This Is My Life
4 Primeiro dia de aulas
Notas iniciais
Acordei em meu quarto…em meu quarto? Eu me lembro perfeitamente que dormi na sala. Tomei um banho e me vesti. Saí do quarto e encontrei Lysandre a mesa.
— Oi Lysandre.
— Bom dia Allison.
— Lysandre a meio da noite viste-me a fazer qualquer tipo de coisa invulgar?
— Como assim?
— Andar ou abrir a geleira e tomar um copo de leite enquanto dormia?
— Não, porquê?
— Porque eu sei que dormi na sala e acordo no quarto.
— Eu levei-te ao colo. Desculpa se te sentires incomodada.
— Não. Pelo contrário. Eu gosto de ser tratada como uma princesa. E ser levada ao colo quando estou a dormir. Dá-me um sentimento de protecção. Desde que a pessoa que me esteja a levar seja alguém que eu realmente confio como por exemplo o meu pai.
— No entanto…hoje é o seu primeiro dia de escola. E acordou um pouco tarde.
— Sei disso. Mas me conta. Tem mais amigos para além de Castiel, Nathaniel e Armin?
— Sim.
— E como se chamam?
— Vai descobrir.
Tomamos o café da manhã e sempre a falar do mesmo assunto. Depois fomos até a escola que era perto. Lysandre havia estacionado e não muito longe havia um grupo de jovens que conversavam e quando Lysandre saiu do carro comigo todos cumprimentaram Lysandre com alegria.
Percorri aquele grupo e me deparei com uma pessoa conhecida, ou melhor... duas.
— Kentin!
Corri para Kentir e abracei-lhe ignorando os olhares curiosos das pessoas que lá estavam.
— Pensei que não se lembrava mais de mim.
— Como não?
— Alguém pode explicar o que se passa aqui?
— Eu fiz o básico com Ally e metade da secundária. A outra metade fiz na escola militar. Quando voltei para fazer o médio, outra vez fiz apenas metade e a outra fiz cá em França e desde então eu nunca mais a vi.
— Até agora.
— Então a namorada de Lys-fofo já conhece Kentin a muito tempo.
— Lysandre! Inicio das aulas com uma namorada!
Todo o grupo que estava lá gritou “oh” inclusive Castiel, Nathaniel e Armin que sabiam que não era nada disso.
— Ela apenas veio viver comigo.
— E já vivem juntos!
— Oh! – Gritou todo o grupo outra vez.
— Não é nada do que estão a pensar. Ela é a filha da Sra. T. que veio viver comigo.
— Será? – Questionou uma rapariga de cabelos platinados e olhos amarelos.
— Allison estas são a Rosalya, a Kim, a Violette, a Melody e a Íris e os rapazes, Alexy e o…
— Dake. – Eu disse séria. Não ia esquecer o que ele me fazia quando andávamos no liceu de Austrália.
— Oi Allison.
— A quanto tempo.
— Demasiado.
Rosalya interfere e faz uma pergunta para mim e para Lysandre.
— A quanto tempo conhece Lysandre?
— Desde sábado.
— Isso quer dizer que só chegaste cá ontem.
— Aconselho você a se afastar de companhias não muito agradáveis. – Disse Kim mandando uma indirecta para Castiel.
— Estava a falar de mim?
— Se calhar. Nunca saberemos.
— Eu arranjo uma maneira.
Castiel começou a fazer cócegas na Kim e eu olhei para Lysandre que olhou para mim e eu sussurrei “dejá vu” o que fez com que ele esboçasse um sorriso e eu também.
— Pede desculpas.
— Nunca.
— Eu disse pede desculpas.
— Ok…descul…pa! – Disse Kim entre risos e Castiel parou as cócegas enquanto os outros gritavam “oh”.
— Será que é amor? – Perguntou Rosalya. – Porque se é, deixa ser madrinha de casamento Kim.
— Pirou de vez?! – Perguntou Kim. – Eu não caso com tomate.
