This Is My Life
76 Ele não deveria ter dito aquilo
Notas iniciais
POV Yalitza
Nesse momento eu estava no banheiro chorando e esperando pelo pior. Era hoje. Eu morrerei hoje!
Por vias das dúvidas hoje dei, em segredo, todas as provas que apontavam que Jhonny era alguém malvado para Castiel. Porque depois do que aconteceu hoje e se ele achasse as provas quando viesse para cá eu estava morta. Literalmente!
Hoje mais cedo na faculdade aconteceu uma coisa que teria repercussões enormes ainda hoje. Só me resta esperar a hora.
Vocês devem tá pensando “nossa Yalitza que dramática! Quê que foi?!”
Eu digo a vocês em forma de flashback.
Flashback on
Hoje, quinta-feira, na aula de história mandaram-nos sentar em pares para fazer alguns trabalhos que ela deu em folhas. Ela me escalou para sentar com Lexy, reparem que foi ELA!
Lexy veio sentar no meu lugar e ficamos conversando normalmente com Armin que fazia dupla com Jhonny a nossa trás. Notem o primeiro erro. Estávamos conversando normalmente e o assunto foi para o tema de saúde do corpo e boa forma.
— Eu tenho conseguido ganhar alguns músculos. Sabe, para atiçar os outros meninos.
— Caramba Alexy!
— Nem é tudo isso! Eu vivo com ele e já o vi sem camisa.
— Yall pode confirmar também.
— Obvio. Visto que ela viu seus falsos-músculos e muito mais que isso.
— Quê?! – Jhonny, que estava na conversa também, enfim se pronunciou.
— D-deixem de falar bobagem. – Disse tentando fingir uma calma. Eu não queria que Jhonny soubesse que em algum dia em já havia tomado banho com Lexy.
— Eu posso ter meus falsos-músculos, mas Yall meus parabéns hein! Isso sim é que é um corpinho!
— Yalitza quase não põe nada que mostre seu corpo avantajado, como você sabe? — Disse Jhonny rindo. Eu sabia que ele estava furioso.
— Digamos que eu tive a graça de ver tudo e mais alguma coisa bem ao vivo.
— Você também viu Armin?
— Não! Sou muito bem comprometido. Se bem que da maneira que Lexy fala desperta curiosidade. – Disse ele se contorcendo na cadeira de tanto rir acompanhado de Lexy e Jhonny.
— Mas você é ex dela. Deve ter visto também.
— Claro! O que eu fiz com Yall... – Deixou por completar fazendo Alexy e Armin rirem.
— Hey! Eu ainda estou aqui!
— Desculpa minha lady, mas o assunto tá bom demais.
Depois da professora chamar a atenção ao nosso barulho nos concentramos um pouco mais nos trabalhos e conseguimos acaba-lo. Eu sabia que se eu saísse de minha casa com vida hoje seria a mais pura sorte.
Na hora do intervalo eu notei que Cast saiu então depois de cerca de dez minutos dele sair, eu saí também com minha mochila onde continha todas as provas. Eu não desgrudava daquilo por nada, mas comigo não poderia mais andar.
Olhei para Castiel e apenas com o olhar dei a entender a ele que era para ele me seguir e fomos até um sitio menos frequentado da Universidade.
— Que se passa?
— Toma. Isso é tudo o que temos agora contra Jhonny. Quero que fique com elas e...
— Porquê? Quê que se passa?
— Por favor me deixe acabar. E eu quero que saiba que se eu amanhã não vier a Universidade é porque provavelmente eu estarei morta.
— Credo! Que isso Yalitza! Quê que se passa?
— Eu não posso me demorar muito ele sentirá a minha falta e não demorará muito para juntar os pontos e saber que estou contigo.
— Tá bom, mas me fala.
— Alexy disse coisas que mesmo não sabendo despertou muito a raiva de Jhonny. Ele é muito ciumento e não gosta de Alexy. Talvez hoje ele me bata até eu desmaiar.
