Notas iniciais
Heeeeeeeeey.

P.O.V Justin

Tinha acabado de falar com minha mãe no telefone, e eu não estava acreditando que ela conseguiu fazer com que Selena viesse à festa. Estava arrumando meu cabelo em frente ao espelho quando alguém abriu a porta. Ótimo, era a Carly.

__Wow, você está lindo! – Ela disse com os olhos arregalados e com malicia.

__ Você também... – Sorri malicioso secando suas pernas que estavam nada cobertas. Ok, Justin, hora de parar, você não vai fazer isso de novo.

__Então... – Ela se aproximou e parou em minha frente, puxando um pouco meu casaco e sussurrando no meu ouvido, porra, estava ficando louco. – A festa lá embaixo ta boa, mas acho que aqui vai ser melhor. – Ela disse sensualmente mordiscando um pouco a minha orelha, me arrepiei e puxei sua cintura, mais pra perto, passando a língua sobre sua boca pedindo passagem para um beijo. Ela cedeu rápido até demais e começamos um beijo quente e com desejo. Desci minhas mãos para a sua bunda e a apertei forte, ela gemeu e eu sorri durante o beijo. Ela acariciava minha nunca enquanto eu ia passando minha mão livremente pelo seu corpo. Empurrei-a pra cama e comecei a levantar sua blusa, até que meu celular começou a tocar. Merda (Ou será obrigado?), era uma mensagem de Ryan:

Dude, cadê você? A Selena acabou de chegar. – Eita porra. Saí de cima da Carly e ajeitei minha roupa, nem olhei pra ela e quando estava saindo do quarto, virei e falei friamente:

__ Isso aqui – Disse apontando para nós dois – NUNCA aconteceu. – Fechei a porta rapidamente e desci as escadas, a casa estava lotada. Peguei um copo de uísque e passei os meus olhos pela festa toda. Muitas meninas bonitas, mas nenhuma delas era ela. De repente vi Alfredo e a encontrei ao seu lado. Ela estava perfeita. Literalmente perfeita. Estava conversando com suas amigas e dando gargalhadas, e Alfredo estava com um braço envolvido em sua cintura. Fiquei louco, sentia meus olhos ficarem cada vez mais vermelhos e meu sangue circular rapidamente pelo meu corpo. Continuei os encarando, meio mortalmente. Tomei umas três doses seguidas de uísque e o sentia descendo queimando pela minha garganta. Então quer dizer que, enquanto eu estava aqui me lamentando, ela já estava com outro? Tão rápido assim? E ainda com o filho da puta do meu melhor amigo? Fiquei mais uns cinco minutos com pensamentos ridículos na minha cabeça, mas que faziam bastante sentido pra mim. Já estava meio tonto, é o efeito da bebida já estava fazendo efeito. Fui caminhando rápido e meio torto até eles, uma das minhas mãos estava segurando um copo novamente cheio e a outra estava fechada em punho. Quando me aproximei eles perceberam e pararam de conversar, encarava Selena nos olhos e ela desviava do meu olhar, meio constrangida.

__Então é isso? Todo esse papinho de que estava machucada era só pra me enrolar, não era? – Falei meio enrolado a encarando com muita raiva, ela estava confusa, assim como todos que estavam ali- Disse que não iria me perdoar por ser traída enquanto estava me traindo com meu melhor amigo? – Elevei um pouco o tom de voz, indo pra cima dela, fazendo-a arregalar os olhos, me encarando com um pouco de... Tristeza?

__Cala a boca, Justin. – Ela disse balançando a cabeça em um gesto de “não”.

__ O que? Não precisa mais fingir, Selena. – Disse agora, gritando. – Eu já saquei tudo, saquei que você é uma VADIA, isso sim. – Gritei isso e todos olharam Alfredo que estava ao lado dela, foi a sua frente ameaçando ir pra cima de mim. Enquanto Ashley, Samantha e Francia me olhavam incrédulas. – Que foi filho da puta? Quer me bater? Vem, não tenho medo de você.

__Para... Justin... – Selena tentou falar com a voz firme, mas acabou saindo como um sussurro, uma lágrima escorreu de seus olhos e ela a secou rapidamente, aquilo me matou por dentro, mas não iria demonstrar isso. – Pra mim já chega!- Ela saiu apressada esbarrando em Alfredo e em mim, as outras meninas me olharam com raiva por uma última vez e foram atrás dela, sussurrando algumas coisas como “idiota”, “bebe” ou “babaca”.

__Quando ia me contar que estava com ela hein? – Fui pra cima do Alfredo segurando a gola de sua camiseta. – Fala filho da puta. – Disse elevando mais ainda o tom de voz, tentando acerta-lo com um soco. O que falhou, pois ele desviou rápido demais.

__Primeiro: Seu otário, eu nunca faria isso com você. Muito menos a Selena. Segundo: Eu não bato em crianças – Ele disse se afastando de mim. – Principalmente em crianças bêbadas.

Ele foi atrás da Selena, provavelmente. E eu fiquei ali parado. Ryan, que observava tudo de longe, me encarou com um pouco de desprezo balançando a cabeça negativamente. É, todo mundo tinha ouvido nossa briga. E eu estraguei tudo, mais uma vez.

