This Is War!
4 Edge of the Earth
Fogo vesus fogo, os dois trocavam palavras e porradas através do olhar, enquanto suas armas estavam apontadas um para o outro. Jared sorriu maliciosamente, estava se divertindo com a raiva da oponente. Brincando com o perigo, ele planejou aquela cena estrategicamente durante dias para que nenhum detalhe estivesse fora do lugar; de fato era um psicopata, mas não daqueles que as pessoas costumam chamar de "insano e fora da realidade"; era um sociopata que pensava e dificilmente notado no meio de uma multidão.
(You wanna be the one in control, you wanna be the one who's alive, you wanna be the one who gets old...)
- Você está pedindo para morrer, vadia — ele repetiu, puxando o gatilho.
Mas em uma fração de segundos, alguém agiu com astúcia e chutou abrupmente a mão de Jared deixando que a arma disparasse para outra direção e caísse do prédio. Havia sido tão rápido que Lenore levou uns segundos para cair na real de que estava sã e salva. Olhou ao redor e avistou a expressão furiosa de Dakota, assistindo a cena de braços cruzados.
- O que você pensa que está fazendo? — indagou. — Idiota, você poderia matado ela!
- Relaxa... Eu estava testando sua paciência — replicou, muito descarado.
- Paciência? Ela teve sorte por eu chegar — ela gesticulou, quase o esmurrando.
- Percebe agora? Não é uma questão de sorte, é só uma questão de tempo até que você chegasse e impedisse — Jared não estava receoso.
Lenore tomou ar e falou com o dois.
- Você conheçe esse cara?! Da onde se conheçem?
- Eu o conheci hoje — Dake a respondeu.
- Sabe o que eu devia fazer por você ter ousado apontar essa porcaria para mim? — empurrou-o. — Eu devia torturar você lentamente! Assim como fiz com os malditos policiais em Windsor — apontou um dedo para ele.
Ele retrucou girando-a e segurando seus braços por trás, antes que Lenore tivesse um surto de raiva ainda maior.
- Cala a boca, você não consegue ficar quieta não? -
- Não quando sei que alguém como você entrou aqui e tentou me matar sem um motivo -
- Primeiramente, me deixe explicar! -
- Então me solta, seu vagabundo -
Ela a empurrou, ela olhou-o ameaçadoramente, sem temer o quanto ele pudesse estar armado e pronto para atacá-la novamente. Lenore costumava achar que fosse a única que fazia algo que prestasse no mundo do crime, tinha uma autosuficiência fora do comum. Dakota se posicionou ao seu lado e tentou segurar a sua mão, mas Lenore puxou-a de volta, não querendo qualquer tipo de toque. Dakota começava a perceber o desprezo da amada perante o seu amor, como se estivesse fazendo o máximo para mantê-la fora do alcançe.
Jared pigarreou e voltou a andar em círculos.
- Por onde quer que eu começe? — perguntou diretamente à Lenore.
- Primeiro: Por quê está aqui? É meio óbvio que eu queira que me responda isso — ela ergueu uma sobrancelha, chamando-o indiretamente de imbecil.
- Eu estava em Windsor, numa bela noite de quarta-feira quando ouvi tiros no meu quintal. Eu saí para fora e adivinha o que eu vi! Meu pai, morto no gramado e pedindo socorro, mas ninguém foi ajudá-lo, NINGUÉM! Bem, isso não importa por que eu realmente nunca gostei dele, mas fiquei me perguntando: Quem seria tão estúpido a ponto de sair matando as pessoas em troca de vingança? -
- Não fomos nós — Lenore o interrompeu, dizendo firmemente. — Você está vendo o SEU próprio lado, há outras coisas envolvidas — ela informava, sentando-se no chão e encostando-se no pilar da laje.
- Aé?... Então... Quem foi? Poderia me dizer? — Jared duvidava, botando a mão no queixo e esfregando-o.
- Meus pais também foram mortos por um antigo grupo militar de Windsor, que atualmente trabalhavam como policiais espalhados pelo estado, esse conflito é antigo...- explicou, as cenas tornando-se vivas ao seu redor, como se estivessem acontecendo em tempo real, até que ela saísse de seus devaneios graças a um suspiro de reprovação ao seu lado.
Lenore olhou para Dakota, de relança, e depois voltou a encarar Jared. Não queria demonstrar nenhum tipo de interesse por ela, hoje.
- Está querendo me dizer de que os cara que andam sempre de acordo com a lei fariam tal coisa? — Jared perguntava, incrédulo.
- Você é do tipo que não pensa, não é?! — "Ingênuo" pensou ela.
Jared encarou-a sombriamente em silêncio, como se pudesse ler a mente dela.
- Eles começaram a por fogo nas casas... Eles começaram a matar os cidadãos de Windsor para me intimidar! como uma forma de me manter calada e eu acabasse me entregando, por que eu sabia do passado deles e que poderia denunciá-los a uma autoridade maior — continuou Lenore.
- Não contavam com sua falta de sentimentalismo — Dakota comentou.
- Você tem razão, não contavam que eu estava sendo apoiada pela própria filha do xerife que virou as costas para mim depois de tudo — Lenore se referia a Dakota, ainda sem fitá-la para fazê-la se sentir algo sem valor.
- Estou aqui para protegê-las -
- Então por que ia atirar na Dake? -
- Por que eu precisava de algo para chamar sua atenção, e acredite, eu consegui da forma mais engraçada -
- Você achou isso engraçado? -
- Na verdade é o seu egocentrismo que é cômico, não consegue admitir a si mesma que possa existir uma criatura melhor do que você em termos de assaltos e homicídios -
- Dane-se, cara... — modeu o lábio inferior e virou o rosto, novamente incomodada.
- Afinal, do que veio nos proteger? — perguntou Dakota.
- Vocês devem ter ouvido falar que o xerife se suicidou quando a fábrica estava em chamas e blabláblá -
Ela afirmou, balançando a cabeça.
- É tudo mentira!
-Como pode ser mentira? A imprensa mostrou as fotos, tiveram entrevistas... Não pode ser -
- Ah, pode sim e eu vou dizer o porquê — pausou, se aproximando de Dake. — O xerife não estava mais nada fábrica quando ela explodiu, como Lenore nos disse, aquilo tudo é uma máfia, eles jamais irão dizer cem por cento de verdade em noticiarios — explicou num tom baixo, afagando o cabelo loiro dela.
Lenore franziu a testa ao ver aquela cena e logo levantou-se.
- Agora que tudo está explicado, vamos embora! — ordenou, andando até a escada enferrujada por onde subiu anteriomente. Quando percebeu que ninguém estava a seguindo, Lenore parou e olhou para trás vendo-os parados.
- Está com pressa?!
- Não, só quero dormir.
- Você ainda pensa em dormir com o xerife solto por aí? — Jared sorriu, encostado à Dake.
- Ele não faz idéia da onde estamos — ela o garantiu, friamente.
- Tem certeza? Ah! E aonde está Edgar neste instante?
Lenore raciocinou e correu escada abaixo, temendo o pior. Essa era a única coisa que a deixava em pânico: A segurança de Dakota, por mais que a tratasse com indiferença ela ainda a amava mais do que sua própria vida e Edgar estava arriscado a todos.
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