— Você está exagerando. Meu Deus Yalitza você está tremendo!
Ele segurou minhas mãos como forma de me tranquilizar, mas nada dava certo. Eu não queria ser agredida de novo.
— Fique calma. Se algo der errado e você realmente não vier amanhã eu chamo a polícia ou apresento queixa ou qualquer coisa que você quiser.
— Por favor não! Nós estamos tão próximo! Temos tudo!
— De que adianta ter tudo e desmascarar ele se Jhonny vai continuar solto por aí? Ele pode fazer mal para você Yall.
— Eu estou bem. Quando eu realmente precisar eu falarei a você.
— Porquê que tem tanto medo de denunciar ele?
— Porque eu já fiz isso uma vez! Na Austrália! Ele ficou preso por um ano e assim que saiu eu te garanto que surra maior que aquela eu nunca levei na minha vida. Depois de ele ter desmembrado meu grupo de amigos ele se separou definitivamente de mim. Até agora. E algo me diz que se daquela vez eu escapei, de hoje não passa.
— Não seja negativa! Pare com isso! Eu estou ficando preocupado!
— Não fique eu vou ficar bem. Só fique com as provas que eu tenho que ir. – Dei um beijo em sua testa e me despedi. – Pense boas coisas de mim para que eu possa absorver suas boas vibrações. – Disse sorrindo. Apesar de tudo que estava se passando na minha vida eu precisava sorrir. Precisava encarar tudo com a cabeça erguida para que o Universo sorria para mim depois.
Chegado a sala felizmente ele não deu pela minha ausência. Então dia correu normalmente.
Flashback off
Se ainda assim vocês pensam que é exagero então terão que ser testemunhas do que ele poderá me fazer.
Ouço a porta de entrada se abrir e meu choro aumenta. Ele me obrigou a dar uma chave da casa para que ele possa me ver sempre.
— Yalitza! – Ele bradou com ira na voz. Meu corpo estremeceu desde meus dedos dos pés até ao último fio de cabelo. – Apareça agora, porque se eu lhe encontrar eu garanto que vai ser muito pior.
Como se eu fosse um robô, sem pensar me levantei e andei em direção a sala. Era completamente involuntário!
— Jhonny por favor.
— Shh. Poupe sua voz para quando estive a gritar de dor.
— Eu preciso explicar a você o que realmente se passou. Não é nada do que está pensando. Alexy é gay!
— Gay? Você acha mesmo? Todo o mundo pode pensar que ele é gay, mas eu sei que não. Senão ele não estaria namorando com você.
— Eu não estou namorando com Alexy! Ele nem sequer gosta de mulheres!
— Me trair, na minha cara.
— Eu não traí você. Eu juro! Eu sou sua! Só sua!
— Se acha que eu vou cair nessa de novo está enganada. – Ele desferiu um tapa sonoro em meu rosto me fazendo cair e o mesmo me levantou pelo pescoço o apertando com força e me sufocando.
— Eu deveria ter notado. – Deu um soco em minha cara me fazendo cair e aí passou a socar meu corpo inteiro.
— Vocês pareciam muito juntos para serem amigos! Eu deveria saber. – De repente parou de me socar e olhou fixo para mim como se tivesse descoberto algo. – Você também me trai com Armin? É um namoro triplo?
— Não! Eu juro que não! Eu apenas sou sua, eu não estou com mais ninguém! — Disse chorando rezando para que ele parasse – Por favor acredite em mim.
Ele deu um sorriso melancólico.
— Você sempre mentiu tão bem. – Disse antes de me dar mais um tapa e se levantar para me dar chutes. Me levantei com o pouco de força que tinha e fui a correr para o banheiro, coisa que teria feito com sucesso se Jhonny não tivesse me puxado pelo cabelo com tal força que me fez cair para trás. Só não bati com a cabeça e desmaiei porque ele não tinha largado meus cabelos e eu desejava que ele tivesse feito aquilo para eu poder desmaiar de uma vez.
