This Is My Life
12 Cantora de chuveiro
Notas iniciais
Nesse mesmo dia quando chegamos a casa eu estava tão feliz e Lysandre que conduzia sem dizer uma palavra mas ainda podia ver a marca de batom na sua bochecha.
— Você não limpou.
— O quê?
— Meu batom de sua bochecha, não limpou.
— Deixa para lá. Os rapazes logo que viram perguntaram o que tinha acontecido e disse-lhes que foste tu e eles aconselharam-me a não limpar e não limpei.
Lisandre já estava a estacionar e quando saímos disse.
— Ainda bem que não limpou.
— Porquê?
— Gosto que saibam que eu dei um beijo na sua bochecha, toma mais um. — Eu beijei a sua outra bochecha – O outro já estava a sair.
Lisandre estava todo corado e não sei porquê gostava de deixar-lhe assim, enquanto subíamos fui contando o lance da Lette e do Armin e da sorte que eles tinham de se apaixonarem um pelo outro.
— Já imaginaste se depois de tanto tempo sem falar nada acabas de perceber que a pessoa que gostas também gosta de ti mas não diziam nada um ao outro? Isso é loucura, se gostasse de alguém eu dizia-lhe, a não ser que tivesse vergonha a mais mas se estivesse bêbada dizia-lhe provavelmente e tu?
— Talvez dizia-lhe em forma de canção ou dedicava uma a ela e cantava num dos meus shows. Mas isso na pior das hipóteses.
— Pior?
— Acho que arranjaria um momento e dizia a ela o que sentia, se ela não sentisse o mesmo continuaríamos amigos.
— Tem razão.
Depois de algum tempo vejo Lysandre sair de seu quarto.
— Aonde vais?
— Ensaiar, queres vir?
— Obrigada mas fico a arrumar a casa, quero que quando chegues encontres tudo limpinho.
— Fazes-me lembrar a minha mãe sabias disso?
— Não. Como ela se chama?
— Josiane.
— E porque eu faço-te lembrar dela?
— Ela também se preocupa muito com a limpeza e prefere sempre a comida caseira, também se preocupa muito comigo e na maioria das vezes ela enchia-me de beijos.
— Bem… é verdade que me preocupo com você mas vou tentar lhe encher de beijos mais vezes se puder e… talvez algum dia eu possa conhecer a senhora Ainsworth.
— Você quer mesmo conhece-la?
— Claro, desde que ouvi a musica love of mother sempre tive curiosidade em conhecer a tua mãe, e também ouvi que ela é amiga da minha mãe.
— Mas ela é um pouco… como é que posso explicar? Da vez que estávamos todos juntos ela perguntava sempre onde estava a minha namorada, e insistia em que eu devesse arranjar uma para poder… — Ele limpou a garganta – dar-lhe netos.
Eu comecei a rir e não conseguia mais parar, Lysandre estava corado e me joguei no sofá e continuei a rir.
— Deve ser uma senhora muito activa adoraria conhecer a senhora Ainsworth, talvez um dia você possa me apresentar.
— Ela só vem para cá no Natal ou outras ocasiões como os meus anos. Mas eu acho que ela ia amar você.
— Espero.
— Bem… Adeus.
— Lysandre.
— Sim.
— Como você tomou um banho o batom saiu todo então… — Eu beijei suas bochechas – Aqui está, e aumenta a minha capacidade de encher-lhe de beijos como sua mãe.
— A-adeus.
— Tchau.
Assim que ele saiu pensei no que ele tinha dito sobre os netos e comecei a rir, pus o álbum da Winged Skull bem alto no meu computador e fiquei ouvindo aquelas músicas.
POV Lysandre on
Talvez possa parecer loucura mas eu acho que até ao Natal gostaria de apresentar Allison como minha namorada e realizar o desejo de minha mãe, ela nunca esteve de acordo com a mudança de Leigh e eu mas sempre nos amou e quis o melhor para nós, mas eu acho que deve ser apenas dos beijos que tomei dela, afinal, não é todo o dia que Allison age assim, a ultima vez que ela esteve assim tão ousada foi quando fomos aquele clube ela estava bêbada mas talvez seja isso, talvez ela estivesse… ah, o que é que eu estou a dizer, se continuar a pensar nela não vou conseguir ensaiar, tenho que a esquecer.
