Notas iniciais
[eu não estive tão nervosa assim desde a primeira vez em que mostrei um texto meu a alguém... espero que gostem, é sobre um dos ships que mais amo e respeito, o receio tá gritando; mas a gente não se esconde, bota a cara no sol mesmo!]

[we all look for heaven and we put our love first]

Regina terminava de vestir seus saltos, passando a pequena fivela do sapato preto enquanto Emma parecia extremamente nervosa com os jeans rasgados que usava.

Afinal, era seu aniversário de dezessete anos.

A garota morena prometera a ela a melhor noite que ela já tinha vivido – e Regina não é o tipo de garota que quebra promessas. E Emma sabia disso desde a aposta que bateram com os garotos mais velhos do colégio: duvidaram que Mills fosse capaz de pegar o carro do xerife emprestado e andar com ele por algumas quadras.

A união entre uma morena que odeia ser subjulgada e uma loira que aprendeu a dirigir aos catorze anos graças a sua paixão por carros levou-as a um passeio regado a adrenalina e pânico com o carro roubado de Graham por dois quarteirões enquanto o rapaz comprava donuts.

No último ano, depois de David, o pai de Emma, deixar sua família, a amizade da loira com a morena poucos meses mais velha se tornara ainda mais forte. Regina parecia ter o dom de arrancar de Emma uma felicidade – efêmera – que ela nem sabia que era possível.

Emma parecia tornar todos os sentimentos no mais perfeito nada. Regina, que parecia uma bomba atômica de emoções prestes a explodir a todo o momento, odiava essa reação apática. Então, trouxe a garota de cabelos dourados para o seu mundo, apresentando a ela o que ela jurara nunca deixar que ninguém (além de Zelena, sua irmã mais velha) conhecesse.

Ela queria que Emma a conhecesse por inteiro, sem máscaras ou mentiras. E que se a loira soubesse lidar com a complexidade que era a pequena Mills, Regina comprometia-se a lidar com todos os sentimentos confusos, obscuros e sinceros que Swan tivesse em sua alma.

Elas selaram essa promessa há nove meses, no aniversário de dezessete de Regina, logo após Regina empurrar Swan na água, já que elas pularam o pequeno murro e invadiram a piscina de uma mansão um pouco mais afastada da cidade. Decidiram que era uma linda noite para nadar com suas lingeries pretas. A garota com seus recém dezessete anos completos pediu a mais nova que Swan deixasse suas muralhas serem aos poucos derrubadas por ela, que os sentimentos reclusos deviam ser livres quando as duas estivessem juntas.

“Eu sou totalmente eu mesma ao seu lado, sem medo, sem receio nenhum! Me dê a chance de te conhecer por inteiro, é só o que peço...”, disse Regina, se aproximando e fitando os olhos verdes a sua frente que pareciam mais brilhantes em todo aquele ambiente.

O sorriso seguido de uma resposta quase impossível de ser ouvida de tão baixa veio segundos antes de serem obrigada a correrem dos seguranças, com as peças de roupa em suas mãos e os corpos molhados, tentando não acordar quem desejasse dormir naquela madrugada quando ouviram os passos de alguém se aproximando da piscina. Terminaram a noite nas escadas de incêndio bebendo licor de cereja e uma sidra de maçã que Regina ganhara de Zelena naquele mesmo dia.

[...]

A mãe de Regina, Cora, acabara de se deitar quando sua filha abriu a janela do quarto e certificou-se que ninguém a veria e nem sua melhor amiga descendo as longas escadas vermelhas de incêndio. Tendo a lua como testemunha e sentindo o gosto do prazer que só o proibido oferecia, elas sorriam quando seus pés chegaram ao asfalto e entraram o pequeno beco que as levaria para a rua principal.

Os passos seguros de Regina as levaram para uma pequena boate na qual entraram só com o largo sorriso da morena. Logo, as latas de Pabst Blue Ribbon extremamente geladas se multiplicavam e suas pulseiras brilharam na luz negra. Elas dançavam sozinhas e entre a multidão. Os corpos todos que pareciam conectar-se e se mexiam em sincronia não pareciam nada perto da conexão estabelecida entre os olhares das duas amigas.