Castiel se pôs em posição para fazer cócegas e ela logo pediu desculpas mas ele foi correndo atrás dela a fazendo gritar.
Ficamos conversando naquele clima amigável até que o sino toca e vamos para as aulas.
As aulas vão aulas vêm e chega o intervalo. Saiu da sala e tenho Lysandre na porta a minha espera e vamos até uma mesa onde já estão lá todos. Ficamos a conversar todos animados até que a Kim anuncia:
— Ai vem a Peggy.
De repente tudo muda. O clima fica mais pesado e mórbido a medida que uma rapariga se aproxima.
— Bom dia pessoal.
— Estava a ser. – Disparou Castiel.
— Castiel. Hoje no parque de estacionamento tenho te visto muito próximo da Kim.
— E?
— Sendo tu uma figura pública não tens medo de estragar a tua carreira por estares de namoro com uma rapariga negra?
Nesse momento todos da mesa ficaram embasbacados com o que a rapariga acabou de dizer.
— O quê! – Kim a fuzilou com um olhar assustador mas logo se acalmou. — Peggy eu percebo que queres as tuas noticias para o jornal e tal mas e que tal se fosses falar de outra coisa tirando as nossas vidas?
— Uma última pergunta. Allison Jones. A novata foi vista a sair do carro de Lysandre Ainsworth e parece que estão bem juntos não será que é mais uma vadia a tentar ter os seus 15 minutos de fama magoando o coração do pobre Lysandre?
Gelei. Naquele momento pensei que qualquer coisa que eu dissesse possa ser usada contra mim. Senti que estava sendo julgada e uma simples pergunta poderia desencadear um furacão de outras. Começaria a responder se não fosse salva por Kim.
— Peggy… viemos a escola para quê? Estudar. E o intervalo serve para quê? Para descansar dos estudos que tivemos. Ouviste o que disse? Descansar. E não conseguimos descansar se estiveres sempre a azucrinar as nossas vidas.
— Mas ela…
— Sai.
— Só que ela…
— Sai.
Peggy saiu e Kim sentou-se dando um suspiro de alívio e Rosalya pôs seu braço envolto dos ombros de Kim.
— Mandou bem garota.
— Obrigada. Acho que foi só raiva mesmo. Para além de ser ignorante é racista e isso eu nem de longe consigo ver.
— Tem razão. Afinal, se eu quiser namorar com você eu namoro e pronto.
— Mas você é sem noção mesmo.
Continuamos a conversar e agora de volta a alegria até o sino tocar e voltarmos para as aulas até agora tudo estava fácil mas eu sabia que depois as coisas iam complicar então era importante estar a par de tudo. O sino de saída tocou mas Lysandre não estava mais a minha espera então calculei que estivesse no estacionamento e fui para lá.
Fui para lá e o encontrei.
— Oi Lysandre. – Eu abracei-o e ele correspondeu. Quando ouvimos um flash de câmara.
— Ouviste isto?
— Sim, foi um flash.
— Achas que foi a Peggy?
— Sim.
— O que é que ela poderá fazer com essa foto?
— Coisas más provavelmente.
— Como é que fazes para te manteres tão calmo?
— Não tenho segredo. Apenas não me importo e deixo seguir.
— Quem me dera ter a tua forma de pensar.
— Nem queiras. Às vezes as pessoas contam-me coisas e contam que a minha reacção seja de surpresa mas eu não me impressiono facilmente e elas acabam por ficar chateadas. E também como já te disse eu não tolero drama porque as pessoas gritam, choram, fazem o maior escândalo e dá-me dores de cabeça. Sou intolerante ao drama.
Subimos no carro e Lysandre diz:
— Vamos fazer um bolo?
— O quê?!
— Fazer um bolo.
— Oh. Meu. Deus. Eu não acredito!
— Sim. Vamos esquecer tudo que se passou hoje sobre a Peggy e fazer um bolo.
— Que tipo?
— Qualquer um.