Cheguei até lá e estavam todos.
— Hey, estávamos a tua espera.
— Desculpem atrasei-me.
— Foi a Ally de novo?
— Talvez.
— Meu, ela quer-te tanto. – Dake estava sentado e nem parecia estar a prestar atenção ao que dizia – Tens sorte em gostares de alguém que também gosta de ti.
— Porquê que dizes isso?
— Nada, a Kim estava…
— Vamos ensaiar. – Castiel disse ríspido e frio, ele não gostava mesmo que falassem de Kim.
Começamos ensaiar, quando estava a cantar love of mother não conseguia parar de pensar em Allison e em como ela gostava dessa canção, talvez mais tarde eu vá perguntar o porquê.
Quando fizemos uma pausa estávamos a falar do tema que me deixava mais desconfortável: miúdas.
— Então Castiel o que se passa entre ti e a Kim?
— Nada, de repente ela decidiu bancar a defensora de tudo o que há no mundo e admitiu que gosta de mim.
— Oh!
— Mas não podemos ficar juntos porquê haveria muitas consequências.
— Que consequências?
— Pergunta a ela. Talvez o Dake possa perguntar, ela responde a tudo o que ele quer saber e quando ele chama lá está ela.
— Não é bem assim. Eu e Kim tínhamos feito um pacto e não correu como esperado, então ela ficou lá para me apoiar.
— Que tipo de pacto é esse?
— Juramos nunca falar nada a ninguém.
— Entendo. E Lysandre? Hoje Allison cismou que deveria encher-lhe de beijos.
— Foram só beijos na bochecha.
— Meu, ela quer-te tanto, devias beijar-lhe já.
— Hoje são beijos na bochecha amanhã que sabe?
— Não comecem, eu disse-lhe que ela fazia-me lembrar a minha mãe por causa disso.
— Meu, isso quer dizer que queres apresentar-lhe aos teus pais!
— Mas ela mesma disse que gostaria de conhecer minha mãe.
— Wow!
— Ela está tão numa.
— Creio que ela disse isso só para ser simpática.
— Elas querem que lhes apresentemos como namoradas e se não fizeres isso ela vai ficar fula.
— Não acho que Allison seja desse tipo.
— Todas são. Ela já quis saber o nome da tua mãe certo?
— Sim.
— Tens tanta sorte.
— Não entendo como é que conseguem se aperceber que uma rapariga gosta de vocês porque disse apenas que gostaria de conhecer a vossa mãe, eu disse apenas que minha mãe era muito gentil e tinha alguns hábitos que ela tinha.
— Ela acha que sua mãe vai dar uma boa sogra.
— Deus! Dake de onde você tira essas coisas.
— Apenas sei.
— Vamos apenas ensaiar que o tempo de pausa acabou.
— Se você diz.
Continuamos ensaiando até sair do porão e Castiel ir para minha casa.
POV Lysandre off
Tinha arrumado a casa toda e só me faltava a sala, como a minha mãe eu não via mal nenhum em arrumara casa de short então foi isso que fiz, enquanto ouvia a minha nova musica preferida, love of mother claro que também gostava de outras mas esta é a que eu mais me identifiquei, a musica fala de um menino que vivia longe de sua mãe mas ele sabia que ele a amava onde quer que ele estivesse, era como minha mãe sempre vivi com meu pai mas quando minha mãe me visitava mesmo não sabendo bem as coisas que gostava ela emanava um amor tão grande que parecia que ela estava sempre lá connosco.
Estava tão entretida na musica só quando acabei é que me dei conta de que Castiel e Lisandre estavam parados frente a porta a olhar para mim.
— Oh! Desculpa não queria incomodar-vos. Eu saio já.
— Não, não. Não há problema nenhum em ficares, só estávamos a ouvir-te cantar.
— Oh meu Deus isso ainda é pior! – Saí da sala a correr e levei comigo o meu computador.
POV Lisandre on
Ela cantava lindamente aquela canção, eu não sabia que ela cantava e não sabia que ela cantava assim tão bem, hoje está a ser um dia cheio de surpresas.
— Hey Lysandre tens aqui algo raro.
— Sim ela canta muito bem.
— Ela detonou a tua canção.
— Tens razão.
— Tu gostas mesmo dela não é?
— Talvez, mas eu ainda não sei o que se passa comigo para de repente gostar assim dela, quer dizer, ela só vive aqui a um mês.