O universo particular inteiro de Regina parecia ocupado somente com a felicidade da loira, ela se sentia plena no meio de todo o seu vazio existencial quando tirava de Emma um sorriso. Enquanto isso, o mundo todo parecia parar para Emma quando a morena começava a dançar e ela conseguia entender o quão única a morena a sua frente era.

A bolha na qual viviam parecia ser estourada quando mãos invadiam o espaço delas e puxavam Regina pelos braços. Um rapaz moreno e alto, na sensualidade natural de Regina, rendeu-se a necessidade de tocá-la. A garota sentia o pavor de ter seus limites quebrados por alguém que achava que ela estava ali para satisfação. Emma, que via as coisas acontecendo lentamente demais em sua cabeça, sentiu o sangue no nó dos seus dedos quando deferiu o primeiro soco.

Regina não podia se meter em confusão, não mais, não depois de ter passado dois anos no internato em Connecticut. Uma briga no bar traria todos os problemas de volta e sujaria a imagem de Emma, quebraria a amizade das duas garotas. Ela puxou Emma pela mão e as tirou dali mais rápido do que imaginou ser possível. O céu parecia adormecer e uma brisa gelada passava pelos corpos das garotas que andavam abraçadas sem um rumo certo.

Elas não sentiam medo, não se estivessem juntas. Regina com toda a sua ousadia e coragem parecia inofensiva quando abraçava Swan e deixava-se encaixar nos braços dela. Seu coração rebelde e inquieto parecia tão sereno ao lado dela.

Sentadas na mesma escada de incêndio, Regina tinha os seus saltos agora apoiados no degrau mais próximo a ela. E Emma parecia engasgada com uma quantidade absurda de palavras, mas permanecia muda ao seu lado.

— Me desculpa. – pediu a mais velha, despedindo-se mentalmente o silêncio que era ensurdecedor ao lado da loira.

— Pelo quê? – Emma indagou, surpresa com o pedido, agora encarando o rosto de Regina, que era parcialmente iluminado pelas luzes da rua.

— Se eu não tivesse dançado daquele jeito, ele nunca chegaria perto de mim, e você nunca teria sangue em suas mãos... – Regina explicava-se com inúmeros gestos, indicando o quão nervosa estava. Ela odiava-se por ter estragado a noite mais importante do ano. Pra ela, de fato era.

— Se você imaginasse como eu odeio esses caras... — Ela encarava o sangue seco em suas mãos e Regina viu as lágrimas brilharem em seu rosto. Emma permitiu que a morena as secassem com a ponta dos seus dedos, acariciando as bochechas do rosto da mais nova. O rímel preto e o delineador escorriam pela pele branca da garota e Regina sentia seu coração se partir, e a puxou para seus braços, tentando estancar cada uma das feridas reabertas no peito das duas garotas que aquela frase era capaz de abrir.

— Não chore por isso... – a morena sussurrou acariciando os longos cabelos loiros da garota quase em seu colo.

Quando o abraço se desvencilhou, o rosto de Emma estava ainda muito próximo do rosto da morena. Seus olhos traíram-na e pousaram na boca da outra garota. Sentia não só suas bochechas corarem, mas seu corpo inteiro queimava. Regina tinha essa habilidade: fazer com que o corpo de Emma queimasse no Inferno só com pensamentos.

Regina sentia-se arremessada no paraíso sem explicações aparentes. Seu coração gritava para que aquela distância mínima entre as duas fosse anulada. A física explicava que dois corpos não podiam habitar o mesmo espaço, mas Emma e Regina eram, desde o início, uma só. A explicação perfeita de yin e yang, o equilíbrio entre o bem e o mal, a ousadia e a inocências presos dentro dos olhos de cor avelã e da íris verde.

Os lábios se encostaram. O selar das bocas durou pouco, o suficiente para entender que o toque devia continuar. O beijo começou lento e receoso, a coragem que iniciou o beijo tornou-se uma dificuldade absurda de deixar que aquilo se perdesse. Os lábios macios e finos foram cuidadosamente mordidos por Regina. E a língua da morena pediu passagem, que foi cedida pela loira, e determinou o melhor beijo que ambas tinham provado em toda a sua vida. O gosto do batom de Regina em meio ao beijo parecia ainda melhor que usá-lo de fato.

