. O mais velho sentou em seu colo, ficando de frente. O loiro olhou para cada detalhe de seu rosto, percebendo que as bochechas já estavam ficando um pouco vermelhas. Então, começou a desabotoar seu traje. – O que você pensa que está fazendo? – Questionou. Não conseguia esconder o nervosismo naquele ponto.

- Tirando suas roupas. – Disse, terminando de retirar a parte de cima e deixando-o somente com uma blusa branca e fina. – Diga, as coisas não melhoraram agora?

- É c-claro que não! Você está sentado em cima de mim! – O conde gaguejou. Não sabia mais o que estava acontecendo naquele quarto. Alois estava em seu colo, tirando sua roupa em uma proximidade perigosa. Aquilo não era normal. Não era somente um método para aliviar o calor.

Então, o outro o beijou.

Não havia processado o que ocorreu naqueles poucos segundos. Tudo que via era os lábios do loiro juntos aos seus. Já sabia que seu rosto estava corado – havia sentido isso a partir do momento que ele se livrou da primeira peça de sua roupa. O que realmente surpreendeu é que ele estava gostando. O beijo de Alois era maravilhoso, e ele queria mais. Pediu passagem com a língua, e essa foi dada rapidamente. Aventurou-se dentro da boca do mais velho, explorando cada canto. E ele fez o mesmo, aprofundando ainda mais o ato. Não tinha muita experiência, mas conseguiu satisfazer a ambos com as poucas habilidades que havia. Agora, aquilo havia se tornado quase uma competição para ver quem ia mais fundo. Uma briga, uma dança. Uma necessidade.

Separaram-se somente quando o ar se fez necessário. Precisavam de um pouco de fôlego. Ainda estavam ligados por um filete de saliva, então se uniram novamente em pouco tempo. Alois pousou as mãos nos ombros de Ciel, empurrando-o para trás e ficando por cima de seu corpo. Sorriram com o rumo que aquilo estava tomando, mesmo sabendo que era loucura. Dois inimigos, duas pessoas que se odiavam se tratando de uma forma tão íntima... Aquilo sim era uma novidade.

- Alois... – O moreno chamou, interrompendo o beijo. Ainda o olhava com as maçãs do rosto completamente coradas e a voz infantil. – O que estamos fazendo? Isso... É tão estranho. – Desviou o olhar para qualquer ponto do quarto, envergonhado.

- Eu desejo você. – Admitiu, deslizando uma das mãos pela bochecha do menor em uma espécie de carícia. Então, fez com que ele o olhasse novamente e se concentrasse somente em si.

- Ah? – Arregalou os olhos.

- Eu desejo você, Ciel Phantomhive. Isso é tudo. — Ele repetiu e lançou um sorriso curto, levantando a única blusa que ainda lhe restava e revelando seu tórax. Era realmente belo para um garoto tão novo como ele. O moreno tapou os olhos com o dorso da mão, abrindo um pouco a boca. Estava realmente tímido e não queria ver Alois deliciando-se com a visão de seu corpo. Sabia que ficaria sem nenhuma roupa em pouco tempo, e estava preparado para isso. – Não se esconda nee.

Como o esperado, livrou-se das peças de baixo, deixando-o apenas com a íntima. O menor parou para enxergar o rosto de Alois. Parecia satisfeito com o que via, mas isso não mudava o fato que Ciel tinha vergonha de seu corpo.

- Por que só eu estou sem roupas? – Murmurou.

- Uh, é mesmo. Esqueci-me desse detalhe. – Riu baixo e realizou a remoção das próprias roupas. Era um pouco complicado, pois na verdade, quem sempre o vestia e despia era Claude. Depois de se enrolar com algumas coisas, ficou no mesmo estado que o garoto. – Pronto. — Encaixou-se em cima dele novamente, depositando sua coxa entre as pernas do mesmo.

- Mm... – Deixou com que um gemido saísse de sua boca. Era o primeiro de muitos, o que animou o mais velho.

E naquele momento, sua noite realmente teve um início. Tornou-se mais bela do que já estava sendo antes. Talvez, até melhor. Ainda estava um tanto confuso por fazer uma coisa dessas com quem era considerado um rival. Mas ao notar aqueles sorrisos, lembrar-se dos beijos e da paixão que Alois mantinha por ele, do carinho que tinha em todos os momentos... Chegava a uma conclusão.

Ele odiava o jeito que Alois o deixava; sempre tão vulnerável e incapaz de resistir ao que ele dizia. E ao mesmo tempo, o amava por ser a pessoa que mais pôde chegar perto da perfeição em seu conceito.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!