This Is War

3 Capítulo 3 - Losing control


Minha cabeça estava pesada, a dor era absurda que eu já não sentia somente no local do tiro, mas mantive a calma tentando abrir os olhos, o silêncio era absoluto e ao conseguir identificar o lugar ao meu redor meu coração disparou. Eu estava dentro de uma cela, as paredes brancas estavam manchadas de sangue fresco e o espaço era tão apertado que não era possível se sentir confortável. Bati no vidro à minha frente, me atirei contra o mesmo e gritei, sem sucesso, o vidro era blindado. Eu não fazia ideia de onde estava, mas sabia que aquilo não era bom.
O ferimento em meu braço havia sido de raspão, mas ainda sangrava. Tirei minha camisa e rasguei para improvisar um curativo e parar o sangramento, sabia que precisava sair daquele lugar o mais rápido possível, quem quer que tivesse me colocado ali, não seria gentil ao perceber que eu havia recobrado a consciência.

Não perca seu tempo pensando em uma maneira de escapar, Sargento Henry McBright.

Disse uma voz feminina que ecoou por toda a cela, só então percebi uma câmera e um auto-falante no canto superior da cela.
— Quem é você? — Exigi saber.

Não faz diferença, mas me diga quem é você de verdade.

Nesse momento engoli em seco, ela apareceu diante da cela, eu já havia visto aquele rosto antes, mas não conseguia me lembrar onde exatamente. Seu rosto era delicado, mas possuía uma expressão severa, seus cabelos eram loiros e curtos, seus olhos azuis acinzentados esboçavam algo ruim, de uma coisa estava certo, eu conhecia aquele olhar.
— Eu sou o Sargento Henry McBright! — Respondi e ela sorriu com sarcasmo.
— Eu poderia acabar com você agora mesmo, seu russo maldito. — Disse a garota e congelei, ela havia me chamado de russo. Era óbvio que me conhecia, eu agora sentia o ódio em suas palavras e o pior, talvez conhecesse minha identidade verdadeira. — Vamos, diga quem você é!
— Henry, droga! Eu sou Henry!
— Eu o conheço, você não era do exército americano, eu o reconheceria até no inferno.
— Quem é você? — Perguntei assustado e ela sorriu novamente, mas ignorou minha pergunta, ao seu lado se posicionou outra mulher me estudando como se eu fosse um animal em exposição, sua pele era extremamente branca contrastando com seus cabelos e olhos negros. Nem mesmo parecia humana, mas imeditamente me lembrou de Dorotheya, era sua versão mais jovem e mais assustadora.
— Sargento Henry, ouvi muito falar de você. Desculpe pela recepção nada amistosa, mas não sei se posso confiar no seu lado, soube do que um de vocês fez com uma criança e não posso aceitar.
— Viktor, aquele maldito! Onde ele está? — Perguntei desesperado, não era possível que eu iria pagar pelo sadismo daquele miserável.
— Viktor? — Perguntou a mulher pálida.
— Sargento Viktor Boyarsky!
— Os outros homens disseram o mesmo nome. Liberte-o e trate os ferimentos, cuidarei dos outros dois. — Ordenou a "cópia" de Dorotheya.
— Mas senhora Natalie...
— Não questione minhas ordens.
A garota mais jovem obedeceu mesmo relutante, a cela se abriu, mas temi mover um músculo que fosse, afinal, estava diante de alguém que me odiava.
— Anda! — Disse ela me arrancando da cela pelo braço em que eu havia levado o tiro, mas resisti à dor.
Ao caminhar pelo corredor vi algo que prendeu minha atenção, era uma mulher contaminada, ela não era a única deles ali, mas seu rosto era familiar e nem de longe parecia com os outros nas celas ao redor. Olhei novamente pensando estar tendo alucinações, seria possível? De seus olhos pareciam escorrer lágrimas enquanto ela tocava no vidro como se tivesse algo para falar, mas a garota me arrastou para fora e sua expressão mudou de uma hora para outra, parecia irada tentando atravessar o vidro blindado.