— Chocolate.
— Em cheio. E depois…posso aprender uma ou duas coisas contigo.
— Não pode estar a acontecer.
Fomos até a loja. Compramos tudo o que precisávamos e voltamos para casa. Começamos a cozinhar e muito trigo a voar, ovos na cabeça e chocolate no nariz. Pusemos o bolo no forno e olhamos um para o outro estávamos sujos…muito sujos. Fomos tomar banho e voltamos. Depois de algum tempo o bolo estava pronto. Saboreamos com gosto a nossa obra-prima e o resto do dia foi óptimo.
— Gostaste do dia?
— É claro, incrível! Tirando algumas partes este foi o melhor dia de escola que tive.
— Fico feliz em saber isso. E com que menina te envolveste mais?
— Tirando-te a ti a Rosalya e a Kim. Elas são tão fixes e tratam-me como se eu já fosse amiga delas de longa data.
— Elas são muito boas quando se trata de boas vindas calorosas.
— Mas eu acho que ainda não me encaixo bem no grupo.
— Porquê?
— É só um pressentimento. Sabes quando entras num meio e não fazes ideia do que estão a falar e sentes-te posto de parte? É exactamente assim que eu me sinto.
— Por que ainda hoje conheceste-os dá-lhes mais tempo e vais ver que pouco a pouco enquadras-te perfeitamente.
— Só espero que estejas certo.
— E estou. E… de onde tu e o Dake se conheceram?
— Como disse, estudei em Austrália e no liceu eu, ele e uma amiga minha éramos super amigos, Dake foi o namorado da minha amiga. Foi o primeiro relacionamento serio que ele teve mas não foi tão serio. Quando ela não estava connosco ou não estava a olhar ele apanhava-me de surpresa e tocava em mim, até que chegou um dia em que a situação começou a alastrar-se.
Flashback on
Nesse dia eu havia ficado mais tarde na escola porque tinha algo para tratar com os professores e quando sai fiquei a procura de Yasmine ou de Dake e encontrei Dake.
— Oi All. A Yasmine?
— Deve ter ido ela e Ken, e porquê que tu não vais já?
— Tenho que tratar de algumas coisas.
Flashback off
E…ele me puxou para o balneário masculino, me prensou na parede e com uma mão agarrou meus braços por cima de minha cabeça e com a outra… — De repente uma lágrima rolou em meu rosto e começaram a surgir mais e mais.
— Allison, se quiseres pode parar.
— Não. Eu não contei isto a absolutamente ninguém é o meu segredo mais obscuro e ver Dake de segunda a quinta-feira só vai trazer isso a tona então tenho que desabafar – Respirei fundo e continuei. – Ele passou a mão em minhas coxas e perguntou se…se…se eu gostava daquilo e queria mais e tudo o que eu conseguia fazer era chorar, ele me beijou e lambeu meu pescoço e ai eu o mordi com força e ele me soltou, percebi que era aquela a oportunidade perfeita para fugir e fugi, não contei a ninguém mas depois daquele dia ele veio ter comigo pedir desculpas mas eu nunca aceite comecei a me afastar mais dele e ficar com Yasmine quando Dake não estava por perto. – Cada vez que eu contava uma palavra do sucedido mais lágrimas caiam e quando por fim acabei abracei Lysandre chorei tudo que tinha para chorar, ele primeiro ficou receosos mas retribuiu com toda a força.
— Lamento teres de passar por isso.
— Não lamentes…mas eu só te contei a ti porque és uma das pessoas que mais confio nesta escola e vives comigo e tens uma certa intimidade comigo que outras pessoas não têm mas não contes a ninguém.
— Eu prometo.
Eu me afastei de Lysandre e ia em direcção ao me quarto mas depois voltei e pulei para cima dele o enchendo e beijos e abraços.
— Obrigada por seres um bom ouvinte e amigo.
— De nada.
Ficamos a conversar abraçados e mais tarde fomos dormir.
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