This Is War
1 Capitulo 1
Notas iniciais
(Jenna)
Sete e meia. É sete e meia da manhã de um sábado. De um sábado extremamente frio! E eu aqui numa das pracinhas mais toscas da cidade — na verdade eu não a acho tosca, mas nas circunstâncias atuais eu odeio essa maldita praça — esperando sentada, literalmente, pela minha chefa, que parece não ter ideia do que “dia de folga” significa.
Eu abro o pacote que trouxe comigo com uma força, diga-se de passagem, desnecessária e até mesmo com certa fúria enquanto remoo em minha cabeça o telefonema que me tirou da cama às seis da manhã.
“Alô.” — eu atendi bêbada de sono.
“Preciso que você venha me encontrar.” — não preciso nem perguntar pra saber quem é do outro lado, minha chefa.
“Hoje?”
“Agora.” — juro que quase chorei nesse ponto.
“Mas chefa... É sábado...”. — eu supliquei
“Pode ter sua folga depois, Jenna. Estou esperando, não se atrase.” — e ela desliga.
Inflo minhas bochechas, e sei que elas devem estar vermelhas agora, é o que acontece quando fico irritada. É infantil eu sei, mas o que posso fazer?
Finalmente consigo me livrar do incomodo papel de embrulho e abrir a caixa, chegando assim ao meu prêmio. Cupcakes. Uma caixa cheinha deles, um de cada sabor, porque é claro, simplesmente não consigo me decidir por um só.
Retiro uma das minhas luvas para que não se sujem na cobertura dos doces, e retiro um deles de dentro da caixa. Red velvet. Puxo um dos lados da forminha revelando a massa vermelho vibrante, e dou uma generosa mordida. O sabor doce instantaneamente se espalha pela minha boca causando uma explosão de sabor, e de um segundo para o outro sinto minha raiva se dissipar por inteira.
Suspiro.
– A doce mágica dos cupcakes... — sussurro pra mim mesma
É mesmo. Agora me lembro do porque gosto desse lugar. Do outro lado da rua tem uma pequena padaria que vende os melhores doces e cupcakes da cidade, eles sempre melhoram meu humor. Mas ainda assim não é nada agradável ficar esperando no frio. No final das contas, a senhorita “estou esperando, não se atrase” é que se atrasou.
Do nada me aparece um pombo bem na minha frente. Um espécime até que bonitinho, todo branco e com manchinhas marrons.
– Oi, gracinha. Você quer uma migalha, quer? — eu questiono arrancando um pedacinho do meu bolinho e atirando-o pra ele
O pombo bica o pedacinho do doce de modo faminto e eu volto minha atenção para caixa em meu colo. Um gorjeio alto, e eu olho na direção do pombo novamente. Outro pombo de juntou ao primeiro, um completamente marrom agora.
– Olha... Você tem um amigo. — eu tiro mais dois pedaços do meu bolinho e jogo pra eles — Espero que estejam satisfeitos agora.
Mal termino de falar e surgem mais dois. Um branco e outro cinza.
– Ok, ok. Tomem. — atiro o que me sobrara do meu querido cupcake a eles e resolvo fechar a caixa — Agora chega, vocês são muito gulosos. Onde já se viu quatro pombinhos comerem tanto e-
– Eh? — eu arregalo meus olhos e tenho de refazer minhas contas
Eu tinha dito quatro? Eram uns doze agora, ou vinte, sei lá quantos! Quando foi que isso aconteceu?!
– A-ah... Olha pessoal, eu acho que não tenho bolinho pra todo mundo... — eu vou falando enquanto vou subindo de costas pelo encosto do banco ao passo de que os pombos se aproximam — Talvez se vocês fizessem, sei lá, uma fila organizada e-
Sou cortada pelo meu próprio tombo, quando escorrego do recosto e caio de costas na grama atrás dele. Eu grito no susto e provoco a revoada dos pombos contra mim.
De reflexo me levanto agarrando minha caixa de cupcakes e minha bolsa, e saio correndo em disparada. Os pombos me seguem voando baixo.
– Longe de mim seus bichinhos ingratos! — eu grito enquanto corro
Eu continuo a correr e gritar feito louca, chamando a atenção das poucas pessoas na pracinha. Tenho certeza que vi uma velhinha rindo de mim!
Nesse ponto eu já derramava lágrimas de desespero.
– Me deixem em paz! — eu gritei quando um deles puxou meu cabelo
Estava tão determinada a fugir dos pombos que acabei não prestando atenção no caminho, e acabei por tropeçar numa pedra. Fui de cara ao chão. Nesse momento aqueles ratos alados possuídos maléficos se aproveitaram de minha fraqueza e me atacaram.
– Covardes! Atacar um soldado caído! — eu gritei ainda no chão
Mais aves puxavam meu cabelo enquanto eu protegia meus amados bolinhos me enrolando sobre eles e cobrindo meu pescoço com os braços. Eu tinha lido que é assim que se procedia em emergências. Ou em terremotos... Eu acho. Não que eu conseguisse raciocinar no momento.
Do nada os bichos pararam. Eu me pus sentada a tempo de ver a revoada partir. Sinto-me vitoriosa.
– Isso mesmo, fujam! — eu berro — Seus covardes! Não passam de um bando de frac-
Interrompo-me ao sentir algo no meu ombro.
