This Isn't an Happy Ending

6 I Still Hate You, Ashford.


Notas iniciais
Eu acho esse cap legalzinho viu askhfksalkfa

Depois que eu estava adequadamente vestida, com um short jeans e uma regata e minhas roupas sujas estavam no meu quarto, cruzei a escola e fui até o parquinho, lugar aonde eu geralmente vou quando quero pensar ou só ficar sozinha, já que não são muitas as crianças que freqüentam o internato.

Sentei num balanço solitário e fiquei lá por um bom tempo, enquanto me balançava tudo que vinha à minha mente eram os olhos pretos do meu sonho. Os olhos pretos de Mason Ashford.

Por que diabos eu fico pensando nele agora? Qual é? Tá de brincadeira, universo?

Quando eu estava no sétimo ano, Mason era uma paixonite minha. Daquelas bem bestas que você beija o chão que a pessoa pisa. Ele e eu éramos amigos praticamente desde que nascemos, porque na época a mãe dele era amiga da minha e vivia lá em casa, conseqüentemente ele também vivia lá. Eu estava numa friendzone ferrada, e quando Scott gentilmente sugeriu (na verdade, ele me obrigou. Ele disse que se eu não fosse, teria que pagar cinco pratas pra ele, como sou mão de vaca, fui) que eu admitisse meus sentimentos em relação à Mason.

Fui, toda felizona encontrar Mason na hora do almoço nas arquibancadas da minha antiga escola (que era nosso esconderijo secreto pra qualquer hora) e adivinha o que eu encontrei?

Se você disse “Mason comendo Natalie” você está certo. Bom, eles não estavam se comendo realmente, mas a única coisa que os impedia eram as roupas.

Mas não é por isso que eu odeio Natalie. Nos odiamos realmente desde que ela roubou meu achocolatado no jardim de infância e depois que eu chamei a professora, Natalie jurou de pés juntos que o achocolatado era dela (vadia!), e desde então as coisas só pioraram. Ela sempre pregou peças em mim, eu sempre caí, e depois eu descia a mão na cara dela. Era um círculo vicioso inquebrável. Por isso fiquei surpresa de ter sido convidada para sua festa no domingo.

Mas voltando ao assunto original, quando ele viu que eu estava vendo os dois, correu e tentou se explicar, mas eu não deixei. Fiquei orgulhosa por não derramar nenhuma lágrima na frente dele e daquela vadia, mas quando cheguei em casa, quase fiquei desidratada. Quando minha mãe veio me perguntar o que estava acontecendo, eu contei. Ela não disse nada, só ficou ali comigo, o que era bom. Desde então, eles estão numa relação “ioiô” irritante. Terminam quase que diariamente.

A mãe de Mason nunca mais foi à nossa casa.

Desde aquele dia, jurei a mim mesma que nunca mais daria atenção à Mason Ashford, e me saí bem. Até agora, pelo que parece.

De repente, meus devaneios são interrompidos por uma voz nada bem-vinda.

– Não. Pare de ser fresca, Natalie.... Não, eu sou obrigado a ir com ela! ... Tá, você é minha namorada e daí? Você acha que a Kirova vai aceitar esse argumento? Ah, por favor... Elise é minha dupla. Eu vou com ela você querendo ou não... Kirova foi bem clara sobre isso, Natalie!

Ele fazia pausas para ouvir a vozinha histérica do outro lado da linha.

Quando finalmente olho para trás, vejo Mason andando de um lado para o outro, aparentemente sem me ver enquanto passa as mãos no cabelo exasperado. Consigo ouvir os gritos estridentes de Natalie de onde estava sentada.

– Olha, eu realmente não me importo se você vai com o Bill... ele é um cara legal... é mesmo, Nat... também não me importo se você não quer que eu vá com a Elise... terminar? Qual é, Natalie?... pare de ser infantil! ... então ta. Beleza. Sim, obrigado por isso. Vá se foder também... tá, tchau.

Ele parou de andar, balançou a cabeça.

– Essa menina ainda me deixa louco – murmurou para si mesmo e se virou, congelando quando se deu conta de que eu estava ali e que tinha ouvido a conversa.

– Hey, e aí? Desculpe por ter presenciado isso. –ele disse enquanto se apressava para se sentar no balanço ao meu lado. Só balancei a cabeça e dei de ombros, me concentrando no jeito que o chão se mexia quando eu impulsionava o balanço com os meus pés para a frente e para trás.

Ficamos em silencio, perdido em nossos próprios pensamentos por um bom tempo, até que eu perguntei sem olhar para ele:

– Onde você conseguiu um celular?

Ouvi sua risada, logo depois sua voz.

– Eu trouxe de casa.

– Todo mundo tem um celular aqui?

Nossas sombras na areia eram totalmente diferentes uma da outra, a minha toda pequena com as minhas mãos segurando a corrente do balanço enquanto a dele, que era notavelmente maior que a minha estava curvada, como se ele estivesse com os cotovelos em seus joelhos. Vi sua sombra na areia dar de ombros.

– Eu trouxe três aparelhos. Dei um para a Nat, e fiquei com dois. Tenho um sobrando, se você quiser.

– Não, valeu.

Posso praticamente ouvi-lo revirando os olhos.

– Pare de ser orgulhosa, Elise.

– Não é orgulho, só não precisa. Não estou muito afim de ir para a sala da Kirova novamente

Ele riu. Ergui meus olhos para o céu. A lua estava cheia, poucas estrelas eram visíveis. A maioria estava encoberta por nuvens bem grandes.