P.O.V Selena

Antes de vir para essa festa, eu imaginei coisas bem horríveis que poderiam acontecer. Mas todas elas passaram longe, do que realmente aconteceu. Nunca pensei que ele pudesse ser tão idiota. Nunca pensei que ele pudesse me machucar tanto com apenas duas frases. Nunca pensei que ele pudesse me desrespeitar tanto. Eu realmente achei que ele fosse diferente, como sou ingênua. Eu realmente acreditei quando ele me disse que eu tinha o mudado. Eu caí no papo dele. Mas ele me provou hoje que, as pessoas não podem mudar. Eu queria fugir daquela festa, daquela cidade, daquela vida. Queria poder não chorar, mas enquanto meus pensamentos me tomavam, era a única coisa que eu conseguia fazer. Como não conseguia dirigir, subi as escadas da casa do Justin rapidamente, e entrei no quarto dele. Eu iria sair dali rápido, só que precisava me esconder de todos antes. Fechei a porta com tudo e saí correndo para um lado da cama. Sentei no chão e fiquei chorando, chorando muito. Porque ele não podia simplesmente desaparecer? Porque as palavras dele, os olhos dele, ele por completo, tinha que ter tanto efeito sobre mim?

Ouvi a porta sendo aberta, merda, esqueci-me de trancar. Levantei rapidamente do chão, secando meu rosto e tentando me recompor pra ver quem era. E claro, era ele. Justin não parecia surpreso a me ver ali, mas eu só queria sair. Fui andando de cabeça baixa até a porta, atropelando alguns passos e tentando alcançar a porta. Mas ele prendeu meu braço e ficou encarando no fundo dos meus olhos, fazendo eu me perder neles. Desviei o olhar para o chão.

__Justin, me deixa passar. – Disse baixo, mas o suficiente para ele conseguir ouvir.

__Por favor, me escuta... – Ele disse baixo ainda me encarando. – Me perdoa, por antes. Por semana passada. Por tudo. Por favor, amor...

__ Amor? – Disse agora com raiva, o encarando e deixando uma lágrima escapar. – Você chama isso de amor? Eu não quero esse tipo de amor Justin – Sorri fraco. – Eu não quero ser o seu amor, se for pra passar por tudo isso.

__Eu já pedi desculpas – Ele disse olhando pra baixo e depois para mim – Eu sinto muito por tudo que te fiz passar, me perdoa.

__Te perdoar pelo que? Por ser um idiota? Por me humilhar na frente de todo mundo que nem antes? Por me fazer ficar ainda mais insegura, me traindo? – Disse agora chorando.

__Você não precisa ficar insegura, aquilo foi um deslize. Você é perfeita e é a única garota que eu amo você sabe disso.

__Quantas vezes aconteceram esses deslizes Justin? Poxa, você sabe mais do que ninguém o quanto foi difícil pra mim te aceitar, você sabe que já me enganaram antes... – Olhei no fundo de seus olhos – Você sabe que eu não confiava em ninguém, e resolvi dar uma chance a você.

__Foi só dessa vez, eu juro! Eu quero fazer você confiar em mim de novo, por favor. Eu quero fazer você confiar em mim, como eu confio em você.

__Confia tanto em mim, a ponto de achar que estou te traindo com seu melhor amigo. Confia tanto em mim, a ponto de me chamar de vadia na frente de centenas de pessoas. – Sorri sem vida olhando pra ele – Também não quero esse tipo de confiança Justin. Eu não quero mais nada de você. – Disse tentando sair mais uma vez segurando as lágrimas presas em minha garganta. Mas ele puxou meu braço de volta e me abraçou muito forte.

__Por favor, não me deixa. – Ele disse chorando no meu ombro, chorei mais ainda, com ele. – Por favor, não me deixa agora. Fica aqui, eu preciso de você Sel... Eu preciso de você!

Ficamos chorando um no ombro do outro por dez minutos. Não havia nada pra falar, só estávamos liberando todo o sentimento preso em nós ao longo dessa semana. Ele se afastou dos meus ombros, com os olhos inchados e olhou para meu rosto, puxando meu queixo com uma mão.

__Eu te amo muito. Muito mesmo – Ele disse me puxando para mais perto, devagar. Eu precisava disso. Precisava dele, precisava dos seus lábios. Só eles podiam me levar para outro mundo, me fazer esquecer tudo, de todos os problemas, de toda a dor. Mas não pretendia perdoa-lo. Não conseguiria viver ao seu lado sem confiança. Só deixei me levar pelo momento, e o deixei tomar meus lábios para ele. Não foi um beijo apressado, foi um beijo calmo, doce, apaixonado, um beijo complexo e com saudade. Foi um beijo que estávamos necessitando. Foi um beijo com muita dor e confusão, envolvidos, mas foi um beijo muito bom. Afastamo-nos por falta de ar, e ele encostou sua testa na minha e continuou de olhos fechados. Deixou sua respiração acelerada bater em meu rosto, me fazendo lembrar o quanto minha vida não fazia sentido sem ele. Desviei rapidamente meu olhar dele, que continuava de olhos fechados, e olhei para a porta. Vi Carly passando pelo corredor, o que me fez lembrar aquela cena dos dois. Tive vontade de cair em um grande buraco, ali mesmo. O empurrei rapidamente e saí correndo e chorando, deixando-o parado no mesmo lugar, com um olhar confuso. Passei como um furacão por todos da festa, sem nem me despedir de Ryan ou Pattie. Peguei minhas chaves rapidamente e mais uma vez deixei aquela casa sem condições de raciocinar ou dirigir. As lágrimas caiam cada vez com mais intensidade e eu não conseguia prestar atenção no caminho. Estava muito escuro e eu estava tonta. O perfume dele estava impregnado em mim e eu podia senti-lo em cada parte do meu corpo. Estava angustiada, precisava afasta-lo de mim. Saber que eu pertencia a ele doía demais. Ultrapassei um ou dois sinais de vermelho, sem perceber. Ia ultrapassar mais um, quando vi um carro vir em minha direção. A luz do farou atrapalhou minha visão me fazendo perder o controle do carro. Vi Justin ao meu lado colocando a mão sobre minha coxa e sorrindo. De repente, tudo apagou. Tudo acabou. Acho que meu pedido tinha sido realizado.