[we all look for heaven and we put our love first.]
ou
[nós todas procuramos pelo paraíso e colocamos o amor em primeiro lugar]

[...]

A união entre Regina e Emma continuou tão forte quanto já era. As confissões tímidas de que gostavam uma da outra eram inaudíveis, mas totalmente explícitas. A forma como os sorrisos se abriram quando os olhares pousavam uma sobre a outra, como se divertiam sozinhas presas em castigos sem direito de sair para festejar.

A noite de formatura chegou, e seria a última celebração das duas garotas juntas. Toda a cidade parecia se aglomerar no salão da prefeitura para ver os mais novos formandos. Emma vestia um lindo vestido vermelho longo e Regina parecia realizada ao ver os cachos da loira presos em um coque alto enquanto a morena vestia um vestido também longo, porém branco. Elas entraram de braços dados e se sentaram lado a lado.

Seu olhar pairou sobre a multidão mais bonita que já tinha visto quando subiu ao palco para pegar seu diploma. Os olhos da loira sentada a poucos metros a sua frente brilhavam. A quebra da tradição de uma nova geração de beauty queens degeneradas, já que os destinos que as duas traçaram depois do primeiro beijo se tornou muito diferente daquilo que imaginavam.

Regina foi aceita na Cornell, uma das universidades da Liga Ivy. Cora surtou com a carta recebida enquanto sua filha chorou, não querendo lidar com as escolhas que ela mesma fez, mas se mudou para Ilhaca, onde cursava Arquitetura.

Emma permaneceu em sua cidade, ajudando sua mãe com o pequeno Henry, seu irmão, que era apenas um bebê quando o pai os deixou. Ela não podia deixar sua mãe cuidar de tudo sozinha.

Nos primeiros dois anos da graduação, Regina dirigia todas as sextas-feiras durante a noite para encontrar sua família e sua namorada – mesmo que nunca tivessem pedido, era a nomenclatura mais próxima daquilo que tinham.

Emma parecia cada vez mais distante, menos disposta a conversar sobre a semana a cada viagem, menos presente a cada encontro que as duas marcavam e ainda mais presa aos eventos que se sucederam antes da formatura enquanto Regina livrou-se de todos os requícios da adolescência.

Tornava-se aos poucos mais mulher, mais segura, sem medo de represália, bronca ou de decepcionar as pessoas que amava. Regina se sentiu um pouco mais próxima da felicidade, e o mínimo que a afastava dessa plenitude era loira, que se escondia por trás de uma armadura de medos e receios.

“Ela era a única amiga que eu já tive, nos metemos em problemas e depois, eu estava acenando na plataforma do trem, chorando porque eu sabia que nunca mais voltaria...”, Regina confessara a garota de cabelos longos misto de preto e vermelho com quem dividia o quarto nas acomodações da universidade. Ela falava sobre a última vez em que viajou para a cidade natal e foi surpreendida por uma Emma totalmente diferente que vociferou a ela que o amor das duas acabara ali, sem explicações ou detalhes.

No coração da loira, todo o seu mundo se dividia. O egoísmo em prender Regina a sua vidinha monótona a deixava louca, já que sabia que Regina era capaz de conseguir o mundo, e só não o alcançava ainda porque queria Emma ao seu lado para isso, uma Emma que sabia que não era capaz de realizar os seus sonhos – não mais, pois estava fadada a permanecer ali, naquela pequena e estúpida cidade, sem uma graduação, sem maiores objetivos. Ela não podia amarrar a felicidade de Regina ao seu fracasso, reuniu toda a sua coragem e disse a maior mentira de todas: que o amor delas estava findado.

[we dont' stick together 'cause we put our love first]
ou
[nós não permanecemos juntas porque nós colocamos nosso amor em primeiro lugar]

[...]

Notas finais
[obrigada por ler até aqui, espero que tenha gostado de verdade, e qualquer coisa, comenta, tá?]

TT: @_queenmd
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!