– AHHH! — eu grito fechando os olhos — Desculpa, pombinhos! Eu juro que não quis ofender! Levem tudo, só não me biquem de novo, por favor! — nesse momento eu já tinha voltado a minha posição de bolinha no chão
– Mas, o que é que você está fazendo?! — me é perguntado
E eu reconheço a voz. Minha chefa, Ana Lúcia Lavy. Levanto-me de supetão.
– Oi, Lucy. — eu rio sem graça tentando tirar o pó da minha saia
Ela arqueia a sobrancelha, numa pergunta muda.
– Ah! Isso? Pombos. Quem iria imaginar né? — eu respondo passando a mão atrás da cabeça
Ela parece mais séria do que de costume hoje. Eu me abaixo rapidamente e pego minha caixa de cupcakes, perda total. Malditos pombos.
– Bichinhos maléficos... — eu murmuro tristemente e Lucy me puxa em direção ao carro de cara fechada
Não sei o que faremos, mas me deixa preocupada, Lucy pode ser minha chefa, mas sempre tivemos uma boa relação. Eu a conheço, ela não é assim tão mal humorada.
– Chefa... — eu chamo — Onde é que nós vamos mesmo?
– Ver minha irmã. — ela responde sem se virar
A irmã dela. Alice. Aquele sim era um assunto complicado, agora entendo por que ela está tão tensa. Pobrezinha... Espera. Porque eu tenho que ir junto?! Oh, não! Eu não tive boas experiências com aquela garota!
– Hei, chefa! — eu chamo quando chegamos ao sedan preto
– Apenas. Entre. No. Carro. — ela responde
Engulo minha pergunta e obedeço. Quando ela usa aquele tom, coisa boa não é. E francamente, eu ainda não decidi de qual das irmãs tenho mais medo, e depois eu ainda preciso do emprego.
O motorista nos leva por uma rua afastada, e em poucos minutos estamos fora da cidade, em direção ás montanhas. Onde não existe nenhuma casa por perto, apenas o Instituto Clarkson, claro, ninguém quer morar perto de um sanatório. Sim, a irmã da minha chefa, Ana Alice Lavy, está internada num manicômio.
Tiro um pacote de biscoitos da bolsa e me ponho a mastigar tentando me distrair do que nos aguarda colina acima. Um encontro com a Joker de Lineon.
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(narrador)
– Chegamos senhorita Lavy. – uma onda de sentimentos diferentes atingiu Lucy, ela não queria ter que
encarar os olhos cheios de ódio da irmã, ela queria não ter trazido Jenna, mas como sua imediata, ela teria que saber o que iria encarar, também não queria ter contado ao seu ex-chefe da doença de sua irmã, era sempre assim, mas tudo bem vai terminar tudo bem...
O instituto era um cenário perfeito para um filme de terror, devido à altitude sempre tinha nevoa atrapalhando a visão, do prédio cinza podia-se sempre ouvir gritos distantes, vindos do próprio instituto, sem falar no cinza, desbotado pela humidade, que “coloria” o lugar.
Quando Lucy finalmente tomou coragem de entrar, Oscar, o psiquiatra de Alice, já estava esperando elas.
– Ah, Lucy, que bom que chegou. Bom dia.
– Bom dia, Oscar.
– E bom dia, senhorita...
– Jenna. – Lembrou a mais nova.
– Ah, sim, perdoe-me, nunca me lembro de seu nome.
–Tudo bem...
– Ótimo, sigam-me. – o médico guiou as duas por um longo corredor. Tudo era muito branco, as cores da parede, o jaleco do doutor, as luzes, as portas, tudo deixava uma sensação ruim, tudo incomodava. O corredor tinha muitas portas, provavelmente quartos. No fim do corredor Oscar abre a porta do “quarto” que Allie estava. – Alice, você tem visitas. – A garota levantou o rosto, não se tratava de uma garota, e sim de uma mulher, os olhos cansados de Alice
encararam Lucy como um pedido se suplica, o rosto magro dela estava degastado, se Lucy prestasse muita atenção, ela poderia ate ver levemente os ossos da irmã gêmea. O rosto que antes era moreno, agora estava pálido. Alice usava uma espécie de mordaça, e a camisa de força parecia mais apertada.
– Há quanto tempo ela não come?- Lucy questionou sem quebrar o contato visual com a irmã.
–Mais ou menos uma semana, mas...
– Uma... Uma semana?! – Ela virou para encara Oscar.- Como assim? Nenhum ser humano aguenta uma semana sem comida! Trate de alimenta-la agora mesmo! – Depois dessa ordem ela se retirou do local e se encaminhou para a saída Oscar falou alguma coisa para os seguranças e correu para se explicar a Lucy.
Ele não teve tempo. Tudo pareceu passar mais rápido. Dois gritos foram ouvidos, Lucy e Jenna pararam e viraram para trás, ele fez o mesmo, mas o que Oscar viu foi Alice com sua boca e seus cabelos verdes sujos de sangue, depois sentiu uma forte mordida em seu pescoço, depois tudo ficou negro.
“Aconteceu” Lucy pensou horrorizada “Aconteceu de novo” estava acabada, Alice estava livre e já tinha deixado claro que não iria voltar. A gêmea ensanguentada partiu para cima de sua irmã.
– Muito obrigada, Lúcia! – Ela gritou – Agora estou livre!
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