This Is War
5 As Paredes Tem Ouvidos
Notas iniciais
POV Josh:
— Tem certeza de que isso vai dar certo? –Eu perguntei assim que acabei de ouvir o tal plano de Harrisson.
Estávamos todos reunidos em um alojamento abandonado, na noite seguinte da confusão, depois do horário de dormir.
Estava encostado em uma parede, bem no canto da sala, com Angel do meu lado, se apoiando em meu ombro. Will estava em um outro canto com Dave e Elizabeth. Benjamin e Charlotte estavam do lado de Harrisson, e Lenna estava ao lado de Angel. Clarisse estava sentada em um canto, alheia a tudo, com uma cara bem séria.
— Vocês têm que confiar em mim. Posso tirar vocês daqui. – O velho disse sério.
— O que temos que fazer? – Angel perguntou mais seria que ele. Já tentei conversar com ela antes, dizendo que podia ser perigoso demais, mas parece que ela não me ouve.
— Entendo que vocês são novos. Ainda não conhecem muitas coisas, e muitas pessoas são mais inteligentes que vocês. Mas eu vi uma coisa que não vi em mais ninguém aqui. – Ele apontou para cada um de nós. – Vocês têm a coragem que ninguém aqui tem. E isso ninguém pode tirar de vocês, me entenderam? – Ele disse sério. Nunca tinha visto ele assim.
— Qual o plano? – Angel repetiu. Ela parecia não se importar com o que ele estava dizendo.
— Precisamos mandar uma mensagem para... A Rússia. – Essa última parte ele cochichou. – Preciso de um rádio, ou algum aparelho do tipo. – Ele olhou para Dave. – Preciso de sua ajuda.
O menino olhou para o chão, e em seguida Elizabeth colocou a mão em seu ombro e lhe deu um sorriso mínimo. Admiro isso em Elizabeth. Ela já passou por tanta coisa aqui e ainda sim consegue sorrir. Dave a encarou e sorriu minimamente de volta, em seguida olhou para Harrisson e apenas concordou com a cabeça.
— Preciso de um rádio, como daqueles walkie-talkies dos seguranças. Se eu conseguir mudar um pouco o sinal, posso conseguir. Mas preciso daqueles da Sede dos seguranças... Lá eles têm um que é bem mais provável de se conseguir. – Ele disse baixinho.
— Certo. – Harrisson concordou.
— Espera. – Benjamin parecia confuso. – Como você espera que conseguiremos pegar esse tal rádio aí?
— Todo dia, ao anoitecer, a maioria dos seguranças vão fazer patrulhas nos muros. Se conseguíssemos sair dos nossos alojamentos e entrar na área deles sem perceber... – Charlotte comentava. Ela não entendia que isso era simplesmente suicídio?
— Isso é impossível! – Lenna comentou. – Seria bastante sorte se conseguíssemos, pelo menos, passar pela segurança.
— Existe um jeito... – Dave disse baixinho, e todos nós olhamos para ele, inclusive Clarisse, que nem parecia prestar atenção na conversa. – Quando estava escondido naquele meu galpão, ouvi uns seguranças falando sobe uma falha que aconteceu no sistema, e que demorariam cinco dias para consertar. Ou seja, temos uma brecha pela qual passar.
— Se quisermos fazer isso, temos que fazer no máximo amanhã, para não correr riscos. – Clarisse concluiu. – Como somos crianças, não vão desconfiar da gente...
— Eu ainda acho que isso é uma loucura. – Falei dando de ombros.
— E o que você espera que façamos? Mais cedo ou mais tarde, todos nós seremos levados... E eu prefiro arriscar a passar por coisas piores. – Charlotte disse ao lado de Harrisson. Ela parecia confiante, como se já tivesse repassado todo o plano várias vezes para ter certeza de que nada sairia errado.
Todos ficaram em silêncio, digerindo a chance que tinham de sair desse lugar horrível. Foi então que Angel se levantou e disse determinada:
— Eu estou dentro.
Todos olharam para ela, e Clarisse assentiu também se levantando.
— Essa é a única chance que nós temos, e precisamos fazer com que dê certo. — A morena disse seriamente.
Harrisson balançou a cabeça concordando, e Charlotte sorriu para a amiga em sinal de agradecimento.
Foi então que vi que Lenna havia se levantado.
— Se existe uma chance de nos tirar daqui e achar os meus pais, eu concordo com o plano. — Ela disse parecendo determinada. Não parecia mais a mesma garota que havia chegado aqui vários dias atrás.
Olhei para Benjamin, que sorria para a pirralha. Ele com certeza já havia concordado com tudo isso.
— Já que vocês confiaram em mim, precisam pelo menos saber onde estão se metendo. — Harrisson disse, e olhou para Charlotte. Estava claro que havia sido os dois a planejar.
— Como o Dave disse, temos que invadir a sede dos guardas, e para isso vamos precisar de no máximo três pessoas para o trabalho. — Para minha surpresa, Will falou enquanto se levantava e caminhava até o centro do cômodo.
— É impressão minha ou todos vocês formaram um complô e não contaram nada para maioria de nós? — Perguntei indignado enquanto olhava para o velho, Charlotte e Will.
— Isso aconteceu muito rápido. Não sei se você notou, mas ontem aquele homem no refeitório arriscou a própria vida para alertar os outros prisioneiros. Eu vi duas mulheres serem levadas para a Sede, e você ainda vem querer falar sobre complô? — Charlotte respondeu se irritando.