— Pode acontecer muita coisa em um mês e mais, deveria saber se ela gosta de você e se há “consequências” em relação ao vosso namoro.
— Estás assim tão chateado com a Kim?
— Muito. O problema é que ela é pessimista demais.
— Já tentaste saber a razão de tanto pessimismo?
— Não.
— Deve ser algo que se passou a muito tempo.
— Pois! Ela contou-me de um amigo dela que o deixou de o ser sabendo que ela nunca haveria de namorar com ele.
— Talvez essa seja a fonte de tanto pessimismo em relações com amigos de longa data que só agora têm sentimentos um pelo outro.
— Talvez deva ser isso, eu vou dar um tempo antes de convence-la que sou o rapaz que ela precisa.
POV Lysandre off
Estava no meu quarto, não tinha a mínima vontade de sair, estava muito envergonhada pelo facto de me terem ouvido a cantar, da última vez que cantei em público, minutos depois não foi a coisa mais agradável.
Algum tempo depois oiço a porta se fechar e sei que Castiel já se tinha ido embora. Alguém bate minha porta e como era de esperar era Lysandre.
— Pode entrar. Senta-te – Fiz sinal para que ele se sentasse na cama. – Então o que te trás ao meu humilde quarto?
— Eu queria apenas conversar contigo.
— O que queres conversar ao certo?
— Um pouco mais cedo eu ouvi-te a cantar e…
— Eu sei desculpa, não devia ter levantado assim tanto o som, não devia estar cantando assim tão alto… não deveria nem cantar.
— Porquê?
— Eu nunca contei isto a ninguém, nem a minha própria mãe mas já que se passaram muitos anos eu preciso de desabafar. Eu tinha acho que sete anos quando aconteceu. Eu amava musica, cantava em todos os cantos da casa e as criadas sempre se alegravam ao me ouvir cantar, cantava para meu pai e para minha mãe quando ela estava em casa, e os dois amavam, e eu gostava muito das aulas de musica, mesmo nunca sendo escolhida para cantar uma nota sequer mas um dia isso aconteceu. O professor me escolheu para cantar uma canção, curta, mas pediu a mim, me senti até honrada e depois de cantar o professor disse que eu tinha uma linda voz, pensei que faria novas amigas porque iriam vir todas elogiar a minha voz e aí cantarmos juntas mas eu era inocente demais para saber que no mundo nem tudo é o que queres que seja. As raparigas mais populares da sala vieram até meu encontro e disseram-me para ir com elas até ao banheiro, pensei que iríamos conversar e ser melhores amigas para sempre mas fui uma tonta, elas disseram que a minha voz era horrível e o professor só me elogiou porque tinha pena de mim, ela pegou numa tesoura e cortou meus cabelos que chegavam até as costas, ela os cortou até a altura dos ombros e disse “vamos ver se isso serve de lição para não ser melhor que eu” e me deixaram lá na casa de banho, quando voltei para casa minha mãe perguntou o que se passou mas as raparigas disseram que se uma delas arranja-se problemas pelo que fizeram eu também os arranjaria então disse que fui eu mesma, levei uma bronca de meu pai e minha mãe mas depois passou, sempre que meu professor pedia que eu cantasse eu dizia que não estava a me sentir bem e desde que me lembro nunca mais cantei em frente de alguém com medo de que me fosse feita alguma coisa pior ainda.
— Não sabia que essa era a razão.
— Não faz mal.
— Então chegou a hora de enfrentar o medo. Eu estive trabalhando numa nova letra e eu pensei em transforma-la num dueto para fazer contigo o que acha?
— Está me convidando para cantar, ao vivo, com a Winged Skull?
— Sim.
— Eu… Não acredito! Sim, sim, sim! Muito obrigada Lysandre! – Pulei para cima dele o deitando na cama.
— O prazer é todo nosso. Falei com Castiel e ele disse que a ideia seria legal então o que você diz de este sábado?
— Sim! – Comecei a beijar vários pontos de sua cara. – é uma bênção eu não estar a usar batom agora senão sua cara ficaria toda manchada.
— Tem razão, mais outra pergunta… qual é sua musica favorita?
— Love of mother da Winged Skull, porquê?
— Eu oiço você cantando às vezes. Oiço de meu quarto.
