This Is My Life
77 Recuperação
Notas iniciais
Ontem a noite cheguei em casa em segurança e não aconteceu mais nada comigo. Mas minha cabeça estava um turbilhão de sentimentos, pensamentos, memórias reavivadas, enfim. A bagunça de sempre.
Castiel trouxe hoje mais cedo o seu computador e estranhei que ele tenha aceitado sem nem mesmo perguntar o porquê.
Flashback on
— Cast!
Ele me deu um abraço apertado e mesmo sentindo todos ossos do meu corpo quebrarem ao mesmo tempo eu correspondi com a mesma intensidade. Óbvio que depois tive que me sentar e recuperar o fôlego.
— Você está horrível!
— Ai! – Bati em seu ombro. — Como é que pode falar isso à uma mulher? Eu tenho autoestima sabe?
— Ele fez isso com você?
— Sim.
— Ainda bem que não vai estar hoje na faculdade para me impedir de matar ele.
— Quê?
— Fique com o computador que eu tenho que arrebentar a cara daquele desgraçado.
— Hey! – Ele já se virava em direcção a porta quando eu o puxei e segurei seu rosto com as duas mãos o aproximando do meu e olhando fundo nos seus olhos.
— Que foi?!
— Me promete. Não vai fazer nada com o Jhonny. Vai ficar no seu canto como sempre ficou e não falará nada com ninguém nem olhará para ele com raiva. Você tem que me prometer isso.
— Não! Eu tô doido para sentar minha mão na cara dele!
— Para! Olha pra mim!
— Querias. – Moveu seus olhos para o lado.
— Olha. Pra. Mim! – Mandei. Finalmente ele olhou fundo nos meus olhos.
— Hum.
— Não faça nada de estupido Cast. Me promete? Hum? Por mim! – Fiz minha infalível carinha de cachorrinho abandonado.
— Argh! Tá! Você é muito chata!
— Você é muito impulsivo. – Disse batendo forte em sua cabeça e largando seu rosto.
— Para quê que me obrigou a trazer ele? – Apontou para o computador.
— Já contei a você que desde que Jhonny desconfiou que nós dois falavamos ele nunca mais voltou a me entregar nada. Eu até persuadia ele, mas nunca dava certo. Vou precisar para falar com o bartender que serviu Lysandre naquela noite. Passei antes de ontem lá e pedi para ver as gravações de sexta. Consegui o nome do bartender e vou procurar as suas redes sociais para ver se consigo falar com ele e pagar mais do que Jhonny pagou para ele contar tudo.
— Bom. Mas poderia ter me pedido para fazer isso. Eu teria feito.
— Não quero dar mais trabalho ainda.
— Você não estaria dando trabalho. É por algo que estamos fazendo juntos, né?
— É. Você tem razão.
Ele ficou em silencio ponderando se falava mesmo algo ou não, mas decidiu falar.
— Tá doendo muito?
— N-não.
— Não minta para mim Yall.
—Ele...eu... sim.
Ele olhava clinicamente para as inúmeras manchas roxas em meus braços, pernas e rosto. Ele tinha razão. Eu estava horrível.
Comecei a chorar e até mesmo eu me surpreendi porque achei que de tanto chorar ontem se eu derramasse mais uma lágrima eu morria desidratada.
— Não chora Yall.
— Eu estou horrível! Você tem razão! Porquê que isso não acaba logo?!
— Daqui a nada acaba.
— Ele não se contentará em me deixar em paz. Isso tudo só acaba se eu não existir mais.
— Quê que você... não! Você não vai fazer isso!
— Jhonny nunca vai me deixar em paz, nos deixar em paz! Eu estou farta disso. Eu preciso que tudo pare.
— E você acha que se matar é a melhor opção?!
— Cast acorda! É a unica opção! Ele não nos deixará em paz. – Passei minha mão em seu rosto suavemente e com um sorriso melancolico já o reconfortando. – Se eu desaparecer você vai poder voltar com Kim. Apresenta para ela tudo o que conseguimos!