— O que ela quer dizer, Josh, é que não dava para reunir todo mundo para podermos conversar sobre o assunto. — Harrisson interveio antes que eu pudesse falar alguma coisa. — Charlotte e Will me procuraram. Eles estavam preocupados com a segurança de todos.
— Por que você não fica quieto e pelo menos ouve o que eles têm a dizer? — Disse Benjamin me encarando com os olhos suplicantes.
Assenti e fiquei quieto enquanto Will continuava a explicação.
— Para invadirmos vamos precisar de uma distração, bem grande e que chame a atenção de vários guardas e dos Abatedores. Enquanto a confusão rola, as três pessoas vão lá e roubam o que for preciso.
— Que seria? – Elizabeth perguntou.
— Um walkie-talkie, uma pequena antena satélite e alguns fios para que eu consiga mudar a transmissão. – Dave respondeu baixinho.
— E as três pessoas seriam? – Lenna perguntou enquanto cruzava os braços.
Benjamin olhou para Charlotte e Will, em seguida respondeu:
— Os dois se ofereceram. Acharam que seria justo, já que a ideia foi deles, mas nós ainda precisamos de mais uma pessoa.
Ninguém disse nada. Um silêncio tão grande se fez que podíamos ouvir a nossa própria respiração. Foi então que a pessoa mais improvável se manifestou.
— Posso ser a terceira pessoa.
— Não, você não, Angel! – Exclamei sem pensar duas vezes enquanto me punha de pé.
— Também acho muito arriscado. – Benjamin disse e eu pude ver seu cenho franzir.
Ela bufou, como se aquela ideia de ela mesma roubar coisas da sede seria a mais brilhante de todas.
— Talvez eles estejam certos desta vez. – Clarisse concordou.
— Eu vou. Talvez assim tenhamos mais chance que isso dê certo. – Falei olhando para Angel.
— Isso não vem ao caso! Será que vocês não vão me deixar ir por que sou uma garota? – Angel exclamou começando a ficar vermelha. Isso era um fato. Todas as vezes que se irritava, ficava assim.
— Não mesmo. Charlotte é uma garota. – Disse apontando para a ruiva. – Mas o problema é que você não dá conta da tarefa. Sem contar que você pode se machucar, e se isso acontecesse... – Não consegui terminar a frase e o gosto da saliva pareceu se tornar bile.
— Tudo bem! – Benjamin interveio antes que o meu silêncio se tornasse muito ameaçador. – Então já temos as três pessoas.
Angel não questionou mais depois disso, mas podia sentir seus olhares ameaçadores sobre mim. Portanto, por mais que ela ficasse chateada comigo por uns dias, sabia que ela estaria segura, e aquilo me reconfortava.
...
Depois de repassar o plano várias vezes e designar a tarefa de cada um, Harrisson nos apresentou Eddie. Ele disse que havia sido solto da Sede um dia atrás, e podia nos ajudar com informações, como por exemplo a rotina dos guardas.
Lenna ficou quieta durante toda a explicação, e quando viu uma oportunidade se dirigiu a Eddie.
— Você sabe se outros prisioneiros que estavam na Sede também foram soltos?
— Alguns, mas não conhecia ninguém. – O jovem respondeu. Eddie era ruivo, e tinha os olhos verdes.
— E tinha um casal de marido e mulher entre eles? – A morena perguntou com os olhos suplicantes. – Que talvez tenham características parecidas com as minhas?
Eddie ficou em silêncio, tentando se recordar de algo, mas por fim disse que não se lembrava de ninguém parecido com Lenna.
— Tudo bem. – Angel consolou a amiga. – Talvez eles ainda estejam lá. Vamos acha-los.
Foi então que percebi. Todos nós tínhamos algo em comum realmente. Estávamos perdidos ou em busca de algo que poderia ter se perdido, como os pais da Lenna. E queríamos, com essa revolta, nos encontrar e quem sabe algum dia voltarmos a sorrir e ser feliz.
Enquanto isso, na Sede da PCMA:
Um homem, que aparentava ter uns trinca e poucos anos, encarava vários visores em uma das salas de comunicação. Cada visor estava mostrando cenas diferentes do que as câmeras haviam gravado ao redor da PCMA. Mas cada uma delas se focavam em pessoas especiais.
— Senhor. – Um guarda, que usava um uniforme que tampava seu rosto apareceu na porta da sala. – Achamos eles. Estavam escondidos em um dos alojamentos abandonados.
O homem se voltou para o empregado e o encarou.
— Eu já sei disso. – Ele disse sério e aumentou a tela de uma das câmeras. – Todos eles parecem quietos demais. Queria saber o que está acontecendo por ali. – Ele comentou analisando no vídeo, uma garota ruiva e uma garota loira trabalharem quietinhas na cozinha.
Era uma imagem antiga, mas mostrava muito bem seus rostos. Eram Angel e Charlotte. Ele passou para mais um visor, e o magro rosto de Dave foi mostrado na tela, segundos depois Will apareceu junto com Elizabeth, e os três começaram a conversar durante um dos mínimos intervalos que eles tinham.
— Senhor... Está quase tudo pronto para as crianças... Devemos pegá-las agora? – O guarda falou.
— Não... Esperaremos mais um pouco. Não precisamos ter pressa, afinal, eles nunca vão sair dali. – O homem disse esboçando um sorriso maquiavélico, e mudando o visor para os alojamentos, onde se pôde ver uma foto de Lenna e Dave conversando. – O epílogo irá começar em breve.
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