Sacudi a cabeça temendo estar alucinando, aquilo fora real demais para negar, eu não podia contar isso de uma maneira tão simples, mas Martin precisava saber. A porta que dava acesso às celas se fechou atrás de mim e agora estávamos em uma sala com macas de necrópsia.
— Sente-se. — Ordenou a garota sem me encarar, percebi as marcas de queimaduras em seus braços, os flashes tomaram conta da minha mente.
— Alemanha...
— Cale a boca.
— Eu estava cumprido ordens! — Me lembrei imediatamente de 8 anos antes, quando estive no exército russo. Uma garota de 16 anos se debatia em meus braços após ter sua casa bombardeada e perder seus pais, seu corpo estava repleto de queimaduras, mas era certo de que elas não doíam mais do que ter perdido seus pais e o naquele momento o nome deles era tudo o que ela conseguia dizer.
— Meus parabéns! O que foi que ganhou sendo um assassino? Uma identidade falsa? — Perguntou ela segurando um bisturi e apertando-o, engoli em seco e hesitei em responder.
— Ganhei dor, vergonha, perdi tudo assim como você, mas eu fui obrigado a tudo aquilo. Era guerra, mas depois que acabou eu precisei de uma identidade para sobreviver.
— Essa guerra está longe de terminar. Preciso cumprir ordens e não estou aqui para jogar conversa no lixo, mostre esse ferimento.
Novamente eu estava de cara com o passado, de todas as vezes que estive fora do muro, nunca imaginei que aquilo fosse possível, mas agora estava diante de mim, o passado havia voltado para me assombrar.
— Você pode me dizer que lugar é esse?
— Não, logo vocês estarão fora daqui e não queremos que nossa localização seja do conhecimento de pessoas como você e seus homens.
— Espera... Se sabem do que Viktor fez, sabem quem eram aquelas pessoas?
— Não tivemos tempo de nos aproximar, perdemos o maior achado em anos e tudo graças a mais um maldito russo. Graças ao seu amigo, Martin, eles devem estar vivos, agora só precisamos encontrá-los.
— Eu devo isso à aquelas pessoas, mas espera aí... encontrá-los para quê?
— Você está fazendo perguntas demais.
— Sargento Henry, é hora do jantar. Beatrice, os aguardo lá em cima. — Disse Natalie prendendo os cabelos ondulados e pude ver o quão semelhante era a Dorotheya, ela me encarou com um olhar desafiador e desviei, eu não tinha medo de Dorotheya, mas Natalie era assustadora.
Ao vê-la se retirar, Beatrice sentou-se ao meu lado na maca e respirou fundo.
— Hoje eu entendo o seu lado. Tome cuidado com Natalie, não brinque com ela. — Disse ela descendo da maca e abrindo uma gaveta em na mesa ao lado, de lá tirou um revólver, o meu revólver. — Talvez você precise disso, não faça perguntas, eu não posso respondê-las.
Peguei a arma sem fazer perguntas, chequei o pente para ter certeza de que estava carregado e guardei no coldre.
— Você precisa de roupas limpas, vou ver o que posso fazer. — Disse Bratrice entrando em uma outra sala.
Analisei o local, mas não era possível haver um laboratório tão grande como aquele no meio do nada, no meio de toda a destruição que era fora do muro, mas logo Beatrice retornou interrompendo minhas inúmeras dúvidas e me entregando roupas limpas.
— Onde eu posso me trocar?
— Ah, por favor, sem cerimônias. Já vi essas coisas inúmeras vezes. — Disse Beatice tranquila e a encarei assustado. — Cada cadáver que analisamos nessas macas. — Disse ela olhando amostras de algo em um microscópio eletrônico. Me mantive estático e me perguntando se ela era poderia estar falando sério. — Fala sério! Eu estava brincando. Vem, lá em cima tem um banheiro, mas vista ao menos a camisa, Natalie não precisa ver seu revólver.
Segui Beatrice até o lado oposto da sala onde se localizavam as celas e uma outra porta se abriu após o reconhecimento de rosto da garota, dava para um elevador.
