This Is War
2 Capítulo 2
Jenna
- Obrigada, Lúcia! — Alice gritou — Agora estou livre!
Um alarme soou na minha cabeça. “Merda, merda, merda!”. Todo o cenário passou na minha cabeça, dois mortos e um ferido. Uma oponente, mas não temos armas, e eu como não sei lutar, na prática estamos um a um. E contra a Alice, um a um é sempre desvantagem.
“O que fazer? O que fazer? Opções, Jenna, opções!”
Uma pequena alavanca me veio à mente. Exatamente as minhas a apenas alguns passos de distancia. Memória fotográfica. “Alarme” se lê em cima dela com letras garrafais em vermelho, um puxão e toda a segurança estaria aqui em segundos. Minha única chance.
Toda essa confusão que se passou em minha mente não deve ter durado mais que uma respiração, mas quando trouxe minha mente ao foco de novo já tinha sido agarrada pela blusa.
“Quando ela tinha se desvencilhado da Lucy, afinal?!”
Soltei um gemido de pavor. Era assim que eu ia acabar? Morta por uma louca psicótica num quarto de sanatório? Não! Eu me recuso a isso! Eu tenho um chihuahua pra alimentar! ... Sem falar que meus pais me matariam se eu morresse.
“Não! Não acaba aqui, não assim! Eu me recuso a morrer assim!”
Quando somos acuados ou entramos em perigo nosso cérebro reage entrando em estado de alerta e joga a sua maior cartada, um coquetel de substâncias químicas produzidas no córtex. Esse coquetel é jogado na corrente sanguínea na mesma velocidade de um impulso elétrico, e desse momento em diante se dá o que chamamos Frenesi. Os batimentos aceleram e o sangue é desviado para os músculos principais, as pupilas dilatam e a mente se livra de todo e qualquer pensamento desnecessário. Isso é instinto de autopreservação. O mais simples, básico e primal instinto humano. A capacidade de realizar o impensável pra sobreviver. E isso é algo que todo ser humano é capaz, qualquer um, até mesmo eu.
Sabe uma coisa interessante sobre o Frenesi? Ele te faz fazer coisas com que você nunca faria em seu estado normal, e foi isso que aconteceu. Pela minha vida eu usei a única arma que tinha. Eu mesma.
Microssegundos me separaram do pânico e da ação. No instante seguinte ao que minha blusa foi agarrada me vi no ato desesperado de cravar meus dentes no braço de Alice. Foi a mordida mais forte da minha vida. Mordi e puxei toda carne que consegui abocanhar como se minha vida dependesse disso, e literalmente, dependia.
Alice me jogou contra a parede oposta do quarto quase que instantaneamente. Minhas costas bateram violentamente contra a parede branca do cômodo e eu despenquei no chão frio. Tossi sangue, não meu, dela. Levantei minha cabeça e vi a figura enraivecida daquela mulher psicótica olhando direto pra mim. Seu braço gotejava e ela tinha os dentes cerrados.
Confusão. Tontura. Enjoo. Me sinto acuada... Doente... Mas ainda assim, tem algo me fazendo continuar. Como eu amo e odeio esse instinto de sobrevivência.
Eu me levanto de supetão ao perceber a aura assassina vindo de Alice. Ela avançou novamente em cima de mim, mas Lucy conseguiu a segurar novamente. Elas lutaram entre si. Deve ter havido alguns impropérios da parte de Alice, com certeza as duas estavam furiosas, mas eu não escutei. Tudo que eu conseguia ouvir era minha própria respiração acelerada e o eco do meu coração retumbando em meus ouvidos.
“O que eu precisava fazer? O que eu preciso lembrar? — O alarme.”
Usei todas as forças que tinha nas minhas pernas no momento e ignorando a dor latente nas costas chutei com tudo o vidro de proteção o quebrando em pedacinhos. Isso atraiu a atenção da Alice. “Droga!”
Agarrei-me a alavanca já sabendo o que viria. Fui puxada violentamente pelos ombros e jogada contra o chão, felizmente o puxão unido ao meu peso acionaram a alavanca, consequentemente o alarme.
Luzes vermelhas começaram a piscar incessantemente e acompanhada dela uma sirene alta. Logo depois veio o barulho de passos altos e apressados nos andares inferiores.
Alice trincou os dentes de ódio e tentou me acertar, mas por algum milagre — ou ainda efeito da adrenalina — consegui rolar pra fora do alcance. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Lucy tento acerta-lhe um chute, o qual, aliás, ela bloqueou com o braço bom. Nesse momento a porta veio abaixo e um grupo de homens armados vestidos de preto entrou por ela.
Tudo que sei depois disso é que ouve uma grande correria, tiros, mais morte e então Alice pulou pela janela do quarto, chegando ao jardim e desaparecendo em seguida.
Um zumbido começou a soar nos meus ouvidos e eu por pouco não me consegui por sentada.
- Você está bem...? — Uma voz feminina perguntou, era provavelmente Lucy, mas eu não pude identificar o rosto. Minha visão estava nublada demais.
- Não. — Foi tudo que eu consegui responder antes de cair no chão.
“O Joker de Lineon está à solta...” — Foi esse meu último pensamento antes de desmaiar de exaustão.
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