— Oh meu Deus! Desculpa, eu não sabia que estava a incomodar.
— De jeito nenhum, eu gosto de lhe ouvir cantar.
— O-obrigada.
— Não tem de quê? Se pudesse cantar mais vezes eu agradeceria.
— Acho que em algum dia eu tinha sugerido que cantasse para mim as vezes e você recusou então eis o acordo eu posso cantar para você se você cantar para mim. Combinado?
— Combinado.
Estávamos deitados na minha cama a conversar sobre as mais variadas coisas e ele perguntou qual era aquele lance de chamar o Armin.
— Queríamos saber de quem ele gosta para podermos… — Eu me interrompi.
— Que foi?
— Promete não contar a ninguém?
— Sim.
Levantei meu mindinho para ele e ele me olhou sem entender.
— Vá lá Lysandre, a jura do mindinho. – Peguei seu mindinho e entrelacei ao meu – Você jura não contar não é?
— Juro.
— Então cá vai… Violette gosta de Armin.
— O quê?! Pensei que fosse algo realmente serio como um golpe de estado ou algum segredo sobre qualquer coisa derradeiramente importante mas isto?!
— O quê? – Eu estava rindo – Golpe de estado?
— Sim.
— Isto é mais importante que um golpe de estado e preciso da sua ajuda para juntar-lhes.
— Eu não gosto de me meter assim na vida amorosa das pessoas.
— Vá lá, você não tem que lhe dizer que Violette gosta dele mas diga-lhe para ir ter com ela e que nunca se sabe quando é que uma miúda gosta de nós, diz-lhe que tens reparado que ela olha muito para ele mas ele não pode mencionar isso em nenhuma conversa com ela.
— Entendido.
— Isto é tão emocionante. Seremos casamenteiros!
— Ainda não me conformo em me meter na vida amorosa do meu amigo.
— Tu só vais ajudar e até vai ser melhor, por isso, relaxa. Eu quero que quando eles fiquem juntos e se for amor e verdade eles casem, eu fique a madrinha de casamento, e num discurso ela conta que tu e eu demos um empurrãozinho para que aquilo avançasse e depois ela me agradecesse dizendo que se não fossemos nós ela nem saberia o que fazer e eu dizer que foi o meu dever como amiga.
— Sempre admirei-te pelo facto da tua imaginação ser muito fértil.
— E eu sempre te admirei por… para falar a verdade eu admiro tudo que fazes, acreditar que algo é realmente o teu sonho e segui-lo alcançando até ao sucesso, o teu jeito de ser, a tua pessoa, a tua personalidade e o facto de seres muito sincero – Disse apertando as suas bochechas – Vá vestir o pijama e hoje durma em meu quarto, o que me diz?
— Hum… não sei.
— Vá lá, eu vou me comportar, não será como quando estava completamente bêbada.
— Não tão bêbada, porque ainda assim raciocinava, menos que agora mas sim.
— Muito obrigada pelo elogio e por me chamar de “ bêbada comportada” ou “bêbada racional”.
— Foi um prazer.
— Então o que me diz?
— Ok. Tudo bem.
— Yey! Vá – Eu o levantava – Vista o pijama e venha pra cá.
Quando ele saiu tomei um banho rápido e vesti meu pijama.
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Quando saí eu o encontrei sentado na cama.
— Toma, este é para ti. – Eu tinha dois peluches, uma ovelha e uma raposa – Eu gosto muito desta raposa, foi minha mãe que me deu quando eu tinha seis anos, ela me enchia de presentes para disfarçar a sua ausência e pensava que fazia efeito mas não, eu sabia o que ela estava a fazer e se isso a fazia sentir melhor ok. Ela ajudava-me a dormir, embora eu nunca tivesse lhe dado um nome, quando vim para cá a medida que te conhecia dei-me conta de que seria tua amiga facilmente por termos tantas coisas em comum e pelo simples facto de vivermos na mesma casa então por ser algo que eu amo eu decidi que esta raposa deveria se chamar Lysandre. – Estendi os braços a espera que ele me abraçasse e abraçou, ficamos mais um tempinho assim.
— Obrigado Allison.
— Toma, é para ti. Se um dia tiveres que ir em digressão ou em qualquer outro lugar leva para te lembrares de mim.
— Assim o farei.
Ficamos na conversa durante mais algum tempo e depois durmimos.
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