Ele foi me arrastando do corredor onde continha os quartos e o banheiro até a sala novamente, eu me esperneava de dor e pedindo para que ele parasse.
— Por favor eu imploro!
— Desculpa. Deveria ter pensado duas vezes antes de me trair. – Me deu mais um tapa – Sua vadia! Aposto que não foi só com eles dois que você fez isso! Com Castiel foi a mesma coisa né! Você não passa de uma puta! Eu vou matar você! – E foi em direção a cozinha provavelmente para buscar uma faca e eu corri para o banheiro me trancando lá.
Silêncio.
Quê que aconteceu? Porquê que ele não...
— SAI DAÍ AGORA! – Disse batendo na porta com força. Não parecia estar batendo com uma faca e sim...
Um martelo!
De certeza que ele pegou meu martelo para bife.
— Para! Para! Para! – Repeti com as mãos tapando os ouvidos como um mantra desejando que de alguma forma ele fosse mesmo me ouvir e parasse com aquilo. – Por favor Jhonny para! – Finalmente as batidas pararam e o barulho do martelo caindo no chão se fez ouvir.
— Yalitza? – Ele me chamou bem mais calmo. Abri a porta e vi ele de pé olhando para mim. Fuji até a sala com intensão de sair daquela casa. Mas ele segurou minha mão. – Desculpa.
— Hã?
— Desculpa... eu... eu...
— Jhonny...
— Deveria ter te matado com minhas próprias mãos. – E com essa frase ele bateu minha cabeça na parede e apenas me lembro de desmaiar. Finalmente.
ººººººººººººººººº
Acordo cheia de dores no corpo e no chão da sala.
Acordo.
Eu não estou morta?
Eu não estou morta!
A casa está escura e quase rastejo a procura de Jhonny.
Nada.
Deve ter voltado para sua casa. Olho para o relógio e já é meia-noite. Não. Eu não posso mais adiar. Não depois do que aconteceu comigo hoje.
Estou pensando em ir para a casa de Lysandre novamente pedir para que ele me deixe usar seu celular.
Saí pelas traseiras de maneiras que nem que ele estivesse a me vigiar pela janela ele me veria. E rumei à casa de Lysandre de bicicleta porque se eu tirasse o carro da garagem ele poderia notar. Se você fosse espancado fortemente e depois tivesse que subir em uma bicicleta para ir a casa de seu amigo pedir ajuda como você se sentiria? Eu sentia meus ossos craquelando! Kkkkkkkk é engraçado se falarmos assim, mas a dor é real e incessante e mesmo assim rumei a toda a velocidade até a casa de Lysandre e assim que acabei de subir, bati a porta já sem forças.
Bati por algum tempo, mas felizmente Lysandre abriu a porta.
— Yalitza?! Quê que faz aqui a essas horas?! Quê que aconteceu com sua cara?! Você está bem?!
— Eu preciso de algo e só você pode me ajudar. – Disse caindo.
— Meu Deus! Você está bem?! – Me colocou no colo. — Você está suando imenso! Veio correndo?
— De bicicleta. Eu não aguento mais ter de viver assim, eu tenho a sensação de que ele está nos vendo.
— Ele? O que se está a passar? – Disse fechando a porta com seu pé e me deixando a repousar no sofá.
— Você tem que me ajudar se eu não acabar com isso agora ele vai me matar!
— Quê?! Quem vai matar você Yalitza?!
— E-eu n-não posso falar agora! Por favor me deixe fazer um telefonema!
— Telefonema? O que aconteceu com o seu celular?!
— Ele levou! Levou tudo de mim! Ele tirou meus amigos, minha felicidade, minha vivacidade e se eu não fizer esse telefonema ele pode tirar minha vida!
— Tudo bem! — Ele deu o celular para mim e apoiou meu braço em seus ombros me dando apoio para que eu pudesse ir ao banheiro fazer a chamada. Eu estava rezando para que Castiel atendesse.