— Você está maluca! – Segurou meu rosto de forma desesperada. — Eu não faço isso sem você! Vamos dar um jeito de afastar Jhonny de todos nós e vamos viver bem e felizes, tá?
— Eu não sei...
— Tá ou não?! – Abanou meu rosto em suas mãos.
— Sim. Eu... nós, vamos tentar.
— Muito melhor. Vai me contar o que aconteceu?
— Hoje a noite.
— Mas eu estou aqui agora.
— Mas tem que ir para a universidade.
— Eu posso me atrasar um pouco. Sou sempre o ultimo a chegar. As pessoas não estranhariam meu atraso nem me perguntariam onde estava.
— Mesmo assim. Eu quero falar tudo com calma e detalhes e não há tempo.
— Você sequer fez um curativo nisso?
— Não. Eu contava que infectasse e eu tivesse que parar no hospital. Pelo menos lá ele não me batia.
Castiel se levantou e voltou com o kit de primeiros socorros.
— Não faça isso! Eu tô bem.
— Você disse a pouco tempo que estava doendo. Eu vou tratar disso.
Aquilo ardia muito, mas ele conseguiu cuidar de tudo e bem mais rápido do que eu pensava.
— Sinceramente. Se eu pensava em ter filhos esse sonho morreu. Você dá mais trabalho que qualquer criança.
— Mas mesmo assim você gosta de mim! – Sorri infantilmente de orelha a orelha.
— Tem razão.
— Uhhh reconheceu. Posso ouvir um amém irmãos?
— Vai se foder.
— Ihh! Já vi que não.
— Já comeu? – Disse se levantando e indo em direcção a cozinha.
— Você não tem, tipo, um sitio para ir?
— Ainda é cedo.
— E Jhonny? Ele não viu você?
— Jhonny já saiu. Tomei o maximo de cuidado possivel. Neste momento ele está na Universidade a pensar que você está sozinha. – Disse abrindo a geladeira.
— Tá fazendo o quê com a minha geladeira? – Me levantei com dificuldade e fui a cozinha.
— Tem uma pizza aqui. Mas você não cozinha?
— Quase sempre tenho preguiça.
— Assim não arranja ninguém.
— Meu marido tem que saber cozinhar. Você sabe?
— Um pouco.
— Quer casar comigo?
Pela cara de Castiel vi que ele ficou um pouco surpreso com a brincadeira, mas apenas riu e olhou para mim como se eu fosse uma perdição.
— Eu poderia chamar você de Cass. Ou Cassy. Ou querido, amor, meu tudo.
— Nem. Tente.
— Porquê não Cassy?
— Considere-se morta. – Ele disse vindo na minha direcção em posição para me fazer cócegas. E eu já gritava.
— Eu estou toda machucada. Você não pode.
— Por hoje essa sua desculpa serve. Só por hoje.
Depois de tirar a pizza do microondas o folgado ainda sentou para comer comigo e me acompanhou até o quarto onde comecei a conversar com o bartender. E combinamos de ele se encontrar com Castiel, porque eu não conseguiria ir, no Luigi hoje depois da faculdade para Cast dar a quantia que ele disse que queria para contar tudo. Castiel também gravaria toda a conversa.
— Tudo perfeito!
— Ainda bem. Espero que corra tudo bem.
— Vai correr. Confia em mim.
— Eu confio. – Olhei para o relógio e vi que estava na hora de ele ir. – Já está...
— ... na hora. Eu sei. Eu vou pensar no que eu vou dizer. Tenho que fazer as perguntas certas.
— Não se preocupe. Eu estarei daqui de casa enviando boas energias para você se sentir mais forte.
— Você parece mesmo alguém de uma tribo indígena. Não havia nenhuma lá na Índia? Tem certeza que você vivia na cidade?
— Vai se foder.
— Tchau indígena.
— Tchau Cassy.
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