— Entre. — Disse ela e obedeci. O elevador indicava que estávamos no S3 e que estava subindo.
— O que quer dizer "S"?
— Subsolo ou superfície, nesse caso subsolo.
— Disse que não poderia responder minhas perguntas.
— Essa iria ficar bem óbvia quando chegássemos à superfície.
O elevador passou a indicar S2, S1 e finalmente S. A questão era que o elevador possuía mais 4 botões.
— Superfície. — Avisou Beatrice enquanto a porta se abria lentamente.
Estávamos numa casa comum digna do fim do século XXI, a porta do elevador havia se fechado. Encarando o ambiente, jamais seria possível imaginar o que havia ali em baixo.
O lugar parecia aconchegante, eu na verdade não tinha uma casa há muito tempo, vivia em um dormitório do exército unificado, como muitos outros que viviam para o trabalho, ter uma casa e família parecia distante demais para nós, exceto para Martin, ele tinha sua filha, Michelle.
— Os outros devem estar na cozinha, o banheiro fica na porta ao lado. Vou esperar no fim do corredor.
Entrei no banheiro e tirei minhas roupas para observar mais uma das cicatrizes que serviriam para marcar meu fracasso, porém entre todas aquelas cicatrizes em meu corpo, nenhuma poderia se comparar às que a guerra havia feito dentro de mim.
Vesti as roupas após me livrar de todo aquele sangue em minha pele e saí do banheiro. No fim do corredor Bratrice batia o pé no chão inquieta, chegava a ser engraçado. Segui em sua direção e ela já disparou mais uma ordem.
— Me siga, nos aguardam para o jantar.
Caminhamos até a cozinha e fiquei feliz em ver Martin e Dylan, esperava que as criaturas lá fora dessem conta dos traidores.
— Especialidade da casa, comida congelada e desidratada. — Disse Beatrice revirando os olhos enquanto Martin devorava um sanduíche e Dylan comia bacon.
— Irmão, você precisa provar isso. Há anos não como um bom sanduíche congelado! — Disse Martin enquanto Natalie observava minuciosamente cada um de nós.
— Precisamos voltar para a cidade, Dorotheya precisa saber que ainda existem sobreviventes. — Disse eu e pude notar a atenção de Natalie voltar-se diretamente para mim.
— Não é um bom momento para enfrentar o mundo lá fora. — Disse ela e seu tom e expressão me incomodaram profundamente, aquilo com certeza não fora um conselho.
— O que há de errado? Somos treinados para sobreviver lá fora. — Falei intrigado.
— Pelo visto o treinamento não serviu para muita coisa. — Disse Beatrice irônica e Dylan sorriu.
— Que lugar é esse? — Perguntei analisando rapidamente o ambiente.
— Acho que eles já viram demais. — Disse Natalie e imediatamente tateei a arma no coldre enquanto ela caminhava pela cozinha vindo em minha direção.
— Senhora, acho melhor deixá-los descansar e amanhã decidimos o que fazer. — Disse Beatrice fazendo-a parar no caminho.
— Você tem razão.
Após o jantar nos reunimos na sala, Natalie havia nos convidado para um chá de uma maneira estranhamente gentil, mas eu não conseguia me sentir confortável em sua presença, muito menos ao perceber que era uma versão ainda pior de Dorotheya. Agora sem o jaleco, usava roupas formais e pude notar seus movimentos nada naturais, eu estava cada vez mais em dúvida sobre sua natureza, isso até vê-la tomar a primeira xícara de chá.
— Você está em Terminus, Sargento McBright. Somos uma organização de pesquisas científicas a respeito do vírus que acomete essas pessoas ao nosso redor.
— Espera... Vírus? Mas eles dizem que isso é culpa da radiação... — Falei pensativo antes de perceber que havia algo de errado, Martin piscava freneticamente e Dylan pressionava suas têmporas incomodado, de repente eu não conseguia mais ouvir os sons ao meu redor, minha visão ficou turva e antes que tudo se apagasse de vez, pude ver sombras negras vindo em minha direção.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.