Chamada on
— Lysandre?
— Castiel!
— Yalitza?!
— Sim sou eu! E-eu preciso pedir algo para você.
— Você está chorando?!
— Não importa! Por favor apareça amanhã por volta das 23hrs em minha casa.
— Foi ele? Foi ele né! Eu vou matar Jhonny assim que eu colocar meus olhos nele.
— Não faça isso. Por favor senão eu é que sofro de novo.
— De novo? Ele bateu em você como disse hoje de manhã?
— Não importa.
— Diga!— Bradou do outro lado da linha.
— S-sim. Por sorte eu desmaiei, mas desconfio que depois disso ele não parou. Cast foi horrível.
— Eu estarei aí amanhã. Mas para quê?
— Traga as provas com você. Vamos acabar com isso o mais rápido possível.
— Tudo bem. Vai conseguir passar a noite sozinha hoje?
— Porquê que pergunta?
— Eu poderia passar por aí para fazer companhia. Nestas alturas devo admitir que até eu preciso de desabafar.
— Não precisa. Eu contarei tudo a você amanhã. Eu ligarei também para Alexy e Armin.
— Para quê? Eles também têm algo a ver com o plano?
— Sim. Conto para você amanhã. E mais uma coisa... pode trazer seu computador amanhã de manhã antes de ir a faculdade?
— Claro! Vai conseguir ir à Universidade?
— Preciso.
— Vá com calma Yall. Fique em casa a descansar.
— Se você diz. Eu preciso ligar para Alexy. Tchau.
— Se cuida Yall.
— Eu vou. – Ri da sua preocupação. — Beijo!
Chamada off
Logo liguei para Alexy que fez as mesmas perguntas. Apenas disse a ele que era para chegar à meia-noite com Armin e que dissessem a seus pais que iriam dormir em casa de Lysandre. Quando Lexy me perguntou o porquê eu disse que estava pensando na proposta de apresentar queixa contra Jhonny e que precisaria de apoio e conselhos deles dois e que amanhã não poderia ir a faculdade, mas sem dizer o porquê.
— Tudo bem minha flor. Amanhã a meia-noite nós estaremos em sua casa.
— Tchau Lexy.
— Se cuida meu amor.
— Eu vou. Beijo!
Depois de acabar os telefonemas e os apagar saí e encontrei Lys sentado no sofá provavelmente a espera de eu dar explicações para ele.
— Pode começar por me explicar porquê que está nesse estado.
Como por magia frames da noite de hoje passavam em minha cabeça e lágrimas se formavam em meus olhos. Quase que por automático minhas pernas perderam a força e cai sentada no sofá.
— Eu não posso dizer quem é porque nem isso eu sei. Mas posso dizer o que fez.
— E o que ele fez?
— Oh Lysandre, foi horrível! – Contei de forma sutil que enquanto eu chegava para cá fui assaltada e receberam meu celular e me bateram. Apenas deixando a minha bicicleta. Eu vim correndo até aqui pedindo um telefonema e ligando para minha mãe contando o que aconteceu. Ao que parece ele acreditou sim.
— Quer que eu chame a polícia?
— Não é necessário. Eles fugiram de van e eu nem conseguir ver a matrícula. Para além do mais eles estavam mascarados. Mas você não pode contar a ninguém. Absolutamente ninguém que eu estive aqui. Como da outra vez.
— Porquê?!
— Suspeito que eles estejam me seguindo. Eu preciso ir embora agora. – Disse me levantando com pressa sentindo minhas pernas bambas.
— Eu levo você.
— Não! Eles poderiam seguir você também e se acontecesse algo com você também eu nunca me perdoaria. Eu vou de um caminho diferente.
— Vai ficar bem? – Disse me acompanhando até à porta.
— Vou.
— Se cuida Yall.
— Eu vou. – Ri da sua preocupação. – Beijo!
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