– Acho que vai chover de madrugada – ele comentou, olhando para o céu também.

– Ahan.

– Ai, ai. É bom ser solteiro. – ele falou, sua postura ficando mais relaxada.

– Não por muito tempo. Tenho certeza que daqui uns dez minutos ela liga para você chorando e pedindo desculpa, você aceita e viram um casal feliz outra vez.

Ele riu, e a sombra da sua cabeça se virou na direção da minha. Enquanto isso eu observava as nuvens se moverem rapidamente e taparem a lua.

– Acho que não dessa vez. Faz dias que eu estou tentando terminar com ela definitivamente. Eu ia falar com ela amanhã, mas acho que não vai ser necessário.

Minha risada tinha uma pitada de sarcasmo, e ele sentiu isso.

– Ei, é sério.

– Ah, claro que é. –eu falei com ironia.

Ele dá um soco de brincadeira no meu braço. Finalmente olhei para ele, com a cabeça inclinada para a frente, tentando ver além da minha mão que ainda pendia da corrente. Meu cabelo solto caiu em meus olhos, tapando quase toda a minha visão, mas eu não o afastei.

– Você gosta dela? – eu perguntei, num tom neutro.

Ele ponderou por um momento em silencio.

– Não tenho certeza. Eu certamente já gostei dela, mas só antigamente. Mas atualmente, acho que não gosto mais.

Absorvi suas palavras em silencio, depois continuei:

– Então por que você ainda estava com ela?

– Ah, acho que só por conforto. Tipo, daria muito trabalho para terminar com ela. Aquela menina é maluca!

Rimos juntos disso, depois paramos, constrangidos por termos rido assim, tão abertamente um com o outro.

– Por que a pergunta? – ele perguntou, depois de um tempo.

– Sei lá, só pra saber mesmo.

Depois disso ele ficou em silencio. Sua mão veio até meu rosto e afastou meus cabelos dos meus olhos delicadamente, prendendo as mechas soltas atrás da minha orelha. Eu sei que devia ter afastado sua mão, mas simplesmente não o fiz.

– Como chegamos aqui? – ele perguntou repentinamente.

Olhei-o debochadamente.

– Com as pernas, eu acho, amigão.

Ele mostrou seu dedo do meio.

– Não é isso que eu quis dizer.

Dei de ombros.

– Então o que você quis dizer?

– Como chegamos a esse estado? A gente sempre foi grudado, e de uma hora para outra você começa a me odiar, sem nem me dizer porquê. Você era minha melhor amiga, agora imagina perder sua melhor amiga do nada.

Suas palavras me pegaram com a guarda baixa. Fiquei procurando uma resposta adequada por muito, mas muito tempo.

– Bem, só para você saber, não que isso importe, você também era meu melhor amigo. Mas é uma barra quando seu melhor amigo começa a namorar com a garota que te odeia.

Ele me lançou um olhar surpreso.

– Foi por causa da Nat?

Revirei os olhos. Idiota.

– O que você acha, palerma?

Ele balançou a cabeça, exasperado.

– Não acredito que te perdi por causa da Natalie.

Dei de ombros.

– Bom, foi. Agora supere isso.

Ficamos em um silencio confortável, eu me sentia satisfeita por dizer o que eu disse à Mason. Incrivelmente libertador. Silencio confortável que foi interrompido por um toque de celular estridente. “Nat” piscava na tela e sua foto aparecia.

– Não te disse? – falei, orgulhosa sobre minha previsão.

Ele deu uma risadinha e desligou o celular. Whoa.

– Bom, mas ela não vai conseguir o que quer hoje.

Olhei para o céu, que já não estava tão escuro quanto quando eu cheguei aqui.Não devia faltar muito para o sol nascer, então eu disse:

– Bem, já vou, quero dormir um pouco.

– Beleza. Vou com você até o dormitório.

– Não precisa, Mason. Eu sei chegar até o dormitório sozinha.

– Eu sei disso, mas eu quero ir. E de qualquer jeito, é caminho para mim.

Bufei, sabendo que não teria futuro discutir com ele. Caminhamos lado a lado, quase nos tocando em silencio por todo o caminho. Se eu ignorasse tudo que aconteceu nos últimos quatro anos, eu poderia fingir que ainda éramos amigos e que nada estava diferente. Mas o problema é que tudo estava diferente e não dava para ignorar os últimos quatro anos.

Na porta do prédio do meu dormitório, antes que eu escapasse Mason pegou minha mão. Maldito Ashford.

– Como as coisas vão ser agora?

– Do mesmo jeito que ontem, e anteontem e ante anteontem, Mason. Nada mudou. Só esclarecemos as coisas.

Ele pareceu desapontado, e eu quase desfiz sua testa franzida com minhas mãos.

– Nem uma trégua? – ele perguntou, com a voz baixinha.

Ponderei um pouco.

– Bem, vou pensar no seu caso. Agora vou dormir, Ashford. – puxei minha mão e ele me deixou ir. Quando eu estava quase na porta, chamei-o.

– Ashford?

– Hum?

– Ainda te odeio. Não se esqueça disso. – Depois saí correndo pelas escadas com sua risada rouca ecoando em meus ouvidos.

A próxima coisa que me lembro foi de encontrar uma caixinha com um celular dentro, bem na frente da minha porta no dia seguinte.

Notas finais
Sério, tem alguém aqui? Dê um oi pra tia