This Is My Life
2 I'm coming
Finalmente havíamos aterrado e eu desci do avião e encontrei a minha mãe com o carro estacionado e estava fora do carro. Cabelos negros e olhos castanhos-claros. Eu tinha os olhos do meu pai mais a cor do cabelo dela. Meu pai tinha os cabelos na cor castanha.
Ela olhou para mim e sorriu. Fui a correr para ela e dei-lhe um grande abraço.
— Como está a minha boneca de porcelana?
— Bem, mãe.
— Anda. Entra para o carro.
Obedeci e assim que entramos pusemos os cintos e ela começou a conduzir.
— Sabes que não vais viver comigo?
— Sei, mãe.
— E que mesmo que fosses viver comigo era o mesmo que viver sozinha porque eu quase que não estaria em casa?
— Sei, mãe.
— E sabes que vais viver com alguém com as mesmas ocupações que tu?
— Eu não tenho uma banda mãe.
— Ainda bem que o teu pai mencionou isso. Tirando a banda vocês têm as mesmas ocupações.
— Sei, mãe.
— Não pareces muito animada.
— Porque é um completo estranho. Eu não sei o nome, como é, o que faz para além da banda e nem sequer sei se ele também sabe quem eu sou.
— Isso vai saber depois. Já chegaste.
— Adeus.
— Tchau querida.
Subi o prédio com cinco malas. Duas pequenas e três grandes e nem um sinal de alguém para me ajudar.
Porta número 25. Bati por 5 minutos e só depois é que abriram. Era um rapaz com um pijama branco com listras amarelas, cabelos platinados e uns cativantes olhos heterocromáticos.
— Oi. – Eu disse.
POV Lysandre ON
Estava a dormir quando oiço alguém a bater na minha porta…7 horas da manhã. Vou abrir e vejo uma rapariga de cabelos negros, pálida, olhos azuis e um montão de malas.
— Oi. – Ela disse. Fiquei algum tempo olhando para ela que para mim não parecia muito mas acho que foi demais.
— Posso entrar?
— Sim, claro. Precisas de ajuda?
— Muito obrigada. Se calhar meu pai tinha razão.
— Sobre o quê?
— Seres educado.
— Como te chamas?
— Allison Jones. E tu?
— Lysandre Ainsworth.
— Prazer. — Ela ergueu sua mão e eu a elevei a meus lábios e as beijei. Senti sua pele gelada em contraste com a minha quente me fez arrepiar.
— Você está gelada.
— Se soubesse do frio que fazia aqui teria vestido algo mais decente. – Só agora reparava que seus dentes tremiam. Então fui buscar um cobertor para ela se cobrir.
— Obrigada.
— De nada.
— Que horas são?
— Sete da manhã.
— Desculpa estar a acordar-te tão cedo e ainda num sábado.
— Não faz mal. A Sra. T. disse que haveria de chegar hoje. Só não disse quando. Anda que eu lhe mostro o seu quarto.
Fomos até um compartimento que ele dizia ser o meu quarto e era mais espaçoso do que imaginava. Poisei minhas malas lá com ajuda de Lysandre.
— Se precisar de alguma coisa é só pedir.
— Obrigada.
Ele saiu do quarto e eu pus meu pijama.
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Me joguei na cama e dormi.
Acordei quando eram doze horas. Havia recebido uma ligação da minha mãe. Tomei um banho frio e me vesti e saí do quarto.
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— Para onde vais?
— Como sabes que vou sair?
— Foi apenas um palpite.
— Mas está certo.
— Mas como é que vais sair se nem sequer conheces a cidade?
— Ai é que tu entras.
— Deixa-me adivinhar. Eu vou contigo?
— Mas é claro que vais.
— Não, não vou.
— Por favor. A minha mãe ligou a pedir para me levares a conhecer a cidade. E ela disse para te dizer algo sobre um caderno e eu?
— Para não ter ou tentar ter nada contigo antes de ganhar total confiança em ti para te deixar mexer no meu bloco de notas.
Corei violentamente. Como é que a minha mãe podia dizer coisas assim sobre mim? Ela quase sempre que dizia o que lhe dava na telha mas acho que nunca chegamos até esse ponto de ela tocar num assunto assim.
— Bem…isto é um pouco constrangedor.
— Um pouco? Se a minha mãe tivesse dito isso a alguém que morasse comigo pouco menos de 24 horas eu iria ligar para ela e ter uma conversa bem seria.
— Então…levas-me?
— Se quiseres podemos ir já.
— Yey.
Saímos e ele me levou para um parque com muitas árvores e bancos. Estava frio demais e mesmo com a roupa que vesti ainda assim sentia frio.
— O que é que preciso saber para te conhecer melhor? — Disse me virando para ele.
— Não gosto de confusões, escândalos, mas tenho um certo desgosto por escândalos que envolvem alguém que é meu amigo, sou uma pessoa muito protectora apesar de muita gente dizer que não pareço, não me importo muito com a opinião dos outros quando o assunto é algo meu a não ser que eu tenha pedido a sua opinião e caso for um conselho sou capaz de considerar, tenho uma banda, não gosto muito das raparigas que facilmente se atiram a mim. E posso garantir que onde vais estudar iras ver muito disso. E tu?
— Ao contrário de ti eu levo muito em conta a opinião dos outros, aceito muitos tipos de conselhos com facilidades e as vezes nem todos eles resultam. Sou uma pessoa que gosta de olhar para o lado positivo das coisas sem esquecer que tudo deve ter as suas desvantagens odeio rapazes que simplesmente não vê que têm alguém tão maravilhoso ao seu lado que só conseguem pensar em garotas fáceis, gosto de um rapaz que me dê desafio e que goste de musica tanto quanto eu. Sou e sempre fui alguém de poucos amigos mas confraternizo rapidamente com determinada pessoa que se demonstra mais próxima de mim.
— E sempre tiveste poucos amigos porque querias ou por outro motivo qualquer?
— Meus pais quase que nunca estavam em casa então eu quase que vivia com empregadas e quando minha mãe veio para cá e nos deixou em Austrália, meu pai não ficava mais em casa se podem assim dizer. Eu não podia sair porque o meu pai sabia que muita gente só fazia amizades com as outras por causa de outras coisas e mesmo que isso nunca tenha acontecido comigo mas sim com ele dava ordens as empregadas para que na ausência dele eu não pudesse sair. Me senti quase como uma Rapunzel.
— Sinto muito.
— Não é preciso porque uma vez que vim para cá é para socializar muito mesmo. Mas chega de falar de mim…tem uma banda mas como se chama?
— Winged Skull.
— E já são muito conhecidos?
— Estamos a ganhar cada vez mais espaço e consequentemente fãs.
Lysandre me levou a outros sítios e inclusive a um restaurante italiano. Chegamos em casa cansadíssimos.
— Obrigada pelo passeio de hoje. Foi realmente muito bom.
— Sempre as ordens.
— Já cozinhaste alguma vez?
— Já tentei mas sou um desastre na cozinha. – Dizia Lysandre levando sua mão direita ao cabelo platinado e dando um sorriso de canto.
— Podemos melhorar isso.
— Obrigado mas deixa para lá.
— Não posso. O dia estava a começar bem e tem que acabar ainda melhor.
— OK. Mas o que é que podíamos fazer para melhorar as minhas qualidades culinárias?
— Vamos ao supermercado procurar ingredientes para fazer uma lasanha.
— Ok.
Fomos de carro e o supermercado até que era perto. Nada que não tivéssemos feito a pé.
Chegamos lá e montes de pessoas olhavam para Lysandre. No princípio achei estranho mas depois me lembrei de que ele tinha uma banda e que consequentemente fã como o mesmo disse.
— Lysandre pode dar-nos um autógrafo?
— Claro. – Respondeu ele com um sorriso.
— Isto vai demorar muito mais tempo? – Disse mostrando toda a minha insatisfação com o que estava a ver.
— Eu acho que sim. Melhor nos encontrarmos na ala dos vegetais para fazermos as compras daqui a 15 minutos.
— Ok. Adeus.
Saí dali com um certo sentimento de raiva. Fiquei a ver certas coisas e depois fui para o lugar combinado onde esperava encontrar Lysandre e nada então decidi liga-lhe.
Ligação ON
— Lysandre onde estás?
— Desculpa a demora mas vieram umas gémeas e falavam tudo ao mesmo tempo eu não conseguia entender nada e depois veio uma senhora que pediu um autógrafo para a filha que não estava lá e não se calava.
— Então fazemos assim. Eu faço as compras e depois mando-te uma mensagem para abrires a porta do carro e eu espero-te lá.
— Ok. Adeus.
— Adeus.
Ligação OFF
Fiz as compras, paguei, mandei a mensagem, esperei no carro e só depois de dez minutos depois é que ele chega.
— Desculpa fazer-te esperar.
— Não faz mal.
— Faz sim. Não deveria ter feito aquilo.
— Só…não faça isso outra vez.
— Ok.
Continuamos a viagem sem dizer uma palavra e quando chegamos a casa começamos a por mãos a obra.
Fizemos bonecos de carne moídas, rimos, conversamos e atiramos de vez em quando com um bocado de carne um ao outro.
— Gostas assim tanto de lasanha?
— Sim. Traz-me imensas memórias boas. Aos domingos eu cozinhava lasanha com a minha mãe quase sempre. Ela colocava sempre carne moída em meu nariz. Assim – Pus um bocado de carne moída no nariz de Lysandre.
— Deviam ser bons tempos.
— E eram.
Pusemos a lasanha no forno e fomos tomar banho.
Cheguei primeiro e me joguei no sofá, depois foi Lysandre e estávamos a ver um filme muito relaxadamente quando de vez em quando ele me fazia uma ou duas cócegas e só depois de um tempo nisso é que ele foi aumentando o tempo de cócegas até me empurrar do sofá. Eu estava deitada no chão e ele em cima de mim.
— Lar…ga….me. – Dizia entre risos.
— Porquê?
Ele continuou a fazer-me cócegas e eu tentei fugir. Consegui levantar-me mas ele logo que puxa minha mão e eu caiu em cima dele, estava deitada por cima dele.
— Eu havia dito para me largares.
— E eu ouvi.
— Então porque não o fizeste?
— Porque não queria.
Dei um tapa leve em seu ombro e ele colocou-se em posição para me fazer cócegas e ele ainda nem tinha começado mas eu já gritava. Ficamos conversando mesmo naquela posição.
— Lysandre…você é o único na sua família com heterocromia?
Ele desviou o rosto meio que constrangido com a pergunta e eu muito suavemente levei minha mão ao seu rosto e direccionei-o para minha direcção.
— Que eu saiba sou sim o único com esta situação. É horrível eu sei.
— Acho que o maior factor para as miúdas estarem loucas por ti são os olhos heterocromáticos.
— Achas?
— Tenho a certeza.
— E o que é que tu achas?
— Acho que até ficas atraente.
— Serio?
— É claro.
— Obrigado.
A lasanha estava pronta depois de poucos minutos da nossa conversa e a comemos, assistimos a algo que dava na TV e fomos dormir.
— Boa noite, Lysandre.
— Bons sonhos, Allison.
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